07/06/2006

Liberta o romeiro estoura-vergas que há em ti!


Pois é, chega a altura das festas das cidades, vilas, aldeias e afins deste Portugal. As vendas de material pirotécnico, açúcar, carvão e óleo para fritar atingem o seu pico máximo, graças ao fogo de artifício, à doçaria tradicional das romarias, às sardinhadas, às farturas! As pessoas, essas tiram dos armários as mais vistosas farpelas romeiras e toca a divagar por essas romarias afora, sedentas de fogacho de artifício, doçaria hiper-calórica, sardinhas, febras, pimentos e ansiosíssimos pela bela da fartura! Há também uma febre de rifas que costuma surgir associada a estas romarias tradicionais, bem como uma estranhíssima vontade de arriscar a vida em perigosos carrosséis cujo nível de segurança anda próximo do nulo. Se associarmos a tudo isto o facto de haver um mundial de futebol e uma onda de calor algo generalizada aqui no cantinho à beira mar plantado, começamos a ter uma ténue ideia do coeficiente de loucura colectiva que anda à solta nas ruas portuguesas: o ambiente propício para o desenvolvimento salutar do romeiro estoura-vergas.

O nível de loucura colectiva pode ser espelhado de forma quase perfeita através do fogo de bonecos. Para quem não conhece, o fogo de bonecos é uma tradição que consiste em colocar bonecos feitos em madeira, metal e papel no cimo de estacas de madeira. Geralmente, os bonecos representam personagens-tipo, profissões ou actividades: noivas e noivos, peixeiros, talhantes, polícias e ladrões, etc. Os bonecos estão equipados com vários efeitos pirotécnicos que, quando são activados, fazem com que os bonecos executem uma acção (por exemplo, os noivos dançam, o polícia bate no ladrão, etc.). Depois da tal acção, os bonecos podem a) rodar ou fazer algo vertiginosamente e a cabeça explodir no final ou b) não fazer mais nada, mas a cabeça explode na mesma no final. Um a um, os vários bonecos vão explodindo ruidosamente. Esta tradição ilustra bem o carácter do romeiro estoura-vergas, que explode nas romarias. Ser um romeiro insuportável e estoura-vergas implica:

1. Cheirar tremendamente a sovaco e/ou álcool e/ou fritos e/ou mau perfume e/ou mofo;
2. Comer como se não houvesse amanhã e desafiando todos os valores ideais para as análises sanguíneas e outras que tais; acompanhar toda e qualquer coisa comestível com bebidas alcoólicas, se possível vinhaça de qualidade duvidosa;
3. Andar pela romaria ignorando deliberada e orgulhosamente todas as regras de convivência sadia (ex. distribuindo encontrões gratuitamente, roçando o algodão doce em todos os casacos ou espirrando por cima da travessa das farturas para esbranquiçar as fatiotas mais próximas, falando o mais alto possível, etc.);
4. Rir desalmadamente sempre que a cabeça dos bonecos explode, no caso do fogo de bonecos, e vibrar loucamente com o fogo de artifício; é a nossa costela pirómana no seu melhor!
5. Assistir a todos os espectáculos musicais, entoando energicamente todas as letras e rodopiando sem prestar atenção a transeuntes inocentes e/ou a outros espectadores;
6. Comprar pelo menos um manjerico gigante, uma pistola barulhenta/telemóvel falso para cada elemento da prole e levar 25 farturas para comer mais tarde;

E aqui está, a lista de requisitos necessários. Se ainda não cumprem todos, tracem o vosso plano de acção para 2006, porque as feiras, festas e romarias andam aí! :)

06/06/2006

Indesculpável

Até que ponto algo pode ser indesculpável? Há coisas que considero indesculpáveis, mas depois há uma série de atenuantes ou coisas que parecem indesculpáveis e que acabamos por desculpar.

Desculpando ou não, tenho a característica de não esquecer. Por mais que até possa querer ou tentar fazê-lo. Não sei se é porque costumo aprender com os erros, não sei se é simplesmente defeito, ou feitio. É que não esquecendo, lembro-me desses acontecimentos/palavras/acções mesmo quando toda a gente - convenientemente ou por acaso - já se tinha esquecido deles.

Bem, tudo isto porque não gosto mesmo nada de esquecimentos. E não me impeço de os relembrar quando isso é necessário. E se isso faz de mim má pessoa, então acho que sou mesmo uma má pessoa com relativa boa memória.

Posto isto, boa semana ;)

02/06/2006

Bom fim-de-semana!















Aproveitem bem!

Tcharã!


E eis que já há lá em casa...uma Bimby! Para quem não conhece, a Bimby é um robô multiusos que faz quase tudo na cozinha; para além de combinar as funções de 10 electrodomésticos, ainda cozinha mesmo. Portanto, ou muito me engano, ou eu e a Bimby vamos ser grandes, grandes amigas.

Mundo culinário, se eu já era uma chef magnífica (cof), tornar-me-ei imparável com a Bimby! Ó ié!

01/06/2006

Verdades inegáveis do meu armário de sapatos

Atacada por uma febre elevadíssima de arrumações - fugaz, mas que deu os seus parcos frutos - ou então por ter aparecido a dona de casa ultra-dedicada que há em mim, de acordo com a magnífica teoria da Rosa, andei encafuada no meu armário de sapatos a tentar organizar esse útil compartimento que é sempre a) pequeno demais para todos os sapatos de que precisamos de ter (não existe o conceito de sapatos a mais para a esmagadora maioria das mulheres, não senhora!) e b) grande demais para lá conseguirmos encontrar qualquer coisa rapidamente.

Ao analisar cuidadosamente o meu espólio sapatal, constatei que os meus sapatos duram muito. Mas mesmo muito. Não porque tenha especial cuidado para não os estragar, mas sim porque...bem, acho que por natureza, não estrago muita coisa. Raramente parto coisas, raramente provoco danos irreparáveis e raramente estrago sapatos ou roupa, com tudo o que de bom e mau esta característica de poupança involuntária tem.

Bem, o resultado da arrumação foi maravilhoso e útil: sapatos divididos por estações e estilos, chinelas com recanto exclusivo, aspecto visual do armário optimizado e organizadíssimo. Pena que só dure até uma daquelas fúrias onde-é-que-estão-aqueles-sapatos-assim-e-assado que me dão frequentemente. Até lá, vou dedicar grande parte do meu tempo livre a observar o armário assim, arrumadinho! São momentos raros que há que aproveitar, aqueles em que estamos orgulhosos de uma arrumação que sabemos que vai ser muuuito passageira :)

31/05/2006

Ler é poder.

Porque amar também é isso: fazer o que se sabe que o outro desejaria, por mais insignificante ou até burlesco que nos pareça. Desistir daquilo em que acreditamos ou prescindir daquilo que somos, mesmo que momentaneamente: e oferecer ao outro um sorriso, ou uma possibilidade de sorriso. Esquecermo-nos: e saborear o sorriso do outro.

Excerto de # 18: Um relógio a tiquetaquear, um conto de que gostei particularmente e que me diz muito, retirado descaradamente daqui do blog de Paulo Kellerman, vencedor do Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2005.

Um autor a descobrir através do livro de contos “Gastar Palavras”, a minha aquisição mais recente na Feira do Livro do Porto e que espero poder conhecer pessoalmente na Sexta-feira, aqui no Porto. Pelo que li até agora, recomendo!

30/05/2006

Dos elogios



Todos gostamos de ser elogiados, seja pelo que for e por mais que não o admitamos. Nada melhor que um elogio – sincero, não gratuito! – para nos alimentar o ego e a auto-estima, os níveis de confiança ou simplesmente para nos ficarmos a sentir (ainda que ligeiramente) melhor connosco próprios e com os nossos actos.

No entanto, verificam-se as reacções mais díspares nas pessoas que ouvem elogios: algumas negam educadamente que o elogio seja merecido, outras ficam envergonhadas e cor de tomate e sem palavras; algumas sentem-se lisonjeadas e agradecem, outras aceitam com relutância e agradecem na mesma. Algumas pessoas recusam veementemente os elogios e até os refutam; pessoas há que parecem ficar ofendidas com os elogios, como se eles fossem um atentado ao real valor de alguém. Outras, pelo contrário, ficam excessivamente confiantes e interpretam os elogios como uma subida a um pedestal do qual parecem pensar que nunca vão descer. Sim, é incrível como a forma como as pessoas ouvem e aceitam (ou não) os elogios diz muito do seu carácter!

