28/04/2005

A pelúcia – candidata a um lugar na história política portuguesa

Pela primeira vez na história da humanidade, o candidato a presidente de uma conhecida autarquia nortenha será um pequeno gato de pelúcia.

O gato em questão, um peluche cinzento listado que responde pelo nome de Erlander, não é o primeiro ser inanimado a candidatar-se a um lugar ao sol na vida política - há já vários exemplos de seres não vivos que, com relativa glória, fazem parte da política nacional - mas tem a particularidade de ter uma grande experiência em lugares ao sol, visto que um dos passatempos preferidos deste nosso comparsa felino é, justamente, estar ao sol.

Esta escolha política arrojada foi fortemente motivada pelo consenso geral suscitado pelo gato, considerado pelos seus pares como “fôfinho”, “ternurento” e “sagazmente estóico”. O facto de ele não ser capaz de falar também contribuiu para a opção, uma vez que pela boca, nunca morreu um gato.

É, pois, a derradeira tentativa de reaproximar o povo dos políticos e promover mesmo o contacto físico pacífico com a classe – quem nunca tenha tido vontade de fazer festinhas a um gato, que se acuse!

27/04/2005

Sentidos desligáveis

Regra geral, odeio ouvir as conversas telefónicas dos outros - especialmente aquelas de chacha e de combinações que só interessam a quem está envolvido e a quem vai. Odeio ainda mais quando as pessoas presumem que estou realmente a prestar atenção e que sequer me interesso pelo que estão a dizer. Odeio profundamente quando dialogam comigo presumindo que ouvi tudo. Odeio totalmente quando ouvem as minhas conversas e utilizam informações ou frases que porventura ouviram para fazer comentários.

Mas o que mais odeio é ter de estar a trabalhar (mais especificamente: a tentar redigir um manual dum simpático veículo utilitário de uma reconhecida marca de motas que começa por K e acaba em I) e a ouvir telefonemas sem fim.

Há sentidos que se deviam poder desligar de vez em quando.

23/04/2005

31 anos de 25 de Abril


Liberdade - Vieira da Silva
O 25 de Abril faz 31 anos esta segunda-feira.

Não conheci o mundo antes do 25 de Abril.

Viva a liberdade.

Centro de documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra (especialmente interessante o Arquivo Electrónico da Democracia Portuguesa)

21/04/2005

Onde nós acabamos e os outros começam

Uma fronteira indefinida e talvez indefinível, a primeira das nossas liberdades limitadas: assim como só podemos ocupar o espaço físico que ninguém está já a ocupar, acabamos onde começam os outros.

E aí nasce a palavra ou o erro que invade o espaço alheio.

O direito adquirido de falar une ou separa?
Falar, falar sempre e invadir espaços, é o que vos sugiro hoje.

20/04/2005

Extra, extra!

Insurgindo-se contra a letargia criadora que nos tem assolado nos últimos tempos, foi hoje apresentado ao mundo em geral o novo engenho Arrumatrício, um potente dispositivo de arrumação que, começando por provocar a desarrumação apocalíptica numa qualquer sala, arruma tudo posteriormente e organiza todo um novo esquema decorativo de inspiração marcadamente feng shui (ler /fónh chui/, professora de chinês dixit) com ligeiros laivos étnicos do Burkina Faso.

Inspirado na dinâmica de arrumação desorganizadora a que todos nos sujeitamos no dia-a-dia e na milenar filosofia hindu que teoriza a destruição criadora, o Arrumatrício facilita a tarefa e faz com que não nos tenhamos de preocupar em desarrumar para depois arrumar, permitindo-nos aproveitar as coisas realmente boas e belas da vida, como por exemplo tudo o que envolva chocolate, queijo e até morango, para os mais destemidos. Uma novidade que vem mesmo a calhar.

17/04/2005

O ambiente explosivo das confeitarias ao Domingo

Ao Domingo, quando todos decidimos que o nosso lanche deve ser preparado por mãos alheias e nos dirigimos a uma confeitaria/café, o ambiente é de tensão explosiva – muito devido às nossas costumeiras filas.

