30/06/2005
O maravilhoso mundo do Google Maps
A minha casa algures no Google Maps
Zai jian*
E para mais informações sobre o chá na China: Chinese-Tea.net
*até à vista
28/06/2005
Take
É o costume?
Mas acreditem, ao fim de um certo tempo, quando já sabemos que o sumo tropical é demasiado doce, a bola de berlim é demasiado grande, as torradas têm sempre demasiada manteiga e o sumo de ananás sabe a mofo, convenhamos que há a tendência para instalar hábitos por já sabermos o que é bom ou mau.
Foi então que fiz uma descoberta importante: podemos usar o “costume” a nosso favor. Sim, podemos personalizar os pedidos ao ponto de já não ser preciso dizer “era uma meia de leite escura com leite frio e adoçante e um pão integral clarinho com pouca manteiga ligeiramente aquecido!”
Às vezes, o costume dá jeito. A quantidade de palavras que se poupam, o prazer das coisas quase a chegar à mesa mal entramos no café.
É deliciosamente preguiçoso.
Se não consegues vencê-los, junta-te a eles.
24/06/2005
A necessidade de "encaixar"*...
Uma das minhas professoras de filosofia da secundária repetia esta frase até à exaustão. E por menos que eu gostasse dela enquanto pessoa, tive sempre de reconhecer que nesta questão, tinha razão.
Até que ponto podemos (e temos legitimidade para) presumir coisas e tirar conclusões de palavras que não fomos nós a dizer/escrever? A fronteira entre a interpretação e a avaliação/julgamento é ténue. Depois, ainda há que considerar e aceitar o efeito que a nossa interpretação/avaliação tem no autor. Mais importante que isso, há que reconhecer a possível validade ou inutilidade das palavras. No fundo, saber como e quando comunicar.
Falar com outra pessoa nunca é o mesmo que falar sozinho (passe o estilo notoriamente Lili assumido da frase). Mas por incrível que pareça, ainda há muitas pessoas que não fazem esta distinção e outras que a fazem demasiadas vezes. É como saber quando se deve corrigir um erro ortográfico :) e quando é melhor estar calado. Claro que isto, sou só eu a interpretar as minhas próprias palavras.
*Leia-se também estereotipar ou presumir
comunicação
s. f., acto, efeito ou meio de comunicar; participação; aviso; informação; convivência; trato; lugar de passagem de um ponto para outro; comunhão (de bens); atribuição mútua das propriedades da natureza divina à natureza humana de Cristo.
23/06/2005
S. João!
Vou snifar um manjerico
Depois apanho um balão
E vou saltar num bailarico
A inspiração esvai-se,
A persistência manda a mão
Escrever tanto versinho
P'ra desejar bom S. João :)
22/06/2005
A vida em mono
Para compensar a homogeneidade tonal, utilizamos o volume; vai daí, quando queremos argumentar ou debater, toca a projectar a voz para níveis ultra-sónicos em vez de apostarmos na subtil entoação para marcar a nossa posição. Ainda por cima, quando há pessoas que realmente apostam na entoação, têm o azar de soar extremamente teatrais a la Morangos com Açúcar (conhecida telenovela, para os mais desatentos aos temíveis fins de tarde da televisão nacional). OK, mais uma vez, há casos de sucesso (em número ínfimo).
Vem isto a propósito de uma senhora que frequenta habitualmente uma das salas do local onde trabalho, que tem com toda a certeza um dos tons de voz mais monocórdicos do mundo. Com a agravante de evidenciar também aquele descontrolo tonal que provoca os picos de voz repentinos e retira toda a credibilidade às ideias. O resultado é um cruzamento entre um violino desafinado, o som de uma colher a rapar um tacho de ferro fundido e comprimidos para dormir, tal é a monotonia do tom (que contrasta com os súbitos picos, espelhando a contradição latente). Memorável.
Work, work, work...

Ora cá está uma rara oportunidade de escrever "Parabéns!" em trabalho, e com ponto de exclamação e tudo - seguramente o sinal de pontuação que menos utilizo em trabalho.
E também uma oportunidade para vocês verem o meu fabuloso ambiente de trabalho quase diário (e sim, há outros programas igualmente interessantes do ponto de vista visual, mas incalculavelmente úteis...).
Volto já :)
21/06/2005
17/06/2005
Alerta verde em jeito de quadra sanjoanina
Fim-de-semana iminente,
Vem aí o S. João
Não caibo em mim de contente!
Divirtam-se :)
16/06/2005
Ni hao! Wo shi hanyu xuesheng :)
15/06/2005
As palavras não se gastam
As palavras desgastam.
E permanecem.
E depois destas considerações que sinto hoje na pele, eis-me de volta :)
Sim, andei afastada. Decidi testar eu própria os efeitos da hibernação na Primavera, por isso andei temporariamente afastada do mundo e da vida, numa tentativa de auto-regeneração celular e cósmica que me iria proporcionar benesses inimagináveis.
Resultados concretos verificados: a hibernação não é para mim.
E além disso tinha saudades de toda a gente, e minhas.
Se isto tudo soou muito estranho, passo a traduzir: andei a traduzir [um livro]; logo, perto das palavras, mas longe de tudo o resto :)
Agora já estou aqui.
13/06/2005
Urgentemente
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade
Tive de decorar este poema na escola primária, até hoje.
Constatei que a maior parte do mundo devia decorar este poema.
Cheguei à conclusão que mesmo que toda a gente o decorasse, não o ia pôr em prática.
Quem o faz, já o sabe de cor, secalhar por outras palavras :)
10/06/2005
05/06/2005
Os bibelôs nunca nos desiludem
Mas o que me leva realmente a falar de bibelôs é o tipo de bibelô que mais me faz espécie: animais vestidos.