Os elogios podem ser perigosos se a pessoa visada os tomar como garantidos. E também não devemos trabalhar ou agir para ouvir elogios; para nós, deve ser suficiente cumprirmos os nossos deveres ou fazermos as coisas tal como achamos que devem ser feitas em consciência.

Não defendo que façamos todos elogios a torto e a direito. Mas acho que um elogio merecido nunca deve ser calado (acho que já deixei de dizer alguns e depois fico sempre a achar que os devia ter dito). Nem recusado assim sem mais nem menos. Portanto, elogiem e deixem-se elogiar na conta certa :)

29/05/2006

Dias de calor: este e o outro

Este escritório não tem ar condicionado. O outro tinha.

Mas neste escritório, tenho a minha própria ventoinha vintage: uma Shern Fehng Super Deluxe com duas velocidades, linda e charmosa como só uma ventoinha vintage pode ser!

Ou seja, no outro escritório estava mais fresco, mas eu nunca pareceria a Grace Kelly*, de melena esplendorosa a esvoaçar ao vento refrescante, espalhando o meu charme e carisma intrínsecos pela área envolvente. Só me falta mesmo uma écharpe esvoaçante! ;)


**

Não liguem, isto já passa. O calor tem destas coisas. Boa semana!

*E a Grace Kelly foi seguramente a minha primeira - e talvez única - ídola actriz de criança, até hoje.
Mas isso já são pormenores.
** Imagem
daqui.

26/05/2006

Ai, o calor, o calor...

A percentagem de conversas que temos e que envolvem o tempo é gigantesca, esmagadora, cruel, abismal, avassaladora e até assustadora.

E hoje é um daqueles dias em que o tempo dificulta arranjar outros temas que não...ele próprio.

Ou seja, temos um típico caso daquele inútil post sobre o tempo que serve também para vos desejar um óptimo fim-de-semana :)

25/05/2006

Liberta o betucho irritante que há em ti!*

Jovem, se não tens muito que fazer e queres impressionar ou horrorizar os teus pares, aproveita para dedicar o teu tempo a cumprir os requisitos desta lista! O betucho irritante que há em ti irá impôr-se avassaladoramente perante o restante mundo e subjugar os tiranos possidónios! O povão prostrar-se-á a teus pés e adorar-te-é, enlevado com tanta risca e caturreira! Inicia, pois, a tua tarefa hercúlea e mostra ao mundo que há sempre algo infinitamente melhor que o resto: tu próprio!

1. Cabelo
Deixa crescer o cabelo até um comprimento de nível irritante para o pescoço. Presta especial atenção à zona da pála frontal, uma melena de cabelo que deverá tombar despreocupadamente sobre o rosto, servindo de escudo contra o ar dos possidónios e permitindo interessantes trejeitos faciais horrores de chiques.


2. Visual
A roupa deverá ser inteiramente composta por tons caqui, bege (sim, são montes de diferentes), amarelos pálidos ou tonalidades pastel e padrões marinhos/vermelhos às riscas. Admitem-se algumas excepções, mas regra geral há que usar no mínimo uma peça caqui e um padrão às riscas, sob pena de o coeficiente de betuchice diminuir drasticamente. Muita atenção ao calçado, que pode deitar tudo a perder: nada de usar o belo do chanato! Algo também muito importante é o tom de pele, que deve ser o mais bronzeado possível, custe o que custar.

3. Fala
Usa os termos e expressões fantástico, imenso, horrores, fabuloso, delicioso, sei lá, montes de, ouça lá como se não houvesse amanhã. Exemplos de frases: Hoje estou montes de fantástico porque está imenso calor, sei lá! A pronúncia correcta deve ser treinada nos locais adequados, tais como cabeleireiros VIP, spas da socialite ou bares da moda. Toda a gente deve ser tratada por você, inclusive eventuais animais. O tom arrogante e superior é indispensável ao verdadeiro betucho irritante.

4. Acessórios
Óculos de sol da moda e de marca ultra-cara, telemóvel topo de gama a trocar mensalmente, bólide invejável, cão de raça que se tem só porque é bem. Todos estes acessórios, não sendo obrigatórios, são importantes mais-valias.

Quanto ao resto, é uma questão de tempo, pois a betuchice é altamente contagiosa quando se começa a frequentar os meandros - embora o verdadeiro betucho, aquele mesmo irritante, não precise propriamente de dicas (e muito menos as viria procurar a este blog) e já ande por aí, solto a libertar o seu infindável charme.

*Sendo que ser betucho, na realidade, é um estado de espírito e não uma questão puramente visual.
E sim, alguns são realmente irritantes.

24/05/2006

Do ensino


Nunca senti especial vocação para o ensino nem nunca pensei segui-lo. Durante o curso - cujas supostas saídas estão relacionadas principalmente com o ensino - muitas vezes tive de explicar que não, que não iria seguir a área de ensino (claro que quando dizia qual a área a que me iria tentar dedicar, vinha imediatamente um isso dá para quê? com o ar profundamente escandalizado de quem nunca ouviu falar nessa profissão, mas isso são outras histórias).
Isto a propósito de que actualmente, tenho de ensinar alguém a fazer um trabalho semelhante ao meu. Tenho concluído que a) até tenho paciência (a pessoa em questão ajuda, porque aprende rapidamente), b) era quase impossível ensinar sem alguma experiência (é engraçado constatar como os problemas que vamos ultrapassando são óptimos professores!) e c) aprende-se muito, muito e muito.
Curioso e muito valioso, isto de se aprender mesmo a ensinar. Se já sempre admirei os verdadeiros professores, aqueles que o são por vocação, que conseguem realmente fazer da aprendizagem um enriquecimento e um intercâmbio de experiências, que conseguem aprender com a aprendizagem, com as questões e as dúvidas dos alunos, agora ainda os admiro mais. É uma arte, esta de equilibrar as balanças do ensino e da aprendizagem.

23/05/2006

Fengshuização

Admiro quem tem paciência e vontade para aplicar as regras do Feng Shui (ler fón suei, de acordo com a minha professora de Mandarim) aos ambientes em que tem de passar grande parte do seu tempo. Gosto de ler dicas de Feng Shui (ver um exemplo aqui), mas sou obrigada a constatar o quão difícil seria aplicá-las lá a casa ou ao escritório, à excepção de pequenos pormenores que posso ir tentando alterar ou implantar: eliminar flores secas e ter muitas flores verdadeiras em vaso (de preferência, vermelhas), aumentar o número de plantas (idealmente, com folhas redondas) e cactos (significam resistência), manter vassouras guardadas e longe da vista (e de preferência, de pernas para o ar, pasme-se), manter a despensa abastecida (sim, o elevado número de pacotes de bolachas e snacks é aceitável perante o Feng Shui, pessoal!), preservar a organização e eliminar as coisas desnecessárias (cof cof, vou ter de trabalhar esta parte), etc. Entretanto, acabei por descobrir também que trabalhar perto de uma grande fonte e não ter outro remédio senão ouvi-la tem as suas vantagens: o som da água é calmante e extremamente benéfico!
O único problema é que acabo por constatar também que a energia da maior parte dos sítios aonde estou não está a fluir correctamente; portanto, descobri também a vertente mais imediata e útil do FS: poderei passar a utilizá-lo como desculpa para explicar qualquer problema. Ah pois. Eu sabia que me devia dedicar ao Feng Shui ;)

22/05/2006

Pensar em números ou o mistério do livro desaparecido

Ao contrário do habitual, esta semana começa calma, mas cheia de contas, percentagens e cálculos decisivos. O que me relembra o quanto prefiro deixar essas coisas para quem delas sabe e gosta.

Quando andava na escola primária, tinha um livro de exercícios de matemática para fazer em casa - arranjado pela minha mãe e não pela professora - que odiava, porque o achava demasiado difícil. Um belo dia, tive uma ideia brilhante, luminosa e genial: esconder esse livro algures no meio dos brinquedos; tão bem escondido, mas tão bem encafuado que nunca mais eu nem ninguém o encontrou...claro que foi prontamente substituído por outro livro de exercícios, de que eu já gostava mais.


