28/10/2005

Pés para que vos quero


Uma das partes do corpo mais martirizadas e esquecidas (a não ser quando incomoda) é, seguramente, a área dos pés, a base da nossa vida.

Lembramo-nos sempre mais deles quando fazemos turismo, porque podem piorar exponencialmente, ou mesmo impedir as nossas visitas turísticas devido ao excesso de utilização. E por mais confortável que *pensemos* que é o calçado, os passos demonstra-nos quase sempre o contrário. Houve momentos de viagens em que achei mesmo que não ia conseguir andar mais. É o drama: então estamos num sítio onde queremos ver tudo e o nosso propósito máximo é encontrar uma CADEIRA ou um BANCO?! Haja paciência, pezinhos, mas vão ter de aguentar as minhas caminhadas, custe o que custar.

Portanto, um dos meus objectivos de vida é encontrar e adquirir os sapatos mais confortáveis do mundo (se alguém tiver dicas, agradeço).

E isso é uma coisa que só posso fazer...andando.

Então se me dão licença, vou fazer mais uns testes a sapatos e botas e afins e mostrar às minhas solinhas os caminhos de Santiago. Não no sentido literal da expressão, porque não vou para lá a pé – quem sabe, um dia. Vou só andar por Santiago em si, ver uma certa exposição e ver o que conseguir ver.

Vivam os fins-de-semana prolongados! Se não nos virmos antes, até para a semana ;)

27/10/2005

Palavra do dia X: pioggia


Lá fora.

Em italiano. Que é uma das minhas línguas favoritas.

E hoje, as minhas conversas de fim de tarde vão ser em italiano ;)

Traduzir, por favor

Há palavras que enjoam se forem demasiado utilizadas.
Que se saturam com o uso.
Há palavras que nos cansam e que ficamos cansados de dizer;
outras que por mais que as utilizemos, não cansam nunca.
Outras palavras nunca são ditas, algumas não são ouvidas por mais que as digamos.
Algumas perdem o significado.
Algumas não nos dizem nada.
Há palavras que ficam por dizer e palavras que nunca deviam ser ditas.
Há palavras que mexem, outras que fazem mexer.

E há as palavras certas.

Quais são as vossas palavras?

26/10/2005

Medições por aproximação

Portugal, o único país do mundo em que o instrumento de medição oficial é...o olhómetro.

Portátil, extremamente ergonómico, dinâmico e de rapidez inigualável, este dispositivo integrado de origem no povo português permite efectuar medições, avaliações, previsões, orçamentos e cálculos aparentemente impossíveis, complicados ou simples num abrir de fechar de olhos. Literalmente.

Basta olhar, executar a operação pretendida, piscar os olhos, franzir ligeiramente o sobrolho e numa questão de segundos, os resultados. Mais coisa, menos coisa.

Olhómetro.
Connosco, desde mil cento e tal.

Nota - Quem nunca calculou nada a olho? ;)

25/10/2005

A vingança serve-se fria?

Vingarmo-nos de certas coisas, por mais insignificantes que possam parecer, e mesmo quando a vingança é instintiva, involuntária até, e não premeditada - será esta uma necessidade do ser humano?

Teremos todos um lado mais ou menos maquiavélico que não nos deixa passar certas coisas em branco? Ou alguém é capaz de afirmar que nunca seria capaz de se vingar?

Não me refiro a grandes vinganças engendradas ao pormenor, maléficas ou com propósitos destrutivos. Refiro-me àquelas vingançazinhas, que às vezes podem parecer insignificantes, mas que - e aqui confesso-me eu primeiro - nos sabem tão bem.

Ainda melhor se involuntariamente, as vinganças acontecem sem que ninguém as provoque. Simplesmente por obra do acaso (?) universal. Quanto a mim, estas são as melhores castas de vingança.

Serão as vinganças uma espécie de dispositivo de equilíbrio do universo?

Nota: não se preocupem com esta febre de perguntas relativamente retóricas.
Passa já. Vou só ali resolver umas questões pendentes e já venho ;)

Momento zen

À manobra arriscadíssima de mudança de direcção de um imponente bólide de marca chique (que passou para a minha fila de trânsito), responder com aquele aceno em que se encosta o polegar ao nariz e agitam os restantes dedos.

Obrigada, senhor de óculos escuros gordo com ar de bronco (pardon my French).
Já não me ria tanto no carro há uns tempos :)

Maquinices

I admit. I do not obtain to pass without coming here.
That thing. I that nor I am even nothing of vices.