Nas filas de espera, existem três espécimes: o espertinho, o sostro e o bitaites. O primeiro deles é o que quer sempre furar a fila e passar à frente de todos os sostros que o deixarem, lanchando logo na fila ao comer os outros por parvos. O sostro é aquele que ou deixa passar o espertinho, calando e comendo (lanchando logo na fila, mais uma vez), ou demonstra a sua insatisfação, mas com uma boca tão insignificante que ninguém repara e o espertinho leva a sua avante. Já o bitaites, é o eterno insatisfeito, aquele que só espera por um momento de glória para poder mandar a sua boca brutal e comer os outros todos de cebolada. Tudo gira à volta da comida, portanto.

As distintas combinações de espertinho/sostro/bitaites podem levar a diferentes ambientes, todos de maior ou menor tensão:

::Sostro+espertinho=tensão moderada, mas facilmente ultrapassável. ::Espertinho+bitaites=pequena rixa popular na confeitaria.
::Sostro+espertinho+bitaites=motim total, conduzindo ao caos espectacular e apocalíptico que inclui napoleões a esvoaçar pelos céus da confeitaria.

A confeitaria/pão quente é o maior campo de batalha de todos os tempos. Um simples lanche, amigos, um lanche, esse sim, irá desencadear uma tal espiral de violência que só poderá culminar na terceira guerra mundial. E era só mais um Domingo à tarde...

15/04/2005

Baixinhos, uni-vos!

Rejubilei, amigos, rejubilei. Nada mais, nada menos do que com o novo vídeo da Kylie, essa jovem que consegue ser uma gigante da música com apenas 1,54 m e ter o aspecto fabuloso dos 20 e tais aos 37.

Todos sabemos o indisfarçável: a senhora e seus produtores esforçam-se, e bem, por não fazer notar a sua estatura, em todos os vídeos. Mas neste, destrói-se o glamour dos baixinhos assumindo precisamente o recalcamento de ser baixinho, transformando a pequena Kylie numa gigantone. Mais valia continuar só a disfarçar...agora, a causa dos baixinhos está irremediavelmente perdida!

O novo vídeo da Kylie, para quem ainda não viu
Site Short Support: o apoio que faltava às pessoas baixinhas

Bocas!



Eis mais uma banda desenhada da infância de alguns (1987/1989), o fantástico Bocas!

Fiquem sabendo que "Geragera Boes Monogatari" era o nome original da série japonesa; em Inglês, "Story of the Chuckling Boes" ou "Ox Tales". Em Neerlandês, língua na qual ouvíamos a música, a série chamava-se "Boes" (daí o Boes, Boes da cançãozinha! Hoje finalmente percebi o que cantava em altos berros :) Também aprendi que em Itália, o nosso Bocas era o Álvaro e a série era o "Fantazoo".

Bem, o Bocas era realmente um grande boi – expressão esta que deve ter começado por ser inofensiva no período Bocas, para hoje se tornar ligeiramente insultuosa – seria o lobby machão dos oitentas que não gostaria de ver o másculo Bocas a estender roupa, a cozinhar, a fazer a lida da casa?

Mas quem esquece o macacão vermelho e os tamancos flamengos? Que pérola.

13/04/2005

Quando eu for grande...

Porque é que raramente nos tornamos naquilo que queríamos ser quando éramos pequenos? O meu primeiro dilema profissional foi no 5º ano, nas aulas de Inglês. Quando a professora perguntou o que queríamos ser, eu tinha de escolher uma profissão: era urgente carimbar o meu futuro com um rótulo.

Após alguns anos de infância a pensar que escolheria uma das profissões dos meus pais e a elaborar uma extensa lista de alternativas prioritárias, decidi enveredar por uma escolha autónoma e exterior à lista...que foi...querer ser hospedeira de avião (“air hostess”, aprendi eu, orgulhosamente, na aula de Inglês!).

Não sou hospedeira de avião.

