28/05/2005

Um caracol com a noção das suas limitações...


Mighty snail

...ou não. Este caracol que vêem relativamente mal na foto passeia pelo vidro pára-brisas de um carro. Viajou desde Matosinhos até um conhecido shopping, deu umas voltas pelo parque de estacionamento, voltou ao carro e apanhou boleia outra vez para a cidade. Durante a viagem, os seus corninhos mexiam ao sabor do vento; tanta rapidez era inimaginável para este pequeno ser viscoso, que além de agarrado à casa estava agarrado à vida através da substância que liberta. Infelizmente veio depois a perecer, não sobrevivendo à queda vertiginosa do vidro até ao solo.

A sorte nem sempre é dos audazes...

27/05/2005

Tarã!

Depois de resseber milharesh de meiles a deezer qe exte belógue era uma farça i qe nãonhe tiña errus nenhunhx i tal, xegou u mumento tão anciado: u día enqe exte belógue ixtá a penas xeio de errush inqúérentes, para çatisfaser tudu i todus. Bon findese mana!

25/05/2005

No seguimento do pimento padrão mais picante do mundo...

...e a continuar a rubrica a que chamarei “...do mundo”, apresento-vos: a batata.

A batata é um tubérculo originário dos Andes, na América do Sul. Nesta região de altitudes elevadas, clima austero e solo de fracas condições, a batata resiste e é cultivada há mais de 7000 anos; só em 1570 é que a primeira batata chegou à Europa, na era pós-Colombo. No entanto, a nossa amiga batata não vingou rapidamente junto dos consumidores, pois era associada a “comida de pobres” e a plantas venenosas (sim, a família da batata é venenosa, as folhas da batata são venenosas e a própria batata, quando adquire uma tonalidade esverdeada, pode ser venenosa e indigesta). Só se tornou um êxito na Europa a partir dos finais do século XVIII. Nessa altura, foi essencial o papel do Sr. Parmentier, um amante inveterado da batata que tentou a todo o custo fazer com que fosse consumida em França pelas suas vantagens nutricionais. Como não conseguiu vender a ideia só com argumentos saudáveis, tentou de outra maneira: comprou um terreno nos arredores de Paris, plantou batatas e montou guarda à plantação durante todo o dia. Movidas pela curiosidade e por pensarem que devia ser um produto valioso, as pessoas começaram a comprar e a plantar batata. E assim se difundiu a batata e a sua lógica, e com certeza deve ter sido nessa altura que surgiu a expressão “vai plantar batatas”.

E agora perguntam vocês, “porque raio é que estamos a levar com a história da batata, quando ainda por cima era suposto esta crónica ser da temática ‘....do mundo’”?! Simples: refiro-me à melhor invenção culinária batatal de todos os tempos, que se limita a pegar na batata e a associar-lhe a componente violenta – senhoras e senhores, a BATATA A MURRO. Presto-lhe aqui a minha sincera homenagem.

Agora só falta a parte “...do mundo” pela qual tanto ansiavam: inquestionavelmente, a melhor batata a murro do mundo está na Casa Serrão, nessa bela terra de horizonte e mar que é Matosinhos. E tenho dito.

Fonte: InDepthInfo.com: Temas algo limitados, mas com alguns apontamentos interessantes.

24/05/2005

Grandes mistérios da humanidade I – os nomes dos bolos portugueses

É inegável: os nomes dos bolos das pastelarias portuguesas são do melhor (alguns bem melhores que o bolo em si, enquanto outros nos revoltam por não fazerem justiça ao teor do bolo).

Ao longo da nossa vida, temos tendência a mudar de bolo periodicamente para melhor espelhar o que sentimos:

a) top of the pops: duquesa, tamar, bispo, napoleão, bola de berlim, jesuíta, milfolhas, delícia de açúcar ou chocolate, guardanapo, caramujo, glória, limonete – bolos ideais para quem não se preocupa com cáries ou calorias, são autênticas bombas-refeição. Comê-los é dizer um grande “não me ralo” ao mundo e todos precisamos de um bolo destes de vez em quando;

b) importados: éclair, croissant, palmier, chauffon de maçã, muffin, donut – bolos para os gourmets internacionais, que querem pedir o mesmo bolo em qualquer parte do país ou do mundo;

c) animálicos: pata de veado, ratinho – não sei bem a que associar esta categoria, talvez a uma identificação com o reino animal?