Admito. Não consigo passar sem vir aqui.
Que coisa. Eu que até nem sou nada de vícios.

24/10/2005

Das idas a bares da moda*

Fase 1: A grandiosa chegada
O chamado bar da moda, ao qual não nos importamos nada de ir de vez em quando, é aquele bar a que toda a gente se lembra de ir de vez em quando. A parte dramática da coisa é quando o ‘de vez em quando’ de toda a gente é, catastroficamente, o mesmo que o nosso (felizmente, este foi numa ocasião especial de um aniversário :) Damo-nos conta à chegada, quando nos apercebemos de que encontrar um lugar para estacionar irá ser equivalente a querer acertar no totoloto assinalando apenas um número: altamente improvável (matemática das nossas vidas, a quanto obrigas!). Passando esta fase, temos a...

Fase 2: Gloriosa entrada em cena
Caso não façamos parte da restritíssima guest list (ai que finos e caturreiras que nós somos, repare que se não estiver na nossa listinha hiper-mega finex, não terá direito aos 65 mm de espaço ultra-chiquésimos reservados apenas a VIPíssimos giraços, ar puro totalmente não incluído), resta-nos entrar sem fazer parte dela. O que por acaso aconteceu sem mais delongas, caso contrário, restar-nos-ia sugerir ao amável porteiro uma visita de imersão ao vizinho rio Douro, para conhecer a sua simpática fauna de roedores (bem como a vida – ou a ausência de vida? – subaquática).

Fase 3: A não-tão-boa parte de estar lá dentro
No início, a coisa estava tolerável. Jinga-se para um lado e para o outro, dois dedos de conversa em altos berros, explorações ao espaço renovado (algum dele vedado por mais listinhas, agora virou moda nestes bares da moda?), uma bebidita a preços altamente não recomendáveis (tal como em quase todos os bares, que fará se estes são da moda). No entanto, a cada segundo que passa, chega mais e mais gente, há menos e menos ar, há mais e mais pessoas a andar de um lado para o outro, instalando-se então o clima de pré-guerra civil - um mix do clima de predisposição ao soco com o ambiente explosivo que se vive em alguns locais. Qualquer cotovelada que nos dêem é um apelo ao vigor bélico do nosso eu violento, qualquer calcadela inocente pode despertar a nossa recôndita ira interior. Principalmente para quem gosta pouco de invasões ao seu espaço vital. Valham-nos os sofás, quais tanques de guerra no meio de um campo de batalha.
Saliente-se ainda que lá por um sítio ser da moda, não quer dizer que as instalações sejam imaculadas. No melhor pano cai a nódoa, e mesmo num local tão VIPóchique e branco, as casas de banho podem ser poucas e – imagine-se! - ‘avariam’ como em todos os outros locais. Obviamente, querem transmitir-nos a profunda filosofia de que mesmo uma necessidade básica pode ser um luxo nestes locais chiques a valer. Filosofias avançadíssimas de bares da moda como este.

Fase 4: Ai queria pagar, era?!
Não, querer tão queria. Mas como querer nem sempre é poder, há que fazer fila. Uma fila bem à portuguesa, organizada, ordeira e sem tumultos nem bate-bocas. No espaço de cerca de uma hora, há que penar para regressar ao mundo cruel, ar puro semi-incluído [valham-nos os amigos].

Conclusão: haja paciência.

Inclusive para ler posts como este, pós-bares da moda. Uma verdadeira maçada :)

*relato pungente e dramatizado de uma saída nocturna.

21/10/2005

Bolas...



...apesar da chuva, tenham um fim-de-semana divertido!

:)

Matemática da minha vida II: a tabuada

O pesadelo da criançada, um dos mais temíveis empreendimentos do nosso cérebro subutilizado é decorar a tabuada.

Mas porque é que algo que nem é assim tão difícil tem de ter um nome tão catastroficamente pouco apelativo?! Tabuada vem de tábua; a tábua de que nos lembramos imediatamente é a de madeira. E por analogia morfológica, tabuada é semelhante a porrada, pancada, estalada, chapada. Coisas que normalmente, o comum dos mortais não quererá experienciar.

Quando ainda por cima, não saber a tabuada é sinónimo de reguada (ou era, nos meus tempos de escola...há décadas e décadas atrás, quando o uso da máquina de calcular era proibido!), estão a ver aonde quero chegar. Termos de aprender a tabuada, uma das grandes bases do cálculo matemático, por recearmos a violência não me parece um bom método nem uma publicidade muito convincente à ciência. Por mais teorias que se possam avançar sobre a importância da activação dos chakras (através da reguada), enquanto a coisa tiver este nome, a ideia não é vendável. Tanto que já foi ultrapassada.