Recentemente confrontada com a presença de um novo bibelô-coelho cá em casa, que até tem um ar relativamente amistoso e ostenta um bem-disposto sorriso, reparei que ele enverga uma t-shirt e um macacão very retro (e atenção, toda a vestimenta está cuidadosamente coordenada do ponto de vista cromático, com o cuidado acrescido de este coelho ser fashion q.b., pois os tons do vestuário oscilam entre o caqui e o castanho). Se tudo parasse por aqui, estávamos conversados, mas além da vestimenta cuidada e do ar feliz, este coelho está sentado numa confortável posição de pernas cruzadas, qual yôgi, e agarrado a uma cenoura gigante.
Palavras para quê, amigos, rendo-me a toda a vasta equipa de criativos que produziu este coelho, pois dei comigo a querer que ele falasse. Mal me explicasse o porquê da cenoura gigante, acho que podíamos ser grandes amigos.
Por enquanto, vou-me limitar a retribuir o sorriso quando passar por ele. E cheguei à conclusão que os bibelôs existem para nos ensinar que há sorrisos que estão sempre lá para nós :)
04/06/2005
Tardio
Por isso as melhores horas do dia, ou da noite, são estas, as horas em que o mundo está silencioso e tudo se ouve e o frigorífico é ensurdecedor e até ouvimos ruídos longínquos que nos fazem pensar no que se passa lá fora, quando toda a gente dorme.
É aí que vamos dormir também.
Bom fim-de-semana.
02/06/2005
"É fresquinho?"
Sendo especialmente aplicável a produtos comestíveis, ao comprar um bolo ou pão, damos connosco a perguntar “É fresquinho?” – questão esta que, para além de ridiculamente inútil, é um dos sinais de que estamos a ficar intrinsecamente velhinhos (nenhum jovem se preocupa se é fresquinho ou não, pois tem bons dentes para aguentar qualquer sêmea inesperadamente recessa).
Um dos meus objectivos ao fazer, ocasionalmente, esta pergunta, é esperar encontrar um dia alguém sincero, alguém que me diga sem hesitar: [ler com cerrada pronúncia da beira interior] “Não, menina, não só não é nada fresquinho, como o comprei a semana passada numa padaria ali prós lados de Vila Real de Santo António; já ia direitinho para a secção de restos aspirantes a broas de mel, tinha bolor e bicho, mas raspei tudo bem raspadinho, lavei, deixei ao ar, pus côco e ovos moles por cima e tento impingir a quem não me fizer essa temível pergunta!”.
Mas a humanidade simplifica: “Sim, menina, é do mais fresquinho que há!”, com um ar extremamente ofendido por termos perguntado. E nós, eternos inocentes, acreditamos e compramos.
"What if everything is an illusion and nothing exists?
In that case, I definitely overpaid for my carpet."
Woody Allen/QuotationsPage.com
01/06/2005
Os cães da vizinha
Os únicos cães do mundo de que eu não gosto até agora são os da minha vizinha do lado. À vista desarmada, parecem dois rafeirinhos inofensivos, balofos e com sérias dificuldades de locomoção devido à vida fisicamente sedentária.
Mas as respectivas gargantas, senhores, que poderio vocal. Fustigando toda a vizinhança do alto do seu terraço, sentem-se donos do mundo.
Cheguei à conclusão de que um dos cães, decididamente o guru espiritual do outro, é filósofo. Ladra a tudo: a quem passa, aos ruídos, aos pássaros, aos outros cães, ladra a toda a hora, principalmente quando está toda a gente da vizinhança em sua casa, excepto...os próprios donos dos cães. O outro lá lança o seu latido menos portentoso, para mostrar que também manda o seu bitaite. Qual dupla Sócrates/Platão, andam sempre juntos a filosofar, um mais activo, outro mais caladinho e surrelfa (com certeza irá ainda publicar vários livros com os ensinamentos do mestre ladrador, arrecadando rios de dinheiro à custa do outro).
Nos momentos mais filosóficos do canídeo, apetecia-me oferecer-lhe uma generosa taça de cicuta. Mas a minha natureza genericamente pacifista manda-me pôr a música mais alta e esperar que ele se canse.
31/05/2005
Imagens de cortar a respiração
A propósito do dia mundial sem tabaco, que é hoje, enviaram-me o link de um site, mas não posso dizer que o recomende (e depois não digam que não avisei).
Fiquei foi a pensar na quantidade de dias mundiais que existem e na sua maior ou menor utilidade ou legitimidade. Quem cria os dias mundiais? O mundo inteiro tem de os aprovar? E se alguém não concordar, mesmo assim esse dia é um dia mundial? Há algum dia que não seja mundial?
Já agora propunha a criação do dia mundial de tudo, para satisfazer todos aqueles que ainda não têm um dia mundial, e de nada, para satisfazer aqueles que odeiam os dias mundiais.
28/05/2005
Um caracol com a noção das suas limitações...

Mighty snail
...ou não. Este caracol que vêem relativamente mal na foto passeia pelo vidro pára-brisas de um carro. Viajou desde Matosinhos até um conhecido shopping, deu umas voltas pelo parque de estacionamento, voltou ao carro e apanhou boleia outra vez para a cidade. Durante a viagem, os seus corninhos mexiam ao sabor do vento; tanta rapidez era inimaginável para este pequeno ser viscoso, que além de agarrado à casa estava agarrado à vida através da substância que liberta. Infelizmente veio depois a perecer, não sobrevivendo à queda vertiginosa do vidro até ao solo.
A sorte nem sempre é dos audazes...
27/05/2005
Tarã!
25/05/2005
No seguimento do pimento padrão mais picante do mundo...