d) inexplicáveis: estaladinho, arrufada, brioche – os bolos de quem não quer demonstrar nada do que pensa nem pensar no que quer. Podemos estar a pensar numa questão complexíssima de álgebra linear, mas todos conseguimos articular “era um galãozinho e uma arrufada, ‘sáxabori”;

e) genéricos: queque (variantes cenoura, passas, etc.), bolo de arroz, pastel de nata, mariazinha, pastel/tarte/fatia/rolo de qualquer coisa – a força do hábito leva-nos a pedir estes bolos de vez em quando, mesmo quando na realidade não nos apetece bolo nenhum;

f) broa de mel: para quem quer tudo ao mesmo tempo, a broa de mel é o bolo ideal. Sendo um bolo que obedece à máxima ecológica de reutilização, é o primeiro eco-bolo do mundo.


OK, poucos destes nomes têm explicação lógica, mas também quem quer saber disso? Nós, caros amigos, temos um dom precioso: ultrapassamos todas as dificuldades onomásticas com um simples: “Era um daqueles bolos em forma de caramujo compridinho, daqueles recheados de chocolate com coco ralado, nozes e fios d'ovos por cima e mais um sumol de ananás, sáxabori!”.

20/05/2005

Públicos...

Ontem num festival de jazz, tive a oportunidade de tipificar alguns dos tipos de público de concerto:

- os re/conformados, que vão aos concertos de boa vontade, quanto mais não seja para emitir sonoros roncos ou para reencontrar velhos amigos reformados e conversar todo o concerto. Este tipo de público fica sempre até ao fim e aplaude entusiasticamente, emitindo emocionados “bravos” mesmo quando não ouviu nada;
- os adaptáveis, que vão aos concertos e tentam tirar o máximo partido da experiência, vibrando como se não houvesse amanhã mesmo quando o concerto é notoriamente uma seca total;
- os ávidos de cultura, que vão a qualquer concerto, mas dizem sempre mal de todos e esforçam-se por vincar o seu mau-estar e espalhá-lo por toda a sala;
- os que vão sem saber ao que vão e a) saem agradavelmente surpreendidos ou b) saem por ser insuportável, ou ainda c) adormecem;
- OK, há sempre alguns fãs honestos (que ontem não deviam ultrapassar cerca de 3 pessoas);
- entre muitos outros.

Deste breve resumo de públicos, devo confessar que o meu tipo de público favorito é o primeiro, pois tem a intrepidez de ir ao concerto sabendo à partida que vai adormecer ou falar. Se a idade do espectador já for algo provecta, tanto melhor, pois há a vantagem adicional de toda a gente desculpar qualquer acto insano ou socialmente reprovável da sua parte.

Um dia quando for reformada e toda a sociedade me desculpar tudo, gostava de ser assim, despreocupadamente algo-incomodativa. Aí sim, viverei anos de ouro!

18/05/2005

A long time ago in a galaxy far, far away...



Como disse que vos falaria do derradeiro filme da saga Star Wars, só tenho uma palavra para o descrever: memorável.

Desde a infância que convivi com o Star Wars, isto porque o meu pai era fã e eu segui as pisadas. Não fã ao ponto de saber todos os pormenores e ter réplicas de sabres de luz, mas fã por achar os filmes realmente empolgantes, por me fazerem rir, chorar, ter medo e ansiar pelo próximo episódio.

Dificilmente irá haver um conjunto de filmes deste género com tanto sucesso e mérito, obviamente com momentos mais ou menos felizes – e goste-se ou não (sim, porque há pessoas que odeiam!), o fim do Star Wars vira uma página da História.

17/05/2005

Star Wars



Hoje é o dia da grandiosa antestreia do Star Wars! Goste-se ou não, é uma das prequelas mais aguardadas do cinema. Amanhã conto-vos tudo...ou quase ;)

Addio, adieu, auf wiedersehen, goodbye!

O festival da canção...essa noite que começava por ser de orgulho nacional e acabava arrasada por uma miséria de pontos dados por quem precisava de favores nas nossas águas territoriais.

O festival da canção é a verdadeira metáfora do povo português: o prêmbulo alegre e confiante, o intermédio nervoso e inquietante e o final catastrófico a puxar a lágrima pelo orgulho ferido.

