24/05/2006

Do ensino


Nunca senti especial vocação para o ensino nem nunca pensei segui-lo. Durante o curso - cujas supostas saídas estão relacionadas principalmente com o ensino - muitas vezes tive de explicar que não, que não iria seguir a área de ensino (claro que quando dizia qual a área a que me iria tentar dedicar, vinha imediatamente um isso dá para quê? com o ar profundamente escandalizado de quem nunca ouviu falar nessa profissão, mas isso são outras histórias).
Isto a propósito de que actualmente, tenho de ensinar alguém a fazer um trabalho semelhante ao meu. Tenho concluído que a) até tenho paciência (a pessoa em questão ajuda, porque aprende rapidamente), b) era quase impossível ensinar sem alguma experiência (é engraçado constatar como os problemas que vamos ultrapassando são óptimos professores!) e c) aprende-se muito, muito e muito.
Curioso e muito valioso, isto de se aprender mesmo a ensinar. Se já sempre admirei os verdadeiros professores, aqueles que o são por vocação, que conseguem realmente fazer da aprendizagem um enriquecimento e um intercâmbio de experiências, que conseguem aprender com a aprendizagem, com as questões e as dúvidas dos alunos, agora ainda os admiro mais. É uma arte, esta de equilibrar as balanças do ensino e da aprendizagem.

23/05/2006

Fengshuização

Admiro quem tem paciência e vontade para aplicar as regras do Feng Shui (ler fón suei, de acordo com a minha professora de Mandarim) aos ambientes em que tem de passar grande parte do seu tempo. Gosto de ler dicas de Feng Shui (ver um exemplo aqui), mas sou obrigada a constatar o quão difícil seria aplicá-las lá a casa ou ao escritório, à excepção de pequenos pormenores que posso ir tentando alterar ou implantar: eliminar flores secas e ter muitas flores verdadeiras em vaso (de preferência, vermelhas), aumentar o número de plantas (idealmente, com folhas redondas) e cactos (significam resistência), manter vassouras guardadas e longe da vista (e de preferência, de pernas para o ar, pasme-se), manter a despensa abastecida (sim, o elevado número de pacotes de bolachas e snacks é aceitável perante o Feng Shui, pessoal!), preservar a organização e eliminar as coisas desnecessárias (cof cof, vou ter de trabalhar esta parte), etc. Entretanto, acabei por descobrir também que trabalhar perto de uma grande fonte e não ter outro remédio senão ouvi-la tem as suas vantagens: o som da água é calmante e extremamente benéfico!
O único problema é que acabo por constatar também que a energia da maior parte dos sítios aonde estou não está a fluir correctamente; portanto, descobri também a vertente mais imediata e útil do FS: poderei passar a utilizá-lo como desculpa para explicar qualquer problema. Ah pois. Eu sabia que me devia dedicar ao Feng Shui ;)

22/05/2006

Pensar em números ou o mistério do livro desaparecido

Ao contrário do habitual, esta semana começa calma, mas cheia de contas, percentagens e cálculos decisivos. O que me relembra o quanto prefiro deixar essas coisas para quem delas sabe e gosta.

Quando andava na escola primária, tinha um livro de exercícios de matemática para fazer em casa - arranjado pela minha mãe e não pela professora - que odiava, porque o achava demasiado difícil. Um belo dia, tive uma ideia brilhante, luminosa e genial: esconder esse livro algures no meio dos brinquedos; tão bem escondido, mas tão bem encafuado que nunca mais eu nem ninguém o encontrou...claro que foi prontamente substituído por outro livro de exercícios, de que eu já gostava mais.


Vem isto a propósito de que sempre desisti facilmente dos números, quando era mais pequena. Irritavam-me, fugiam-me e eu fugia-lhes por tabela. Agora tenho mesmo de os enfrentar, quando é preciso. Não tenho tanto receio deles...mas continuo a preferir as palavras.

Boa semana :)

19/05/2006

Do trabalho

Gosto do que faço e felizmente, tenho um emprego de que gosto. Não é perfeito, às vezes detesto-o, protesto, queria mudar tanta coisa ou tudo e só queria não ter muito menos ou nada para fazer, mas lá no fundo é óbvio que não me agradaria não ter trabalho e tudo o que isso implicaria a muitos níveis.

No entanto, não consigo viver para o trabalho, seja isso um defeito ou simplesmente feitio ou escolha de vida, como acho que é. Podia aceitar mais trabalhos do que os que já faço no escritório, ganhando, como consequência, bastante mais dinheiro. Podia trabalhar mais horas para cair nas boas graças dos empregadores e provavelmente, ganhar igualmente mais dinheiro. Podia, podia, podia.