Hoje, a filha de uma das colaboradoras da empresa onde trabalho (que tem 5 anos), depois de elogiar veementemente uma pulseira florida toda giraça que eu tenho ;) perguntou-me: “Sabes o que quero aprender a ser quando for grande?”

E eu, debatendo-me algures num texto que envolve patilhas e tinteiros e cópias, perguntei, “então diz-me lá”.

E ela, da altura dos seus 5 anos, diz muito, muito alto: “Ca-be-lei-rei-ra! E costureira!”

O drama da indecisão. Mas ainda lhe falta muito :)

12/04/2005

O cocas (mas não, não é esse, é o outro)

O cocas: esse extraordinário brinquedo esquecido desde a nossa infância. Ao contrário de outras complicadas engenhocas infantis, basta um pedaço de papel dobrado de acordo com uma fórmula ultra-secreta, algumas cores para colorir os cantos e alguma imaginação para as palavras do interior (entre as quais estavam sempre presentes os hoje-inofensivos termos “burro” ou o invejável “simpático”, “sim” e “não” no caso dos cocas de adivinhação, etc.). Depois, é só pedir um número – e numa questão de segundos, o omnipotente cocas dirá de seu juizo qual é o nosso carácter, quais são os nossos sentimentos por alguém, etc. Existe ainda a possibilidade de lhe fazermos perguntas, e os seus dotes de vidente também o afirmaram como entretenimento da pequenada.

Quem nunca delirou com as capacidades analíticas de carácter do cocas? A bajulação, o gozo, a humilhação! Quem nunca ficou furibundo por ser chamado de burro por um simples papel dobrado que se move vertiginosamente ao sabor do movimento dos dedos? Quem nunca tentou pedir um número impossível de contar?

Quem é que ainda consegue fazer um cocas? ;)

09/04/2005

Tenho uma teoria...

...neste momento, existem alimentos ricos em todas as vitaminas, todos os minerais, que têm tudo o que precisamos. Acabada de beber um Adagio Simbiótico de morango e melancia, sinto que se comesse uma poderosa fatia do todo-poderoso pão-de-forma enriquecido com 15 vitaminas e ferro energético, nada me deteria. Se acrescentasse uma manteiga extra-light anti-colesterol, a meta era o universo. O caminho? Vamos tornar-nos imparáveis.

A minha teoria é que ingerindo este tipo de alimentos hiper-ricos em tudo, nem sequer precisamos de almoçar nem jantar, tornamo-nos invencíveis com este precioso auxílio químico - entupidos de L Casei Imunitass, "bifidus", vitaminas, minerais, anti-colesteroleicos, oxigénio activo, soja enriquecida, enzimas probióticas activas, sentimos que tudo está ao alcance de uma embalagem colorida. Agora só falta um iogurte/pão/... que contenha alegria, humor, boa-disposição para tudo ser perfeito.

Será que o elixir da juventude já existe, disfarçado numa das embalagens?...

Bom fim-de-semana, enriquecido com sol e bom-humor :)

07/04/2005

Ideias brilhantes postas em prática (para variar)



O chocolate com bolhinhas de ar é seguramente uma das melhores invenções chocoláticas de todos os tempos, mas acho melhor não pensarmos demasiado na forma como algum pioneiro mestre chocolateiro poderá ter desenvolvido o conceito! Ter-se-á inspirado no famoso queijo esburacado? Seria alguém sem escrúpulos e ávido de lucro? Ou terá injectado o ar no chocolate utilizando vias menos ortodoxas? Medo...

De qualquer forma, foi uma grande ideia. Inspirada pelas bolhinhas de chocolate ausente do Dairy Milk Bubbly, decidi elaborar o meu top* achocolatado pessoal:

1. Míticos e extintos guarda-chuvinhas da Regina
2. Chocolates da
Thorntons (Buáaaa não há cá!!)
3. Chocolate para o leite da Suchard Express
4. O novo e delicioso
Bubbly da Cadbury
5. Todos os outros

*Top sujeito a alterações inesperadas sem aviso prévio.

Godiva chocolatier: Secção de receitas bastante sugestiva, incluindo fabulosos cheesecakes de chocolate ;)
Chocolate Cuisine: Mais receitas com chocolate, incluindo de aperitivos e entradas!