É por isso que hoje em dia ninguém vê o festival da canção...canta canta, que logo danças, já diz o ditado! Mas só por andarmos a dizer ao mundo "Já fui ao Brasil, Praia e Bissau, Angola, Moçambique, tralalalala"...sinceramente: 20 pontinhos pela audácia, lá isso merecíamos!

13/05/2005

Jardins sem flores? Lá que os há, há...



"Não há jardim sem flores
Nem coração sem amor"
(Dito anónimo de pequeno posterzinho exposto algures numa lojinha de Leça da Palmeira)

Pois é, caros amigos, quem nunca recebeu como presente um pequeno posterzinho (ou até bonequinhos feitos de pequenos seixos ou conchinhas) com um dito deste género? Frases feitas, clichés, poemas eternamente anónimos, descrições de signos, filosofias de bolso, declarações de amor ou elogios profundíssimos ("És bestial!"/"És o máximo!" são elogios gratuitos sempre muito presentes nesta parafernália de artigos)...tudo conta(va) para desenrascar um presente singelo e económico quando as ideias geniais de prendas (ou simplesmente, as ideias em si) não surgiam. Penso que hoje estes posters estão em declínio galopante, mas não deixam de estar presentes um pouco por todas as lojas de bairro - nem que a última colecção faça parte do stock "novidades de 1985", os lojistas insistem em expô-los e deixá-los desbotar ao sol.

Aqui fica a minha homenagem às centenas de escritores e poetas anónimos que dedicam a sua vida a redigir ou a plagiar os textos que irão correr mundo em posters. Homenageio também os designers e criadores em geral que desencantam ou copiam as mais nobres e bonitas ilustrações para ornamentar estes artigos...infelizmente a qualidade da fotografia não é a melhor para vocês apreciarem em pleno este pequeno senhor cor-de-rosa com ar de sono, vestido com uma espécie de roupão verde-garrafa e que segura num estranho vaso cheio de flores com um ar depressivamente anémico. Asseguro-vos que ao vivo, é encantador.

(Se alguém conhecer mais frases deste género de poster ou tiver algum achado, partilhe-o com o mundo! Em breve, vou aqui divulgar um dos mais belos posters que tenho em minha posse :)

11/05/2005

O complicador...

...ou a capacidade – inata ou adquirida – de transformar a questão mais insignificante num imbróglio de proporções inimagináveis e provocar a ira em todos os que rodeiam a situação.

Existem pessoas, entidades e instituições que têm um acessório que é o terror do resto do mundo civilizado: o complicador.

Porquê ser verde quando esta cor é na realidade uma fusão de azul e amarelo, porquê preencher apenas *2* impressos quando podemos arranjar 10 e fornecer muito mais informações, porquê dizer que algo é "fácil" quando também podemos dizer "de relativa dificuldade"?

É este "dom" de complicar que alguns insistem em brandir quando fazemos uma pergunta simples, tentamos explicar qualquer coisa insignificante que se transforma num monstruoso desenho colorido e mesmo assim não esclarece ou quando nos limitamos a mostrar interesse por qualquer coisa/pessoa e mal damos por ela, estão a relatar-nos todo o historial da questão desde os tempos do paleolítico.

Quero um clarificador e quero-o já.

06/05/2005

Acho que ontem comi...



...um dos pimentos padrão mais picantes do mundo. Sabem quando ficamos com um pé ou uma perna dormente? Pois, aconteceu-me exactamente o mesmo devido a um miserável pimento, que aniquilou todos os minúsculos nervinhos sensoriais desde os lábios até ao esófago – penso que conseguiu inclusive parar o meu cérebro durante instantes.
Letal, infame e impiedoso, este pimento era uma autêntica arma sonífera.

E a propósito de armas: porque não, em vez de lutar com G3, metralhadoras e uzis,
se cria a luta através de pimentos padrão? Isso sim, seria testar a resistência.