Podia, claro. Mas onde é que eu ficava no meio disso tudo? Onde é que as outras pessoas de quem gosto ficavam? Onde ficavam as outras actividades de aprendizagem ou lazer, os tempos mortos...aonde iria parar a sanidade, o descanso mental? Não acho que se possam pôr essas coisas em modo de pausa. Ah, invisto muito no trabalho agora e *mais tarde* gozo...sejamos realistas: isso muito provavelmente, não irá acontecer. Porque quando existirem os tais momentos mortos ou de lazer, já não sabemos estar sem ser...a trabalhar. Ou já perdemos o contacto com tantas pessoas com as quais era tão importante ter mantido o contacto. Ou já dá demasiado trabalho...não fazer nada.

Por mais importância que o trabalho e actividades relacionadas tenham na minha vida, espero nunca as deixar ter mais importância do que eu própria e do que as pessoas de quem gosto. Não quero chegar a mais tarde e ver que quase tudo me passou ao lado por minha própria culpa. Porque garantido, só temos o agora. E não é por isto ser um cliché que deixa de ser verdade.

Com mais ou menos trabalho, bom fim-de-semana a todos! :)

18/05/2006

Das músicas e das memórias


Ah, vem depressa
Chorinho querido, vem
Mostrar a graça
Que o choro sentido tem
Quanto tempo passou
Quanta coisa mudou
Já ninguém chora mais por ninguém*

Casa de uma das minhas avós, ao colo da minha tia-avó. Quando começava a telenovela, parava tudo. Obrigava avó e tia a cantarem a música comigo, alto e a bom som. A música era esta, de Nara Leão.

Sempre associei e ainda associo muito as músicas a momentos, estados de alma, pessoas. Esta é uma das músicas da minha infância, de que ainda hoje gosto muito. Daquelas músicas que lavam a alma. E agora posso ouvi-la sempre que quiser :)
*Excerto da letra de Odeon, de Nara Leão.

Imaginarius!


Que é apenas um dos maiores festivais de teatro de rua nacionais.
A não perder, de hoje até Sábado em Santa Maria da Feira. Mais informações aqui.

17/05/2006

O costume que já não é costume

Ainda não vos tinha contado que o senhor que me costuma atender no meu novo café habitual tem cerca de quarenta anos, cabelo branco, ar bonacheirão e sorriso fácil.

E já vos tinha contado que não desgosto da preguiça que o "costume" permite.

Ora este senhor já sabe o que eu costumo tomar de manhã. Podia perguntar simplesmente se era o costume. Mas não. A expressão varia entre o mesmo, o habitual, o de sempre, o de todos os dias, entre outras variações que ele parece ir arranjando com a maior das facilidades, todos os dias. E realmente, porquê utilizar sempre as mesmas palavras quando temos tantas à disposição...

Vem isto a propósito de que ultimamente, ando a dedicar-me a tentar descobrir o nome do senhor sem lho perguntar directamente. Mas está difícil! Alguém conhece um senhor parecido e/ou tem sugestões? :)

16/05/2006

E mesmo quando...

...tinha acabado um dos projectos mais secantes de toda a minha [relativamente curta] vida laboral, resolvem mudar uma instrução uma hora depois de o entregar. Algo que vai implicar...ler tudo outra vez e corrigir inúmeras coisas.

Inspira, Izzoldinha, inspira que bem precisas de ar.

Não estou nada chateada, não. Claro que não. Esta foi só uma daquelas coisinhas insignificantes que estragam um dia inteiro. Agora se me dão licença, vou ler e corrigir milhares e milhares de palavras - outra vez - e depois vou só ali desancar um boneco vudu com um possante bastão desportivo. Acho que isso deve chegar. Isto já passa, isto já passa.

15/05/2006

Post decente temporariamente indisponível

Vou só ali começar mais uma semana cheia de trabalho depois de um fim-de-semana igualmente trabalhoso e já volto. Grunf. Que saudades de escrever muito menos em trabalho...

Boa semana!

12/05/2006

Ufa...

Que semana! Obviamente, parecia que nunca mais acabava, como todas as semanas laboriosas. Para piorar as coisas, o FDS que se avizinha não será totalmente isento de trabalho. Com algumas compensações para animar, é certo, nem tudo será mau e ainda bem :)

Bom fim-de-semana!

11/05/2006

Até a música acabaaaar...

