14/02/2006

De coração


Porque todos os dias que passamos com quem gostamos são especiais.
Mesmo que os momentos não sejam perfeitos e à luz de velas, mesmo que não hajam presentes dados com mais ou menos gosto e espontaneidade. Mesmo que as decorações não envolvam corações. Mesmo que estejamos mal dispostos. Mesmo que seja só para desabafar, para ouvir, para esperar em conjunto. Mesmo que haja pouco tempo (porque tempo há sempre).

Por isso num suposto "dia dos namorados", um abraço muito apertado a todos aqueles que são especiais para mim.

13/02/2006

Gulp!

Oiço o despertador bastante mais tarde do que o costume. Levanto-me tarde. Rádio do WC dessintonizou-se e fica impossível de sintonizar na rádio habitual, cujo ritmo organiza o meu ritmo mecânico matinal. Perco muito mais tempo do que o que tenho disponível a tentar sintonizar o rádio, sem sucesso. Ainda mal comecei a arranjar-me e já estou extremamente atrasada. Depois, trânsito e consequente atraso agravado. Chegada ao escritório. Toneladas impensáveis de e-mails a exigir resposta. Volume de trabalho moderado (valha-nos isso) e tons de voz muito mais elevados do que o costume na sala ao lado, juntamente com ânimos exaltados. Suspiro.

Segunda-feira. Não a costumo sentir tanto na pele.

10/02/2006

Das pancas

*
Confesso, admito, reconheço, e não há nada que possam dizer que me faça mudar de ideias. Ou não fosse esta uma panca, daquelas algo inexplicáveis porque não há nenhum motivo em particular, mas sim muitos: a cultura indiana.

Portanto, assistir a um concerto de música tradicional indiana foi assim a modos que um privilégio daqueles que nos deixam sem palavras. Pela música em si, pela fusão que os músicos conseguem ter em palco, pelo ambiente e por tudo o que está para além da música. Não há palavras. E nem sequer acho que sejam precisas, nessas alturas. Pura magia musical :)

*E sim, a gastronomia indiana foi a principal responsável pelo início da panca ;)

09/02/2006

Sugestões da gerência


Ir ver o concerto de Bombay Jayashri Ramnath, hoje, na Casa da Música no Porto. Uma óptima oportunidade para conhecer uma das maiores representantes da música indiana contemporânea.

Ou ir ver Como um carrossel à volta do sol, um espectáculo do Teatro de Marionetas do Porto, em cena de 11 de Fevereiro a 19 de Março no Balleteatro Auditório, também no Porto.

Mas eu queria!


Quando era (mais) pequena, lembro-me de pedir muita coisa. Houve uma altura em que basicamente, eu não podia ver nada sem pedir depois. Nada. Principalmente brinquedos. Livros de colorir ou de ler. Carteiras e malinhas e cestinhas. Doces e guloseimas.

O argumento melhor que conseguia arranjar, e que algumas vezes - felizmente, não todas! - resultava era um simples mas eu queria!. Seguia-se uma birra, se eu realmente achasse que a coisa valia a pena. Dizem que eu era ligeiramente insuportável quando queria uma coisa. Mas nunca tive tudo o que queria.

E isso não foi mau. Os nãos fazem-nos bem, de vez em quando.

08/02/2006

Das vezes

Será que por sabermos que vamos fazer uma determinada coisa pela última vez, isso a vai tornar diferente, especial, ou inesquecível?

E até que ponto é que queríamos saber isso. Que era a última vez.


É que hoje estou de muitas palavras.
E com muito tempo :)

Dos atrasos


No país em que vivemos, dá-se pouca importância aos atrasos. Horários. Ou seja, com grande frequência, chegamos atrasados (há excepções, mas conheço pouquíssimas pessoas que nunca se atrasam), e com grande frequência também, ninguém nos faz nenhum reparo ao atraso, porque é considerado normal atrasarmo-nos e porque até fica mal alguém manifestar incómodo, porque um atrasozinho nunca fez mal a ninguém (mais uma vez, salvo raras excepções de pessoas [totalmente] intolerantes, com mais ou menos razões para isso, que não deixam passar atraso nenhum por menor e mais desculpado que seja).