A batata é um tubérculo originário dos Andes, na América do Sul. Nesta região de altitudes elevadas, clima austero e solo de fracas condições, a batata resiste e é cultivada há mais de 7000 anos; só em 1570 é que a primeira batata chegou à Europa, na era pós-Colombo. No entanto, a nossa amiga batata não vingou rapidamente junto dos consumidores, pois era associada a “comida de pobres” e a plantas venenosas (sim, a família da batata é venenosa, as folhas da batata são venenosas e a própria batata, quando adquire uma tonalidade esverdeada, pode ser venenosa e indigesta). Só se tornou um êxito na Europa a partir dos finais do século XVIII. Nessa altura, foi essencial o papel do Sr. Parmentier, um amante inveterado da batata que tentou a todo o custo fazer com que fosse consumida em França pelas suas vantagens nutricionais. Como não conseguiu vender a ideia só com argumentos saudáveis, tentou de outra maneira: comprou um terreno nos arredores de Paris, plantou batatas e montou guarda à plantação durante todo o dia. Movidas pela curiosidade e por pensarem que devia ser um produto valioso, as pessoas começaram a comprar e a plantar batata. E assim se difundiu a batata e a sua lógica, e com certeza deve ter sido nessa altura que surgiu a expressão “vai plantar batatas”.
E agora perguntam vocês, “porque raio é que estamos a levar com a história da batata, quando ainda por cima era suposto esta crónica ser da temática ‘....do mundo’”?! Simples: refiro-me à melhor invenção culinária batatal de todos os tempos, que se limita a pegar na batata e a associar-lhe a componente violenta – senhoras e senhores, a BATATA A MURRO. Presto-lhe aqui a minha sincera homenagem.
Agora só falta a parte “...do mundo” pela qual tanto ansiavam: inquestionavelmente, a melhor batata a murro do mundo está na Casa Serrão, nessa bela terra de horizonte e mar que é Matosinhos. E tenho dito.
Fonte: InDepthInfo.com: Temas algo limitados, mas com alguns apontamentos interessantes.
24/05/2005
Grandes mistérios da humanidade I – os nomes dos bolos portugueses
Ao longo da nossa vida, temos tendência a mudar de bolo periodicamente para melhor espelhar o que sentimos:
a) top of the pops: duquesa, tamar, bispo, napoleão, bola de berlim, jesuíta, milfolhas, delícia de açúcar ou chocolate, guardanapo, caramujo, glória, limonete – bolos ideais para quem não se preocupa com cáries ou calorias, são autênticas bombas-refeição. Comê-los é dizer um grande “não me ralo” ao mundo e todos precisamos de um bolo destes de vez em quando;
b) importados: éclair, croissant, palmier, chauffon de maçã, muffin, donut – bolos para os gourmets internacionais, que querem pedir o mesmo bolo em qualquer parte do país ou do mundo;
c) animálicos: pata de veado, ratinho – não sei bem a que associar esta categoria, talvez a uma identificação com o reino animal?
d) inexplicáveis: estaladinho, arrufada, brioche – os bolos de quem não quer demonstrar nada do que pensa nem pensar no que quer. Podemos estar a pensar numa questão complexíssima de álgebra linear, mas todos conseguimos articular “era um galãozinho e uma arrufada, ‘sáxabori”;
e) genéricos: queque (variantes cenoura, passas, etc.), bolo de arroz, pastel de nata, mariazinha, pastel/tarte/fatia/rolo de qualquer coisa – a força do hábito leva-nos a pedir estes bolos de vez em quando, mesmo quando na realidade não nos apetece bolo nenhum;
f) broa de mel: para quem quer tudo ao mesmo tempo, a broa de mel é o bolo ideal. Sendo um bolo que obedece à máxima ecológica de reutilização, é o primeiro eco-bolo do mundo.
OK, poucos destes nomes têm explicação lógica, mas também quem quer saber disso? Nós, caros amigos, temos um dom precioso: ultrapassamos todas as dificuldades onomásticas com um simples: “Era um daqueles bolos em forma de caramujo compridinho, daqueles recheados de chocolate com coco ralado, nozes e fios d'ovos por cima e mais um sumol de ananás, sáxabori!”.
20/05/2005
Públicos...
- os re/conformados, que vão aos concertos de boa vontade, quanto mais não seja para emitir sonoros roncos ou para reencontrar velhos amigos reformados e conversar todo o concerto. Este tipo de público fica sempre até ao fim e aplaude entusiasticamente, emitindo emocionados “bravos” mesmo quando não ouviu nada;
- os adaptáveis, que vão aos concertos e tentam tirar o máximo partido da experiência, vibrando como se não houvesse amanhã mesmo quando o concerto é notoriamente uma seca total;
- os ávidos de cultura, que vão a qualquer concerto, mas dizem sempre mal de todos e esforçam-se por vincar o seu mau-estar e espalhá-lo por toda a sala;
- os que vão sem saber ao que vão e a) saem agradavelmente surpreendidos ou b) saem por ser insuportável, ou ainda c) adormecem;
- OK, há sempre alguns fãs honestos (que ontem não deviam ultrapassar cerca de 3 pessoas);
- entre muitos outros.
Deste breve resumo de públicos, devo confessar que o meu tipo de público favorito é o primeiro, pois tem a intrepidez de ir ao concerto sabendo à partida que vai adormecer ou falar. Se a idade do espectador já for algo provecta, tanto melhor, pois há a vantagem adicional de toda a gente desculpar qualquer acto insano ou socialmente reprovável da sua parte.
Um dia quando for reformada e toda a sociedade me desculpar tudo, gostava de ser assim, despreocupadamente algo-incomodativa. Aí sim, viverei anos de ouro!
18/05/2005
A long time ago in a galaxy far, far away...

Como disse que vos falaria do derradeiro filme da saga Star Wars, só tenho uma palavra para o descrever: memorável.
Desde a infância que convivi com o Star Wars, isto porque o meu pai era fã e eu segui as pisadas. Não fã ao ponto de saber todos os pormenores e ter réplicas de sabres de luz, mas fã por achar os filmes realmente empolgantes, por me fazerem rir, chorar, ter medo e ansiar pelo próximo episódio.
