30/06/2005

O maravilhoso mundo do Google Maps

Qualquer semelhança com a cidade onde moro não é pura coincidência...acho que até consigo ver a minha toalha a secar! ;)

A minha casa algures no Google Maps

Zai jian*

Hoje vou ter a última aula de chinês deste ano lectivo, que inclui uma demonstração de uma cerimónia de chá a rigor! Prometo que vos conto tudo amanhã...até lá, fiquem com uma informação importante: para os chineses, é um insulto oferecer um relógio, porque a expressão “oferecer um relógio” em chinês é parecida com outra que quer dizer que se deseja a morte...portanto tenham muito cuidado com as prendas que dão...watch out for what you give ;)

E para mais informações sobre o chá na China: Chinese-Tea.net

*até à vista

28/06/2005

Take


Um dos cães farejantes da minha avó, um dos únicos cães trepadores do mundo - não conseguindo saltar, escala! :)

É o costume?

Passado algum tempo a trabalhar no mesmo local, deixamos de ter por onde variar nos passeios e nos lanches – principalmente quando esse local é relativamente pequeno e inserido numa zona industrial com matas e montes em redor. No princípio, lutava contra a frase “é o costume?” nos cafés que frequento, e bastava essa pergunta para me deixar de apetecer uma meia de leite e um pão com manteiga e passar a querer um sumo tropical e uma bola de berlim. Acho que cheguei inconscientemente a pedir coisas de que nem sequer gostava só para poder contrariar o temível “costume”.

Mas acreditem, ao fim de um certo tempo, quando já sabemos que o sumo tropical é demasiado doce, a bola de berlim é demasiado grande, as torradas têm sempre demasiada manteiga e o sumo de ananás sabe a mofo, convenhamos que há a tendência para instalar hábitos por já sabermos o que é bom ou mau.

Foi então que fiz uma descoberta importante: podemos usar o “costume” a nosso favor. Sim, podemos personalizar os pedidos ao ponto de já não ser preciso dizer “era uma meia de leite escura com leite frio e adoçante e um pão integral clarinho com pouca manteiga ligeiramente aquecido!”

Às vezes, o costume dá jeito. A quantidade de palavras que se poupam, o prazer das coisas quase a chegar à mesa mal entramos no café.
É deliciosamente preguiçoso.

Se não consegues vencê-los, junta-te a eles.

24/06/2005

A necessidade de "encaixar"*...

...ou de como "os preconceitos não estão nas palavras, mas sim na cabeça das pessoas".

Uma das minhas professoras de filosofia da secundária repetia esta frase até à exaustão. E por menos que eu gostasse dela enquanto pessoa, tive sempre de reconhecer que nesta questão, tinha razão.

Até que ponto podemos (e temos legitimidade para) presumir coisas e tirar conclusões de palavras que não fomos nós a dizer/escrever? A fronteira entre a interpretação e a avaliação/julgamento é ténue. Depois, ainda há que considerar e aceitar o efeito que a nossa interpretação/avaliação tem no autor. Mais importante que isso, há que reconhecer a possível validade ou inutilidade das palavras. No fundo, saber como e quando comunicar.

Falar com outra pessoa nunca é o mesmo que falar sozinho (passe o estilo notoriamente Lili assumido da frase). Mas por incrível que pareça, ainda há muitas pessoas que não fazem esta distinção e outras que a fazem demasiadas vezes. É como saber quando se deve corrigir um erro ortográfico :) e quando é melhor estar calado. Claro que isto, sou só eu a interpretar as minhas próprias palavras.

*Leia-se também estereotipar ou presumir

comunicação
s. f., acto, efeito ou meio de comunicar; participação; aviso; informação; convivência; trato; lugar de passagem de um ponto para outro; comunhão (de bens); atribuição mútua das propriedades da natureza divina à natureza humana de Cristo.

23/06/2005

S. João!

Na noite de S. João
Vou snifar um manjerico
Depois apanho um balão
E vou saltar num bailarico

A inspiração esvai-se,
A persistência manda a mão
Escrever tanto versinho

P'ra desejar bom S. João :)

22/06/2005

A vida em mono

Nós portugueses temos tendência para ter um tom de voz monocórdico (uns mais, outros menos, obviamente, mas a essência está lá e é inegável).

Para compensar a homogeneidade tonal, utilizamos o volume; vai daí, quando queremos argumentar ou debater, toca a projectar a voz para níveis ultra-sónicos em vez de apostarmos na subtil entoação para marcar a nossa posição. Ainda por cima, quando há pessoas que realmente apostam na entoação, têm o azar de soar extremamente teatrais a la Morangos com Açúcar (conhecida telenovela, para os mais desatentos aos temíveis fins de tarde da televisão nacional). OK, mais uma vez, há casos de sucesso (em número ínfimo).

Vem isto a propósito de uma senhora que frequenta habitualmente uma das salas do local onde trabalho, que tem com toda a certeza um dos tons de voz mais monocórdicos do mundo. Com a agravante de evidenciar também aquele descontrolo tonal que provoca os picos de voz repentinos e retira toda a credibilidade às ideias. O resultado é um cruzamento entre um violino desafinado, o som de uma colher a rapar um tacho de ferro fundido e comprimidos para dormir, tal é a monotonia do tom (que contrasta com os súbitos picos, espelhando a contradição latente). Memorável.

Work, work, work...



Ora cá está uma rara oportunidade de escrever "Parabéns!" em trabalho, e com ponto de exclamação e tudo - seguramente o sinal de pontuação que menos utilizo em trabalho.

E também uma oportunidade para vocês verem o meu fabuloso ambiente de trabalho quase diário (e sim, há outros programas igualmente interessantes do ponto de vista visual, mas incalculavelmente úteis...).

Volto já :)

21/06/2005

Viva o Verão!

(passe a aliteração)

E tenho dito :)

17/06/2005

Alerta verde em jeito de quadra sanjoanina

Ó meu rico fim-de-semana
Fim-de-semana iminente,
Vem aí o S. João
Não caibo em mim de contente!

Divirtam-se :)

16/06/2005

Ni hao! Wo shi hanyu xuesheng :)

Uma amostra grátis da língua mais falada no mundo...entre cujos falantes, infelizmente, ainda não me incluo. Mas calculo que nos próximos 50 anos consiga aprender as frases básicas!

15/06/2005

As palavras não se gastam

Gastam-se os olhos de as ler, o corpo de as sentir e escrever, os neurónios de as unir e separar, eliminar, transformar, fixar para depois anular tudo e começar de novo.

As palavras desgastam.

E permanecem.

E depois destas considerações que sinto hoje na pele, eis-me de volta :)

Sim, andei afastada. Decidi testar eu própria os efeitos da hibernação na Primavera, por isso andei temporariamente afastada do mundo e da vida, numa tentativa de auto-regeneração celular e cósmica que me iria proporcionar benesses inimagináveis.

Resultados concretos verificados: a hibernação não é para mim.

E além disso tinha saudades de toda a gente, e minhas.

Se isto tudo soou muito estranho, passo a traduzir: andei a traduzir [um livro]; logo, perto das palavras, mas longe de tudo o resto :)

Agora já estou aqui.

13/06/2005

Urgentemente

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade

Tive de decorar este poema na escola primária, até hoje.
Constatei que a maior parte do mundo devia decorar este poema.
Cheguei à conclusão que mesmo que toda a gente o decorasse, não o ia pôr em prática.
Quem o faz, já o sabe de cor, secalhar por outras palavras :)

10/06/2005

Todos os fins-de-semana do mundo

deviam ser prolongados.

