28/09/2005

Post light

0 calorias

Tolerância zero (matinal)

De manhã, acordo bem disposta, mas sem disposição para muitas perguntas e falatórios.
Geralmente, não falo com ninguém até chegar ao trabalho. Agora imaginem o que é vir trabalhar e ter alguém na mesma sala que dispara perguntas em todas as direcções, todas, e conta todas as histórias que não queremos ouvir àquela hora, com todos os pormenores que não queremos nem nunca vamos querer saber, mesmo a outras horas. A minha tendência é responder com monossílabos, manter a calma e tentar fazer perceber que não estou para aí virada (e acreditem, eu nisso sou bastante convincente). Mas qual quê. Não adianta. A coisa continua, e continua, e eu já tendo de escrever (trabalho!), ainda tenho de ouvir alguém a falar ao mesmo tempo de mil coisas que realmente não me interessam e a perguntar tudo e mais alguma coisa.

A arte não está só em conversar. A arte também está em saber quando estar calado. É por isso que com as pessoas com quem nos damos bem ou com quem realmente *comunicamos*, falamos também com o olhar, com as reacções, com as expressões faciais, com os gestos. Sabemos quando as palavras são acessórias.

Por isso, sou muito pouco tolerante com quem é impermeável aos outros e ao que lhe estão a tentar comunicar (sempre). Não há paciência nem boa vontade que resista.

27/09/2005

Da importância do cabeleireiro

Quando era pequena, a minha mãe cortava-me o cabelo à tigela – corte esse que nunca considerei que me favorecesse por aí além, mas que tive de manter durante largos anos. Depois, passou a arrastar-me para o cabeleireiro à viva força; e como odiava as secas que apanhava, levava uma parafernália de equipamento-para-passar-o-tempo (coisas tão versáteis como mini-lápis de cor de aroma frutado, ganchos de cabelo e bonecos de plástico, livros variados).

Quando comecei eu a escolher o corte com o aval maternal, a coisa tornou-se mais empolgante, embora na época, os cortes fossem invariavelmente todos iguais nas pessoas que conhecia nos anos 80 (franja e comprimento algures entre o queixo e o ombro, para usar a bela da bandolete/fita - ou pior, para fazer a combinação pála com gel + bandolete).

Hoje em dia, e como não tenho a vantagem de conseguir cortar o cabelo a mim própria, como algumas pessoas, vou ao cabeleireiro para promover a saúde capilar, lavar e arejar a alma. Posso escolher o corte, o penteado, o champô, o gel...mas não posso nunca, jamais, estar calada.

Quando era pequena, ninguém levava a mal se não falasse...hoje em dia, tenho de ir ao cabeleireiro com vontade de falar. Com vontade de dissertar sobre a crise, sobre os preços elevados, sobre novelas e reality shows que nunca vejo. Para fugir aos assuntos que não domino, uso a estratégia mergulho-numa-revista-cor-de-rosa, uma das inúmeras disponíveis no local (mas quem raio é a Kiki Trindade?!). Mas nunca consigo fugir totalmente, há sempre uma pergunta que se destina a incluir-me na conversa. Eu agradeço o esforço, mas...acham que se levar uns lápis de cor consigo escapar?

“Se a solução...

...entrar em contacto com os olhos, lave-os imediatamente com água.”

Estes manuais técnicos ensinam-nos tantas coisas úteis.

Agora já sabem, se encontrarem a solução, não a atirem para os olhos.

26/09/2005

Ter ou não ter...

Tinha relativas saudades de ter companhia nesta sala de trabalho (mas é um facto que trabalho melhor sem intromissões; já me distraio o suficiente sozinha).
Não tinha saudades das conversas intermináveis ao telefone, dos pormenores geralmente inúteis contados em exagero. De pormenores que não interessam a ninguém. Das histórias e das perguntas repetidas dezenas de vezes.
Há saudades assim, que passam depressa. Ou que nunca chegam a existir.

Palavra do dia V: sove

Indispensável para a vida e para a saúde corporal e sanidade mental.
Gostava de poder x mais.

Em Norueguês.

23/09/2005

Verdade verdadinha do dia

O primeiro fim-de-semana de Outono está aí :)

Aproveitem-no bem!

Bom FDS*

22/09/2005

Past tense



Irregular. Entrelaçado. Hipnótico. Cruzado. Caótico. Intrigante.
Algo surpreendente e algo misterioso. Cativante.

E muito, mas muito recomendável*.


Gosto de acabar de ler livros. Mas fica sempre uma sensação de vazio.
O livro acompanha-nos todos os dias durante algum tempo e de repente, deixa-nos sozinhos. Fim.

*Oracle Night/A Noite do Oráculo, de Paul Auster.

Mas já vos tinha avisado que no que toca a este autor, sou bastante suspeita ;)

Future tense

"Words are real. Everything human is real, and sometimes we know things before they happen, even if we aren't aware of it. We live in the present, but the future is inside us at every moment. Maybe that's what's writing is all about, Sid, not recording events from the past, but making things happen in the future."
Oracle Night, Paul Auster

Está quase, quase, quase. É tão bom acabar de ler um livro.
Vou só ali acabar de ler este e venho já.

21/09/2005

Morte ao hábito...

...ou de como devemos apunhalá-lo e enganá-lo de vez em quando.