Brindo a esta sugestão :)

04/05/2005

Foleirices sem sentido algum

Para quem teve de passar a infância nos anos 80, olhar para as fotografias antigas é um verdadeiro exercício deprimente: o suplício da franja no corte à tigela, os totós arrepanhando o cabelo na posição mais improvável (presos com enormes elásticos, geralmente horrendos) ou as bandoletes assustadoras (ninguém me convence que existiram penteados decentes nessa altura! *grunf*), a insistência na combinação atroz das mais improváveis cores, a presença habitual de papagaios e palmeiras no vestuário, fivelas exageradas, botas de cano alto, meias de cores garridas, caneleiras com padrões ou bonecada (OK, destas eu admito que gostava!), kispos cor-de-burro-quando-foge (mas sempre a contrastar brutalmente com as cores da roupa habitual)...ufa...um verdadeiro festim, raramente agradável à vista (não se ofendam, refiro-me às minhas fotografias :)

Pergunto-me o que se terá passado nas mentes das pessoas nessa altura. Provavelmente isto aconteceu com outras gerações e daqui a uns tempos vamos achar exactamente o mesmo da actualidade, mas digam-me...em mais alguma época se usaram galochas com OLHOS laterais?! E o quanto eu quis umas, na altura...

03/05/2005

Pinderiquices com sentido

Porquê comprar apenas um utensílio, quando se pode ter esse mesmo utensílio com *ainda mais* funções, como por exemplo, um porta-chaves com lanterna e porta-moedas integrado que emite um aviso sonoro quando não temos dinheiro e ainda inclui um avançado sistema GPS para nunca o perdermos?

As pequenas genialidades pindéricas tornam a nossa vida muito melhor :)

02/05/2005

O pânico ou uma ideia pouco luminosa

Felizmente, foram poucas as vezes que entrei seriamente em pânico. A mais recente foi quando o meu carro sobreaqueceu por ter avariado a válvula que acciona o termoventilador (pelo que disse o mecânico brasileiro que assistiu o carro); a luz da temperatura acende, há um ligeiro fumo que sai do capô e se não fosse eu estar juntinho a uma oficina, desconfio que também o meu pequeno cérebro teria sobreaquecido e pifado de vez.

Foi nesse preciso momento que descobri que preciso que as coisas funcionem, preciso que os aparelhos e as engenhocas e os mecanismos que têm de funcionar de uma determinada maneira, funcionem sempre como têm de funcionar: muito bem. Se houvesse um serviço que garantisse que tudo funcionava sem problemas, eu subscrevia-o sem hesitar. O pior de tudo é que nestes casos de mecanismos complicados que não dominamos (no meu caso, não percebo assim tanto de automóveis), a técnica de emergência auxiliar e apaziguadora – o pontapé – mais não faz do que nos enervar ainda mais.

Resumindo: se eu mandasse na grande indústria de automóveis, as falhas técnicas não acendiam luzes. Desencadeavam, sim, um complexo processo reparador: soa uma música relaxante no habitáculo e é emitido um odor aromaterapêutico calmante. O banco rebate e o condutor adormece. De seguida, através de um avançado sistema de GPS e piloto automático, o automóvel é conduzido até uma oficina de confiança, onde todos os problemas são resolvidos enquanto o condutor é submetido a uma revigorante sessão de massagens.

Ainda mais ideal: o custo deste processo é inteiramente suportado por um qualquer fundo internacional anti-pânico.

Sem luzinhas e indicadores luminosos de problemas, o nosso mundo seria, enfim, melhor.
Que contra-senso, as boas ideias serem designadas “ideias luminosas”! :)

28/04/2005

A pelúcia – candidata a um lugar na história política portuguesa

Pela primeira vez na história da humanidade, o candidato a presidente de uma conhecida autarquia nortenha será um pequeno gato de pelúcia.

O gato em questão, um peluche cinzento listado que responde pelo nome de Erlander, não é o primeiro ser inanimado a candidatar-se a um lugar ao sol na vida política - há já vários exemplos de seres não vivos que, com relativa glória, fazem parte da política nacional - mas tem a particularidade de ter uma grande experiência em lugares ao sol, visto que um dos passatempos preferidos deste nosso comparsa felino é, justamente, estar ao sol.

Esta escolha política arrojada foi fortemente motivada pelo consenso geral suscitado pelo gato, considerado pelos seus pares como “fôfinho”, “ternurento” e “sagazmente estóico”. O facto de ele não ser capaz de falar também contribuiu para a opção, uma vez que pela boca, nunca morreu um gato.

É, pois, a derradeira tentativa de reaproximar o povo dos políticos e promover mesmo o contacto físico pacífico com a classe – quem nunca tenha tido vontade de fazer festinhas a um gato, que se acuse!