05/06/2005

Os bibelôs nunca nos desiludem

Houve uma época em que toda a gente tinha bibelôs por toda a parte. Hoje isso já não acontece em tão grande escala, mas ainda persistem bibelôs que se tornam uma companhia diária, pois mesmo que não queiramos, eles estão lá para nós – especialmente quando não controlamos totalmente as escolhas decorativas do local onde vivemos. Ele é pessoas, animaizinhos, anjinhos, chaveninhas, caixinhas, dedaizinhos, pratinhos, frutinhas, florinhas, cestinhas, enfim, tudo serve para adornar cada milímetro de espaço livre das casas. Hoje em dia, e apesar de haver mais algum espaço livre – minimalismo oblige – muitos bibelôs povoam ainda a típica casa portuguesa.

Mas o que me leva realmente a falar de bibelôs é o tipo de bibelô que mais me faz espécie: animais vestidos.

Recentemente confrontada com a presença de um novo bibelô-coelho cá em casa, que até tem um ar relativamente amistoso e ostenta um bem-disposto sorriso, reparei que ele enverga uma t-shirt e um macacão very retro (e atenção, toda a vestimenta está cuidadosamente coordenada do ponto de vista cromático, com o cuidado acrescido de este coelho ser fashion q.b., pois os tons do vestuário oscilam entre o caqui e o castanho). Se tudo parasse por aqui, estávamos conversados, mas além da vestimenta cuidada e do ar feliz, este coelho está sentado numa confortável posição de pernas cruzadas, qual yôgi, e agarrado a uma cenoura gigante.

Palavras para quê, amigos, rendo-me a toda a vasta equipa de criativos que produziu este coelho, pois dei comigo a querer que ele falasse. Mal me explicasse o porquê da cenoura gigante, acho que podíamos ser grandes amigos.

Por enquanto, vou-me limitar a retribuir o sorriso quando passar por ele. E cheguei à conclusão que os bibelôs existem para nos ensinar que há sorrisos que estão sempre lá para nós :)

04/06/2005

Tardio

Desde pequena que não gosto de ruídos. Não são todos os ruídos, são só aqueles persistentes, irritantes; resumindo, não gosto de ruídos que não gosto de ouvir, não é que isso explique alguma coisa, mas a esta hora pouco se explica :)

Por isso as melhores horas do dia, ou da noite, são estas, as horas em que o mundo está silencioso e tudo se ouve e o frigorífico é ensurdecedor e até ouvimos ruídos longínquos que nos fazem pensar no que se passa lá fora, quando toda a gente dorme.

É aí que vamos dormir também.

Bom fim-de-semana.

02/06/2005

"É fresquinho?"

Na esteira da rubrica “...do mundo”, esta é com toda a certeza uma das perguntas mais inúteis do mundo.

Sendo especialmente aplicável a produtos comestíveis, ao comprar um bolo ou pão, damos connosco a perguntar “É fresquinho?” – questão esta que, para além de ridiculamente inútil, é um dos sinais de que estamos a ficar intrinsecamente velhinhos (nenhum jovem se preocupa se é fresquinho ou não, pois tem bons dentes para aguentar qualquer sêmea inesperadamente recessa).

Um dos meus objectivos ao fazer, ocasionalmente, esta pergunta, é esperar encontrar um dia alguém sincero, alguém que me diga sem hesitar: [ler com cerrada pronúncia da beira interior] “Não, menina, não só não é nada fresquinho, como o comprei a semana passada numa padaria ali prós lados de Vila Real de Santo António; já ia direitinho para a secção de restos aspirantes a broas de mel, tinha bolor e bicho, mas raspei tudo bem raspadinho, lavei, deixei ao ar, pus côco e ovos moles por cima e tento impingir a quem não me fizer essa temível pergunta!”.

Mas a humanidade simplifica: “Sim, menina, é do mais fresquinho que há!”, com um ar extremamente ofendido por termos perguntado. E nós, eternos inocentes, acreditamos e compramos.


"What if everything is an illusion and nothing exists?
In that case, I definitely overpaid for my carpet."


Woody Allen/QuotationsPage.com

01/06/2005

Os cães da vizinha

Eu gosto de cães. São geralmente simpáticos, afagáveis, brincalhões e fôfinhos.

Os únicos cães do mundo de que eu não gosto até agora são os da minha vizinha do lado. À vista desarmada, parecem dois rafeirinhos inofensivos, balofos e com sérias dificuldades de locomoção devido à vida fisicamente sedentária.

Mas as respectivas gargantas, senhores, que poderio vocal. Fustigando toda a vizinhança do alto do seu terraço, sentem-se donos do mundo.

Cheguei à conclusão de que um dos cães, decididamente o guru espiritual do outro, é filósofo. Ladra a tudo: a quem passa, aos ruídos, aos pássaros, aos outros cães, ladra a toda a hora, principalmente quando está toda a gente da vizinhança em sua casa, excepto...os próprios donos dos cães. O outro lá lança o seu latido menos portentoso, para mostrar que também manda o seu bitaite. Qual dupla Sócrates/Platão, andam sempre juntos a filosofar, um mais activo, outro mais caladinho e surrelfa (com certeza irá ainda publicar vários livros com os ensinamentos do mestre ladrador, arrecadando rios de dinheiro à custa do outro).

Nos momentos mais filosóficos do canídeo, apetecia-me oferecer-lhe uma generosa taça de cicuta. Mas a minha natureza genericamente pacifista manda-me pôr a música mais alta e esperar que ele se canse.

31/05/2005

Imagens de cortar a respiração

Não por serem bonitas, mas por serem de pulmões.

A propósito do dia mundial sem tabaco, que é hoje, enviaram-me o
link de um site, mas não posso dizer que o recomende (e depois não digam que não avisei).

Fiquei foi a pensar na quantidade de dias mundiais que existem e na sua maior ou menor utilidade ou legitimidade. Quem cria os dias mundiais? O mundo inteiro tem de os aprovar? E se alguém não concordar, mesmo assim esse dia é um dia mundial? Há algum dia que não seja mundial?

Já agora propunha a criação do dia mundial de tudo, para satisfazer todos aqueles que ainda não têm um dia mundial, e de nada, para satisfazer aqueles que odeiam os dias mundiais.

28/05/2005

Um caracol com a noção das suas limitações...


Mighty snail

...ou não. Este caracol que vêem relativamente mal na foto passeia pelo vidro pára-brisas de um carro. Viajou desde Matosinhos até um conhecido shopping, deu umas voltas pelo parque de estacionamento, voltou ao carro e apanhou boleia outra vez para a cidade. Durante a viagem, os seus corninhos mexiam ao sabor do vento; tanta rapidez era inimaginável para este pequeno ser viscoso, que além de agarrado à casa estava agarrado à vida através da substância que liberta. Infelizmente veio depois a perecer, não sobrevivendo à queda vertiginosa do vidro até ao solo.

A sorte nem sempre é dos audazes...

27/05/2005

Tarã!

Depois de resseber milharesh de meiles a deezer qe exte belógue era uma farça i qe nãonhe tiña errus nenhunhx i tal, xegou u mumento tão anciado: u día enqe exte belógue ixtá a penas xeio de errush inqúérentes, para çatisfaser tudu i todus. Bon findese mana!

25/05/2005

No seguimento do pimento padrão mais picante do mundo...

...e a continuar a rubrica a que chamarei “...do mundo”, apresento-vos: a batata.