Estou sempre a queixar-me do trânsito da primeira rotunda que encontro ao sair do trabalho, porque é algo caótico e intenso. Digamos que é o primeiro obstáculo que encontro no caminho para casa, aquilo que me separa do maravilhoso mundo extra-trabalho.

Praguejo contra a rotunda, protesto com os outros que impedem a rotunda, insulto a rotunda, digo os piores impropérios do código da estrada e do ilustre indivíduo que terá inventado a rotunda, fulmino com os olhos qualquer condutor que impeça o fácil acesso à rotunda, digo mal da minha vida pelas secas imensas.

Hoje, decidi começar a estacionar depois da rotunda.

Há problemas que parecem complicados, mas que o são só na nossa cabeça.

Ou hábitos enraizados que quando se mudam, podem mudar tudo.

Palavra do dia V: moeilijkheid

Sem ela e sem ela no plural, as coisas não tinham tanta piada.
Nem nos apetecia tanto fazer certas coisas.
Mas também não a queremos em doses exageradas ;)

Em Neerlandês.

Memória selectiva

Porque é que de repente, ao ouvir uma música, duas pessoas se lembram da versão dessa música feita por uma banda infantil/juvenil (provavelmente, era dos pouco saudosos Onda Choc - e que será feito dos Onda Choc originais?) e a desatam a cantar, com a letra quase toda na ponta da língua?!

A nossa memória consegue ser muito estranha e guarda coisas misteriosíssimas. Às vezes, deliciosamente (ou aparentemente) inúteis. Outras úteis. Será que pelo simples facto de estar na nossa memória, essa informação algum dia nos vai ser útil? Até que ponto é que a memória selectiva selecciona bem e trabalha no nosso próprio interesse?

Conclusão: nós devíamos ter um índice remissivo cerebral.

Nota 1: Espero que esta febre de perguntas existenciais passe depressa.

Terá sido do trânsito?
Nota 2: Um dos meus blogs favoritos, o da Patsy, já se deixou contagiar pela máquina :) Patsy, olha que acho que a tua produtividade laboral ainda aumenta, já viste o que era traduzir imediatamente os teus trabalhos/relatórios para inglês? Advantages are alone! (Inglês correctíssimo para: são só vantagens! ;)

20/09/2005

I do not get tired myself of chagar this machine

;)

Máquina 0, Eu 3 - a saga continua

Eu: Não gosto lá muito das manhãs. Passam depressa.

Máquina: Not taste there very of the mornings. They pass fast.

É fácil ganhar a esta máquina em coerência. Por isso, gosto dela.
E agora, vou só ali e venho já.
Ou como diria a máquina, I only go there and I come already
(I beg your pardon?!).
Ele há máquinas muito frescas.

Injecção matinal de realidade

De manhã, hora de ponta, sono.
Carro a arder em plena estrada e bombeiros que lutam para controlar o incêndio.
Filas intermináveis.
A grande máquina da realidade está sempre a querer acordar-nos.

19/09/2005

Palavra do dia IV: divaakara

Em Sânscrito.
Precisamos dele para viver. E a vida precisa dele.
E ele está sempre lá. Mesmo escondido.

Bah. Think again.

Pensei que esta semana podia ser calma para compensar a anterior, em que houve poucos projectos, mas aborrecidos, trabalhosos e gigantescos.

Pensei mal, muito mal.

É pena.

Boa semana :)

16/09/2005

Iupiiiiiii

Que delícia, acabar a semana uma hora mais cedo.
Por pouco que seja, sabe sempre tãaaao bem ;)

Bom fim-de-semana para vocês!

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É a resposta à derradeira pergunta! Pergunta essa que, por acaso, ainda ninguém descobriu ;)

Queria ter lido os livros antes de ver o filme, mas não se proporcionou e a ordem teve de ser a inversa.

Hitchhiker’s guide to the galaxy/À boleia pela galáxia tem uma boa dose de loucura, surrealidade, ironia, ridículo, gargalhadas q.b. e não desilude quem está predisposto a conhecer ou reencontrar o universo louco de Douglas Adams (previno-vos desde já, houve gente que saiu a meio do filme; há doses de ridículo não recomendadas aos mais sensíveis).

A não perder, quanto a mim.

But that’s just me talking ;)

E se quiserem saber ou ver mais...

Site oficial do filme, muito recomendável
h2g2 - The unconventional Guide to Life, the Universe and Everything: dêem uma espreitadela para ver o que é ;)


“There is a theory which states that if ever anybody discovers exactly what the Universe is for and why it is here, it will instantly disappear and be replaced by something even more bizarre and inexplicable. There is another theory which states that this has already happened.”
Douglas Adams

15/09/2005

Três, quatro, duas, quatro

Foi esta a ordem numérica das rodas dos veículos utilitários onde andei.

As três do triciclo amarelo e preto a galgarem todos os recantos do quintal da minha avó.

As quatro do karting a pedais cor-de-laranja que mal cabia guardado na sala de jantar, mas que fazia furor no pátio lá de casa.

As duas da minha primeira bicicleta vermelha, que pouco utilizei por ter caído nas primeiras vezes e achar que não tinha sido talhada para aquilo.

Depois, as quatro do carro branco, que agora tenho de utilizar todos os dias.

Muitas vezes, a vida anda mesmo sobre rodas ;)

Nota - E agora esperem aí que vou só dar umas pedaladas e já venho! Amanhã.