Dificilmente irá haver um conjunto de filmes deste género com tanto sucesso e mérito, obviamente com momentos mais ou menos felizes – e goste-se ou não (sim, porque há pessoas que odeiam!), o fim do Star Wars vira uma página da História.
17/05/2005
Star Wars
Addio, adieu, auf wiedersehen, goodbye!
O festival da canção é a verdadeira metáfora do povo português: o prêmbulo alegre e confiante, o intermédio nervoso e inquietante e o final catastrófico a puxar a lágrima pelo orgulho ferido.
É por isso que hoje em dia ninguém vê o festival da canção...canta canta, que logo danças, já diz o ditado! Mas só por andarmos a dizer ao mundo "Já fui ao Brasil, Praia e Bissau, Angola, Moçambique, tralalalala"...sinceramente: 20 pontinhos pela audácia, lá isso merecíamos!
13/05/2005
Jardins sem flores? Lá que os há, há...

"Não há jardim sem flores
Nem coração sem amor"
(Dito anónimo de pequeno posterzinho exposto algures numa lojinha de Leça da Palmeira)
Pois é, caros amigos, quem nunca recebeu como presente um pequeno posterzinho (ou até bonequinhos feitos de pequenos seixos ou conchinhas) com um dito deste género? Frases feitas, clichés, poemas eternamente anónimos, descrições de signos, filosofias de bolso, declarações de amor ou elogios profundíssimos ("És bestial!"/"És o máximo!" são elogios gratuitos sempre muito presentes nesta parafernália de artigos)...tudo conta(va) para desenrascar um presente singelo e económico quando as ideias geniais de prendas (ou simplesmente, as ideias em si) não surgiam. Penso que hoje estes posters estão em declínio galopante, mas não deixam de estar presentes um pouco por todas as lojas de bairro - nem que a última colecção faça parte do stock "novidades de 1985", os lojistas insistem em expô-los e deixá-los desbotar ao sol.
Aqui fica a minha homenagem às centenas de escritores e poetas anónimos que dedicam a sua vida a redigir ou a plagiar os textos que irão correr mundo em posters. Homenageio também os designers e criadores em geral que desencantam ou copiam as mais nobres e bonitas ilustrações para ornamentar estes artigos...infelizmente a qualidade da fotografia não é a melhor para vocês apreciarem em pleno este pequeno senhor cor-de-rosa com ar de sono, vestido com uma espécie de roupão verde-garrafa e que segura num estranho vaso cheio de flores com um ar depressivamente anémico. Asseguro-vos que ao vivo, é encantador.
(Se alguém conhecer mais frases deste género de poster ou tiver algum achado, partilhe-o com o mundo! Em breve, vou aqui divulgar um dos mais belos posters que tenho em minha posse :)
11/05/2005
O complicador...
Existem pessoas, entidades e instituições que têm um acessório que é o terror do resto do mundo civilizado: o complicador.
Porquê ser verde quando esta cor é na realidade uma fusão de azul e amarelo, porquê preencher apenas *2* impressos quando podemos arranjar 10 e fornecer muito mais informações, porquê dizer que algo é "fácil" quando também podemos dizer "de relativa dificuldade"?
É este "dom" de complicar que alguns insistem em brandir quando fazemos uma pergunta simples, tentamos explicar qualquer coisa insignificante que se transforma num monstruoso desenho colorido e mesmo assim não esclarece ou quando nos limitamos a mostrar interesse por qualquer coisa/pessoa e mal damos por ela, estão a relatar-nos todo o historial da questão desde os tempos do paleolítico.
Quero um clarificador e quero-o já.
06/05/2005
Acho que ontem comi...

...um dos pimentos padrão mais picantes do mundo. Sabem quando ficamos com um pé ou uma perna dormente? Pois, aconteceu-me exactamente o mesmo devido a um miserável pimento, que aniquilou todos os minúsculos nervinhos sensoriais desde os lábios até ao esófago – penso que conseguiu inclusive parar o meu cérebro durante instantes.
Letal, infame e impiedoso, este pimento era uma autêntica arma sonífera.
E a propósito de armas: porque não, em vez de lutar com G3, metralhadoras e uzis, se cria a luta através de pimentos padrão? Isso sim, seria testar a resistência.
Brindo a esta sugestão :)
04/05/2005
Foleirices sem sentido algum
Pergunto-me o que se terá passado nas mentes das pessoas nessa altura. Provavelmente isto aconteceu com outras gerações e daqui a uns tempos vamos achar exactamente o mesmo da actualidade, mas digam-me...em mais alguma época se usaram galochas com OLHOS laterais?! E o quanto eu quis umas, na altura...
03/05/2005
Pinderiquices com sentido
As pequenas genialidades pindéricas tornam a nossa vida muito melhor :)
02/05/2005
O pânico ou uma ideia pouco luminosa
Foi nesse preciso momento que descobri que preciso que as coisas funcionem, preciso que os aparelhos e as engenhocas e os mecanismos que têm de funcionar de uma determinada maneira, funcionem sempre como têm de funcionar: muito bem. Se houvesse um serviço que garantisse que tudo funcionava sem problemas, eu subscrevia-o sem hesitar. O pior de tudo é que nestes casos de mecanismos complicados que não dominamos (no meu caso, não percebo assim tanto de automóveis), a técnica de emergência auxiliar e apaziguadora – o pontapé – mais não faz do que nos enervar ainda mais.
Resumindo: se eu mandasse na grande indústria de automóveis, as falhas técnicas não acendiam luzes. Desencadeavam, sim, um complexo processo reparador: soa uma música relaxante no habitáculo e é emitido um odor aromaterapêutico calmante. O banco rebate e o condutor adormece. De seguida, através de um avançado sistema de GPS e piloto automático, o automóvel é conduzido até uma oficina de confiança, onde todos os problemas são resolvidos enquanto o condutor é submetido a uma revigorante sessão de massagens.