A batata é um tubérculo originário dos Andes, na América do Sul. Nesta região de altitudes elevadas, clima austero e solo de fracas condições, a batata resiste e é cultivada há mais de 7000 anos; só em 1570 é que a primeira batata chegou à Europa, na era pós-Colombo. No entanto, a nossa amiga batata não vingou rapidamente junto dos consumidores, pois era associada a “comida de pobres” e a plantas venenosas (sim, a família da batata é venenosa, as folhas da batata são venenosas e a própria batata, quando adquire uma tonalidade esverdeada, pode ser venenosa e indigesta). Só se tornou um êxito na Europa a partir dos finais do século XVIII. Nessa altura, foi essencial o papel do Sr. Parmentier, um amante inveterado da batata que tentou a todo o custo fazer com que fosse consumida em França pelas suas vantagens nutricionais. Como não conseguiu vender a ideia só com argumentos saudáveis, tentou de outra maneira: comprou um terreno nos arredores de Paris, plantou batatas e montou guarda à plantação durante todo o dia. Movidas pela curiosidade e por pensarem que devia ser um produto valioso, as pessoas começaram a comprar e a plantar batata. E assim se difundiu a batata e a sua lógica, e com certeza deve ter sido nessa altura que surgiu a expressão “vai plantar batatas”.

E agora perguntam vocês, “porque raio é que estamos a levar com a história da batata, quando ainda por cima era suposto esta crónica ser da temática ‘....do mundo’”?! Simples: refiro-me à melhor invenção culinária batatal de todos os tempos, que se limita a pegar na batata e a associar-lhe a componente violenta – senhoras e senhores, a BATATA A MURRO. Presto-lhe aqui a minha sincera homenagem.

Agora só falta a parte “...do mundo” pela qual tanto ansiavam: inquestionavelmente, a melhor batata a murro do mundo está na Casa Serrão, nessa bela terra de horizonte e mar que é Matosinhos. E tenho dito.

Fonte: InDepthInfo.com: Temas algo limitados, mas com alguns apontamentos interessantes.

24/05/2005

Grandes mistérios da humanidade I – os nomes dos bolos portugueses

É inegável: os nomes dos bolos das pastelarias portuguesas são do melhor (alguns bem melhores que o bolo em si, enquanto outros nos revoltam por não fazerem justiça ao teor do bolo).

Ao longo da nossa vida, temos tendência a mudar de bolo periodicamente para melhor espelhar o que sentimos:

a) top of the pops: duquesa, tamar, bispo, napoleão, bola de berlim, jesuíta, milfolhas, delícia de açúcar ou chocolate, guardanapo, caramujo, glória, limonete – bolos ideais para quem não se preocupa com cáries ou calorias, são autênticas bombas-refeição. Comê-los é dizer um grande “não me ralo” ao mundo e todos precisamos de um bolo destes de vez em quando;

b) importados: éclair, croissant, palmier, chauffon de maçã, muffin, donut – bolos para os gourmets internacionais, que querem pedir o mesmo bolo em qualquer parte do país ou do mundo;

c) animálicos: pata de veado, ratinho – não sei bem a que associar esta categoria, talvez a uma identificação com o reino animal?

d) inexplicáveis: estaladinho, arrufada, brioche – os bolos de quem não quer demonstrar nada do que pensa nem pensar no que quer. Podemos estar a pensar numa questão complexíssima de álgebra linear, mas todos conseguimos articular “era um galãozinho e uma arrufada, ‘sáxabori”;

e) genéricos: queque (variantes cenoura, passas, etc.), bolo de arroz, pastel de nata, mariazinha, pastel/tarte/fatia/rolo de qualquer coisa – a força do hábito leva-nos a pedir estes bolos de vez em quando, mesmo quando na realidade não nos apetece bolo nenhum;

f) broa de mel: para quem quer tudo ao mesmo tempo, a broa de mel é o bolo ideal. Sendo um bolo que obedece à máxima ecológica de reutilização, é o primeiro eco-bolo do mundo.


OK, poucos destes nomes têm explicação lógica, mas também quem quer saber disso? Nós, caros amigos, temos um dom precioso: ultrapassamos todas as dificuldades onomásticas com um simples: “Era um daqueles bolos em forma de caramujo compridinho, daqueles recheados de chocolate com coco ralado, nozes e fios d'ovos por cima e mais um sumol de ananás, sáxabori!”.

20/05/2005

Públicos...

Ontem num festival de jazz, tive a oportunidade de tipificar alguns dos tipos de público de concerto:

- os re/conformados, que vão aos concertos de boa vontade, quanto mais não seja para emitir sonoros roncos ou para reencontrar velhos amigos reformados e conversar todo o concerto. Este tipo de público fica sempre até ao fim e aplaude entusiasticamente, emitindo emocionados “bravos” mesmo quando não ouviu nada;
- os adaptáveis, que vão aos concertos e tentam tirar o máximo partido da experiência, vibrando como se não houvesse amanhã mesmo quando o concerto é notoriamente uma seca total;
- os ávidos de cultura, que vão a qualquer concerto, mas dizem sempre mal de todos e esforçam-se por vincar o seu mau-estar e espalhá-lo por toda a sala;
- os que vão sem saber ao que vão e a) saem agradavelmente surpreendidos ou b) saem por ser insuportável, ou ainda c) adormecem;
- OK, há sempre alguns fãs honestos (que ontem não deviam ultrapassar cerca de 3 pessoas);
- entre muitos outros.

Deste breve resumo de públicos, devo confessar que o meu tipo de público favorito é o primeiro, pois tem a intrepidez de ir ao concerto sabendo à partida que vai adormecer ou falar. Se a idade do espectador já for algo provecta, tanto melhor, pois há a vantagem adicional de toda a gente desculpar qualquer acto insano ou socialmente reprovável da sua parte.

Um dia quando for reformada e toda a sociedade me desculpar tudo, gostava de ser assim, despreocupadamente algo-incomodativa. Aí sim, viverei anos de ouro!

18/05/2005

A long time ago in a galaxy far, far away...



Como disse que vos falaria do derradeiro filme da saga Star Wars, só tenho uma palavra para o descrever: memorável.

Desde a infância que convivi com o Star Wars, isto porque o meu pai era fã e eu segui as pisadas. Não fã ao ponto de saber todos os pormenores e ter réplicas de sabres de luz, mas fã por achar os filmes realmente empolgantes, por me fazerem rir, chorar, ter medo e ansiar pelo próximo episódio.

Dificilmente irá haver um conjunto de filmes deste género com tanto sucesso e mérito, obviamente com momentos mais ou menos felizes – e goste-se ou não (sim, porque há pessoas que odeiam!), o fim do Star Wars vira uma página da História.

17/05/2005

Star Wars



Hoje é o dia da grandiosa antestreia do Star Wars! Goste-se ou não, é uma das prequelas mais aguardadas do cinema. Amanhã conto-vos tudo...ou quase ;)

Addio, adieu, auf wiedersehen, goodbye!

O festival da canção...essa noite que começava por ser de orgulho nacional e acabava arrasada por uma miséria de pontos dados por quem precisava de favores nas nossas águas territoriais.

O festival da canção é a verdadeira metáfora do povo português: o prêmbulo alegre e confiante, o intermédio nervoso e inquietante e o final catastrófico a puxar a lágrima pelo orgulho ferido.

É por isso que hoje em dia ninguém vê o festival da canção...canta canta, que logo danças, já diz o ditado! Mas só por andarmos a dizer ao mundo "Já fui ao Brasil, Praia e Bissau, Angola, Moçambique, tralalalala"...sinceramente: 20 pontinhos pela audácia, lá isso merecíamos!

13/05/2005

Jardins sem flores? Lá que os há, há...



