Para dormir mais. Para descansar os olhos, as costas, os braços do computador de todos os dias. Para fazer arrumações e ordenar coisas. Para comprar o que tenho de comprar há montes de tempo sem tempo limite para escolher. Para não fazer nada porque posso e quero. Para ver os ritmos da cidade com a calma de não ter horas. Para pôr as leituras em dia. Para estar sem ter de estar. Para estar só com quem quero estar.Não, não são resoluções de ano novo. São projectos de mini-férias. O Errortográfico volta na segunda semana de 2006. Não sem antes vos desejar boas entradas. Desejar que o vosso novo ano seja sinónimo de mais tempo para aqueles e aquilo de que gostam :) E que vos traga boas surpresas e algumas mudanças necessárias.Eu cá já tenho um dos acessórios indispensáveis dos tempos livres: a minha mantinha nova, uma prenda vinda directamente ali da neve do sistema montanhoso Montejunto/Estrela. E digam lá se esta velhinha simpática do embrulho não é a minha cara? Volto já ;)
Já com saudades, a vossaIzzoldinha
Retomando o tema cinzento que despoleta o dizer coisas de que não gosto: não gosto de imitações. Algo que inclui desde o suposto supra-sumo português da imitação (sim, aquele homem que está cada vez mais horroroso e que se nunca imitou propriamente bem, agora está pior do que nunca e com aquele ar ‘porque eu até sou jovem’; desculpem-me os eventuais fãs do senhor e desculpe-me o senhor também), até às pessoas que passam a vida ou grande parte dela a imitar (sem saber muito bem porquê, só pelo acto em si). Imitar é inevitável, sim; aprendemos muita coisa por imitação, pelo modelo/exemplo. Mas neste caso, refiro-me àquelas pessoas que imitam outras por sistema; se a pessoa A diz que gosta disto ou daquilo, a pessoa B irá começar a gostar rapidamente disso. Se A diz que fez isto ou aquilo, B irá fazê-lo, mesmo que não seja nada o seu género. E assim sucessivamente, muitas e muitas vezes. É irritante. Pronto, já disse.
Acho que os dias cinzentos nos fazem querer falar de coisas que não gostamos.Por isso: odeio passas, sultanas e afins. Uvas ressequidas em geral. Pronto, já está.*Gosto do cinzento desde que não seja nos dias e nas pessoas.
Dias para:
idealizar
v. tr.,
dar carácter ideal a;
imaginar;
criar na mente;
fantasiar;
planear.
Sem idealizar demasiado. Porque desde que a companhia seja boa, os momentos são ideais por definição :)
Broken Flowers, de Jim JarmuschUm filme de silêncios, de viagens interiores e físicas; melancólico, algo escuro, de solidão, de procura e de encontros ou desencontros. De pormenores subtis. De surpresas estranhas. Que recomendo.
Dias para:recomeçarv. tr.,
começar de novo.*Sem medos. Porque o mais importante, fica sempre guardado.*Daqui.
Pois. Demoramos muito mais tempo a prepará-lo do que a vivê-lo. Portanto, já passou.O meu foi bom. Familiar. Calmo, aconchegante.E com as palavras que são precisas ;)
Entre sorrisos, doses massivas de açúcar, quantidades industriais de canela e azeite, prendas que agradam ou desagradam, confortos e desconfortos, agradecimentos, enfartamentos, exageros, luzes e fitas e árvores e presépios, dietas, neve ou ausência dela, (im)perfeições e (re)nascimentos, tenham um bom Natal!