Vem isto a propósito de que sempre desisti facilmente dos números, quando era mais pequena. Irritavam-me, fugiam-me e eu fugia-lhes por tabela. Agora tenho mesmo de os enfrentar, quando é preciso. Não tenho tanto receio deles...mas continuo a preferir as palavras.

Boa semana :)

19/05/2006

Do trabalho

Gosto do que faço e felizmente, tenho um emprego de que gosto. Não é perfeito, às vezes detesto-o, protesto, queria mudar tanta coisa ou tudo e só queria não ter muito menos ou nada para fazer, mas lá no fundo é óbvio que não me agradaria não ter trabalho e tudo o que isso implicaria a muitos níveis.

No entanto, não consigo viver para o trabalho, seja isso um defeito ou simplesmente feitio ou escolha de vida, como acho que é. Podia aceitar mais trabalhos do que os que já faço no escritório, ganhando, como consequência, bastante mais dinheiro. Podia trabalhar mais horas para cair nas boas graças dos empregadores e provavelmente, ganhar igualmente mais dinheiro. Podia, podia, podia.

Podia, claro. Mas onde é que eu ficava no meio disso tudo? Onde é que as outras pessoas de quem gosto ficavam? Onde ficavam as outras actividades de aprendizagem ou lazer, os tempos mortos...aonde iria parar a sanidade, o descanso mental? Não acho que se possam pôr essas coisas em modo de pausa. Ah, invisto muito no trabalho agora e *mais tarde* gozo...sejamos realistas: isso muito provavelmente, não irá acontecer. Porque quando existirem os tais momentos mortos ou de lazer, já não sabemos estar sem ser...a trabalhar. Ou já perdemos o contacto com tantas pessoas com as quais era tão importante ter mantido o contacto. Ou já dá demasiado trabalho...não fazer nada.

Por mais importância que o trabalho e actividades relacionadas tenham na minha vida, espero nunca as deixar ter mais importância do que eu própria e do que as pessoas de quem gosto. Não quero chegar a mais tarde e ver que quase tudo me passou ao lado por minha própria culpa. Porque garantido, só temos o agora. E não é por isto ser um cliché que deixa de ser verdade.

Com mais ou menos trabalho, bom fim-de-semana a todos! :)

18/05/2006

Das músicas e das memórias


Ah, vem depressa
Chorinho querido, vem
Mostrar a graça
Que o choro sentido tem
Quanto tempo passou
Quanta coisa mudou
Já ninguém chora mais por ninguém*

Casa de uma das minhas avós, ao colo da minha tia-avó. Quando começava a telenovela, parava tudo. Obrigava avó e tia a cantarem a música comigo, alto e a bom som. A música era esta, de Nara Leão.

Sempre associei e ainda associo muito as músicas a momentos, estados de alma, pessoas. Esta é uma das músicas da minha infância, de que ainda hoje gosto muito. Daquelas músicas que lavam a alma. E agora posso ouvi-la sempre que quiser :)
*Excerto da letra de Odeon, de Nara Leão.

Imaginarius!


Que é apenas um dos maiores festivais de teatro de rua nacionais.
A não perder, de hoje até Sábado em Santa Maria da Feira. Mais informações aqui.

17/05/2006

O costume que já não é costume

Ainda não vos tinha contado que o senhor que me costuma atender no meu novo café habitual tem cerca de quarenta anos, cabelo branco, ar bonacheirão e sorriso fácil.

E já vos tinha contado que não desgosto da preguiça que o "costume" permite.

Ora este senhor já sabe o que eu costumo tomar de manhã. Podia perguntar simplesmente se era o costume. Mas não. A expressão varia entre o mesmo, o habitual, o de sempre, o de todos os dias, entre outras variações que ele parece ir arranjando com a maior das facilidades, todos os dias. E realmente, porquê utilizar sempre as mesmas palavras quando temos tantas à disposição...

Vem isto a propósito de que ultimamente, ando a dedicar-me a tentar descobrir o nome do senhor sem lho perguntar directamente. Mas está difícil! Alguém conhece um senhor parecido e/ou tem sugestões? :)

16/05/2006

E mesmo quando...

...tinha acabado um dos projectos mais secantes de toda a minha [relativamente curta] vida laboral, resolvem mudar uma instrução uma hora depois de o entregar. Algo que vai implicar...ler tudo outra vez e corrigir inúmeras coisas.

Inspira, Izzoldinha, inspira que bem precisas de ar.

Não estou nada chateada, não. Claro que não. Esta foi só uma daquelas coisinhas insignificantes que estragam um dia inteiro. Agora se me dão licença, vou ler e corrigir milhares e milhares de palavras - outra vez - e depois vou só ali desancar um boneco vudu com um possante bastão desportivo. Acho que isso deve chegar. Isto já passa, isto já passa.

15/05/2006

Post decente temporariamente indisponível

Vou só ali começar mais uma semana cheia de trabalho depois de um fim-de-semana igualmente trabalhoso e já volto. Grunf. Que saudades de escrever muito menos em trabalho...

Boa semana!

12/05/2006

Ufa...

Que semana! Obviamente, parecia que nunca mais acabava, como todas as semanas laboriosas. Para piorar as coisas, o FDS que se avizinha não será totalmente isento de trabalho. Com algumas compensações para animar, é certo, nem tudo será mau e ainda bem :)

Bom fim-de-semana!

11/05/2006

Até a música acabaaaar...

Algures numa queima das fitas aqui perto, é difícil que a música acabe. Isto porque agora cada barraquinha está apetrechada com o seu próprio sistema sonoro mais ou menos roufenho a debitar música de melhor ou pior qualidade - não interessa. Interessa, sim, que se sobreponha à das outras barracas e que chame gente. Que haja música, sempre, eu gosto. Mas era mesmo preciso que tudo tivesse música ao mesmo tempo, cada barraquinha a procurar sobrepor as suas escolhas às das barraquinhas do lado? As pessoas andam ali no meio, a fugir como podem à luta dos decibéis. Resultado: décibeis vencem por KO. Pessoal responsável, música alta sim, mas era interessante conseguir trocar impressões e até ouvir-me ligeiramente a mim própria para não julgar estar a perder a sanidade e a audição, sim? Muito agradecida.

10/05/2006

Das formalidades

Há poucas coisas que odeio mais neste mundo do que as formalidades desnecessárias. Como poderão também já ter reparado anteriormente, odeio também os maus cheiros, a areia nos sapatos e o ruído de sacos plásticos, as pessoas cronicamente mal-dispostas, as falhas da tecnologia, os ruídos incomodativos, o trânsito, as gaivotas, a uva-passa, a falta de espaço e os encontrões, a chila, as pessoas que dizem bom dia com cara de tacho, blá blá blá. Em suma, toda essa panóplia quase infinita de coisas que nos dedicamos afincadamente a odiar.

Algumas formalidades são aceitáveis, implícitas e necessárias, porque indicam cortesia e boas maneiras; podem até ser consideradas hábitos de boa educação e não formalidades propriamente ditas.
Vem isto a propósito não de situações formais, mas de amigos e relações supostamente informais. É que se eu não gosto de formalidades, muito menos gosto delas quando são adoptadas por amigos. Mas tudo bem, até tento compreender que haja pessoas que sintam necessidade dessas formalidades. O que não compreendo é que exijam que elas sejam retribuídas ou compensadas de qualquer forma (!!). E que esperem que as formalidades condicionem uma relação de amizade. Porque para mim, só lhe vão retirar a espontaneidade e até - em casos mais graves - o significado. É pena. Porque a balança da amizade se equilibra quase sempre sozinha, sem interferências, quando há a tal da espontaneidade e da aceitação dos outros como são. Sem cobranças.