Ainda mais ideal: o custo deste processo é inteiramente suportado por um qualquer fundo internacional anti-pânico.
Sem luzinhas e indicadores luminosos de problemas, o nosso mundo seria, enfim, melhor.
Que contra-senso, as boas ideias serem designadas “ideias luminosas”! :)
28/04/2005
A pelúcia – candidata a um lugar na história política portuguesa
O gato em questão, um peluche cinzento listado que responde pelo nome de Erlander, não é o primeiro ser inanimado a candidatar-se a um lugar ao sol na vida política - há já vários exemplos de seres não vivos que, com relativa glória, fazem parte da política nacional - mas tem a particularidade de ter uma grande experiência em lugares ao sol, visto que um dos passatempos preferidos deste nosso comparsa felino é, justamente, estar ao sol.
Esta escolha política arrojada foi fortemente motivada pelo consenso geral suscitado pelo gato, considerado pelos seus pares como “fôfinho”, “ternurento” e “sagazmente estóico”. O facto de ele não ser capaz de falar também contribuiu para a opção, uma vez que pela boca, nunca morreu um gato.
É, pois, a derradeira tentativa de reaproximar o povo dos políticos e promover mesmo o contacto físico pacífico com a classe – quem nunca tenha tido vontade de fazer festinhas a um gato, que se acuse!
27/04/2005
Sentidos desligáveis
Mas o que mais odeio é ter de estar a trabalhar (mais especificamente: a tentar redigir um manual dum simpático veículo utilitário de uma reconhecida marca de motas que começa por K e acaba em I) e a ouvir telefonemas sem fim.
Há sentidos que se deviam poder desligar de vez em quando.
23/04/2005
31 anos de 25 de Abril

Liberdade - Vieira da Silva
O 25 de Abril faz 31 anos esta segunda-feira.
Não conheci o mundo antes do 25 de Abril.
Viva a liberdade.
Centro de documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra (especialmente interessante o Arquivo Electrónico da Democracia Portuguesa)
21/04/2005
Onde nós acabamos e os outros começam
E aí nasce a palavra ou o erro que invade o espaço alheio.
O direito adquirido de falar une ou separa?
Falar, falar sempre e invadir espaços, é o que vos sugiro hoje.
20/04/2005
Extra, extra!
Inspirado na dinâmica de arrumação desorganizadora a que todos nos sujeitamos no dia-a-dia e na milenar filosofia hindu que teoriza a destruição criadora, o Arrumatrício facilita a tarefa e faz com que não nos tenhamos de preocupar em desarrumar para depois arrumar, permitindo-nos aproveitar as coisas realmente boas e belas da vida, como por exemplo tudo o que envolva chocolate, queijo e até morango, para os mais destemidos. Uma novidade que vem mesmo a calhar.
17/04/2005
O ambiente explosivo das confeitarias ao Domingo
Nas filas de espera, existem três espécimes: o espertinho, o sostro e o bitaites. O primeiro deles é o que quer sempre furar a fila e passar à frente de todos os sostros que o deixarem, lanchando logo na fila ao comer os outros por parvos. O sostro é aquele que ou deixa passar o espertinho, calando e comendo (lanchando logo na fila, mais uma vez), ou demonstra a sua insatisfação, mas com uma boca tão insignificante que ninguém repara e o espertinho leva a sua avante. Já o bitaites, é o eterno insatisfeito, aquele que só espera por um momento de glória para poder mandar a sua boca brutal e comer os outros todos de cebolada. Tudo gira à volta da comida, portanto.
As distintas combinações de espertinho/sostro/bitaites podem levar a diferentes ambientes, todos de maior ou menor tensão:
::Sostro+espertinho=tensão moderada, mas facilmente ultrapassável. ::Espertinho+bitaites=pequena rixa popular na confeitaria.
::Sostro+espertinho+bitaites=motim total, conduzindo ao caos espectacular e apocalíptico que inclui napoleões a esvoaçar pelos céus da confeitaria.
A confeitaria/pão quente é o maior campo de batalha de todos os tempos. Um simples lanche, amigos, um lanche, esse sim, irá desencadear uma tal espiral de violência que só poderá culminar na terceira guerra mundial. E era só mais um Domingo à tarde...
15/04/2005
Baixinhos, uni-vos!
Todos sabemos o indisfarçável: a senhora e seus produtores esforçam-se, e bem, por não fazer notar a sua estatura, em todos os vídeos. Mas neste, destrói-se o glamour dos baixinhos assumindo precisamente o recalcamento de ser baixinho, transformando a pequena Kylie numa gigantone. Mais valia continuar só a disfarçar...agora, a causa dos baixinhos está irremediavelmente perdida!
O novo vídeo da Kylie, para quem ainda não viu
Site Short Support: o apoio que faltava às pessoas baixinhas
Bocas!

Eis mais uma banda desenhada da infância de alguns (1987/1989), o fantástico Bocas!
Fiquem sabendo que "Geragera Boes Monogatari" era o nome original da série japonesa; em Inglês, "Story of the Chuckling Boes" ou "Ox Tales". Em Neerlandês, língua na qual ouvíamos a música, a série chamava-se "Boes" (daí o Boes, Boes da cançãozinha! Hoje finalmente percebi o que cantava em altos berros :) Também aprendi que em Itália, o nosso Bocas era o Álvaro e a série era o "Fantazoo".
Bem, o Bocas era realmente um grande boi – expressão esta que deve ter começado por ser inofensiva no período Bocas, para hoje se tornar ligeiramente insultuosa – seria o lobby machão dos oitentas que não gostaria de ver o másculo Bocas a estender roupa, a cozinhar, a fazer a lida da casa?
Mas quem esquece o macacão vermelho e os tamancos flamengos? Que pérola.
13/04/2005
Quando eu for grande...