Algures numa queima das fitas aqui perto, é difícil que a música acabe. Isto porque agora cada barraquinha está apetrechada com o seu próprio sistema sonoro mais ou menos roufenho a debitar música de melhor ou pior qualidade - não interessa. Interessa, sim, que se sobreponha à das outras barracas e que chame gente. Que haja música, sempre, eu gosto. Mas era mesmo preciso que tudo tivesse música ao mesmo tempo, cada barraquinha a procurar sobrepor as suas escolhas às das barraquinhas do lado? As pessoas andam ali no meio, a fugir como podem à luta dos decibéis. Resultado: décibeis vencem por KO. Pessoal responsável, música alta sim, mas era interessante conseguir trocar impressões e até ouvir-me ligeiramente a mim própria para não julgar estar a perder a sanidade e a audição, sim? Muito agradecida.

10/05/2006

Das formalidades

Há poucas coisas que odeio mais neste mundo do que as formalidades desnecessárias. Como poderão também já ter reparado anteriormente, odeio também os maus cheiros, a areia nos sapatos e o ruído de sacos plásticos, as pessoas cronicamente mal-dispostas, as falhas da tecnologia, os ruídos incomodativos, o trânsito, as gaivotas, a uva-passa, a falta de espaço e os encontrões, a chila, as pessoas que dizem bom dia com cara de tacho, blá blá blá. Em suma, toda essa panóplia quase infinita de coisas que nos dedicamos afincadamente a odiar.

Algumas formalidades são aceitáveis, implícitas e necessárias, porque indicam cortesia e boas maneiras; podem até ser consideradas hábitos de boa educação e não formalidades propriamente ditas.
Vem isto a propósito não de situações formais, mas de amigos e relações supostamente informais. É que se eu não gosto de formalidades, muito menos gosto delas quando são adoptadas por amigos. Mas tudo bem, até tento compreender que haja pessoas que sintam necessidade dessas formalidades. O que não compreendo é que exijam que elas sejam retribuídas ou compensadas de qualquer forma (!!). E que esperem que as formalidades condicionem uma relação de amizade. Porque para mim, só lhe vão retirar a espontaneidade e até - em casos mais graves - o significado. É pena. Porque a balança da amizade se equilibra quase sempre sozinha, sem interferências, quando há a tal da espontaneidade e da aceitação dos outros como são. Sem cobranças.

09/05/2006

Das saudades


Quando chegam as semanas académicas, é inevitável pensar nos tempos em que estávamos envolvidos nelas, na faculdade. Não posso dizer que tenha saudades insuportáveis dessa época, e também ainda não passou assim tanto tempo para me darem as saudades a sério, daquelas que só a distância temporal consegue provocar. Para recordação, ficaram conhecimentos mais ou menos sólidos, outros desapareceram quase por completo. Capacidades que adquiri na altura e que entretanto perdi, melhorei ou piorei, com o tempo. Ficaram e vão ficar algumas excelentes amizades, inúmeras pessoas ou caras conhecidas. Há professores que deixam saudades, outros que felizmente nunca mais vi sem pena nenhuma. Muitos papéis, fotografias, objectos, calhamaços e livros mais ou menos úteis, para além de bastantes histórias para contar ou relembrar.

Do que tenho mais saudades hoje em dia é do tempo que tantas vezes parecia nunca mais acabar. Hoje em dia, tenho muito menos vezes essa sensação; claro que quando a tenho, valorizo-a e procuro que perdure, ao contrário do que geralmente acontecia na altura. Também tenho saudades da atitude de despreocupação genuína (não confundir com desleixo), que procuro manter, mas que é sempre tão pressionada e restringida pelos prazos, pelas obrigações, pelo que implicam os incumprimentos destes e o modo como todas estas questões de atitude influenciam a forma como somos vistos pelos outros, algo que no mundo laboral tem relativa importância. Há que ter mais atenção ao equilíbrio das coisas.

Não sei bem qual a conclusão a tirar disto tudo. As saudades são mesmo assim, algo inexplicáveis. Isto já me passa.

Nota: Este é o post número 401! Não que isso queira dizer alguma coisa em especial, mas calhou reparar :)

08/05/2006

Quem conta um conto...

É inevitável que, ao descrevermos o que alguém disse, não consigamos reproduzir exactamente as palavras usadas. Algo que não faz grande diferença se a ideia transmitida for a mesma. Mas daí a pormos palavras na boca dos outros, vai uma grande diferença. Principalmente quando uma das pessoas que está a ouvir a dita descrição ouviu as palavras tal como foram ditas e nota perfeitamente os vários pontos acrescentados.
Boa semana! Com contos, mas sem muitos pontos :)

05/05/2006

Faz tão bem, saber com quem contar!

E eu sei, e ainda bem.

Bom fim-de-semana! :)

1ª Feira de Artesanato Urbano de Massarelos


Recebido por e-mail da Marlene.
E quer-me parecer que é uma óptima sugestão para este fim-de-semana :)

04/05/2006

Grrrr!