"Não há jardim sem flores
Nem coração sem amor"
(Dito anónimo de pequeno posterzinho exposto algures numa lojinha de Leça da Palmeira)

Pois é, caros amigos, quem nunca recebeu como presente um pequeno posterzinho (ou até bonequinhos feitos de pequenos seixos ou conchinhas) com um dito deste género? Frases feitas, clichés, poemas eternamente anónimos, descrições de signos, filosofias de bolso, declarações de amor ou elogios profundíssimos ("És bestial!"/"És o máximo!" são elogios gratuitos sempre muito presentes nesta parafernália de artigos)...tudo conta(va) para desenrascar um presente singelo e económico quando as ideias geniais de prendas (ou simplesmente, as ideias em si) não surgiam. Penso que hoje estes posters estão em declínio galopante, mas não deixam de estar presentes um pouco por todas as lojas de bairro - nem que a última colecção faça parte do stock "novidades de 1985", os lojistas insistem em expô-los e deixá-los desbotar ao sol.

Aqui fica a minha homenagem às centenas de escritores e poetas anónimos que dedicam a sua vida a redigir ou a plagiar os textos que irão correr mundo em posters. Homenageio também os designers e criadores em geral que desencantam ou copiam as mais nobres e bonitas ilustrações para ornamentar estes artigos...infelizmente a qualidade da fotografia não é a melhor para vocês apreciarem em pleno este pequeno senhor cor-de-rosa com ar de sono, vestido com uma espécie de roupão verde-garrafa e que segura num estranho vaso cheio de flores com um ar depressivamente anémico. Asseguro-vos que ao vivo, é encantador.

(Se alguém conhecer mais frases deste género de poster ou tiver algum achado, partilhe-o com o mundo! Em breve, vou aqui divulgar um dos mais belos posters que tenho em minha posse :)

11/05/2005

O complicador...

...ou a capacidade – inata ou adquirida – de transformar a questão mais insignificante num imbróglio de proporções inimagináveis e provocar a ira em todos os que rodeiam a situação.

Existem pessoas, entidades e instituições que têm um acessório que é o terror do resto do mundo civilizado: o complicador.

Porquê ser verde quando esta cor é na realidade uma fusão de azul e amarelo, porquê preencher apenas *2* impressos quando podemos arranjar 10 e fornecer muito mais informações, porquê dizer que algo é "fácil" quando também podemos dizer "de relativa dificuldade"?

É este "dom" de complicar que alguns insistem em brandir quando fazemos uma pergunta simples, tentamos explicar qualquer coisa insignificante que se transforma num monstruoso desenho colorido e mesmo assim não esclarece ou quando nos limitamos a mostrar interesse por qualquer coisa/pessoa e mal damos por ela, estão a relatar-nos todo o historial da questão desde os tempos do paleolítico.

Quero um clarificador e quero-o já.

06/05/2005

Acho que ontem comi...



...um dos pimentos padrão mais picantes do mundo. Sabem quando ficamos com um pé ou uma perna dormente? Pois, aconteceu-me exactamente o mesmo devido a um miserável pimento, que aniquilou todos os minúsculos nervinhos sensoriais desde os lábios até ao esófago – penso que conseguiu inclusive parar o meu cérebro durante instantes.
Letal, infame e impiedoso, este pimento era uma autêntica arma sonífera.

E a propósito de armas: porque não, em vez de lutar com G3, metralhadoras e uzis,
se cria a luta através de pimentos padrão? Isso sim, seria testar a resistência.

Brindo a esta sugestão :)

04/05/2005

Foleirices sem sentido algum

Para quem teve de passar a infância nos anos 80, olhar para as fotografias antigas é um verdadeiro exercício deprimente: o suplício da franja no corte à tigela, os totós arrepanhando o cabelo na posição mais improvável (presos com enormes elásticos, geralmente horrendos) ou as bandoletes assustadoras (ninguém me convence que existiram penteados decentes nessa altura! *grunf*), a insistência na combinação atroz das mais improváveis cores, a presença habitual de papagaios e palmeiras no vestuário, fivelas exageradas, botas de cano alto, meias de cores garridas, caneleiras com padrões ou bonecada (OK, destas eu admito que gostava!), kispos cor-de-burro-quando-foge (mas sempre a contrastar brutalmente com as cores da roupa habitual)...ufa...um verdadeiro festim, raramente agradável à vista (não se ofendam, refiro-me às minhas fotografias :)

Pergunto-me o que se terá passado nas mentes das pessoas nessa altura. Provavelmente isto aconteceu com outras gerações e daqui a uns tempos vamos achar exactamente o mesmo da actualidade, mas digam-me...em mais alguma época se usaram galochas com OLHOS laterais?! E o quanto eu quis umas, na altura...

03/05/2005

Pinderiquices com sentido

Porquê comprar apenas um utensílio, quando se pode ter esse mesmo utensílio com *ainda mais* funções, como por exemplo, um porta-chaves com lanterna e porta-moedas integrado que emite um aviso sonoro quando não temos dinheiro e ainda inclui um avançado sistema GPS para nunca o perdermos?

As pequenas genialidades pindéricas tornam a nossa vida muito melhor :)

02/05/2005

O pânico ou uma ideia pouco luminosa

Felizmente, foram poucas as vezes que entrei seriamente em pânico. A mais recente foi quando o meu carro sobreaqueceu por ter avariado a válvula que acciona o termoventilador (pelo que disse o mecânico brasileiro que assistiu o carro); a luz da temperatura acende, há um ligeiro fumo que sai do capô e se não fosse eu estar juntinho a uma oficina, desconfio que também o meu pequeno cérebro teria sobreaquecido e pifado de vez.

Foi nesse preciso momento que descobri que preciso que as coisas funcionem, preciso que os aparelhos e as engenhocas e os mecanismos que têm de funcionar de uma determinada maneira, funcionem sempre como têm de funcionar: muito bem. Se houvesse um serviço que garantisse que tudo funcionava sem problemas, eu subscrevia-o sem hesitar. O pior de tudo é que nestes casos de mecanismos complicados que não dominamos (no meu caso, não percebo assim tanto de automóveis), a técnica de emergência auxiliar e apaziguadora – o pontapé – mais não faz do que nos enervar ainda mais.

Resumindo: se eu mandasse na grande indústria de automóveis, as falhas técnicas não acendiam luzes. Desencadeavam, sim, um complexo processo reparador: soa uma música relaxante no habitáculo e é emitido um odor aromaterapêutico calmante. O banco rebate e o condutor adormece. De seguida, através de um avançado sistema de GPS e piloto automático, o automóvel é conduzido até uma oficina de confiança, onde todos os problemas são resolvidos enquanto o condutor é submetido a uma revigorante sessão de massagens.

Ainda mais ideal: o custo deste processo é inteiramente suportado por um qualquer fundo internacional anti-pânico.

Sem luzinhas e indicadores luminosos de problemas, o nosso mundo seria, enfim, melhor.
Que contra-senso, as boas ideias serem designadas “ideias luminosas”! :)

28/04/2005

A pelúcia – candidata a um lugar na história política portuguesa

Pela primeira vez na história da humanidade, o candidato a presidente de uma conhecida autarquia nortenha será um pequeno gato de pelúcia.

O gato em questão, um peluche cinzento listado que responde pelo nome de Erlander, não é o primeiro ser inanimado a candidatar-se a um lugar ao sol na vida política - há já vários exemplos de seres não vivos que, com relativa glória, fazem parte da política nacional - mas tem a particularidade de ter uma grande experiência em lugares ao sol, visto que um dos passatempos preferidos deste nosso comparsa felino é, justamente, estar ao sol.

Esta escolha política arrojada foi fortemente motivada pelo consenso geral suscitado pelo gato, considerado pelos seus pares como “fôfinho”, “ternurento” e “sagazmente estóico”. O facto de ele não ser capaz de falar também contribuiu para a opção, uma vez que pela boca, nunca morreu um gato.

É, pois, a derradeira tentativa de reaproximar o povo dos políticos e promover mesmo o contacto físico pacífico com a classe – quem nunca tenha tido vontade de fazer festinhas a um gato, que se acuse!

