29/07/2005

Prato do dia



Num belo dia, algures num restaurante duma terra de horizonte e mar...

Cliente: Boas tardes, eram as sardinhas à descrição, sáxabori.

Empregado: Ora portantos, é p'ra já. Fique vosselência sabendo que "As sardinhas são peixes da família Clupeidae. Geralmente de pequenas dimensões (10-15 cm de comprimento), caracterizam-se por possuírem apenas uma barbatana dorsal sem espinhos, ausência de espinhos na barbatana anal, caudal bifurcada e boca sem dentes e de maxila curta, com as escamas ventrais em forma de escudo. São peixes pelágicos que formam frequentemente grandes cardumes e alimentam importantes pescarias." Obrigada e boas tardes, são 40 Euros.

28/07/2005

Às vezes

é bom não conseguir perceber tudo :)
Nodreix els teus sentits
d'aquests ulls foscos
que et desvetllen la pell,
assaboreix la llum,
la salabror del Sol damunt els llavis;
tasta la fruita,
vesteix-te amb els colors del bosc,
acull el vent entre les mans
i l'enigma dels astres,
dibuixa els llargs cabells del mar,
camina el temps
amb la mirada oberta.


Carles Duarte, poeta e linguista catalão

27/07/2005

Copy Paste

Ou de como o Ctrl+C e o Ctrl+V deviam ser comandos integrados em quase tudo. Seria aí que copiaria uma quantidade massiva de açúcar para colar em tudo o que me apetecesse, pessoas, coisas, sítios.

Nas alturas em que não se passa nada, era útil para a d o ç a r o d i a :)

25/07/2005

Há com creme ou sem creme!

Ah, que descanso :) já me tinha esquecido de como era bom não fazer quase nada, a não ser ir à praia, estar estendida ao sol, espalhar camadas generosíssimas de protector, nadar e... pouco mais. Agora, estou mais uma vez de volta até às próximas férias, desta vez “grandes”, que felizmente serão em breve ;)

Mas não pensem que tudo foi deleite: também trabalhei árdua e afincadamente para a rubrica “...do mundo”. Tudo para vos poder agora transmitir, em primeiríssima mão e num exclusivo interplanetário deste blog, que a bola de berlim do nosso caro sul do país é nada mais, nada menos do que a melhor do mundo.

O pregão começa a ouvir-se ao longe; “...liberlim!”, “olhás boas bolinhas!”, “olhás quentinhas, acabaram de chegar”, o famoso “há com creme ou sem creme”, etc. É aí que entra a forte componente matemático-filosófica das férias: queremos prescindir de um banho em breve em prol de uma bola? Quanto tempo demorará a digestão da bola até podermos tomar banho? A dúvida existencial “bola ou banho” é prontamente resolvida e mediante essa decisão crucial, a nossa vida na praia adquire um sentido.

Descobri também que uma das melhores e mais eficazes formas de tortura desumana é a privação da bola de berlim. Estamos tão convencidos de que para ir à praia basta o sol, um bikini/..., a toalha e o protector, que corremos o risco de esquecer a componente material necessária para aceder à bola de berlim. Candidatamo-nos então à insanidade por ouvirmos o pregão e sentirmos aquele cheirinho a açúcar e canela com um leve toque de fritura sem podermos saborear a origem.

Mais palavras para quê? Era uma com creme para comer já, sáxabori.

E para quem quiser tentar a sorte:
uma receita de bolas de berlim

15/07/2005

Férias!

Por mais que o trânsito e a confusão se transfiram para as estradas que vão dar às praias, por mais que os restaurantes estejam a abarrotar, por mais calor ou frio ou nevoeiro que faça, por mais que nos cansemos de não fazer nada (na teoria, isto é possível, segundo dizem) ou de fazer coisas a mais, por mais escaldões que apanhemos ou dores de pernas de tanto andar, as férias têm uma dimensão divina e mística para todos, em especial para quem trabalha.

Por isso nesta época-de-gozo-de-férias que se inicia, ficam os meus votos de boas férias para todos :)

Durante a próxima semana, tenciono passar os meus dias ao sol a ouvir o mar, a ler alguns dos livros que tenho em lista de espera e a vegetar em geral e em particular.

Até à volta!

A nova dimensão da perseguição: o telemóvel

Ou a aplicação real e obsessiva do mote “não vá, telefone”.