06/04/2005

:)


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Originally uploaded by izzolda.

05/04/2005

XIC anuncia inovador canal para o Castêlo da Maia*

Dando continuação a um ambicioso plano de lançamento de canais regionais, o prestigiado grupo XIC apresentou o novo XIC CM, o canal XIC Castêlo da Maia.

De acordo com o director de marketing do canal, esta aposta regional era “necessária e urgente”, uma vez que “os vastos milhares de habitantes do Castêlo da Maia já mereciam um canal como este”.

A grelha do XIC CM aposta nos programas de ficção, dos quais se destaca a famosa série “CSI - Castêlo da Maia”. “Os milheirais do Castêlo são um cenário de rara beleza e intriga”, afirma o realizador da série, que admite também estar “deslumbrado com o potencial da vila enquanto pólo de atracção turística” e já tratou de adquirir uma quinta de 476 hectares na região.

A informação será outro prato forte do canal, salientando-se os boletins agrícolas e apícolas horários, que irão ser determinantes para a afirmação da projecção internacional da região como poderoso motor do desenvolvimento nortenho.

Entre os habitantes, a expectativa é grande. D. Maria, uma anciã de 87 anos, confessa: “Estou cansada de andar nos milheirais, agora quero é ver televisão.”

*obviamente, esta notícia é fictícia de tão ridícula.

04/04/2005

Sentimentos ou a ausência deles ou a verdade

Segunda-feira cinzenta. As pálpebras teimam em não abrir ao som do rádio-despertador. A minha alma também caiu como um vaso vazio ao ouvir o segundo rádio-despertador (sim, uso dois, o segundo canta-me para dizer que já devia estar a pé!), atraso iminente. Sinto as pinturas e as limpezas do fim-de-semana na pele com o sentimento do dever cumprido (bom dia, Cátia!). Escadas, água, água, água, roupa, brrrrrr do secador, iogurte líquido, chaves, corrida, carro, algum trânsito, cheguei.

Não me apeteceu contar-vos uma mentira de 1 de Abril, por isso conto a mais pura verdade do meu dia 4. Mentiras, ouvimo-las e contamo-las todos os dias, porquê glorificá-las num dia especial?


Boa semana :)

31/03/2005

O poder do sssssssooooooommmmm


Boing cabum xuac pst? Umpf! Poing...zumba puf tungas pás :)

Tlin tim pim, upa truclas. Vrum vrum tum, népias.

Grunf - é a minha favorita...tunflas! Qual é a vossa?

30/03/2005

A importância crucial da chapadona



Ontem ao ver o telejornal, aprendi o ensinamento precioso de um senhor da terceira idade, com certeza bem mais sábio do que eu: um estaladão na altura certa resolve todos os problemas.

"Todos temos por onde sermos desprezíveis. Cada um de nós traz consigo um crime feito ou o crime que a alma lhe pede para fazer."
Fernando Pessoa

29/03/2005

A vida numa ilha II: um metro a sério


The Lure of the Underground, Alfred Leete

Habituados que estamos ao nosso pequenino mini-metro do Porto, andar no metro de Londres é utilizar quase 400 quilómetros de linhas do serviço de metro mais antigo do mundo (desde 1863). Segundo os modestos ingleses, também é o mais organizado.

De facto, existem tantas placas, indicações sonoras e cartazes que um turista é imediatamente reconhecido e olhado de soslaio por não cumprir as regras gerais de etiqueta. Das mais famosas indicações características do metro londrino, destaco o mítico aviso sonoro “Mind the gap”, que soa em várias estações, também numa versão revista e ampliada “Please mind the gap between the train and the platform”. A indicação “Stand on the right”, que aparece em TODAS as escadas e mesmo em corredores, é a que os turistas têm mais tendência a desrespeitar, dado que se amontoam tribalmente nas escadas rolantes/estáticas, provocando a ira dos aceleras das escadas. O desrespeito desta regra aparentemente simples pode fazer com que sejamos brutalmente espancados com um simples olhar – a sensação é indescritível.