27/04/2005

Sentidos desligáveis

Regra geral, odeio ouvir as conversas telefónicas dos outros - especialmente aquelas de chacha e de combinações que só interessam a quem está envolvido e a quem vai. Odeio ainda mais quando as pessoas presumem que estou realmente a prestar atenção e que sequer me interesso pelo que estão a dizer. Odeio profundamente quando dialogam comigo presumindo que ouvi tudo. Odeio totalmente quando ouvem as minhas conversas e utilizam informações ou frases que porventura ouviram para fazer comentários.

Mas o que mais odeio é ter de estar a trabalhar (mais especificamente: a tentar redigir um manual dum simpático veículo utilitário de uma reconhecida marca de motas que começa por K e acaba em I) e a ouvir telefonemas sem fim.

Há sentidos que se deviam poder desligar de vez em quando.

23/04/2005

31 anos de 25 de Abril


Liberdade - Vieira da Silva
O 25 de Abril faz 31 anos esta segunda-feira.

Não conheci o mundo antes do 25 de Abril.

Viva a liberdade.

Centro de documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra (especialmente interessante o Arquivo Electrónico da Democracia Portuguesa)

21/04/2005

Onde nós acabamos e os outros começam

Uma fronteira indefinida e talvez indefinível, a primeira das nossas liberdades limitadas: assim como só podemos ocupar o espaço físico que ninguém está já a ocupar, acabamos onde começam os outros.

E aí nasce a palavra ou o erro que invade o espaço alheio.

O direito adquirido de falar une ou separa?
Falar, falar sempre e invadir espaços, é o que vos sugiro hoje.

20/04/2005

Extra, extra!

Insurgindo-se contra a letargia criadora que nos tem assolado nos últimos tempos, foi hoje apresentado ao mundo em geral o novo engenho Arrumatrício, um potente dispositivo de arrumação que, começando por provocar a desarrumação apocalíptica numa qualquer sala, arruma tudo posteriormente e organiza todo um novo esquema decorativo de inspiração marcadamente feng shui (ler /fónh chui/, professora de chinês dixit) com ligeiros laivos étnicos do Burkina Faso.

Inspirado na dinâmica de arrumação desorganizadora a que todos nos sujeitamos no dia-a-dia e na milenar filosofia hindu que teoriza a destruição criadora, o Arrumatrício facilita a tarefa e faz com que não nos tenhamos de preocupar em desarrumar para depois arrumar, permitindo-nos aproveitar as coisas realmente boas e belas da vida, como por exemplo tudo o que envolva chocolate, queijo e até morango, para os mais destemidos. Uma novidade que vem mesmo a calhar.

17/04/2005

O ambiente explosivo das confeitarias ao Domingo

Ao Domingo, quando todos decidimos que o nosso lanche deve ser preparado por mãos alheias e nos dirigimos a uma confeitaria/café, o ambiente é de tensão explosiva – muito devido às nossas costumeiras filas.

Nas filas de espera, existem três espécimes: o espertinho, o sostro e o bitaites. O primeiro deles é o que quer sempre furar a fila e passar à frente de todos os sostros que o deixarem, lanchando logo na fila ao comer os outros por parvos. O sostro é aquele que ou deixa passar o espertinho, calando e comendo (lanchando logo na fila, mais uma vez), ou demonstra a sua insatisfação, mas com uma boca tão insignificante que ninguém repara e o espertinho leva a sua avante. Já o bitaites, é o eterno insatisfeito, aquele que só espera por um momento de glória para poder mandar a sua boca brutal e comer os outros todos de cebolada. Tudo gira à volta da comida, portanto.

As distintas combinações de espertinho/sostro/bitaites podem levar a diferentes ambientes, todos de maior ou menor tensão:

::Sostro+espertinho=tensão moderada, mas facilmente ultrapassável. ::Espertinho+bitaites=pequena rixa popular na confeitaria.
::Sostro+espertinho+bitaites=motim total, conduzindo ao caos espectacular e apocalíptico que inclui napoleões a esvoaçar pelos céus da confeitaria.

A confeitaria/pão quente é o maior campo de batalha de todos os tempos. Um simples lanche, amigos, um lanche, esse sim, irá desencadear uma tal espiral de violência que só poderá culminar na terceira guerra mundial. E era só mais um Domingo à tarde...

15/04/2005

Baixinhos, uni-vos!

Rejubilei, amigos, rejubilei. Nada mais, nada menos do que com o novo vídeo da Kylie, essa jovem que consegue ser uma gigante da música com apenas 1,54 m e ter o aspecto fabuloso dos 20 e tais aos 37.

Todos sabemos o indisfarçável: a senhora e seus produtores esforçam-se, e bem, por não fazer notar a sua estatura, em todos os vídeos. Mas neste, destrói-se o glamour dos baixinhos assumindo precisamente o recalcamento de ser baixinho, transformando a pequena Kylie numa gigantone. Mais valia continuar só a disfarçar...agora, a causa dos baixinhos está irremediavelmente perdida!

O novo vídeo da Kylie, para quem ainda não viu
Site Short Support: o apoio que faltava às pessoas baixinhas

Bocas!



Eis mais uma banda desenhada da infância de alguns (1987/1989), o fantástico Bocas!

Fiquem sabendo que "Geragera Boes Monogatari" era o nome original da série japonesa; em Inglês, "Story of the Chuckling Boes" ou "Ox Tales". Em Neerlandês, língua na qual ouvíamos a música, a série chamava-se "Boes" (daí o Boes, Boes da cançãozinha! Hoje finalmente percebi o que cantava em altos berros :) Também aprendi que em Itália, o nosso Bocas era o Álvaro e a série era o "Fantazoo".

Bem, o Bocas era realmente um grande boi – expressão esta que deve ter começado por ser inofensiva no período Bocas, para hoje se tornar ligeiramente insultuosa – seria o lobby machão dos oitentas que não gostaria de ver o másculo Bocas a estender roupa, a cozinhar, a fazer a lida da casa?

Mas quem esquece o macacão vermelho e os tamancos flamengos? Que pérola.

13/04/2005

Quando eu for grande...

Porque é que raramente nos tornamos naquilo que queríamos ser quando éramos pequenos? O meu primeiro dilema profissional foi no 5º ano, nas aulas de Inglês. Quando a professora perguntou o que queríamos ser, eu tinha de escolher uma profissão: era urgente carimbar o meu futuro com um rótulo.

Após alguns anos de infância a pensar que escolheria uma das profissões dos meus pais e a elaborar uma extensa lista de alternativas prioritárias, decidi enveredar por uma escolha autónoma e exterior à lista...que foi...querer ser hospedeira de avião (“air hostess”, aprendi eu, orgulhosamente, na aula de Inglês!).

Não sou hospedeira de avião.

Hoje, a filha de uma das colaboradoras da empresa onde trabalho (que tem 5 anos), depois de elogiar veementemente uma pulseira florida toda giraça que eu tenho ;) perguntou-me: “Sabes o que quero aprender a ser quando for grande?”

E eu, debatendo-me algures num texto que envolve patilhas e tinteiros e cópias, perguntei, “então diz-me lá”.

E ela, da altura dos seus 5 anos, diz muito, muito alto: “Ca-be-lei-rei-ra! E costureira!”

O drama da indecisão. Mas ainda lhe falta muito :)

12/04/2005

O cocas (mas não, não é esse, é o outro)

O cocas: esse extraordinário brinquedo esquecido desde a nossa infância. Ao contrário de outras complicadas engenhocas infantis, basta um pedaço de papel dobrado de acordo com uma fórmula ultra-secreta, algumas cores para colorir os cantos e alguma imaginação para as palavras do interior (entre as quais estavam sempre presentes os hoje-inofensivos termos “burro” ou o invejável “simpático”, “sim” e “não” no caso dos cocas de adivinhação, etc.). Depois, é só pedir um número – e numa questão de segundos, o omnipotente cocas dirá de seu juizo qual é o nosso carácter, quais são os nossos sentimentos por alguém, etc. Existe ainda a possibilidade de lhe fazermos perguntas, e os seus dotes de vidente também o afirmaram como entretenimento da pequenada.