09/05/2006

Das saudades


Quando chegam as semanas académicas, é inevitável pensar nos tempos em que estávamos envolvidos nelas, na faculdade. Não posso dizer que tenha saudades insuportáveis dessa época, e também ainda não passou assim tanto tempo para me darem as saudades a sério, daquelas que só a distância temporal consegue provocar. Para recordação, ficaram conhecimentos mais ou menos sólidos, outros desapareceram quase por completo. Capacidades que adquiri na altura e que entretanto perdi, melhorei ou piorei, com o tempo. Ficaram e vão ficar algumas excelentes amizades, inúmeras pessoas ou caras conhecidas. Há professores que deixam saudades, outros que felizmente nunca mais vi sem pena nenhuma. Muitos papéis, fotografias, objectos, calhamaços e livros mais ou menos úteis, para além de bastantes histórias para contar ou relembrar.

Do que tenho mais saudades hoje em dia é do tempo que tantas vezes parecia nunca mais acabar. Hoje em dia, tenho muito menos vezes essa sensação; claro que quando a tenho, valorizo-a e procuro que perdure, ao contrário do que geralmente acontecia na altura. Também tenho saudades da atitude de despreocupação genuína (não confundir com desleixo), que procuro manter, mas que é sempre tão pressionada e restringida pelos prazos, pelas obrigações, pelo que implicam os incumprimentos destes e o modo como todas estas questões de atitude influenciam a forma como somos vistos pelos outros, algo que no mundo laboral tem relativa importância. Há que ter mais atenção ao equilíbrio das coisas.

Não sei bem qual a conclusão a tirar disto tudo. As saudades são mesmo assim, algo inexplicáveis. Isto já me passa.

Nota: Este é o post número 401! Não que isso queira dizer alguma coisa em especial, mas calhou reparar :)

08/05/2006

Quem conta um conto...

É inevitável que, ao descrevermos o que alguém disse, não consigamos reproduzir exactamente as palavras usadas. Algo que não faz grande diferença se a ideia transmitida for a mesma. Mas daí a pormos palavras na boca dos outros, vai uma grande diferença. Principalmente quando uma das pessoas que está a ouvir a dita descrição ouviu as palavras tal como foram ditas e nota perfeitamente os vários pontos acrescentados.
Boa semana! Com contos, mas sem muitos pontos :)

05/05/2006

Faz tão bem, saber com quem contar!

E eu sei, e ainda bem.

Bom fim-de-semana! :)

1ª Feira de Artesanato Urbano de Massarelos


Recebido por e-mail da Marlene.
E quer-me parecer que é uma óptima sugestão para este fim-de-semana :)

04/05/2006

Grrrr!

Para mim, a tecnologia tem de funcionar. Odeio quando a tecnologia falha, odeio, odeio, odeio. Fico irritada se não consigo resolver, e fico ainda mais irritada quando a resolução não depende de mim, que por acaso virei bombeira de serviço em casa e no escritório. Poucas coisas me tiram tanto do sério como as falhas da tecnologia, portanto. Essencialmente, porque quem irá tentar resolvê-las primeiro terei de ser eu, que no fundo percebo tanto de tecnologia como de tremoço, esse misterioso vegetal que só aparece já processado, salgado e pronto a comer.

O meu choque tecnológico pessoal começou há muito tempo atrás, com os vários problemas que foram surgindo e que eu fui tendo de resolver, melhor ou pior; depois, ganhando a fama de bombeira, é um instantinho até nos pedirem para desmontar motores de avionetas (OK, OK, passando o exagero dramático). Problemas de PCs. Aparelhinhos. Electrodomésticos em geral (exceptuando a máquina de lavar, o meu grande ódio de estimação de todos os tempos).

Tudo isto porque...o meu PC lá de casa avariou em várias frentes. E eu não posso fazer muito mais do que olhar para ele em fúria ou pontapeá-lo vigorosamente e maldizer o dia em que foi idealizado e montado. Ainda bem que os bombeiros a sério resolvem bem melhor os problemas; é que a minha costela de bombeira não chega e não domina a minha crónica falta de paciência.

03/05/2006

Cambada de preguiçosos, pá!

Num prédio de tanto andar, entupir o elevador à hora de ponta (esperando, por vezes, tempos infinitos) só para ir para o primeiro ou segundo andar devia ser proibido. Grunf.

02/05/2006

Cansaços bons

Com o bom tempo, vem a vontade de passear de bicicleta. E agora, graças à minha bicicleta ultra-melhorada para passeios [BUMP] (é o que dá conviver com gurus do ciclismo mundial :), não há desculpas: toca a pedalar como se não houvesse amanhã! É um dos meus vícios favoritos do momento. Daqueles fabulosamente viciantes. Boa semana!

Nota particular: só faltas tu ;) Pormenores a combinar em breve!

28/04/2006

A vida num elevador I

As viagens de elevador relativamente longas que agora tenho de fazer várias vezes por dia têm-me ajudado a construir importantes teorias e a constatar relevantíssimas informações sobre a humanidade.

Hoje, irei tentar efectuar uma análise olfactiva dos vários utilizadores de elevadores.

Olfactivamente falando, entre as várias categorias de pessoas que utilizam o elevador, distinguem-se:

A. Os extremamente perfumados: normalmente, executivos ou profissionais no topo da carreira com péssimo gosto para perfumes, tias muitíssimo bem vestidas que não saem de casa sem litradas e litradas da sua fragrância de eleição ou da moda, pessoas normais cujo olfacto já teve melhores dias, pessoas sem tempo para tomar banho que julgaram inocentemente que se se perfumassem, iriam passar totalmente despercebidas, e ainda pessoas cujo odor natural é intrinsecamente mau e que tentam descaradamente mascarar um mau cheiro com um poderosíssimo perfume. Caso existisse uma escala de crimes cometidos contra o olfacto público, esta categoria posicionar-se-ia no nível superior, podendo nalguns casos atingir o nível tentativa (in)voluntária de golpe de estado perfumado.

B. Os moderados: categoria mais comum na fauna elevatória; acreditam que o perfume é um complemento essencial, mas não tentam provocar o homicídio por via olfactiva dos restantes companheiros de elevador. Mesmo que o resultado odorífico final não seja perfeito, também não incomoda.

C. Os inodoros: pessoas sem cheiro rigorosamente nenhum. Não incomodam, porque não existem olfactivamente para os restantes viajantes. Excelentes companheiros de viagem.

D. Os mal-cheirosos: sem dó nem piedade, os mal-cheirosos voluntários ou involuntários podem arruinar por completo uma viagem. Sovaco, mofo, mau hálito crónico, naftalina, lixívia, peixe, chulé, fritos, álcool, tabaco ou um cocktail mortífero de todos estes ou outros componentes em doses perigosamente letais são alguns dos odores verificados. Na escala de crimes olfactivos, também se posicionam no nível superior, tal como os extremamente perfumados.

O conselho do Errortográfico para quem anda regularmente de elevador: o ar é escasso, pessoal; preservem-no ou usem as escadas! Os narizes alheios deste mundo agradecem :)

Posto isto, bom fim-de-semana!

27/04/2006

Porquê, oh porquê


Já não bastavam os diversos documentos relativamente obrigatórios, ainda temos de andar com o cartão da parafarmácia, o cartão do cinema, o cartão jovem da cidade, os cartões dos bares e cafés, os inúmeros cartões de restaurantes, os cartões de fidelidade das lojas, o cartão do supermercado ou dos vários supermercados, o cartão do clube de vídeo, o cartão da piscina, os cartões de débito e crédito e bancários em geral, os vários cartões que servem de bilhete de transporte, os dos clubes de tudo e mais alguma coisa, cartões, cartões e mais cartões. E mesmo quando pensamos que não pode haver mais cartões, impingem-nos mais um ou dois, vai levar este cartãozinho de fidelidade que dá descontos e pontos e quando atingir 501 milhões de pontos ganha um magnífico espelho de bolso.

Quando era pequena, lembro-me de procurar coisas para guardar na carteira de documentos porque ela tinha tudo menos documentos; então, juntava recortes, fotografias, etiquetas de roupa, interessantes talões que me viessem parar à mão. Agora, estou sempre à procura de coisas que possa filtrar e eliminar e mesmo assim, a minha carteira de documentos parece sempre uma lixeira, concorrendo directamente com o papelão mais disputado da cidade e batendo-o...aos pontos.