27/04/2005

Sentidos desligáveis

Regra geral, odeio ouvir as conversas telefónicas dos outros - especialmente aquelas de chacha e de combinações que só interessam a quem está envolvido e a quem vai. Odeio ainda mais quando as pessoas presumem que estou realmente a prestar atenção e que sequer me interesso pelo que estão a dizer. Odeio profundamente quando dialogam comigo presumindo que ouvi tudo. Odeio totalmente quando ouvem as minhas conversas e utilizam informações ou frases que porventura ouviram para fazer comentários.

Mas o que mais odeio é ter de estar a trabalhar (mais especificamente: a tentar redigir um manual dum simpático veículo utilitário de uma reconhecida marca de motas que começa por K e acaba em I) e a ouvir telefonemas sem fim.

Há sentidos que se deviam poder desligar de vez em quando.

23/04/2005

31 anos de 25 de Abril


Liberdade - Vieira da Silva
O 25 de Abril faz 31 anos esta segunda-feira.

Não conheci o mundo antes do 25 de Abril.

Viva a liberdade.

Centro de documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra (especialmente interessante o Arquivo Electrónico da Democracia Portuguesa)

21/04/2005

Onde nós acabamos e os outros começam

Uma fronteira indefinida e talvez indefinível, a primeira das nossas liberdades limitadas: assim como só podemos ocupar o espaço físico que ninguém está já a ocupar, acabamos onde começam os outros.

E aí nasce a palavra ou o erro que invade o espaço alheio.

O direito adquirido de falar une ou separa?
Falar, falar sempre e invadir espaços, é o que vos sugiro hoje.

20/04/2005

Extra, extra!

Insurgindo-se contra a letargia criadora que nos tem assolado nos últimos tempos, foi hoje apresentado ao mundo em geral o novo engenho Arrumatrício, um potente dispositivo de arrumação que, começando por provocar a desarrumação apocalíptica numa qualquer sala, arruma tudo posteriormente e organiza todo um novo esquema decorativo de inspiração marcadamente feng shui (ler /fónh chui/, professora de chinês dixit) com ligeiros laivos étnicos do Burkina Faso.

Inspirado na dinâmica de arrumação desorganizadora a que todos nos sujeitamos no dia-a-dia e na milenar filosofia hindu que teoriza a destruição criadora, o Arrumatrício facilita a tarefa e faz com que não nos tenhamos de preocupar em desarrumar para depois arrumar, permitindo-nos aproveitar as coisas realmente boas e belas da vida, como por exemplo tudo o que envolva chocolate, queijo e até morango, para os mais destemidos. Uma novidade que vem mesmo a calhar.

17/04/2005

O ambiente explosivo das confeitarias ao Domingo

Ao Domingo, quando todos decidimos que o nosso lanche deve ser preparado por mãos alheias e nos dirigimos a uma confeitaria/café, o ambiente é de tensão explosiva – muito devido às nossas costumeiras filas.

Nas filas de espera, existem três espécimes: o espertinho, o sostro e o bitaites. O primeiro deles é o que quer sempre furar a fila e passar à frente de todos os sostros que o deixarem, lanchando logo na fila ao comer os outros por parvos. O sostro é aquele que ou deixa passar o espertinho, calando e comendo (lanchando logo na fila, mais uma vez), ou demonstra a sua insatisfação, mas com uma boca tão insignificante que ninguém repara e o espertinho leva a sua avante. Já o bitaites, é o eterno insatisfeito, aquele que só espera por um momento de glória para poder mandar a sua boca brutal e comer os outros todos de cebolada. Tudo gira à volta da comida, portanto.

As distintas combinações de espertinho/sostro/bitaites podem levar a diferentes ambientes, todos de maior ou menor tensão:

::Sostro+espertinho=tensão moderada, mas facilmente ultrapassável. ::Espertinho+bitaites=pequena rixa popular na confeitaria.
::Sostro+espertinho+bitaites=motim total, conduzindo ao caos espectacular e apocalíptico que inclui napoleões a esvoaçar pelos céus da confeitaria.

A confeitaria/pão quente é o maior campo de batalha de todos os tempos. Um simples lanche, amigos, um lanche, esse sim, irá desencadear uma tal espiral de violência que só poderá culminar na terceira guerra mundial. E era só mais um Domingo à tarde...