Uma das mais recentes obsessões sonoras do tube é avisar a toda a hora que para evitar interrupções do serviço, os passageiros devem sempre conservar os pertences junto a si e notificar as autoridades se virem coisas abandonadas. A potente e desconfiada brigada anti-terrorista britânica deve entrar em acção sempre que uma mochila/saco/etc. estiverem aparentemente sem dono, destruindo-os sem pestanejar e mesmo que o conteúdo seja uma inofensiva frutinha.

E bem, acho que já chega de informações sobre o metro :) Falta dizer que é um meio de transporte bastante caro – no mínimo, desembolsam-se cerca de 2,5 euros... Para saber mais coisas, eis alguns sites óptimos que encontrei (e dos quais saliento o que fala das estações que já não são utilizadas, o segundo):

Tubeguru (excelente mapa interactivo do metro)

Underground History – Disused stations on London’s Underground

BBC - Informações gerais sobre o Metro, o design do logótipo, etc.

50 Things you never knew about the London Undergound

Going Underground (página de navegação difícil, mas com toneladas de informação)

28/03/2005

A vida numa ilha I: English breakfast

Quando a pequena bolha onde vivemos muda de coordenadas geográficas, transforma-se numa pequena ilha que é só nossa, noutro local. Quando o sítio para onde vamos é, em si, uma ilha, o confronto é inevitável, pois a coexistência pacífica de duas ilhas é virtualmente impossível.

A lei geral de sobrevivência dita que a ilha maior se sobrepõe à mais pequena, sendo a nossa totalmente aniquilada. Ora no caso de Inglaterra, ocorre não a aniquilação, mas a absorção cultural, sendo nós instados a adoptar os hábitos locais. Neste primeiro relato da minha viagem a Londres, sou obrigada a falar de uma das piores, mais oleosas e aterrorizantes ideias britânicas e gastronómicas em geral: o English breakfast.

Este pequeno-almoço é nada mais, nada menos do que um dos meus ódios culinários de estimação. Começam por nos tentar impingir o dito nos hotéis (onde fiquei, pela módica quantia de mais 4 libras/6 euros que o Continental breakfast incluído). Também conhecido por “fry-up” por [quase] tudo ser frito, inclui salsichas de porco fritas (e a propósito, se ouvirem falar em black pudding, não pensem que é um complemento docinho do pequeno-almoço - “a kind of thick dark sausage made from animal blood and fat”, Longman Dictionary of Contemporary English – atrever-me-ia a chamar-lhe morcela?), bacon frito, ovos mexidos e/ou ovo cozido, cogumelos, feijão em molho de tomate, tomate frito ou grelhado, tostas fritas, cereais, chá preto próprio para pequeno-almoço ou sumo e deve ser complementado com ketchup e brown sauce.

Todos sabemos que o pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia. Mas meus amigos, para mim, esta assembleia gordurosa é um mistério inexplicável, um festim hipercalórico de validade nutricional duvidosa.

Viva a continentalidade do pequeno-almoço! Foi a primeira vitória da minha pequena ilha em terras de sua majestade :)

25/03/2005

Cheers from London!


Tate Modern em Londres

Recém-chegada da grande Londres, conto tudo quando tiver mais tempo e acabar de matar saudades da água de boa qualidade e da comida menos bombasticamente calórica! :)

18/03/2005

A estranha magia hipnótica das obras

Na zona onde trabalho, estão finalmente a avançar as obras do metro. Por enquanto, deslocam-se e aplainam-se terras, dezenas de camiões, perfuradoras e retro-escavadoras andam dum lado para o outro, trabalhadores, topógrafos e assistentes não têm mãos a medir...uma azáfama cujos resultados só serão palpáveis/visíveis daqui a meses, mas que “bota fogo de bista”, como já ouvi alguém dizer.