Mas porque é que depois acontece sempre precisar tanto daquele cartão ou daquele papel e não o tenho comigo? O papel é maquiavélico e faz-se precisar nas piores alturas. Grunf.

Dos cinzentos

Os dias são mais cinzentos vistos daqui desta janela. Mas só porque vejo muito mais céu :)

26/04/2006

"Soube pelo teu blog..."

Pronto, é oficial: esta frase conseguiu finalmente alcançar o top oficial das frases que mais odeio (segundo lugar, ex-aequo com a pergunta "o que é que tu comes?!"; do primeiro lugar, falar-se-á brevemente).

Ora obviamente, eu não me importo que as pessoas saibam as coisas pelo meu blog; caso contrário - extra, extra, revelação das revelações! - não as diria. Mas daí a que as pessoas *só* vão sabendo das coisas pelo meu blog, vai uma grande distância. Isto é algo que se torna particularmente desconcertante se eu não posso fazer o mesmo pelos blogs delas (porque não têm, pois) e fico tempos infinitos sem novidades, sem um olázinho, sem o que quer que seja de mais personalizado que envolva comida, cafés ou encontros-sem-motivo-nenhum-igualmente-bons-ou-melhores em geral. Reciprocidade, em suma.

Pronto, hoje apeteceu-me dizer isto, por nenhum motivo em especial e todos em particular.
A escrita não é tudo. Ainda há palavras faladas insubstituíveis, e ainda bem.

21/04/2006

Chuva, chuva, chuva...


...a anunciar um fim-de-semana prolongado de descanso, livros e muito, muito passeio algures nas ruas desta fotografia (daqui), e que culmina nas comemorações da liberdade.

Ou de como depois das mudanças, vem a bonança.

Bom fim-de-semana para todos! O Errortográfico volta em breve :)

20/04/2006

Dos sorrisos

Estar num edifício de escritórios de dimensões consideráveis tem destas vantagens: há uma jovem muito sorridente (brasileira) que à hora dos lanches passa com um carrinho carregado de artigos para o lanche, tipo aqueles de avião, e bate a todas as portas para ver se alguém quer alguma coisa. E a moça é tão sorridente e simpática que até me sinto na obrigação de querer algo do carrinho.

Vem isto a propósito do sorriso, e de como pode fazer tanta diferença. A diferença de fazer sorrir os outros, por exemplo; e tantas, tantas vezes, isso é mais do que suficiente para estarmos bem connosco próprios.

19/04/2006

Primeiras impressões

É inevitável: todos formamos uma primeira impressão quando conhecemos uma pessoa. Depois, podemos moldá-la ligeiramente, alterá-la radicalmente ou mantê-la à medida que a conhecemos melhor. Na teoria, claro está.

No meu caso, e com a esmagadora maioria das pessoas que conheço, a primeira impressão adequou-se muito bem ao conhecimento posterior. Há empatias que se vincaram ainda mais, simpatias inexplicáveis que deram em grandes amizades, relações que nunca chegaram a ter importância nenhuma por meros acasos, mas que são de afinidade, e por aí adiante com primeiras impressões positivas. No reverso da medalha, antipatias que se acentuaram ou incompatibilidades que se revelaram intransponíveis; desconfianças ou faltas de afinidade que se confirmaram totalmente, mesmo quando no início pareciam algo infundadas.

Destas primeiras impressões negativas, não gosto. Muito porque geralmente, tenho tendência para acertar. Não gosto e procuro sempre não condicionar os relacionamentos com base nestas primeiras impressões; mas isso torna-se mais difícil quando mais uma, que começou por nada, se confirma e volta a confirmar sem que eu sequer interfira. O tempo encarrega-se de nos mostrar que estamos certos ou errados. E às vezes, gostava de não acertar; principalmente quando acertar implica assistir à tristeza de terceiros.

18/04/2006

Novas paragens, novos hábitos



Pouco a pouco, as mudanças começam a acabar. Há que escolher novos sítios para as coisas, reordenar novamente a papelada. Ganhar novos hábitos, horários e ritmos totalmente novos: viagens a pé, sem rádio e sem trânsito, longas e silenciosas viagens de elevador (felizmente não tenho medo), vistas muito diferentes olhadas de muito mais alto - metade céu, metade paisagem urbana. Está quase, quase a ser mesmo o meu novo local de trabalho. Por enquanto, estou algures num lugar intermédio, a tentar a adaptação. Não vai ser difícil, porque estou a gostar :) A vida normal segue dentro de momentos!

17/04/2006

E ainda...

Cansamo-nos de bater às portas quando as respostas começam a ser sempre as mesmas.

Itinerários

Amores perfeitos em cidades próximas...
*

...tangos de Walter Hidalgo e companhia, para aquecer a alma...
*

...em mesas e cadeiras vividas que agora estão aqui.
*

Filmes.


Ou matéria-prima do meu fim-de-semana prolongado.

Boa semana :)

*Fotos minhas.

13/04/2006

Do contra?


Heresia, horror, drama absoluto: gosto mesmo muito pouco de amêndoa.
Só muito bem disfarçada ou...se não souber nada a amêndoa. Por isso, vou ter de me vingar nos ovinhos e chocolates de todos os formatos, agora nesta altura - lá terá de ser.

Bom fim-de-semana prolongado e boa Páscoa para todos!

Eu volto logo que possível* :) Até muito breve!

*Sim, finalmente, este é o último post escrito aqui! Quem tem acompanhado a "saga" sabe do que falo ;)

Dos medos e dos pânicos*

Tenho alguns. Embora ache que nenhum dos meus medos se aproxime exactamente do pânico. Ou pelo menos, até ver.

Da morte...
Com certeza, o medo mais generalizado, mas não por isso menos acentuado. Penso que é dos meus únicos que poderá atingir o pânico, caso seja confrontada com ele. Confesso que evito pensar demasiado no assunto. Mas a morte, principalmente das pessoas de quem gosto, assusta-me e muito.

De ferimentos em geral...
Algo inconscientemente, tenho sempre bastante cuidado para não me magoar. Obviamente magoo-me, de vez em quando, mas faço tudo para o evitar e fico muito desconfortável em todas as situações de risco; principalmente, as que envolvam escaladas ou saltos em rochas/montanhas. Gosto mesmo de saber aonde ponho os pés.

De ter medo e ficar sem reacção...
Isso mesmo. Por isso, obrigo-me a reagir a alguns dos meus pânicos mais ligeiros: bichos rastejantes, abelhas (estas com alguma dificuldade), determinadas situações em público. Que remédio. Mas só porque tem de ser.

*Pedido expresso da minha querida Folhinha. Quem quiser continuar a corrente, faça favor :)

12/04/2006

Ufa

Deve ter sido o pensamento do meu carro quando hoje lhe tiraram todo o peso de cima, de baixo, do interior - traduzido em sujidade e afins. Porque há certas coisas que consigo adiar durante períodos de tempo impensáveis para a restante humanidade: as lavagens automobilísticas. E algumas limpezas gerais...

O belo bólide branco voltou a ser o que era. [Branco!]

Um dia e meio

Para que o costume deixe de fazer sentido. Vou ganhar outros costumes noutros locais.

Papelada filtrada e reciclada; PC organizado e limpo; tarecos no saco com bonecos.

As saudades, vão ser poucas ou nenhumas.
Este capítulo só foi marcante porque foi...o primeiro. Porque abriu caminho para outros.

Amanhã, ponto final, parágrafo. Novo capítulo.

11/04/2006

Nota pessoal

Não acumular papelada, não acumular, não acumular papelada, não acumular papelada, não acumular papelada, não acumular papelada, não acumular papelada, não acumular papelada.

Ou de como arrumar papéis é uma das tarefas mais morosas, secantes e aborrecidas. Das que menos gosto.

Agora se me desculpam, vou só ali filtrar mais uma resma de 1,8 metros de altura.
A vida para além do papel segue dentro de momentos.

10/04/2006

Das coisas detestáveis

Na minha mais recente ida ao teatro, quando a peça acabou e porque era uma estreia, houve beberete (pelo menos para quem gostava dos produtos disponibilizados; a saber, água e vinho de qualidade extremamente duvidosa, vulgo carrascão do pior) e comes ligeiros para a ocasião (o belo do rissol e salgados afins, miniaturas de bolos).