Após alguns anos de infância a pensar que escolheria uma das profissões dos meus pais e a elaborar uma extensa lista de alternativas prioritárias, decidi enveredar por uma escolha autónoma e exterior à lista...que foi...querer ser hospedeira de avião (“air hostess”, aprendi eu, orgulhosamente, na aula de Inglês!).
Não sou hospedeira de avião.
Hoje, a filha de uma das colaboradoras da empresa onde trabalho (que tem 5 anos), depois de elogiar veementemente uma pulseira florida toda giraça que eu tenho ;) perguntou-me: “Sabes o que quero aprender a ser quando for grande?”
E eu, debatendo-me algures num texto que envolve patilhas e tinteiros e cópias, perguntei, “então diz-me lá”.
E ela, da altura dos seus 5 anos, diz muito, muito alto: “Ca-be-lei-rei-ra! E costureira!”
O drama da indecisão. Mas ainda lhe falta muito :)
12/04/2005
O cocas (mas não, não é esse, é o outro)
Quem nunca delirou com as capacidades analíticas de carácter do cocas? A bajulação, o gozo, a humilhação! Quem nunca ficou furibundo por ser chamado de burro por um simples papel dobrado que se move vertiginosamente ao sabor do movimento dos dedos? Quem nunca tentou pedir um número impossível de contar?
Quem é que ainda consegue fazer um cocas? ;)
09/04/2005
Tenho uma teoria...
A minha teoria é que ingerindo este tipo de alimentos hiper-ricos em tudo, nem sequer precisamos de almoçar nem jantar, tornamo-nos invencíveis com este precioso auxílio químico - entupidos de L Casei Imunitass, "bifidus", vitaminas, minerais, anti-colesteroleicos, oxigénio activo, soja enriquecida, enzimas probióticas activas, sentimos que tudo está ao alcance de uma embalagem colorida. Agora só falta um iogurte/pão/... que contenha alegria, humor, boa-disposição para tudo ser perfeito.
Será que o elixir da juventude já existe, disfarçado numa das embalagens?...
Bom fim-de-semana, enriquecido com sol e bom-humor :)
07/04/2005
Ideias brilhantes postas em prática (para variar)

O chocolate com bolhinhas de ar é seguramente uma das melhores invenções chocoláticas de todos os tempos, mas acho melhor não pensarmos demasiado na forma como algum pioneiro mestre chocolateiro poderá ter desenvolvido o conceito! Ter-se-á inspirado no famoso queijo esburacado? Seria alguém sem escrúpulos e ávido de lucro? Ou terá injectado o ar no chocolate utilizando vias menos ortodoxas? Medo...
De qualquer forma, foi uma grande ideia. Inspirada pelas bolhinhas de chocolate ausente do Dairy Milk Bubbly, decidi elaborar o meu top* achocolatado pessoal:
1. Míticos e extintos guarda-chuvinhas da Regina
2. Chocolates da Thorntons (Buáaaa não há cá!!)
3. Chocolate para o leite da Suchard Express
4. O novo e delicioso Bubbly da Cadbury
5. Todos os outros
*Top sujeito a alterações inesperadas sem aviso prévio.
Godiva chocolatier: Secção de receitas bastante sugestiva, incluindo fabulosos cheesecakes de chocolate ;)
Chocolate Cuisine: Mais receitas com chocolate, incluindo de aperitivos e entradas!
05/04/2005
XIC anuncia inovador canal para o Castêlo da Maia*
De acordo com o director de marketing do canal, esta aposta regional era “necessária e urgente”, uma vez que “os vastos milhares de habitantes do Castêlo da Maia já mereciam um canal como este”.
A grelha do XIC CM aposta nos programas de ficção, dos quais se destaca a famosa série “CSI - Castêlo da Maia”. “Os milheirais do Castêlo são um cenário de rara beleza e intriga”, afirma o realizador da série, que admite também estar “deslumbrado com o potencial da vila enquanto pólo de atracção turística” e já tratou de adquirir uma quinta de 476 hectares na região.
A informação será outro prato forte do canal, salientando-se os boletins agrícolas e apícolas horários, que irão ser determinantes para a afirmação da projecção internacional da região como poderoso motor do desenvolvimento nortenho.
Entre os habitantes, a expectativa é grande. D. Maria, uma anciã de 87 anos, confessa: “Estou cansada de andar nos milheirais, agora quero é ver televisão.”
*obviamente, esta notícia é fictícia de tão ridícula.
04/04/2005
Sentimentos ou a ausência deles ou a verdade
Não me apeteceu contar-vos uma mentira de 1 de Abril, por isso conto a mais pura verdade do meu dia 4. Mentiras, ouvimo-las e contamo-las todos os dias, porquê glorificá-las num dia especial?
Boa semana :)
31/03/2005
O poder do sssssssooooooommmmm
Boing cabum xuac pst? Umpf! Poing...zumba puf tungas pás :)
Tlin tim pim, upa truclas. Vrum vrum tum, népias.
Grunf - é a minha favorita...tunflas! Qual é a vossa?
30/03/2005
A importância crucial da chapadona

Ontem ao ver o telejornal, aprendi o ensinamento precioso de um senhor da terceira idade, com certeza bem mais sábio do que eu: um estaladão na altura certa resolve todos os problemas.
"Todos temos por onde sermos desprezíveis. Cada um de nós traz consigo um crime feito ou o crime que a alma lhe pede para fazer." Fernando Pessoa
29/03/2005
A vida numa ilha II: um metro a sério

The Lure of the Underground, Alfred Leete
Habituados que estamos ao nosso pequenino mini-metro do Porto, andar no metro de Londres é utilizar quase 400 quilómetros de linhas do serviço de metro mais antigo do mundo (desde 1863). Segundo os modestos ingleses, também é o mais organizado.