*O primeiro Natal aqui do errortográfico ;)
Eu e o Agente Pingú ali da Zona Franca, algures num café do Porto com vista para o rio. Porquê? Está aqui :)
Algures num poster de circo deste país, lê-se:"CIRCO [XPTO]Junto ao Elefante Azul"

*
Há momentos assim, de espera. E a espera é boa quando é por um bom motivo, por uma coisa boa. Ou por muitas coisas boas. Está quase! :)*www.muttscomics.com
Ou de como o drama de não se receber a prenda que se quer pode traumatizar irreversivelmente uma pessoa. Raramente fiz listas de prendas por escrito. Aliás, acho que me lembro de escrever uma carta ao Pai Natal, mas como a correspondência desejos/prendas foi nula, devo ter decidido que não era uma tarefa frutífera. O que fiz algumas vezes foi mostrar que gostava de alguma coisa. Pronto, mostrar muito e muitas vezes que gostava mesmo de alguma coisa! Os resultados foram variáveis.Para me expurgar dos meus males e pesadelos de infância, decidi fazer aqui uma mini-lista de prendas que queria muito e nunca tive...snif, snif! [Bem, na realidade, neste momento só me lembro de duas prendas que queria mesmo muito.] É um momento de grande solenidade, este.
1) O Tragabolas! Não me lembro de querer tanto um jogo como este. Não sei porquê que o achava tão fascinante, mas o certo é que suspirei pelo jogo. Desejei-o. Nunca o recebi. E lembro-me de insistir vários anos sem sucesso.
2) A cozinha da Barbie. Só tive uma boneca Barbie em toda a minha vida. A minha mãe odiava a boneca, portanto não tive grande sorte para fazer a grande colecção de Barbies com que toda a moça sonhava. Mas o que eu queria mesmo era a cozinha da senhora, totalmente equipada com tudo e mais alguma coisa. Insisti bastante, sem resultados.E é isto, que me lembre. Secalhar foi por estas coisas traumáticas e desejos não correspondidos que fiquei a gostar mais de prendas-surpresa.
Até estas verificações andam natalícias! "Qouvies" é nada mais, nada menos do que "couves" em português do Brasil.Estes gajos do Blogger pensam em tudo!
Vocês não imaginam. É que vocês não imaginam a quantidade de gente que veio aqui parar ao erro à espera de uma revelação bombástica. Tudo por causa do senhor que não vou voltar a referir e que "morreu" numa novela, que eu calhei de mencionar num post*. Aqui o errortográfico ultrapassou limites que eu não quero que sejam ultrapassados. Portanto, advirto-vos desde já que qualquer semelhança deste blog com a vida real, é pura coincidência ;)*Atente-se especialmente ao último comentário de um anónimo, escrito numa língua vagamente semelhante ao português. Memorável. Ah! E o meu pai adivinhou há muito tempo quem era o assassino!
Ou de como a pergunta "o que é que comes" pode ser mais ouvida do que os votos festivos. Todo o ano, muitas vezes; e muito, muito, muito mais vezes no Natal.A uma pessoa vegetariana - o meu caso, para quem ainda não tinha percebido e/ou não me conhece de lado nenhum - esta pergunta é colocada até ao expoente da loucura. E não me refiro às vezes em que é colocada por genuíno interesse ou curiosidade, pois dessas vezes, tenho todo o prazer e gosto em responder [ :) ], mas sim àquelas vezes em que é colocada com outros fins. Para a seguir eu ter de ouvir enaltecer a boa carninha, o bom peixinho, a excelente tradição culinária portuguesa e tudo o mais. Argumentos estafados [e inválidos, acrescente-se] sobre proteínas ou ferro ou falta de coisas essenciais à saúde. Bocas do género "ah e tal, mas as coisas vegetarianas não sabem todas a relva", ou "ah, mas um bom chouricinho, não comias", "mas comes fiambre? Presunto? Delícias do mar? Atum? E marisco?", "mas comes só arroz e batata?!", "não tens saudades de um bom bife", "isso sabe a alguma coisa", "isso não sabe tudo ao mesmo". Podia estar aqui o dia todo.E ai de mim que responda a provocações - às vezes, muito