Apesar destas considerações, tive de chegar a uma conclusão perturbante. A pressão da reguada, o receio das sequelas do acto faziam com que eu contasse desesperadamente com as mãos por baixo da mesa, sempre que a professora fazia aqueles inquéritos aleatórios, contava tão depressa e ficava tão nervosa e fazia tantas analogias e ginásticas numéricas que acabava...por acertar. E o certo é que acabei por decorar a dita cuja.

Ainda hoje sei a tabuada.

20/10/2005

Lençóis de água

A expressão até soa a algo confortável.
A língua portuguesa é muito traiçoeira.

Também há bloggers de carne e osso. A sério.

Ou pelo menos alguns.
Que se juntaram ontem no histórico café Aviz, em plena baixa portuense.

Chuva. Depois de largar grande parte do meu avultado salário a compensar um amistoso arrumador, cheguei ao café. Olhei em volta, porque ia ter de adivinhar qual seria o grupo. Sentei-me, porque era arriscado tentar acertar à primeira. Foi quando ouvi alguém precisamente na mesa em frente à minha a dizer algo que me soou como “tralala tralala broche!” Lembrando-me de uma conversa semelhante em plena Máquina de Café, decidi acercar-me e lançar a questão: “vocês por acaso têm alguma coisa a ver com blogs?” Questão esta que, achava eu, me iria dar alguma margem de manobra em caso de resposta negativa. Não cheguei a saber, porque acertei. Tinham.

Um dos presentes tinha de ir embora, não sem antes acusar esta vossa narradora de ter sotaque de outra província portuguesa, uma parte extremamente traumática do evento. Depois disso, foi chegando mais gente. As conversas mantiveram-se sempre estritamente culturais, versando sobre poesia, correntes literárias, matemática avançada, marionetas, fantoches e o panorama artístico em geral. Ocorreram também várias performances artísticas, inclusive uma coreografia pirotécnica arrojada.

...

Ou então não. Ou então há vida para além dos blogs, há silêncios como em todas as conversas, há perguntas, piadas, contas, diálogos cruzados, coincidências, horas de ir embora, sono. E chuva.

Mas isso só sabe quem compareceu ;) Desta vez, estiveram representados os blogs Terceleiros, Máquina de Café, Zona Franca, Errortográfico, Moleskine, [ g u e r r i l h a s ], Caixa das Esmolas, Quioske e ::historia da internet::.


Pela minha parte, gostei e repito quando puder.
Para as palavras também terem som de vez em quando ;)

19/10/2005

Matemática da minha vida: noves fora, nada, ou tudo



Hoje ia escrever sobre matemática. Sobre como a matemática une, separa, retira, pluraliza, sistematiza, simplifica, comprova e nega.
A matemática faz tudo ou fazemos tudo com ela.

Depois lembrei-me que a matemática nunca foi o meu forte.

Então decidi não escrever sobre matemática. E cheguei à conclusão de que já não me lembro como se faz a prova dos nove, para depois começar a achar que todos temos um dispositivo de prova dos nove integrado. Gostamos de comprovar.

Afinal, não é preciso saber muito de matemática para ela estar sempre connosco.

18/10/2005

Palavra do dia IX: hong se

Em pinyin (romanização da escrita chinesa, ou seja, forma de escrever o chinês nos nossos caracteres ocidentais).

Uma das minhas cores favoritas ;)

Conjugações*



Duas pessoas ao telefone, ambas com idade rondando os 30 anos. Ouço só uma, imagino as duas. Logo nos primeiros segundos de conversa, começa-se a falar detalhadamente sobre as tarefas executadas pela empregada doméstica com extrema precisão temporal, sobre os tapetes e sapatos que ficaram à chuva na varanda (com pormenores requintados de descrição do tecido constituinte do tapete e de formas de lavagem ideais), sobre combinações de roupa para lavar - porque mancha, porque larga pêlo, porque minga, porque enruga - sobre o jantar que vão fazer para os maridos, sobre comidas preferidas dos maridos (mais uma vez, descrição minuciosa). Sobre o que uma delas fez porque o marido não passou cá o fim-de-semana, o horror da solidão.

Alguém me passa os lápis de cor, por favor?