Quem nunca delirou com as capacidades analíticas de carácter do cocas? A bajulação, o gozo, a humilhação! Quem nunca ficou furibundo por ser chamado de burro por um simples papel dobrado que se move vertiginosamente ao sabor do movimento dos dedos? Quem nunca tentou pedir um número impossível de contar?

Quem é que ainda consegue fazer um cocas? ;)

09/04/2005

Tenho uma teoria...

...neste momento, existem alimentos ricos em todas as vitaminas, todos os minerais, que têm tudo o que precisamos. Acabada de beber um Adagio Simbiótico de morango e melancia, sinto que se comesse uma poderosa fatia do todo-poderoso pão-de-forma enriquecido com 15 vitaminas e ferro energético, nada me deteria. Se acrescentasse uma manteiga extra-light anti-colesterol, a meta era o universo. O caminho? Vamos tornar-nos imparáveis.

A minha teoria é que ingerindo este tipo de alimentos hiper-ricos em tudo, nem sequer precisamos de almoçar nem jantar, tornamo-nos invencíveis com este precioso auxílio químico - entupidos de L Casei Imunitass, "bifidus", vitaminas, minerais, anti-colesteroleicos, oxigénio activo, soja enriquecida, enzimas probióticas activas, sentimos que tudo está ao alcance de uma embalagem colorida. Agora só falta um iogurte/pão/... que contenha alegria, humor, boa-disposição para tudo ser perfeito.

Será que o elixir da juventude já existe, disfarçado numa das embalagens?...

Bom fim-de-semana, enriquecido com sol e bom-humor :)

07/04/2005

Ideias brilhantes postas em prática (para variar)



O chocolate com bolhinhas de ar é seguramente uma das melhores invenções chocoláticas de todos os tempos, mas acho melhor não pensarmos demasiado na forma como algum pioneiro mestre chocolateiro poderá ter desenvolvido o conceito! Ter-se-á inspirado no famoso queijo esburacado? Seria alguém sem escrúpulos e ávido de lucro? Ou terá injectado o ar no chocolate utilizando vias menos ortodoxas? Medo...

De qualquer forma, foi uma grande ideia. Inspirada pelas bolhinhas de chocolate ausente do Dairy Milk Bubbly, decidi elaborar o meu top* achocolatado pessoal:

1. Míticos e extintos guarda-chuvinhas da Regina
2. Chocolates da
Thorntons (Buáaaa não há cá!!)
3. Chocolate para o leite da Suchard Express
4. O novo e delicioso
Bubbly da Cadbury
5. Todos os outros

*Top sujeito a alterações inesperadas sem aviso prévio.

Godiva chocolatier: Secção de receitas bastante sugestiva, incluindo fabulosos cheesecakes de chocolate ;)
Chocolate Cuisine: Mais receitas com chocolate, incluindo de aperitivos e entradas!

06/04/2005

:)


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Originally uploaded by izzolda.

05/04/2005

XIC anuncia inovador canal para o Castêlo da Maia*

Dando continuação a um ambicioso plano de lançamento de canais regionais, o prestigiado grupo XIC apresentou o novo XIC CM, o canal XIC Castêlo da Maia.

De acordo com o director de marketing do canal, esta aposta regional era “necessária e urgente”, uma vez que “os vastos milhares de habitantes do Castêlo da Maia já mereciam um canal como este”.

A grelha do XIC CM aposta nos programas de ficção, dos quais se destaca a famosa série “CSI - Castêlo da Maia”. “Os milheirais do Castêlo são um cenário de rara beleza e intriga”, afirma o realizador da série, que admite também estar “deslumbrado com o potencial da vila enquanto pólo de atracção turística” e já tratou de adquirir uma quinta de 476 hectares na região.

A informação será outro prato forte do canal, salientando-se os boletins agrícolas e apícolas horários, que irão ser determinantes para a afirmação da projecção internacional da região como poderoso motor do desenvolvimento nortenho.

Entre os habitantes, a expectativa é grande. D. Maria, uma anciã de 87 anos, confessa: “Estou cansada de andar nos milheirais, agora quero é ver televisão.”

*obviamente, esta notícia é fictícia de tão ridícula.

04/04/2005

Sentimentos ou a ausência deles ou a verdade

Segunda-feira cinzenta. As pálpebras teimam em não abrir ao som do rádio-despertador. A minha alma também caiu como um vaso vazio ao ouvir o segundo rádio-despertador (sim, uso dois, o segundo canta-me para dizer que já devia estar a pé!), atraso iminente. Sinto as pinturas e as limpezas do fim-de-semana na pele com o sentimento do dever cumprido (bom dia, Cátia!). Escadas, água, água, água, roupa, brrrrrr do secador, iogurte líquido, chaves, corrida, carro, algum trânsito, cheguei.

Não me apeteceu contar-vos uma mentira de 1 de Abril, por isso conto a mais pura verdade do meu dia 4. Mentiras, ouvimo-las e contamo-las todos os dias, porquê glorificá-las num dia especial?


Boa semana :)

31/03/2005

O poder do sssssssooooooommmmm


Boing cabum xuac pst? Umpf! Poing...zumba puf tungas pás :)

Tlin tim pim, upa truclas. Vrum vrum tum, népias.

Grunf - é a minha favorita...tunflas! Qual é a vossa?

30/03/2005

A importância crucial da chapadona



Ontem ao ver o telejornal, aprendi o ensinamento precioso de um senhor da terceira idade, com certeza bem mais sábio do que eu: um estaladão na altura certa resolve todos os problemas.

"Todos temos por onde sermos desprezíveis. Cada um de nós traz consigo um crime feito ou o crime que a alma lhe pede para fazer."
Fernando Pessoa

29/03/2005

A vida numa ilha II: um metro a sério


The Lure of the Underground, Alfred Leete

Habituados que estamos ao nosso pequenino mini-metro do Porto, andar no metro de Londres é utilizar quase 400 quilómetros de linhas do serviço de metro mais antigo do mundo (desde 1863). Segundo os modestos ingleses, também é o mais organizado.

De facto, existem tantas placas, indicações sonoras e cartazes que um turista é imediatamente reconhecido e olhado de soslaio por não cumprir as regras gerais de etiqueta. Das mais famosas indicações características do metro londrino, destaco o mítico aviso sonoro “Mind the gap”, que soa em várias estações, também numa versão revista e ampliada “Please mind the gap between the train and the platform”. A indicação “Stand on the right”, que aparece em TODAS as escadas e mesmo em corredores, é a que os turistas têm mais tendência a desrespeitar, dado que se amontoam tribalmente nas escadas rolantes/estáticas, provocando a ira dos aceleras das escadas. O desrespeito desta regra aparentemente simples pode fazer com que sejamos brutalmente espancados com um simples olhar – a sensação é indescritível.

Uma das mais recentes obsessões sonoras do tube é avisar a toda a hora que para evitar interrupções do serviço, os passageiros devem sempre conservar os pertences junto a si e notificar as autoridades se virem coisas abandonadas. A potente e desconfiada brigada anti-terrorista britânica deve entrar em acção sempre que uma mochila/saco/etc. estiverem aparentemente sem dono, destruindo-os sem pestanejar e mesmo que o conteúdo seja uma inofensiva frutinha.