Aqui muito perto, há uma ponte que passa por cima da futura linha do metro. Noutro dia, reparei que ocorreu uma transformação brutal na zona da ponte: uma potentíssima retro-escavadora deslocava quantidades imensas de terra - mas não julguem que era essa a transformação. O que aconteceu de realmente extraordinário foi a concentração/amontoado de dezenas de velhinhos e transeuntes, que se debruçam, acotovelam, inflamam os ânimos para ver, sentir e debater as obras, a técnica, a evolução, o traçado da linha, enfim, tudo o que rodeia as obras é avaliado e dissecado ao pormenor. Alguns, inclusive, tentam ajudar o operador com indicações preciosas – no meio de um ruído infernal, gritam, “mais para a direita/esquerda”, etc, informações sem as quais o operador nunca conseguiria desempenhar o seu trabalho.

Cheguei à conclusão possível de que temos uma costela de engenheiros (especialmente notória na população mais idosa); temos a necessidade imperativa de sentir construir alguma coisa e participar nela de alguma forma – nem que seja com a língua, sentirmo-nos úteis.

16/03/2005

Sideways


Bom e recomenda-se :)

Coisas impossíveis de compreender - I

Há atitudes, acções e comportamentos que nos apoquentam, ora porque são descabidos, insólitos, estranhos, ou tão simplesmente idiotas.

Uma das cenas a que assisti hoje mesmo, apesar de simples, foi algo perturbadora. Na minha saída habitual de uma estrada principal (equivalente a uma auto-estrada) para outra secundária, enquanto esperava para virar à direita, há uma senhora respeitável com +/- 60 anos, de vestido impecavelmente vermelho, puxo à antiga, óculos, carteira pendurada no braço, que sai de um carro encostado à berma da estrada principal e se dirige calmamente para trás, caminhando na linha que separa a estrada principal do desvio para a direita onde me encontro. Parece pequenina, no meio de uma grande estrada como aquela. Chegando a um determinado ponto, põe-se a olhar para cima, para a placa que apresenta as direcções para aquela saída onde me encontro – que o carro donde ela saiu já passou, sem ter agora hipóteses de voltar para trás.

Os motivos que levaram esta senhora a arriscar a vida numa estrada de altas velocidades para ver uma placa que já não lhe era útil, não sei. Deve ter a ver com a nossa mania de fazer sempre tudo mais tarde ou tarde demais.

15/03/2005

Sport Billy - o regresso


Sport Billy
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Que bom seria se todos tivessemos uma mochila como a do Sport Billy, com tudo e mais alguma coisa! Se bem que certas e determinadas carteiras femininas encerram igualmente todo um mundo de utilidades e inutilidades que podem vir a provar ser de utilidade ;)

14/03/2005

E de repente, fez-se luz!

Lembram-se do meu escritório pouco colorido que descrevi num texto anterior? Consegui injectar alguma vivacidade no aspecto físico da minha secretária cinzenta, não através da OCD*, mas sim dum autocolante em forma de coração vermelho e branco que diz Peace & Love, estrategicamente colado no porta-lápis, e dum colorido copo com bolas bordô, cor-de-rosa e verdes multitonais. A cor está lentamente a invadir este espaço laboral cinzentão. Ninguém conseguirá deter os potentes tentáculos cromáticos que já estão em marcha!

Uma semana colorida para todos, com a ajuda das açucarado-achocolatadas amêndoas da Páscoa que começam a invadir o mundo ;)


*osmose cromatográfica dinâmica

11/03/2005

A pintura - o auge do combate ao stress

Neste caso, refiro-me evidentemente à pintura de habitações e não falo em termos de belas-artes, uma vez que esta última pintura não combate o stress, no meu caso, mas antes o provoca: como a minha vocação artística é altamente questionável e duvidosa (exceptuando talvez uma ligeira tendência para a gastronomia, nem sempre com resultados notáveis), prefiro dedicar-me à pintura de paredes.