Entre estes comes, estavam uns bolinhos que até não tinham mau aspecto, revestidos por uma camada de chocolate rígido e por aquelas coisas coloridas que se usam para enfeitar bolos. Várias pessoas optavam por esse mini-bolo, porque era realmente dos que tinham melhor aspecto. Até aqui, tudo bem.

O problema era a fase seguinte. É que as reacções que se seguiam à degustação oscilavam entre o horror total e absoluto, o pânico, o sofrimento atroz, o espanto e consequente terror e, na esmagadora maioria dos casos, culminavam no nojo. Alguns optavam por comer e calar, outros não aguentavam e cuspiam discretamente o restante bolinho para o guardanapo mais próximo.

Agora pergunto-vos eu, o que acham que seria o recheio desses mini-bolos?

Tão somente uma das coisas mais horrorosas que já tive oportunidade de provar. Uma vez na vida, UMA vez foi suficiente para chegar à rápida conclusão de que não suporto nada que saiba a isso, para passar a evitar todo e qualquer contacto com essa coisa. Até ao dia do tal beberete, em que não fui a tempo. Comi, calei, avisei quem conhecia e assisti à curiosa reacção de desespero dos que foram apanhados de surpresa. Não estou sozinha, concluí. Quase ninguém gosta da tal coisa.

E essa coisa, essa espécie de fruto e sabor a que me refiro, um dos mais odiosos que já tive oportunidade de degustar...é nada mais, nada menos do que a chila.

Lição aprendida, mais uma vez: desconfiar das aparências.
Mesmo quando a envolvência é achocolatada, o resultado pode ser catastrófico.

07/04/2006

O nosso amor é veeeeeerde!*


Aos poucos, regressa a calmaria. Muito menos palavras para ler, assimilar e escrever.

Devo-me horas de sono, de descanso, horas de leituras em dia e comentários (os blogs, sempre os blogs ;). Refeições mais decentes e feitas com tempo. Conversas.

Nestas alturas mais exigentes física e mentalmente, admiro-me com a resistência que conseguimos ter. Tenho um certo receio do que esta (aparente?) resistência me pode reservar no futuro. Mas agora assim de repente, prefiro pensar que consigo equilibrar as coisas e ir recarregando as pilhas. E para isso, nada melhor que um fim-de-semana.

Um bom, para todos :)


*Música de Natália de Andrade, parte da banda sonora da peça de ontem; se não conhecem, estão em boa altura de procurar conhecer ;) Quanto à peça em si, recomendo!

06/04/2006

Côiza rára

*
I pôucu vishta, pêla cegun davêsh na sua isistenssia (ou aprossimadamente iço), u êrrortographicu xtá xeio de êrrus, muinto pur causa da atúal cuase tutal i açumi dafal tadeten pu da prinssipál i uniqa pustadora. Há é verdadd ôje arrangei tem-pu i vou ao tiatru aqui vêru Morgado de Fáfem Lisboua*. Até brevv e não deiam muintos errush qe êu tãobem me vôu ishfurssar! ;)

05/04/2006

Semáforo vermelho


09.2005

Há momentos assim, em que temos menos tempo para o que queremos realmente fazer por termos de gastar mais tempo com o que temos de fazer.


Apesar disso, um olá tardio e muito cansado, mas feliz :)
Hoje em especial, muito por causa da felicidade dos outros.

Porque é bom ver que quem merece, mais cedo ou mais tarde é recompensado*.
E eu, recompensada por contágio!


E os semáforos vermelhos...mudam depressa.

*Uns parabéns muito, muito especiais a quem de direito.
Porque fico contente com a felicidade deles ;)

04/04/2006

Dos conselhos

Eu gosto de conselhos. Gosto de os ouvir e de confrontar quem os dá, de contra-argumentar e convencer ou de ceder perante os argumentos. Valorizo os conselhos. Principalmente, se vêm de quem nos quer bem, de quem tem mais experiência ou os dá desinteressadamente e com boa vontade; às vezes, o mero senso comum pode ser bom conselheiro.

Posto isto, custa-me ver alguém ignorar - deliberadamente - outros conselhos e outros pontos de vista. Ignorar as chamadas de atenção. Ignorar o senso comum. Ignorar alguma prudência. Ignorar-nos e desvalorizar totalmente aquilo que lhe estamos a querer comunicar. Ignorar os próprios limites - que já se conhecem tão bem, neste caso; porque há limites que por mais que isso nos custe, temos de conhecer e aprender a aceitar. É que entre a persistência e a obstinação, a fronteira é ténue.

Não consegui ajudar. Tentei, persisti, expliquei por outras palavras, com calma, com menos calma, recorrendo a exemplos. Em vão. Foi igual a falar para uma parede. Não gostei, confesso, porque todos gostamos que nos ouçam e nos tenham em conta. Mesmo assim, valeu a pena. Porque há coisas que simplesmente têm de ser ditas, por mais difíceis que sejam de ouvir. E neste caso, espero sinceramente não ter razão.

03/04/2006

Com e sem


Sem mentiras. Com muito teatro. Com panquecas. Com amigos. Sem sono. Com calma. Com tempo. Com visitas. Com chá. Com sol. Com passeios. Contigo.
Fins-de-semana. Não podia gostar mais deles.

Ainda para mais, quando sabemos que a semana vai ser a mil à hora logo pela amostra de segunda-feira...

Boa semana!

31/03/2006

Objectos impossíveis?

Já pensaram como seria um pente para carecas, uma bicicleta para subir escadas, uma mesa para barrigudos ou um aparelho para pôr os pontos nos "i"? Pois alguém já pensou.


Catalogue des objets introuvables, de Jacques Carelman

É com este livro emprestado que estou a dar umas boas gargalhadas. Para verem uma amostra, cliquem aqui (só a língua espanhola é que funciona). Um exemplo bastante útil, retirado deste site: umas úteis pantufas para fazer a limpeza!



E porque não inspirarem-se e criarem vocês também um objecto impossível? :)
Bom fim-de-semana!

Já cá canta!



Directamente da Amazon para o meu leitor de DVDs. Ah pois, que a vossa Izzoldinha é fãzíssima assumidérrima desta série :)

30/03/2006

Burocracias onomásticas

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03/2006

Prova viva de que as lojas orientais começam a entrar no espírito tuguinha. Ora porquê que uma loja se há-de chamar simplesmente "Loja Chinês" quando se pode chamar "Oriente Pérola Perfulgente"*? Haja imaginação, haja diversidade!

Noutro dia, a conversa era sobre lojas orientais. Dizia alguém que já não podíamos viver sem elas. Senão, onde íamos comprar aquele corta-unhas tão bonito com o galinho de barcelos estilizado, aquele telefone gigante com uma fonte incorporada em forma de dragão dourado, aquele conjunto de 58 caixas de plástico de 58 formatos diferentes?! É um facto: a nossa vida não tinha o mesmo brilho.

*Perfulgente: que fulge, que brilha muito; resplandecente.

29/03/2006

Nunca...

...tinha visto um projector de cinema desligar-se durante um filme. Até ontem.



O filme era Nanny McPhee - A Ama Mágica. E quiçá contagiado pelas artes mágicas do filme, o projector decidiu descansar durante breves instantes – problema técnico este que culminou em pedidos de desculpas e oferta de bilhetes gratuitos para toda a assistência.
Conclusão: nós, 3 – grande cadeia de cinemas, 0.
Ou de como certas falhas da tecnologia podem ser relativamente vantajosas ;)

Ainda sobre o filme, é levezinho, divertido e recomenda-se a quem goste de filmes direccionados para público infantil (eu, que muitas vezes gosto) ou simplesmente queira ir dar umas gargalhadas e uns sorrisos ao som da very British pronúncia do Sr. Firth e da Sra. Thompson. Hmmm.

28/03/2006

Sede...

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...ntário. É como é o meu trabalho.
O emprego ideal para mim era mais ou menos este, mas com uma cadeira decente, ergonómica e perfeita, que permitisse a liberdade de movimentos enquanto assegurava o máximo conforto e bem-estar. Para além de garantir sempre posturas perfeitas e uma temperatura corporal adequada. E já que estamos em maré de exigências, porque não incluir na lista de necessidades uma função de massagem automática totalmente personalizável?