E bem, acho que já chega de informações sobre o metro :) Falta dizer que é um meio de transporte bastante caro – no mínimo, desembolsam-se cerca de 2,5 euros... Para saber mais coisas, eis alguns sites óptimos que encontrei (e dos quais saliento o que fala das estações que já não são utilizadas, o segundo):

Tubeguru (excelente mapa interactivo do metro)

Underground History – Disused stations on London’s Underground

BBC - Informações gerais sobre o Metro, o design do logótipo, etc.

50 Things you never knew about the London Undergound

Going Underground (página de navegação difícil, mas com toneladas de informação)

28/03/2005

A vida numa ilha I: English breakfast

Quando a pequena bolha onde vivemos muda de coordenadas geográficas, transforma-se numa pequena ilha que é só nossa, noutro local. Quando o sítio para onde vamos é, em si, uma ilha, o confronto é inevitável, pois a coexistência pacífica de duas ilhas é virtualmente impossível.

A lei geral de sobrevivência dita que a ilha maior se sobrepõe à mais pequena, sendo a nossa totalmente aniquilada. Ora no caso de Inglaterra, ocorre não a aniquilação, mas a absorção cultural, sendo nós instados a adoptar os hábitos locais. Neste primeiro relato da minha viagem a Londres, sou obrigada a falar de uma das piores, mais oleosas e aterrorizantes ideias britânicas e gastronómicas em geral: o English breakfast.

Este pequeno-almoço é nada mais, nada menos do que um dos meus ódios culinários de estimação. Começam por nos tentar impingir o dito nos hotéis (onde fiquei, pela módica quantia de mais 4 libras/6 euros que o Continental breakfast incluído). Também conhecido por “fry-up” por [quase] tudo ser frito, inclui salsichas de porco fritas (e a propósito, se ouvirem falar em black pudding, não pensem que é um complemento docinho do pequeno-almoço - “a kind of thick dark sausage made from animal blood and fat”, Longman Dictionary of Contemporary English – atrever-me-ia a chamar-lhe morcela?), bacon frito, ovos mexidos e/ou ovo cozido, cogumelos, feijão em molho de tomate, tomate frito ou grelhado, tostas fritas, cereais, chá preto próprio para pequeno-almoço ou sumo e deve ser complementado com ketchup e brown sauce.

Todos sabemos que o pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia. Mas meus amigos, para mim, esta assembleia gordurosa é um mistério inexplicável, um festim hipercalórico de validade nutricional duvidosa.

Viva a continentalidade do pequeno-almoço! Foi a primeira vitória da minha pequena ilha em terras de sua majestade :)

25/03/2005

Cheers from London!


Tate Modern em Londres

Recém-chegada da grande Londres, conto tudo quando tiver mais tempo e acabar de matar saudades da água de boa qualidade e da comida menos bombasticamente calórica! :)

18/03/2005

A estranha magia hipnótica das obras

Na zona onde trabalho, estão finalmente a avançar as obras do metro. Por enquanto, deslocam-se e aplainam-se terras, dezenas de camiões, perfuradoras e retro-escavadoras andam dum lado para o outro, trabalhadores, topógrafos e assistentes não têm mãos a medir...uma azáfama cujos resultados só serão palpáveis/visíveis daqui a meses, mas que “bota fogo de bista”, como já ouvi alguém dizer.

Aqui muito perto, há uma ponte que passa por cima da futura linha do metro. Noutro dia, reparei que ocorreu uma transformação brutal na zona da ponte: uma potentíssima retro-escavadora deslocava quantidades imensas de terra - mas não julguem que era essa a transformação. O que aconteceu de realmente extraordinário foi a concentração/amontoado de dezenas de velhinhos e transeuntes, que se debruçam, acotovelam, inflamam os ânimos para ver, sentir e debater as obras, a técnica, a evolução, o traçado da linha, enfim, tudo o que rodeia as obras é avaliado e dissecado ao pormenor. Alguns, inclusive, tentam ajudar o operador com indicações preciosas – no meio de um ruído infernal, gritam, “mais para a direita/esquerda”, etc, informações sem as quais o operador nunca conseguiria desempenhar o seu trabalho.

Cheguei à conclusão possível de que temos uma costela de engenheiros (especialmente notória na população mais idosa); temos a necessidade imperativa de sentir construir alguma coisa e participar nela de alguma forma – nem que seja com a língua, sentirmo-nos úteis.

16/03/2005

Sideways


Bom e recomenda-se :)

Coisas impossíveis de compreender - I

Há atitudes, acções e comportamentos que nos apoquentam, ora porque são descabidos, insólitos, estranhos, ou tão simplesmente idiotas.

Uma das cenas a que assisti hoje mesmo, apesar de simples, foi algo perturbadora. Na minha saída habitual de uma estrada principal (equivalente a uma auto-estrada) para outra secundária, enquanto esperava para virar à direita, há uma senhora respeitável com +/- 60 anos, de vestido impecavelmente vermelho, puxo à antiga, óculos, carteira pendurada no braço, que sai de um carro encostado à berma da estrada principal e se dirige calmamente para trás, caminhando na linha que separa a estrada principal do desvio para a direita onde me encontro. Parece pequenina, no meio de uma grande estrada como aquela. Chegando a um determinado ponto, põe-se a olhar para cima, para a placa que apresenta as direcções para aquela saída onde me encontro – que o carro donde ela saiu já passou, sem ter agora hipóteses de voltar para trás.

Os motivos que levaram esta senhora a arriscar a vida numa estrada de altas velocidades para ver uma placa que já não lhe era útil, não sei. Deve ter a ver com a nossa mania de fazer sempre tudo mais tarde ou tarde demais.

15/03/2005

Sport Billy - o regresso


Sport Billy
Originally uploaded by izzolda.

Que bom seria se todos tivessemos uma mochila como a do Sport Billy, com tudo e mais alguma coisa! Se bem que certas e determinadas carteiras femininas encerram igualmente todo um mundo de utilidades e inutilidades que podem vir a provar ser de utilidade ;)

14/03/2005

E de repente, fez-se luz!

Lembram-se do meu escritório pouco colorido que descrevi num texto anterior? Consegui injectar alguma vivacidade no aspecto físico da minha secretária cinzenta, não através da OCD*, mas sim dum autocolante em forma de coração vermelho e branco que diz Peace & Love, estrategicamente colado no porta-lápis, e dum colorido copo com bolas bordô, cor-de-rosa e verdes multitonais. A cor está lentamente a invadir este espaço laboral cinzentão. Ninguém conseguirá deter os potentes tentáculos cromáticos que já estão em marcha!

Uma semana colorida para todos, com a ajuda das açucarado-achocolatadas amêndoas da Páscoa que começam a invadir o mundo ;)


*osmose cromatográfica dinâmica

11/03/2005

A pintura - o auge do combate ao stress

Neste caso, refiro-me evidentemente à pintura de habitações e não falo em termos de belas-artes, uma vez que esta última pintura não combate o stress, no meu caso, mas antes o provoca: como a minha vocação artística é altamente questionável e duvidosa (exceptuando talvez uma ligeira tendência para a gastronomia, nem sempre com resultados notáveis), prefiro dedicar-me à pintura de paredes.

Foi uma arte que experimentei recentemente, devido à onda grupal de mudanças que se abateu sobre os meus amigos, e não é que tenha descoberto propriamente uma vocação, mas acho que ou o cheiro da tinta ou o acto de pintar, se não provocarem enjoos, nódoas persistentes ou quedas aparatosas, fazem com que o pintor fique voltado para o interior e, como consequência, é conduzido a um estado quase meditativo e destressante. Por exemplo, é muito natural que o contacto prolongado com o referido cheiro ou com o todo-poderoso diluente cause a tendência para dar enormes voltas ao quarteirão para atingir certos objectivos – como por exemplo, um determinado restaurante (de acordo com uma sondagem recente efectuada na baixa portuense a 3 indivíduos).