E nós atrasamo-nos. Por um motivo plausível - geralmente, um imprevisto que surge, o iogurte líquido entornado na roupa a 2 minutos de sairmos de casa, um acidente na estrada do costume, mais trânsito do que o normal - e frequentemente, por motivo rigorosamente nenhum. Ne-nhum. Simplesmente porque nos deixamos estar, deixamos passar as horas e pensamos que não há grande problema. Ou seja, por desleixo. Ainda pior: por desleixo crónico (agravado, se ainda por cima presumimos que a pessoa espera sem sequer darmos satisfações, só porque...não nos apetece?). E os píncaros do atraso desleixado: quando o atrasado sabe perfeitamente que vai chegar atrasado e insiste em marcar horas impossíveis. E depois chega uma hora e meia depois com o ar mais natural do mundo. Sem dizer uma palavra acerca disso. Porquê? Escapa-me agora o motivo. Porque - e agora vão desculpar-me a franqueza - me recuso a compreender tal atitude. Puro egoísmo, provavelmente.

São estes são os atrasos que mais me incomodam. Não porque nunca me atrase, nem por condenar o tal atrasozinho insignificante (sim, sofro desse mal tão português que é compreender o ligeiro atraso, ao contrário do que acontece na maior parte do resto do mundo, civilizado ou não). Mas porque – e agora posso estar a dar uma novidade a muita gente – geralmente, há alguém à nossa espera. Alguém que até pode ter coisas melhores, mais urgentes, mais importantes para fazer, mas que por algum motivo, está à nossa espera.

É aqui que entra a outra parte do atraso: as desculpas e as satisfações. Que são devidas, quanto a mim, quando existe um atraso. Desculpas, satisfações, simples e eficazes quando o motivo é plausível. Sem invenções do género “ah, que estou mesmo a chegar” e tunflas, 47 minutos depois é que chegam (quem é que estamos a tentar enganar quando somos os primeiros a saber que é impossível?). Sem desculpas crónicas, que já não colam quando são ditas 32,5 vezes numa semana. Sem invenções estapafúrdias. E muito menos, sem sequer dar cavaco (isso então para mim, é totalmente impensável).

Quando temos consideração por quem espera, esta parte das desculpas é imprescindível. Se quem está à espera até já sabe que somos atrasados crónicos – a desculpa implícita mais esfarrapada que existe, porque o problema não é incurável e nem sequer exige grande esforço – ainda pior será não dizer nada. Porque se para essa pessoa somos atrasados crónicos, isso quer dizer que essa pessoa já esperou muitas e muitas vezes. E pode chegar o dia em que ela decide não esperar mais.

O tempo já é tão pouco. Com o nosso, temos a liberdade de fazermos o que bem nos apetecer. E que tal deixarmos os outros fazer o mesmo?

07/02/2006



Há alturas em que as palavras não são precisas.
Noutras alturas, as palavras certas fazem-nos falta.
Muito obrigada pelas vossas, de coração.
E por todas as que fora daqui, deram alento.
Porque algumas palavras também vêm sob a forma de abraço apertado.
Ou de simples presença.

06/02/2006

Não consigo

Não estar triste. Porque só vivendo a tristeza é que a conseguimos ultrapassar.
Vivendo o silêncio, as lágrimas, o pesar, a mágoa, as saudades, alguma revolta, o alívio, a inconstância ou tudo ao mesmo tempo.
Reconfortando(-nos) (n)os outros que ficam.

Adeus, avô.

03/02/2006

Raio-X

Um dia que começa com uma visão privilegiada do nosso próprio interior não pode ser mau. Ainda para mais, para descobrir que está tudo muito direitinho aonde deve estar e sem quaisquer problemas.