Grunf. Todos os trabalhos têm pontos negativos.
E o sedentarismo é o ponto mais negativo do meu.

27/03/2006

Homónima parcial


10.2005

Para ti, minha querida amiga, com um grande sorriso :)

Devagar...

...começo a arrumar a tralha que fui juntando aqui no escritório, a organizar e a filtrar a papelada. Chego à conclusão de que não vou poder usar uma caixa de cartão – como nos filmes! – para levar as coisas. Não chegam para atingir um volume que não seja totalmente ridículo. Porque como nunca senti este lugar como meu, pouco o personalizei; só o estritamente desejável (e necessário).

É uma tendência que tenho desde sempre: guardar demasiadas coisas. Nos últimos tempos, tenho-a combatido com sucesso. O espaço é precioso e ter muita coisa consome espaço e - ainda mais importante - tempo de organização e arrumação! Desta última, confesso que nunca fui grande fã; cultivo uma espécie de caos semi-organizado e incorrigível. Pronto, processem-me!

Boa semana :)

24/03/2006

Liberta o cusquinho que há em ti!

Ora pois bem, vamos lá a ver...
Lembram-se disto? Se quiserem libertar o vosso inner cusquinho, toca a ler o que se segue:

Se tiverem libertado o cusquinho que há em vocês, já seleccionaram este texto escrito a branquinho para o lerem! E eu...faria exactamente o mesmo :)

Pois bem, depois de a coisa estar devidamente confirmada e não haver meio de voltar atrás, mais pormenores: as mudanças são laborais. Envolvem permanecer na mesma área, mas numa empresa diferente, num sítio diferente e espera-se que com uma dimensão e ambições bastante diferentes. Melhor, também. E já começou a contagem decrescente!
O errortográfico vai ser escrito com as mesmas mãos, mas com teclas diferentes.

Mudanças. Ai, gosto tanto.

Posto isto, bom FDS aos cusquinhos ;)

Se são tudo menos cusquinhos, resta-me desejar-vos um óptimo FDS!

23/03/2006

Não é a mesma coisa sem vocês.


Habituamo-nos aos nossos blogs de eleição. Pessoalmente, tenho uma lista de blogs que visito e ainda dentro dessa lista, tenho os blogs absolutamente indispensáveis. Aqueles que mesmo que o tempo seja pouco, vou sempre espreitar e geralmente, comentar (porque o tempo nem sempre chega para tudo). De alguns, conheço pessoalmente os autores. De outros, ainda não; poderei até nunca chegar a conhecê-los [embora goste deles na mesma!].

Aceito com naturalidade o facto de um blog acabar por vontade do autor.
Aceito menos bem o facto de acabar por imposição de outros/condicionantes externas.
Aceito mal a ideia de que não vou ler mais as palavras de alguém*.

Pronto, já disse. É que nem concebia a ideia de deixar de o dizer.

*E acho que as pessoas em questão sabem quem são. Vou ter saudades vossas aqui, seus....seus...traidores! :)

22/03/2006

Vai uma saladinha?

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A propósito deste concurso do Comida Saudável (no qual recomendo vivamente que participem!), lembrei-me de falar acerca de um dos grandes mitos vegetarianos: a salada.

A salada em si não desagrada necessariamente a um vegetariano. Desagrada-lhe, sim, que a)pensem ou insistam que pode come saladas. E desagrada-lhe também b) o conceito de salada da esmagadora maioria dos [restaurantes] portugueses.

Quanto ao a), só tenho a dizer que a salada é um prato como outro qualquer. Há quem goste, há quem odeie, há quem coma muitas/algumas/raras saladas e há quem se recuse a comer saladas. Como para tudo, gostos não se discutem. Assunto encerrado. Daí a pensar que os vegetarianos comem isso, nem sequer consigo perceber o porquê do mito. Secalhar quem tem esta ideia não tem uma alimentação muito diversificada. Claro que pode haver ainda pior: alguém pensar que para além da carne e do peixe, só existem o arroz e a batata - é verídico: uma senhora relativamente velhinha numa aula de italiano que frequentei há anos insistia nessa teoria. Passados cerca de dez segundos, tinha a turma inteira e o professor a enumerar todos os alimentos que existem no mundo e com uma imensa vontade de lhe bater por insistir tanto que não se podia comer mais nada. Adiante.

Em relação a b), o diagnóstico é avassalador: de acordo com o que já pude constatar durante alguns anos, aí uns 90% dos restaurantes e 70% das pessoas pensam que a "salada" é composta por alface, tomate e - em casos arrojados - também por cenoura. Numa aposta claramente ainda mais arriscada, que pode mesmo indiciar uma pontinha de loucura ou insanidade, é possível que se considere temperar a salada. É que não imaginam, não imaginam a quantidade de vezes que já comi isto em restaurantes por ser o melhor que conseguiam arranjar. Alface, tomate e cenoura, sem tempero. Pior ainda: vêm perguntar-me se estava bom. Sem comentários. Isto para além do já mítico episódio de Ponte de Lima, em que o senhor dum restaurante ia fazer um *prato* vegetariano que, de acordo com o próprio, espantava os estrangeiros, era de comer e chorar por mais, uma delícia. E que era esse prato? Uma salada sem nada de especial (OK, tinha algo mais que alface, tomate e cenoura, mas pouco; e não vinha temperada); e só não levou um fiozinho de atum (palavras do mesmo senhor) porque ele referiu-o a tempo e eu disse que não queria e que o atum era um peixe. Enfim.

Felizmente, as coisas estão a mudar para melhor e já há mais informação e mais alternativas de restauração. E por esta hora, já me estão a amaldiçoar e a ameaçar de porrada por estar tão verdinha hoje :P

Se não estão, podem querer espreitar o Comida Saudável e ainda o Divinas Iguarias, onde há muitas sugestões para além de saladas :)

21/03/2006

Choque tecnológico retro

Pura nostalgia! E não, não estou nada, nada triste.

Foi só a velocidade da ligação à Internet que resolveu cair a pique e relembrar os velhos tempos em que a comunicação por sinais de fumo era considerada rápida e eficaz.

Deve ser isto, o choque tecnológico, versão confronto-com-o-passado-para-gostarmos-muito-mais-do-presente-e-aprendermos-a-estar-caladinhos. Presente, eu gosto de ti; queixo-me, quero que o tempo passe um bocadinho mais depressa de vez em quando, mas não é nada pessoal. Já percebi a ideia, OK? Agora deixa-me continuar a navegação no século XXI, ó se faz favor.

Momento confessional nada pungente: há pessoas que ficam totalmente insuportáveis perante certos e determinados problemas. Eu sou uma dessas pessoas e este é um desses problemas, que consta da minha lista de coisas que me tiram do sério. Felizmente, a lista é pequena; mas a lentidão ocupa os dois primeiros lugares.

Milhares e milhares de palavras depois

...já posso respirar sem pensar no que ainda me falta ler.
Porque prefiro mil vezes ler por querer do que ter de ler.

20/03/2006

E porque não...


[daqui]

...esta semana *E* todas as outras?

É das coisas que não compreendo: os maus tratos aos animais.
Sem falar do abandono e da indiferença em geral.
Portanto, faço minhas as palavras do poster e aconselho que a frase seja aplicável a....todas as semanas do ano.

Boa semana :)

17/03/2006

Liberta o fangiozinho* de meia tigela que há em ti...

...mas de preferência, quando não houver mais ninguém por perto.

Num mundo ideal, podíamos todos ser condutores exemplares, cumpridores, corteses, prudentes, bem-educados, cívicos...mas quer-me parecer que grande parte da população aqui do cantinho não vê grande piada nisso. Onde estaria a emoção, a adrenalina, o poder, o risco, o desafio, se...