mal-educadas/intencionadas - com má cara, sem esgrimir toda uma série de justificações coesas e convincentes ou mostrar um vasto leque de receitas interessantes. Ai de mim que não esteja para aí virada e não me apeteça explicar nada. Ai de mim que não me ria das piaditas (que por acaso, só por acaso, são basicamente sempre as mesmas). Além de ser a "esquisita", até tenho humor e vontade própria, imagine-se! Que mal-dispostinhos e chatos são estes vegetarianos. Já não bastava terem a mania que são diferentes!Já ouvi de tudo, mas até hoje, pouca gente pensou logo no facto de eu ser vegetariana por gosto. E gostos, meus amigos, não se questionam nem discutem. Aceitam-se. Por mais que custe a muita gente (grande parte da minha família incluída, onde há alguns dos maiores anti-vegetarianos que já vi), eu quero, prefiro e vou continuar a comer o que bem me apetece. E se o que me apetece não inclui o dito 'normal' - que já comi durante duas décadas, duas, e que posso voltar a comer quando quiser - e eu não tento convencer ninguém, já estava na altura de aceitarem a coisa com normalidade. Ou de simplesmente, aceitarem a coisa. Tal como eu aceito que muita gente não goste do que eu gosto.E eu, eu até sou mais bolos. Doces! Que felizmente, não faltam no Natal. Quando até os sonhos são comestíveis ;)
Miúda de 6 anos - muitíssimo desdentada - corre pelo escritório, enquanto canta muito alto:We wish you a merry Christmas We wish you a merry ChristmasWe wish you a merry ChristmasAnd a happy new YOU!Há mesmo erros que vêm por bem. E que não vale a pena corrigir :)Secalhar está tudo na capacidade de nos sabermos corrigir a nós próprios. De nos sabermos renovar. Sem medo dos erros.
Ou de como cedo descobri que a história do Pai Natal vir pela chaminé não poderia concretizar-se na primeira casa em que me lembro de viver o Natal: tínhamos exaustor. Lembro-me de querer à viva força acreditar que ele passava pela frincha entre o exaustor e a parede. Mas quanto mais pensava no mito, mais me convencia da realidade nua e crua: ele era gordo. Logo, teria de entrar por outro lado.Não sei em que momento o mito terá caído por terra, mas lembro-me vivamente de até querer acreditar nele. A tecnologia não deixou.A história do Menino Jesus já me parecia mais plausível. A pessoa portava-se bem e as prendas apareciam. Simples. Mas achava estranho as prendas só aparecerem depois de os meus pais acordarem no dia 25.Lembro-me de uma altura semi-obscura na minha mente em que tentei coordenar ambas as versões Pai Natal/Menino Jesus. Daí até me convencer decisivamente de que eram os meus pais a comprar as prendas, foi um ápice.
no Natal?**Como é uma pergunta que me fazem muitas vezes, aqui no erro vou ser eu a primeirinha a perguntar ;)
O dia em que passamos a ser irmãos. Porque passamos a viver os nossos primeiros dias e os primeiros dias de quem nasce.Hoje é um desses primeiros dias da minha irmã. Que ainda há tão pouco tempo andava a dar cabo da sintonia da televisão. A gostar de areia nas mãos. A cruzar os braços como quem não sabe, mas quer mostar amuo.O primeiro dia de trabalho. Primeiros dias que não se esquecem.
Nova descoberta, desta vez relacionada com gastronomia. Jantar de Natal da turma de italiano num....restaurante italiano :) Quase literalmente debaixo da ponte da Arrábida - no Porto, pois. Disse-me a recepcionista que existia também em Lisboa. Chama-se Casa d'Oro* e é uma pizzaria no andar de cima e um restaurante italiano no andar de baixo. Com uma vista de cortar a respiração e comida daquelas de comer bastante e chorar por ainda mais.Mas a melhor parte foi mesmo o início. Aperitivo da casa: martini com manjericão. Ora para quem já é grande apreciador das duas coisas (o meu caso), esta combinação só podia ser um sucesso :) Recomendo!*Rua do Ouro, 797 - Porto. Telefone: 226 106 012