Foi uma arte que experimentei recentemente, devido à onda grupal de mudanças que se abateu sobre os meus amigos, e não é que tenha descoberto propriamente uma vocação, mas acho que ou o cheiro da tinta ou o acto de pintar, se não provocarem enjoos, nódoas persistentes ou quedas aparatosas, fazem com que o pintor fique voltado para o interior e, como consequência, é conduzido a um estado quase meditativo e destressante. Por exemplo, é muito natural que o contacto prolongado com o referido cheiro ou com o todo-poderoso diluente cause a tendência para dar enormes voltas ao quarteirão para atingir certos objectivos – como por exemplo, um determinado restaurante (de acordo com uma sondagem recente efectuada na baixa portuense a 3 indivíduos).


A fiabilidade da pintura de habitações no combate ao stress é de tal ordem que supera a das bolas-mundi de borracha palpável e os sacos de boxe (de acordo com uma sondagem efectuada no Castêlo da Maia, 100% da pessoa em questão mencionou a pintura, especialmente com rolo, como um potente e infalível anti-stress*).

Produtos como a tartaruguinha, a tinta-de-água e outros que tais deviam ser proclamados os novos anti-depressivos. Em conjunção com a osmose cromatográfica dinâmica, esta técnica anti-stress pode alterar totalmente a nossa visão do mundo!

*margem de erro de 100%

10/03/2005

O motor do mundo

Estou fula...ou podre, ou irada, ou furibunda. Ou tudo ao mesmo tempo. Qual será o máximo de sentimentos que se podem viver em simultâneo? Os 10% de cérebro que utilizamos não devem ter mãos a medir nestes dias de sinapses intensas e carregadas de fúria.

Podia haver uma maneira de transferir a fúria vigorosa para qualquer coisa e transformá-la em energia; assim pelo menos a pessoa estava furiosa, mas sentia-se a contribuir para alguma coisa que não a deterioração vertiginosa da sua própria sanidade mental e psicológica. Qual hidrogénio, quais energias renováveis...a fúria, essa sim, poderia ser o motor do mundo! Aquela destruição criadora de que falam tantas filosofias.

Também é incrível como meia dúzia de palavras nos podem fazer sentir melhor :)

“Escreve com fúria, mas corrige com fleuma” (W. Roscommon)


fleuma
do Lat. phlegma < Gr. phlégma
s. f.,
humor;
frieza de ânimo, serenidade, impassibilidade, paciência;
pachorra;
aguardente não rectificada.

08/03/2005

Ela flutua, ela hesita: em suma, ela é mulher (Racine)

Não sei bem se concordo que a mulher flutua ou hesita mais que o homem, mas de qualquer forma gosto de flutuar e hesitar.

De qualquer forma, não podia deixar passar em branco este grande dia :) Por isso hoje, para todas as minhas amigas que tiveram a paciência de visitar o blog, uma grande beijoca e um dia excepcional! Para os restantes, quando chegar o dia internacional do homem falamos ;)

07/03/2005

A capacidade de fazer desesperar

Há pessoas que conhecemos ao longo da vida que têm uma capacidade intrínseca de nos levar ao quase-desespero. Há outras que, inevitavelmente, invocam o desespero total. Existem duas que não posso deixar de referir: a minha professora de saúde do 9º ano e o Sr. Mário da aula de italiano. Da professora, digo-vos apenas que um guarda-chuva, uma gabardina (do Cast. gabardina s. f., espécie de sobretudo, de fazenda impermeável; gabinardo; a própria fazenda > gostei da definição, em particular do sinónimo gabinardo, que tenciono passar a utilizar com frequência!), ou mesmo uma tenda fortemente impermeável, não vos salvariam de uma projecção interminável de perdigotos (do Lat. perdicottu, dim. de perdice, perdiz s. m., filho da perdiz; pop., salpico de saliva, ao falar> OK, prometo que não irei inserir mais definições deste utilíssimo Dicionário de Língua Portuguesa online http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx). Inacreditável. A senhora cuspia vigorosamente para cima de toda a turma, e a ordem alfabética que se impunha na disposição da sala fazia com que eu estivesse sempre nos lugares frontais. Não irei debruçar-me muito sobre este facto, pois já imaginam as temíveis consequências. A melhor posição da sala era, claro, junto à parede, do lado oposto às janelas, uma vez que em contraluz, ocorria um espectáculo de luz, som e cor de rara beleza; por vezes, chegava-se a ver o arco-íris. Os lugares junto à parede eram a cobiça de toda a turma.