Todos sabemos que praticamente toda a gente em Portugal tem telemóvel. Por isso, andamos sempre todos dependentes do telemóvel para tudo: dou-te um toque quando chegar, manda-me uma mensagem quando saíres, liga-me quando chegares, dá-me um toque se quiseres uma bola de berlim e dois se quiseres um milfolhas, enfim. Acordamos com o despertador do telemóvel, a nossa memória está dependente dos lembretes, da agenda, das notas, da capacidade do cartão de memória...Até spam para telemóvel já há, há mensagens em cadeia com a temível ameaça “envie já a 347 pessoas, senão terá 27 anos de azar no amor”, há vírus transmitidos via Bluetooth, há 1 nov lgg p falar q temux d percebr ...não nos falta nada. Com tudo o que de bom e mau isto tudo acarreta.

De bom, estamos sempre em contacto com toda a gente. De mau, precisamente o mesmo, com a agravante particularmente irritante de perdermos muito tempo a falar ao telemóvel *acerca* do próprio telemóvel:

“Estou? Estás bem? Liguei-te já 7 vezes e não atendeste...que se passa?”
“...”
“Como, não ouviste?! Ah, estava sem som e estavas no banho. Mas liguei-te 7 vezes, parece impossível! Foram mais de três minutos a marcar e remarcar. E já liguei prá tua mãe e prá tua tia a ver se estavas lá e tudo.”
“...”
“Só sei que liguei 7 vezes, tinhas rede e fartou-se de chamar, chamar, eu aqui a ralar-me, ia sempre para a caixa postal...estava a ver que te tinha acontecido alguma coisa ou que te tinham roubado o telemóvel. Pronto, também era só para saber se estava tudo bem, então xau, ligo-te mais logo.”
“...”*

O telemóvel está a tornar-se uma droga dura altamente viciante. Quem é que nunca perdeu as estribeiras por se ter esquecido do telemóvel?

*conversa ouvida por mim, mas simplificada.

14/07/2005

Silêncio

Quando se faz uma homenagem a alguma coisa, tornou-se costume cumprirem-se um ou mais minutos de silêncio a uma determinada hora.

É o reconhecimento universal de que em algumas alturas, o melhor é mesmo estar calado?

13/07/2005

Voltei, voltei...

Fui só ali fazer anos num instantinho e já vim.

Devo confessar que já me sinto muito mais sábia!

Ou isso, ou estou a perder (ou a encontrar, quem sabe?) a sanidade.

08/07/2005

Donde estou

Vejo um céu que sei que está azul, mas que está totalmente encoberto pelo cinzento alaranjado dos incêndios.

Só donde estou, vejo 4 focos de grandes incêndios diferentes com um fumo tão escuro, mesmo escuro...

Enquanto isso, os carrinhos antiguinhos do menino riozinho já andam nas corridinhas, vrum, vrum, que girinhos e fôfinhos.

Há dias em que as melhores coisas não se vêem, ouvem-se e cheiram-se... valha-nos o prato do dia servido pelo Matthew Herbert na casa da música :) e bom fim-de-semana!

07/07/2005

Resiliência

do Lat. resilientia, resilire, recusar, voltar atrás
s. f., Mecân.,
capacidade de resistência ao choque de um material, definida e medida pela energia absorvida pela ruptura de uma amostra de secção unitária desse material;
energia necessária por unidade de volume para deformar um corpo elástico até ao seu limite de elasticidade.


A propósito, não posso deixar de recomendar a leitura deste post do --lost--in--translation.

Não há palavras...

...para qualificar mais este atentado.

Decididamente, e além de destruir quase tudo o que a rodeia, a humanidade auto-destrói-se.

Em dias como este, é mais difícil lutar contra o pessimismo.

05/07/2005

“Another way is possible. We just need to know the recipe.”

Sábias palavras. Eu bem tento :)

Gostei muito
deste site (onde também aparece esta frase do título), que faz uma crítica à alimentação que consumimos, à qualidade dos alimentos e aos padrões alimentares estabelecidos.

Para alegria de muitos, o autor vem ao Porto – e até traz um chef para cozinhar nos concertos. Afinal de contas, a comida é *a* língua internacional, que todos falamos com mais ou menos erros ortográficos. Já este Sábado, Matthew Herbert na Casa da Música.

Entretanto, boas produções culinárias e ainda melhores sabores :P

04/07/2005

Sem rádio

Por impedimentos tecnológicos avançados*, não posso ouvir rádio no meu bólide branco. Dado o silêncio da viagem, vejo-me obrigada a alegrar a minha viagem tentando entoar qualquer música, mas...cheguei à conclusão de que nunca me consigo lembrar de músicas boas para cantar, que venham à mente na altura certa.