De facto, existem tantas placas, indicações sonoras e cartazes que um turista é imediatamente reconhecido e olhado de soslaio por não cumprir as regras gerais de etiqueta. Das mais famosas indicações características do metro londrino, destaco o mítico aviso sonoro “Mind the gap”, que soa em várias estações, também numa versão revista e ampliada “Please mind the gap between the train and the platform”. A indicação “Stand on the right”, que aparece em TODAS as escadas e mesmo em corredores, é a que os turistas têm mais tendência a desrespeitar, dado que se amontoam tribalmente nas escadas rolantes/estáticas, provocando a ira dos aceleras das escadas. O desrespeito desta regra aparentemente simples pode fazer com que sejamos brutalmente espancados com um simples olhar – a sensação é indescritível.
Uma das mais recentes obsessões sonoras do tube é avisar a toda a hora que para evitar interrupções do serviço, os passageiros devem sempre conservar os pertences junto a si e notificar as autoridades se virem coisas abandonadas. A potente e desconfiada brigada anti-terrorista britânica deve entrar em acção sempre que uma mochila/saco/etc. estiverem aparentemente sem dono, destruindo-os sem pestanejar e mesmo que o conteúdo seja uma inofensiva frutinha.
E bem, acho que já chega de informações sobre o metro :) Falta dizer que é um meio de transporte bastante caro – no mínimo, desembolsam-se cerca de 2,5 euros... Para saber mais coisas, eis alguns sites óptimos que encontrei (e dos quais saliento o que fala das estações que já não são utilizadas, o segundo):
Tubeguru (excelente mapa interactivo do metro)
Underground History – Disused stations on London’s Underground
BBC - Informações gerais sobre o Metro, o design do logótipo, etc.
50 Things you never knew about the London Undergound
Going Underground (página de navegação difícil, mas com toneladas de informação)
28/03/2005
A vida numa ilha I: English breakfast
A lei geral de sobrevivência dita que a ilha maior se sobrepõe à mais pequena, sendo a nossa totalmente aniquilada. Ora no caso de Inglaterra, ocorre não a aniquilação, mas a absorção cultural, sendo nós instados a adoptar os hábitos locais. Neste primeiro relato da minha viagem a Londres, sou obrigada a falar de uma das piores, mais oleosas e aterrorizantes ideias britânicas e gastronómicas em geral: o English breakfast.
Este pequeno-almoço é nada mais, nada menos do que um dos meus ódios culinários de estimação. Começam por nos tentar impingir o dito nos hotéis (onde fiquei, pela módica quantia de mais 4 libras/6 euros que o Continental breakfast incluído). Também conhecido por “fry-up” por [quase] tudo ser frito, inclui salsichas de porco fritas (e a propósito, se ouvirem falar em black pudding, não pensem que é um complemento docinho do pequeno-almoço - “a kind of thick dark sausage made from animal blood and fat”, Longman Dictionary of Contemporary English – atrever-me-ia a chamar-lhe morcela?), bacon frito, ovos mexidos e/ou ovo cozido, cogumelos, feijão em molho de tomate, tomate frito ou grelhado, tostas fritas, cereais, chá preto próprio para pequeno-almoço ou sumo e deve ser complementado com ketchup e brown sauce.
Todos sabemos que o pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia. Mas meus amigos, para mim, esta assembleia gordurosa é um mistério inexplicável, um festim hipercalórico de validade nutricional duvidosa.
Viva a continentalidade do pequeno-almoço! Foi a primeira vitória da minha pequena ilha em terras de sua majestade :)
25/03/2005
Cheers from London!
18/03/2005
A estranha magia hipnótica das obras
Aqui muito perto, há uma ponte que passa por cima da futura linha do metro. Noutro dia, reparei que ocorreu uma transformação brutal na zona da ponte: uma potentíssima retro-escavadora deslocava quantidades imensas de terra - mas não julguem que era essa a transformação. O que aconteceu de realmente extraordinário foi a concentração/amontoado de dezenas de velhinhos e transeuntes, que se debruçam, acotovelam, inflamam os ânimos para ver, sentir e debater as obras, a técnica, a evolução, o traçado da linha, enfim, tudo o que rodeia as obras é avaliado e dissecado ao pormenor. Alguns, inclusive, tentam ajudar o operador com indicações preciosas – no meio de um ruído infernal, gritam, “mais para a direita/esquerda”, etc, informações sem as quais o operador nunca conseguiria desempenhar o seu trabalho.
Cheguei à conclusão possível de que temos uma costela de engenheiros (especialmente notória na população mais idosa); temos a necessidade imperativa de sentir construir alguma coisa e participar nela de alguma forma – nem que seja com a língua, sentirmo-nos úteis.
16/03/2005
Coisas impossíveis de compreender - I
Uma das cenas a que assisti hoje mesmo, apesar de simples, foi algo perturbadora. Na minha saída habitual de uma estrada principal (equivalente a uma auto-estrada) para outra secundária, enquanto esperava para virar à direita, há uma senhora respeitável com +/- 60 anos, de vestido impecavelmente vermelho, puxo à antiga, óculos, carteira pendurada no braço, que sai de um carro encostado à berma da estrada principal e se dirige calmamente para trás, caminhando na linha que separa a estrada principal do desvio para a direita onde me encontro. Parece pequenina, no meio de uma grande estrada como aquela. Chegando a um determinado ponto, põe-se a olhar para cima, para a placa que apresenta as direcções para aquela saída onde me encontro – que o carro donde ela saiu já passou, sem ter agora hipóteses de voltar para trás.
Os motivos que levaram esta senhora a arriscar a vida numa estrada de altas velocidades para ver uma placa que já não lhe era útil, não sei. Deve ter a ver com a nossa mania de fazer sempre tudo mais tarde ou tarde demais.
15/03/2005
Sport Billy - o regresso

Sport Billy
Originally uploaded by izzolda.