Quanto ao Sr. Mário, era um reformado que frequentava as minhas aulas de italiano. Tinha o dom de complicar qualquer assunto e fazia perguntas até à exaustão, até que toda a turma tivesse uma extrema vontade de encetar qualquer acto violento contra o aparentemente simpático e bonacheirão reformado. Qualquer pormenor irrelevante era elevado à apoteose da complicadez, qualquer regra óbvia era contrariada e decepada sem dó nem piedade. Sr. Mário, eu sei que não me está a ler, mas gostava de lhe dizer que nunca tive aulas tão insuportáveis, nem mesmo as de algumas línguas que se falam melhor com uma batata quente na boca.

Tenho dito.

06/03/2005

Do tempo do arroz de quinze!

Hoje ao almoço, a minha avó utilizou a expressão "é do tempo do arroz de quinze", que confesso que não conhecia. Pois é tão simplesmente para indicar que uma determinada coisa é do tempo em que o arroz custava 15 reis... Resolvi que tinha de partilhar este preciosismo convosco :)

05/03/2005

Por fim, um verdadeiro erro ortográfico!


Vão uns ovinhos de coordeniz?
Inauguro assim, com um estrangeirismo pomposo totalmente integrado no Português, uma rubrica de fotos comprovativas de facaditas na nossa mais-que-tudo-língua, que irei tentar actualizar sempre que possível.

04/03/2005

Ritmo diabólico ou a necessidade de (não) dormir

Disseram-me que tinha um ritmo diabólico por conseguir dormir pouco e sobreviver na perfeição, sem ficar demasiado cansada nem parecer uma morta-viva :)

Se dormirmos as aconselháveis 8 horas por dia em 365 dias e vivermos 70 anos, passamos 204.400 horas/8517 dias/23 anos da nossa vida a dormir.

Será possível que alguém durma pouco por ter um mecanismo de defesa existencial inconsciente que impede a não-vivência dessas horas? E porquê? Ter sono, implica ter necessidade de dormir?


Eu dormia mais se tivesse mais tempo para não dormir. Acho que era justo.


dormir - do Lat. dormire
v. int.,
descansar no sono;
fig.,
estar ou ficar imóvel;
descansar na morte;
ser descuidado;
negligente;
estar latente;
entorpecido;
v. tr.,
dedicar ao sono certo espaço de tempo;
s. m.,
estado de quem dorme;
o sono.

(http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx)

03/03/2005

Einstein tem sempre razão

"Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta." (www.citador.pt)

As cores que fazem falta

Este fundo cor-de-rosa situa-se algures entre o inspirador e o pindérico (depende da disposição), mas por enquanto vou escrevê-lo e inscrevê-lo na vasta blogosfera. Aproveito para me dar a mim própria as boas-vindas e a quem ler também :)

Algo que deve contribuir para a necessidade do cor-de-rosa é o cinzento do dia-a-dia: não a disposição pessoal, pelo menos não a minha neste momento, mas as cores que nos rodeiam. No escritório onde trabalho, quase tudo é cinzento: móveis, divisórias, aparelhos electrónicos, caixote do lixo, estores, módulos de móveis...donde estou, só vejo ao longe o colorido dos botões de uma impressora, o meu novo tapete de rato redondo com bolas coloridas (made in taiwan) e um tristonho boneco gigante vermelho de uma reconhecida marca de chocolate que derrete na boca (...) – que está de pé, solitário em cima de um armário; tristonho, porque apesar de acenar e ostentar um leve sorriso, está vazio e não fornece chocolate.

O ideal era que existissem injecções de cor para tudo: mobiliário, objectos e, claro, pessoas, que de vez em quando também precisam! Estas injecções para pessoas eram especiais porque não envolviam agulhas, mas sim um processo de transferência por osmose cromatográfica dinâmica.

Algum interessado?
Eis-me com um viçoso blog :)