De repente, dou por mim a trautear uma qualquer música brasileira de um carro que passe com ela em altos berros, a repetir a última música que ouvi sem me conseguir lembrar de outra...mesmo que não conheça bem as músicas, uma simples frase que ouça é suficiente para me entreter durante algum tempo, até deixar de me poder ouvir a mim própria. Tal qual como uma playlist repetida até à exaustão – com a agravante de que não tendo eu uma singlist fixa, há longos momentos de silêncio meditativo. Por outro lado, descobri o poder de improvisação proporcionado pelo medley ou pela remistura e fusão de várias músicas.

Acho que sou viciada em rádio no carro. Volta, chocolateirazinha que propaga ondas, até te perdoo os maus contactos.

*código perdido

01/07/2005

A técnica

Por motivos de ordem técnica, a reportagem da cerimónia de chá ainda não será hoje :) Além disso, achei que seria chique utilizar a expressão “por motivos de ordem técnica”.

No fundo, vinha só desejar-vos um bom fim-de-semana, sem motivos de ordem técnica a atrapalhar!

30/06/2005

O maravilhoso mundo do Google Maps

Qualquer semelhança com a cidade onde moro não é pura coincidência...acho que até consigo ver a minha toalha a secar! ;)

A minha casa algures no Google Maps

Zai jian*

Hoje vou ter a última aula de chinês deste ano lectivo, que inclui uma demonstração de uma cerimónia de chá a rigor! Prometo que vos conto tudo amanhã...até lá, fiquem com uma informação importante: para os chineses, é um insulto oferecer um relógio, porque a expressão “oferecer um relógio” em chinês é parecida com outra que quer dizer que se deseja a morte...portanto tenham muito cuidado com as prendas que dão...watch out for what you give ;)

E para mais informações sobre o chá na China: Chinese-Tea.net

*até à vista

28/06/2005

Take


Um dos cães farejantes da minha avó, um dos únicos cães trepadores do mundo - não conseguindo saltar, escala! :)

É o costume?

Passado algum tempo a trabalhar no mesmo local, deixamos de ter por onde variar nos passeios e nos lanches – principalmente quando esse local é relativamente pequeno e inserido numa zona industrial com matas e montes em redor. No princípio, lutava contra a frase “é o costume?” nos cafés que frequento, e bastava essa pergunta para me deixar de apetecer uma meia de leite e um pão com manteiga e passar a querer um sumo tropical e uma bola de berlim. Acho que cheguei inconscientemente a pedir coisas de que nem sequer gostava só para poder contrariar o temível “costume”.

Mas acreditem, ao fim de um certo tempo, quando já sabemos que o sumo tropical é demasiado doce, a bola de berlim é demasiado grande, as torradas têm sempre demasiada manteiga e o sumo de ananás sabe a mofo, convenhamos que há a tendência para instalar hábitos por já sabermos o que é bom ou mau.

Foi então que fiz uma descoberta importante: podemos usar o “costume” a nosso favor. Sim, podemos personalizar os pedidos ao ponto de já não ser preciso dizer “era uma meia de leite escura com leite frio e adoçante e um pão integral clarinho com pouca manteiga ligeiramente aquecido!”

Às vezes, o costume dá jeito. A quantidade de palavras que se poupam, o prazer das coisas quase a chegar à mesa mal entramos no café.
É deliciosamente preguiçoso.

Se não consegues vencê-los, junta-te a eles.

24/06/2005

A necessidade de "encaixar"*...

...ou de como "os preconceitos não estão nas palavras, mas sim na cabeça das pessoas".

Uma das minhas professoras de filosofia da secundária repetia esta frase até à exaustão. E por menos que eu gostasse dela enquanto pessoa, tive sempre de reconhecer que nesta questão, tinha razão.

Até que ponto podemos (e temos legitimidade para) presumir coisas e tirar conclusões de palavras que não fomos nós a dizer/escrever? A fronteira entre a interpretação e a avaliação/julgamento é ténue. Depois, ainda há que considerar e aceitar o efeito que a nossa interpretação/avaliação tem no autor. Mais importante que isso, há que reconhecer a possível validade ou inutilidade das palavras. No fundo, saber como e quando comunicar.

Falar com outra pessoa nunca é o mesmo que falar sozinho (passe o estilo notoriamente Lili assumido da frase). Mas por incrível que pareça, ainda há muitas pessoas que não fazem esta distinção e outras que a fazem demasiadas vezes. É como saber quando se deve corrigir um erro ortográfico :) e quando é melhor estar calado. Claro que isto, sou só eu a interpretar as minhas próprias palavras.

*Leia-se também estereotipar ou presumir

comunicação
s. f., acto, efeito ou meio de comunicar; participação; aviso; informação; convivência; trato; lugar de passagem de um ponto para outro; comunhão (de bens); atribuição mútua das propriedades da natureza divina à natureza humana de Cristo.