Se estivéssemos mais vezes assim. Transparentes.

Há quem não tenha de fazer esforço para isso. Aquelas pessoas cuja expressão facial, gestos, postura ou palavras nos revelam quase tudo, sem filtros nem artificialidade. Outras, pelo contrário, são opacas, impermeáveis (e provavelmente algumas até estarão melhor assim).

Respire fundo. Não respire agora. Já está, pode respirar.

É assim, fácil, ficar transparente.

02/02/2006

Liberta a lata que há em ti!


Há alturas em que é preciso ter lata.
Lata para enfrentar as coisas e não nos deixarmos atropelar.
Lata para dizer o que é preciso no momento certo, seja a quem for e sem medo.
Lata para não dizer o que os outros querem ouvir.
Lata para tomarmos a decisão que nos parece certa.

Lata para não termos medo de errar.
Lata para reconhecer e admitir.
Lata para tomar a iniciativa.
Lata para mudar, em vez de nos andarmos sempre a lamentar.


Lata nestes termos, e não no sentido de ter o desplante de dizer/fazer as coisas gratuitamente, sem reflectir e sem pensar nas consequências.


Porque mais vale ter lata do que ser enlatado.

Five-point-palm-exploding-heart technique



The Bride: And what, pray tell, is the five-point-palm-exploding-heart technique?

Bill: Quite simply, the deadliest blow in all of martial arts. He hits you with his fingertips at five different pressure points on your body. And then he lets you walk away. But after you've taken five steps, your heart explodes inside your body, and you fall to the floor, dead.


Kill Bill Volume II

01/02/2006

Esquecimentos voluntários

Se houvesse maneira de apagar o que quiséssemos da nossa memória, até que ponto ia ser apagado para sempre? Existirão coisas, pessoas ou acontecimentos impossíveis de apagar?
Eu acho que sim, que existem. Porque fazem parte de nós.
Porque nos moldaram.
A nossa memória é o que somos. De bom e de mau.

A propósito do filme Despertar da mente/Eternal sunshine of the spotless mind.

31/01/2006

Que te viu e quem têvê


Vejo mesmo pouca televisão. Mas admito: já não concebo a coisa com menos de 50 hipóteses, mesmo que nunca veja todos os canais e que existam alguns cujo interesse seja equivalente ou inferior ao despertado pelo perturbante dilema existencial do salmão azul. E até existem alguns com menos interesse ainda. Ao termos acesso a 50 [ou mais] canais, calamos eternamente o eterno lamento característico do síndroma dos quatro canais: ah, 4 canais, nunca dá nada de jeito, não se aguenta, a televisão portuguesa anda pela hora da morte, blá blá blá.

Apesar disto, admito também: a vida com 50 canais é igualmente difícil e desesperante. Passamos a viver o eterno drama da escolha, versão televisiva 2.0: e agora, vejo este excitante documentário sobre a ameaçadora caravela portuguesa ou um dos raros programas de música que passa neste canal supostamente musical? Para além de que nunca, nunca conseguimos estar a par da programação que nos interessa, sob pena de passarmos horas sem fim a analisar grelhas que não serão cumpridas. E culminamos novamente num lamento: 50 canais e rigorosamente nada para ver?! O meu rico dinheirinho a ir-se e eu a ver passar navios! Ou então: queria tanto *ter visto* aquilo!
Muito provavelmente, nunca vamos estar satisfeitos com a televisão que vemos.
Eu pelo menos, raramente estou. Portanto, rejubilo com as pequenas grandes surpresas que a TV me oferece: por exemplo, a estreia de Calma, Larry! (Curb Your Enthusiasm) na dois! A isto, chama-se estar no sítio certo, à hora certa. Sensação que me agrada particularmente quando finalmente me decido a ver televisão.