A fiabilidade da pintura de habitações no combate ao stress é de tal ordem que supera a das bolas-mundi de borracha palpável e os sacos de boxe (de acordo com uma sondagem efectuada no Castêlo da Maia, 100% da pessoa em questão mencionou a pintura, especialmente com rolo, como um potente e infalível anti-stress*).

Produtos como a tartaruguinha, a tinta-de-água e outros que tais deviam ser proclamados os novos anti-depressivos. Em conjunção com a osmose cromatográfica dinâmica, esta técnica anti-stress pode alterar totalmente a nossa visão do mundo!

*margem de erro de 100%

10/03/2005

O motor do mundo

Estou fula...ou podre, ou irada, ou furibunda. Ou tudo ao mesmo tempo. Qual será o máximo de sentimentos que se podem viver em simultâneo? Os 10% de cérebro que utilizamos não devem ter mãos a medir nestes dias de sinapses intensas e carregadas de fúria.

Podia haver uma maneira de transferir a fúria vigorosa para qualquer coisa e transformá-la em energia; assim pelo menos a pessoa estava furiosa, mas sentia-se a contribuir para alguma coisa que não a deterioração vertiginosa da sua própria sanidade mental e psicológica. Qual hidrogénio, quais energias renováveis...a fúria, essa sim, poderia ser o motor do mundo! Aquela destruição criadora de que falam tantas filosofias.

Também é incrível como meia dúzia de palavras nos podem fazer sentir melhor :)

“Escreve com fúria, mas corrige com fleuma” (W. Roscommon)


fleuma
do Lat. phlegma < Gr. phlégma
s. f.,
humor;
frieza de ânimo, serenidade, impassibilidade, paciência;
pachorra;
aguardente não rectificada.

08/03/2005

Ela flutua, ela hesita: em suma, ela é mulher (Racine)

Não sei bem se concordo que a mulher flutua ou hesita mais que o homem, mas de qualquer forma gosto de flutuar e hesitar.

De qualquer forma, não podia deixar passar em branco este grande dia :) Por isso hoje, para todas as minhas amigas que tiveram a paciência de visitar o blog, uma grande beijoca e um dia excepcional! Para os restantes, quando chegar o dia internacional do homem falamos ;)

07/03/2005

A capacidade de fazer desesperar

Há pessoas que conhecemos ao longo da vida que têm uma capacidade intrínseca de nos levar ao quase-desespero. Há outras que, inevitavelmente, invocam o desespero total. Existem duas que não posso deixar de referir: a minha professora de saúde do 9º ano e o Sr. Mário da aula de italiano. Da professora, digo-vos apenas que um guarda-chuva, uma gabardina (do Cast. gabardina s. f., espécie de sobretudo, de fazenda impermeável; gabinardo; a própria fazenda > gostei da definição, em particular do sinónimo gabinardo, que tenciono passar a utilizar com frequência!), ou mesmo uma tenda fortemente impermeável, não vos salvariam de uma projecção interminável de perdigotos (do Lat. perdicottu, dim. de perdice, perdiz s. m., filho da perdiz; pop., salpico de saliva, ao falar> OK, prometo que não irei inserir mais definições deste utilíssimo Dicionário de Língua Portuguesa online http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx). Inacreditável. A senhora cuspia vigorosamente para cima de toda a turma, e a ordem alfabética que se impunha na disposição da sala fazia com que eu estivesse sempre nos lugares frontais. Não irei debruçar-me muito sobre este facto, pois já imaginam as temíveis consequências. A melhor posição da sala era, claro, junto à parede, do lado oposto às janelas, uma vez que em contraluz, ocorria um espectáculo de luz, som e cor de rara beleza; por vezes, chegava-se a ver o arco-íris. Os lugares junto à parede eram a cobiça de toda a turma.

Quanto ao Sr. Mário, era um reformado que frequentava as minhas aulas de italiano. Tinha o dom de complicar qualquer assunto e fazia perguntas até à exaustão, até que toda a turma tivesse uma extrema vontade de encetar qualquer acto violento contra o aparentemente simpático e bonacheirão reformado. Qualquer pormenor irrelevante era elevado à apoteose da complicadez, qualquer regra óbvia era contrariada e decepada sem dó nem piedade. Sr. Mário, eu sei que não me está a ler, mas gostava de lhe dizer que nunca tive aulas tão insuportáveis, nem mesmo as de algumas línguas que se falam melhor com uma batata quente na boca.

Tenho dito.

06/03/2005

Do tempo do arroz de quinze!

Hoje ao almoço, a minha avó utilizou a expressão "é do tempo do arroz de quinze", que confesso que não conhecia. Pois é tão simplesmente para indicar que uma determinada coisa é do tempo em que o arroz custava 15 reis... Resolvi que tinha de partilhar este preciosismo convosco :)

05/03/2005

Por fim, um verdadeiro erro ortográfico!


Vão uns ovinhos de coordeniz?
Inauguro assim, com um estrangeirismo pomposo totalmente integrado no Português, uma rubrica de fotos comprovativas de facaditas na nossa mais-que-tudo-língua, que irei tentar actualizar sempre que possível.

04/03/2005

Ritmo diabólico ou a necessidade de (não) dormir

Disseram-me que tinha um ritmo diabólico por conseguir dormir pouco e sobreviver na perfeição, sem ficar demasiado cansada nem parecer uma morta-viva :)

Se dormirmos as aconselháveis 8 horas por dia em 365 dias e vivermos 70 anos, passamos 204.400 horas/8517 dias/23 anos da nossa vida a dormir.

Será possível que alguém durma pouco por ter um mecanismo de defesa existencial inconsciente que impede a não-vivência dessas horas? E porquê? Ter sono, implica ter necessidade de dormir?


Eu dormia mais se tivesse mais tempo para não dormir. Acho que era justo.


dormir - do Lat. dormire
v. int.,
descansar no sono;
fig.,
estar ou ficar imóvel;
descansar na morte;
ser descuidado;
negligente;
estar latente;
entorpecido;
v. tr.,
dedicar ao sono certo espaço de tempo;
s. m.,
estado de quem dorme;
o sono.

(http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx)

03/03/2005

Einstein tem sempre razão

"Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta." (www.citador.pt)

As cores que fazem falta

Este fundo cor-de-rosa situa-se algures entre o inspirador e o pindérico (depende da disposição), mas por enquanto vou escrevê-lo e inscrevê-lo na vasta blogosfera. Aproveito para me dar a mim própria as boas-vindas e a quem ler também :)

Algo que deve contribuir para a necessidade do cor-de-rosa é o cinzento do dia-a-dia: não a disposição pessoal, pelo menos não a minha neste momento, mas as cores que nos rodeiam. No escritório onde trabalho, quase tudo é cinzento: móveis, divisórias, aparelhos electrónicos, caixote do lixo, estores, módulos de móveis...donde estou, só vejo ao longe o colorido dos botões de uma impressora, o meu novo tapete de rato redondo com bolas coloridas (made in taiwan) e um tristonho boneco gigante vermelho de uma reconhecida marca de chocolate que derrete na boca (...) – que está de pé, solitário em cima de um armário; tristonho, porque apesar de acenar e ostentar um leve sorriso, está vazio e não fornece chocolate.

O ideal era que existissem injecções de cor para tudo: mobiliário, objectos e, claro, pessoas, que de vez em quando também precisam! Estas injecções para pessoas eram especiais porque não envolviam agulhas, mas sim um processo de transferência por osmose cromatográfica dinâmica.

Algum interessado?
Eis-me com um viçoso blog :)