Que bom seria se todos tivessemos uma mochila como a do Sport Billy, com tudo e mais alguma coisa! Se bem que certas e determinadas carteiras femininas encerram igualmente todo um mundo de utilidades e inutilidades que podem vir a provar ser de utilidade ;)
14/03/2005
E de repente, fez-se luz!
Uma semana colorida para todos, com a ajuda das açucarado-achocolatadas amêndoas da Páscoa que começam a invadir o mundo ;)
*osmose cromatográfica dinâmica
11/03/2005
A pintura - o auge do combate ao stress
Foi uma arte que experimentei recentemente, devido à onda grupal de mudanças que se abateu sobre os meus amigos, e não é que tenha descoberto propriamente uma vocação, mas acho que ou o cheiro da tinta ou o acto de pintar, se não provocarem enjoos, nódoas persistentes ou quedas aparatosas, fazem com que o pintor fique voltado para o interior e, como consequência, é conduzido a um estado quase meditativo e destressante. Por exemplo, é muito natural que o contacto prolongado com o referido cheiro ou com o todo-poderoso diluente cause a tendência para dar enormes voltas ao quarteirão para atingir certos objectivos – como por exemplo, um determinado restaurante (de acordo com uma sondagem recente efectuada na baixa portuense a 3 indivíduos).
A fiabilidade da pintura de habitações no combate ao stress é de tal ordem que supera a das bolas-mundi de borracha palpável e os sacos de boxe (de acordo com uma sondagem efectuada no Castêlo da Maia, 100% da pessoa em questão mencionou a pintura, especialmente com rolo, como um potente e infalível anti-stress*).
Produtos como a tartaruguinha, a tinta-de-água e outros que tais deviam ser proclamados os novos anti-depressivos. Em conjunção com a osmose cromatográfica dinâmica, esta técnica anti-stress pode alterar totalmente a nossa visão do mundo!
*margem de erro de 100%
10/03/2005
O motor do mundo
Podia haver uma maneira de transferir a fúria vigorosa para qualquer coisa e transformá-la em energia; assim pelo menos a pessoa estava furiosa, mas sentia-se a contribuir para alguma coisa que não a deterioração vertiginosa da sua própria sanidade mental e psicológica. Qual hidrogénio, quais energias renováveis...a fúria, essa sim, poderia ser o motor do mundo! Aquela destruição criadora de que falam tantas filosofias.
Também é incrível como meia dúzia de palavras nos podem fazer sentir melhor :)
“Escreve com fúria, mas corrige com fleuma” (W. Roscommon)
fleuma
do Lat. phlegma < Gr. phlégma
s. f.,
humor;
frieza de ânimo, serenidade, impassibilidade, paciência;
pachorra;
aguardente não rectificada.
08/03/2005
Ela flutua, ela hesita: em suma, ela é mulher (Racine)
De qualquer forma, não podia deixar passar em branco este grande dia :) Por isso hoje, para todas as minhas amigas que tiveram a paciência de visitar o blog, uma grande beijoca e um dia excepcional! Para os restantes, quando chegar o dia internacional do homem falamos ;)
07/03/2005
A capacidade de fazer desesperar
Quanto ao Sr. Mário, era um reformado que frequentava as minhas aulas de italiano. Tinha o dom de complicar qualquer assunto e fazia perguntas até à exaustão, até que toda a turma tivesse uma extrema vontade de encetar qualquer acto violento contra o aparentemente simpático e bonacheirão reformado. Qualquer pormenor irrelevante era elevado à apoteose da complicadez, qualquer regra óbvia era contrariada e decepada sem dó nem piedade. Sr. Mário, eu sei que não me está a ler, mas gostava de lhe dizer que nunca tive aulas tão insuportáveis, nem mesmo as de algumas línguas que se falam melhor com uma batata quente na boca.
Tenho dito.
06/03/2005
Do tempo do arroz de quinze!
05/03/2005
Por fim, um verdadeiro erro ortográfico!
04/03/2005
Ritmo diabólico ou a necessidade de (não) dormir
Se dormirmos as aconselháveis 8 horas por dia em 365 dias e vivermos 70 anos, passamos 204.400 horas/8517 dias/23 anos da nossa vida a dormir.
Será possível que alguém durma pouco por ter um mecanismo de defesa existencial inconsciente que impede a não-vivência dessas horas? E porquê? Ter sono, implica ter necessidade de dormir?
Eu dormia mais se tivesse mais tempo para não dormir. Acho que era justo.
dormir - do Lat. dormire
v. int.,
descansar no sono;
fig.,
estar ou ficar imóvel;
descansar na morte;
ser descuidado;
negligente;
estar latente;
entorpecido;
v. tr.,
dedicar ao sono certo espaço de tempo;
s. m.,
estado de quem dorme;
o sono.
(http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx)
03/03/2005
Einstein tem sempre razão
As cores que fazem falta
Algo que deve contribuir para a necessidade do cor-de-rosa é o cinzento do dia-a-dia: não a disposição pessoal, pelo menos não a minha neste momento, mas as cores que nos rodeiam. No escritório onde trabalho, quase tudo é cinzento: móveis, divisórias, aparelhos electrónicos, caixote do lixo, estores, módulos de móveis...donde estou, só vejo ao longe o colorido dos botões de uma impressora, o meu novo tapete de rato redondo com bolas coloridas (made in taiwan) e um tristonho boneco gigante vermelho de uma reconhecida marca de chocolate que derrete na boca (...) – que está de pé, solitário em cima de um armário; tristonho, porque apesar de acenar e ostentar um leve sorriso, está vazio e não fornece chocolate.
O ideal era que existissem injecções de cor para tudo: mobiliário, objectos e, claro, pessoas, que de vez em quando também precisam! Estas injecções para pessoas eram especiais porque não envolviam agulhas, mas sim um processo de transferência por osmose cromatográfica dinâmica.
Algum interessado?