30/01/2006

Manias

Sou de ideias fixas em relação ao pequeno-almoço. Em todas as outras refeições, vario, gosto de experimentar coisas novas, canso-me se comer sempre o mesmo ou se repetir refeições muitas vezes. Mas não ao pequeno-almoço. Não me mexam no pequeno-almoço. É que quem me tira o meu pão com pouca manteiga e a meia de leite, destrói todo o meu conceito de início de dia quase perfeito. É mania, eu sei.

Mas a coisa ainda fica pior em termos de manias: é que eu consigo ficar chocada com os pequenos-almoços dos outros. A ponto de me apetecer questioná-los relativamente às opções que fazem. Principalmente se alguém pedir:

- um prego e um sumo gaseificado de ananás;
- uma fatia de bôla e uma cerveja cortada com favaíto;
- duas fatias de pizza e uma cola;
- um pastel de carne aquecido, uma bola de berlim e um fino/imperial;
- aguardente velha.

E todos estes pedidos são reais, para além de feitos antes das 11h da manhã.
Eu sei, não tenho nada a ver com isso. Mas se alguma vez alguém vos perguntar descaradamente "vai mesmo comer isso a estas horas?!" com um ar entre o escandalizado e o aterrorizado, posso muito bem ser eu.

Boa semana ;)

A vista

Aquela, dali de baixo. É de Lisboa :)

27/01/2006

Gong xi fa cai!*

**

Já estão a decorrer as festividades comemorativas do ano novo chinês, com muito vermelho, dourado, fogo de artifício e desejos (correcção: não começa hoje o ano; decorrem, sim, as festividades, já que a chegada do ano em si será a 29 de Janeiro, Domingo).

2006 vai ser o Ano do Cão***.

Para comemorarem em beleza, descubram o vosso nome em Mandarim.

Desejo-vos um bom ano novo chinês e um óptimo fim-de-semana :)

*Saudação em mandarim que deseja saúde e sucesso no novo ano chinês.
**Caligrafia desta frase do título retirada daqui.
***Mais informações sobre os vários anos e características dos nativos de cada ano.

Donde será esta vista?*


Alguém reconhece?

Quanto à máquina de escrever anterior, ninguém adivinhou onde morava...pois, também não era propriamente fácil. É que ela está na Casa Milà/La Pedrera, em Barcelona.

*Uma fotografia minha dedicada à Margarida, do infusões, pela surpresa e pelas palavras :)

26/01/2006

Trftrftrftrftrftrftrf!*

Meninas e meninos, senhoras e senhores, estimado público!
O Errortográfico tem o prazer e o privilégio de apresentar, em rigoroso exclusivo na esfera circense blogosférica:

UMA DAS LETRAS DE CANÇÃO MAIS RIDÍCULAS DE TODOS OS TEMPOS!

Que - pasme-se! - pode tornar-se ainda mais ridícula (sim, é possível!) com uma arrojada proposta de tradução do nosso simpático amigo
peixe de babel. E essa canção é...tcharan:

Que você gon' com toda essa sucata?
Todo esse interior da sucata que tronco?
I'ma começa, começa, começa, começa, você bêbedo,
começa lhe o amor bebido fora de meu hump.
Que gon de u' com todo esse burro?
Todo esse burro dentro deles calças de brim?
Eu sou um make, faço-o, faço-, faço-o grito fazer o grito de u, faço-lhe o grito.
Cos de meu hump, meu hump, meu hump, meu hump.
Meu hump, meu hump, meu hump,
minhas protuberâncias encantadoras da senhora.
(verificação ele para fora).**

Mais palavras para quê? :)

*Tentativa algo frustrada, mas bem-intencionada, de reproduzir o rufo de um tambor.
**What you gon’ do with all that junk?
All that junk inside that trunk?
I’ma get, get, get, get, you drunk,
Get you love drunk off my hump.
What u gon’ do with all that ass?
All that ass inside them jeans?
I’m a make, make, make, make you scream
Make u scream, make you scream.
Cos of my hump, my hump, my hump, my hump.
My hump, my hump, my hump,
my lovely lady lumps.
(Check it out).