Para mim, a tecnologia tem de funcionar. Odeio quando a tecnologia falha, odeio, odeio, odeio. Fico irritada se não consigo resolver, e fico ainda mais irritada quando a resolução não depende de mim, que por acaso virei bombeira de serviço em casa e no escritório. Poucas coisas me tiram tanto do sério como as falhas da tecnologia, portanto. Essencialmente, porque quem irá tentar resolvê-las primeiro terei de ser eu, que no fundo percebo tanto de tecnologia como de tremoço, esse misterioso vegetal que só aparece já processado, salgado e pronto a comer.

O meu choque tecnológico pessoal começou há muito tempo atrás, com os vários problemas que foram surgindo e que eu fui tendo de resolver, melhor ou pior; depois, ganhando a fama de bombeira, é um instantinho até nos pedirem para desmontar motores de avionetas (OK, OK, passando o exagero dramático). Problemas de PCs. Aparelhinhos. Electrodomésticos em geral (exceptuando a máquina de lavar, o meu grande ódio de estimação de todos os tempos).

Tudo isto porque...o meu PC lá de casa avariou em várias frentes. E eu não posso fazer muito mais do que olhar para ele em fúria ou pontapeá-lo vigorosamente e maldizer o dia em que foi idealizado e montado. Ainda bem que os bombeiros a sério resolvem bem melhor os problemas; é que a minha costela de bombeira não chega e não domina a minha crónica falta de paciência.

03/05/2006

Cambada de preguiçosos, pá!

Num prédio de tanto andar, entupir o elevador à hora de ponta (esperando, por vezes, tempos infinitos) só para ir para o primeiro ou segundo andar devia ser proibido. Grunf.

02/05/2006

Cansaços bons

Com o bom tempo, vem a vontade de passear de bicicleta. E agora, graças à minha bicicleta ultra-melhorada para passeios [BUMP] (é o que dá conviver com gurus do ciclismo mundial :), não há desculpas: toca a pedalar como se não houvesse amanhã! É um dos meus vícios favoritos do momento. Daqueles fabulosamente viciantes. Boa semana!

Nota particular: só faltas tu ;) Pormenores a combinar em breve!

28/04/2006

A vida num elevador I

As viagens de elevador relativamente longas que agora tenho de fazer várias vezes por dia têm-me ajudado a construir importantes teorias e a constatar relevantíssimas informações sobre a humanidade.

Hoje, irei tentar efectuar uma análise olfactiva dos vários utilizadores de elevadores.

Olfactivamente falando, entre as várias categorias de pessoas que utilizam o elevador, distinguem-se:

A. Os extremamente perfumados: normalmente, executivos ou profissionais no topo da carreira com péssimo gosto para perfumes, tias muitíssimo bem vestidas que não saem de casa sem litradas e litradas da sua fragrância de eleição ou da moda, pessoas normais cujo olfacto já teve melhores dias, pessoas sem tempo para tomar banho que julgaram inocentemente que se se perfumassem, iriam passar totalmente despercebidas, e ainda pessoas cujo odor natural é intrinsecamente mau e que tentam descaradamente mascarar um mau cheiro com um poderosíssimo perfume. Caso existisse uma escala de crimes cometidos contra o olfacto público, esta categoria posicionar-se-ia no nível superior, podendo nalguns casos atingir o nível tentativa (in)voluntária de golpe de estado perfumado.

B. Os moderados: categoria mais comum na fauna elevatória; acreditam que o perfume é um complemento essencial, mas não tentam provocar o homicídio por via olfactiva dos restantes companheiros de elevador. Mesmo que o resultado odorífico final não seja perfeito, também não incomoda.

C. Os inodoros: pessoas sem cheiro rigorosamente nenhum. Não incomodam, porque não existem olfactivamente para os restantes viajantes. Excelentes companheiros de viagem.

D. Os mal-cheirosos: sem dó nem piedade, os mal-cheirosos voluntários ou involuntários podem arruinar por completo uma viagem. Sovaco, mofo, mau hálito crónico, naftalina, lixívia, peixe, chulé, fritos, álcool, tabaco ou um cocktail mortífero de todos estes ou outros componentes em doses perigosamente letais são alguns dos odores verificados. Na escala de crimes olfactivos, também se posicionam no nível superior, tal como os extremamente perfumados.

O conselho do Errortográfico para quem anda regularmente de elevador: o ar é escasso, pessoal; preservem-no ou usem as escadas! Os narizes alheios deste mundo agradecem :)

Posto isto, bom fim-de-semana!