*o verbo colorir só tem duas pessoas no presente do indicativo – colorimos e coloris.

17/10/2005

Temperatura: estável


Fim-de-semana adoentado. Fruta da época.
Em jeito de compensação, a semana começa calma e com chuva para baixar a temperatura.

Quando era pequena, se havia coisa de que não gostava particularmente, essa coisa eram os termómetros. Porque implicavam quase sempre medicamentos, cama e repouso. A melhor recordação que tenho de termómetros foi ter partido um em mil pedaços, ver o mercúrio espalhado pelo chão da cozinha, as bolinhas a fugir e eu a tentar apanhá-las com uma folha. Achei que ia ser o fim do mundo por o ter partido, ia ficar de castigo.
Mas o mundo não acabou e eu nem sequer ouvi um ralhete. Foi uma coisa como outra qualquer. "Mas não te cortaste, pois não?"

Hoje como noutros dias, como sempre, há coisas a que damos demasiada importância.

14/10/2005

Um...



...fim-de-semana construtivo :)

Palavra do dia VIII: pazzesco

Regresso às aulas de italiano, ciao, ciao, come stai, bene, grazie, le vacanze sono state buone, sono andata a Barcelona, città bellissima, etc. Saudades de falar a cantar*.
Também já me tinha esquecido de como gostava de ir de carro pela marginal e pela foz ao fim da tarde, devagar, com tempo para quase-ver o pôr-do-sol e querer ficar à beira-mar muito tempo.

Mas a palavra do dia (em italiano, obviamente) é mais uma descrição de muita coisa que acontece hoje em dia. Aliás, pode ser uma descrição do estado universal da maior parte das coisas!

*E por falar em cantar, tanti auguri a te! ;)

13/10/2005

Um jogo tem menos remates num estádio a sério

Fase 1: Viagem
O metro portuense é seguramente o melhor meio para chegar ao Estádio do Dragão. Mas num dia de jogo....há que conseguir apanhá-lo. Primeiro, a fila para carregar os cartões. Depois, a luta pelos lugares sentados ou pelos 10,5 centímetros onde terá de caber o nosso corpo todo (e estou a ser generosa no exemplo). Já no interior, há o clima de predisposição ao soco - qualquer mini-desentendimento pode gerar um caos mais ou menos violento - e em simultâneo, há a amena cavaqueira típica de sardinha em lata: “desculpe lá o cotovelo cravado nos seus rins”, “não tem mal estar a pisar-me, assim até emagreço a barriga dos pés”, “importa-se de inspirar fundo para eu poder assoar-me”, etc. Há o típico indivíduo que conta piadas a torto e a direito, o velhinho que teoriza a solução genial para a falta de espaço, a senhora ruborizada que está sempre no limite da queda aparatosa, o jovem que não pára de mandar mensagens no telemóvel, há de tudo. Impera a lógica “só mais um” em cada paragem até ao limite do desespero e da senilidade. Logicamente, a chegada é um alívio.

Fase 2: Jogo
Ver um jogo num estádio surpreendeu-me pela positiva. Pensei que ia ser demasiado confuso, e não foi. Pensei que ia ver mal, e vê-se bem. Confirmei que cantar o hino é das partes mais emocionantes. Pensei que ia haver demasiado barulho, e não houve (sim, pode existir silêncio num estádio cheio). Achei foi que há tantas coisas para fazer que acabamos por não prestar tanta atenção ao jogo em si como em casa. Há a onda, as bandeiras para agitar, as canções, os protestos, os aplausos e apupos, as conversas cruzadas, os golos para comemorar, o delírio colectivo. Há menos polémicas do que na TV e menos casos que parecem perigosíssimos.

Fase 3: Fim
No fim do jogo, as comemorações pela nossa apuração para o mundial. Ele foi espectáculo de raios laser, a pirotecnia do costume, música. Gostei particularmente da parte dos raios laser, em que projectaram os nomes dos jogadores da selecção no relvado: ficou provado que erros ortográficos não se dão só no papel e em documentos electrónicos, também existem em versão relva.

Fase 4: Regresso e finalmente, a parte da COMIDA

O regresso foi mais calmo em termos de viagens, mas dominava a fome.
A FOME!
Não esquecer: levar farnel da próxima vez.

12/10/2005

Errortográfico em directo na TV!

Nunca fui a um jogo de futebol a sério.
Nem a um estádio a sério (para ver jogos).
Portanto hoje parece-me um bom dia para começar.
Vou à bola :)