- todos cumpríssemos o código não passando riscos contínuos como se não houvesse amanhã?
- não arriscássemos a nossa e porque não - num estóico ataque de puro altruísmo - VÁRIAS outras vidas de vez em quando, com uma ultrapassagem impossível, um ângulo de passagem altamente improvável, uma manobra tão idioticamente inovadora como a que acabamos de inventar?
- não pegássemos no carro só porque não vemos nem uma manada de elefantes rosa-choque à frente do nariz?
- não andássemos a velocidades ultra-excessivas só porque...temos pressa e tudo o que se meter à nossa frente é um alvo a abater?
- não conduzíssemos depressa só porque está a chover torrencialmente e há outras pessoas na via?
- não ignorássemos deliberadamente todo e qualquer peão, que não tem nada que atravessar precisamente no sítio em que *nós* queremos passar?
- não aproveitássemos esses momentos mortos da condução para contactar toda a nossa agenda telefónica, enviando mensagens escritas a quem não atender?

Claro, a coisa assim não teria piada rigorosamente nenhuma! Portanto, fangiozinhos de meia tigela deste mundo, uni-vos e ide, ide por essas estradas afora. Sigam as placas com a indicação Antártida, virem à direita depois do 3º icebergue e façam um favor ao mundo: dediquem-se a estudar o aumento do buraco do ozono. Porque todos podemos ser úteis, de vez em quando: basta que haja imaginação suficiente.**

*Mais informações sobre esse histórico condutor aqui. De salientar que esta referência é utilizada a título comparativo, não se procurando de forma alguma atentar contra o bom nome da pessoa em questão. Para que conste :)
** Sim, hoje assisti a quase todos os itens desta lista em menos de uma hora; daí o tema e a irritação (notou-se muito?)!

Extra, extra!

Acabei de cozinhar o meu primeiro post ali para o Comida Saudável.
Nada mais, nada menos do que uma das minhas receitas favoritas ;)

16/03/2006

Good night. And, good luck.


Não falar por ter medo de represálias. De acusações.
De vinganças. De traições.
Não falar porque não é suposto falar-se de certas coisas.
Não falar por desconfiar de toda a gente.

Ou não ter medo de falar e dar que falar.

Recomendo o filme. A mim, surpreendeu-me pela positiva.

15/03/2006

De oitos e oitentas

É como têm andado as coisas aqui no trabalho. De extremos. Não há regularidade, não há grande calendarização e não há ritmo que resista. Quer dizer, resiste-se e eu até me adapto facilmente a ritmos diferentes, mas o pára-arranca é tão cansativo e exige tão mais de nós. E nem sempre conseguimos acelerar e abrandar exactamente quando é preciso. Noutro dia precisei de travões para continuar, agora preciso de um acelerador para conseguir. Portanto, prego a fundo, que o dia de trabalho hoje acaba mais cedo, mas a produtividade tem de ser a mesma de um dia normal. Há coisas que o relógio nunca vai conseguir regrar.

14/03/2006

Nomes


Até que ponto é que o nosso nome encaixa perfeitamente em nós, em que medida nos define, complementa ou retrata? Seríamos exactamente os mesmos com outro nome?

Eu não mudava nem o meu nome, nem nenhum dos meus nomes alternativos, diminutivos ou alcunhas. Gosto de todos e todos são um bocadinho de mim. Mas isso sou eu. E vocês?

13/03/2006

Triz


loc. adv.,
por um -: por um ápice, por pouco
(daqui)


Foi por um. Ou de como há tantas coisas que se decidem e determinam em milissegundos. Não gosto de ficar a pensar nos “e se...”. Ainda por cima, quando as hipóteses são significativamente menos agradáveis do que a realidade. A semana podia ter começado muito mal; tenho de agradecer aos meus travões [e aos dos outros a seguir]. Ufa. Já passou.
Boa semana a todos!

10/03/2006

Segredo mal guardado


A partir de hoje, a vossa Izzoldinha vai cozinhar posts também para outro blog totalmente diferente: o Comida Saudável. A convite da Wakewinha, vou-me juntar à equipa!
Até breve, lá também.

Entretanto, um óptimo FDS :)

Não há paciência

É das expressões que uso mais vezes. Porque não há mesmo paciência para certas coisas. Para certas pessoas, também não. Principalmente, totais desconhecidos que insistem em querer conhecer-nos quando não estamos minimamente - nem sequer remotamente - interessados. Esquecem-se que só através de palavras e/ou imagens, não se conhece realmente ninguém; sem que exista reciprocidade ou interesse mútuos.
Porque a simpatia/amabilidade também se pode virar contra nós.
E porque é penoso chegar a esta conclusão da pior forma, vou escrever para me lembrar mais tarde.
Nota: saber ler nas entrelinhas. É uma característica que aprecio muito nas pessoas.

1º Congresso Nacional do Chá

Aspectos alimentares e nutricionais, históricos, económicos, literários e sociais do chá

Porto, 17/18/19 de Março de 2006

Programa, mais informações e inscrições, aqui.

Depois não digam que aqui no Erro há falta de chá!
Mas para verem chá(rme) a sério, nada como visitarem o Cha-no-yu da Folha de Chá :)

09/03/2006

Liberta a matraca que há em ti!


Todos temos os nossos momentos de matraca*. Aqueles momentos em que não conseguimos [nem nos conseguem fazer] parar de falar. As palavras soltam-se em catadupa vertiginosa, como num momento de absoluta catarse linguística (OK, OK, eu páro :). Nada disto seria problemático se...não houvesse sempre uma pobre alminha sacrificada. Que não vai ter muitas opções, a não ser ir soltando uns hã-hãs, pois, claro, sim, sem dúvida. Temos de ser uns para os outros, e as matracas precisam destas almas caridosas para levar a cabo a sua purificação.

Pois.

Tudo isto é muito bonito na teoria. Mas se não nos custa mesmo nada ouvir o momento-matraca de um amigo, isso já não se aplica a desconhecidos. E é fácil saber quando a alminha caridosa vamos ser nós. Exemplifiquemos então com uma situação totalmente aleatória:

Contexto: balcão de café, hora do pequeno-almoço.
Jovem e senhora de meia-idade que não se conhecem de lado nenhum.

Fase 1: pretexto mais ou menos inútil para iniciar o momento-matraca.
Neste caso, um empregado de café que passa com a couraça do fiambre na mão.

Fase 2: a senhora de meia-idade lança a conversação, com um comentário que envolve receitas deliciosas feitas pela mãe, com base nessas couraças de fiambre.

Fase 3: a jovem, que por puríssima coincidência é vegetariana, ouve o repto e mais não faz do que esboçar o sorriso amarelo número 5 (sendo 5 o nível de sorrisos amarelos menos bem conseguidos). Apercebe-se do perigo iminente de momento-matraca por parte da senhora de meia-idade.

Fase 4: inicia-se irreversivelmente o momento-matraca. A senhora de meia-idade disserta, imparável, sobre: mais receitas com couraças; arroz malandro; qualidade da carne em geral; gripe aviária; qualidade do peixe e presença de salmonelas no mesmo; qualidade da alimentação em geral; colesterol; várias receitas de peixe que costuma confeccionar; filho; pai acamado; trabalho; cães; doenças de cães, com especial destaque para os vários problemas de saúde do seu cão; (...).

Fase 5: fim da conversa; jovem, após utilizar cerca de 6 vezes hã-hã, 2 vezes claro e incontáveis pois, põe fim ao seu momento de alma caridosa com uma frase simples do género “Pois, é assim. Então muito bom dia!”.

Os meus momentos-matraca são mais direccionados para pessoas conhecidas. Mas compreendo a importante função de ser alma caridosa, de vez em quando. É a balança kármica a precisar de ser equilibrada. Portanto se de repente, um desconhecido começar falar convosco, preparem-se...pode muito bem ter chegado a vossa vez.

*matraca: falador importuno (definição daqui)

08/03/2006

Gajas...


Sim...

...somos complicadas complexas, temos sempre demasiadas coisas na carteira, nunca raramente encontramos as chaves, temos demasiados sapatos, dizemos sempre que não temos nada que vestir com o armário cheio mais ou menos cheio, demoramos demasiado tempo a arranjar-nos, fazemos mil coisas ao mesmo tempo, passamos horas ao telefone, gostamos de cuscar q.b., achamos quase sempre que estamos gordinhas, vamos sempre com companhia à casa de banho, podemos chorar por tudo e por quase nada, nunca dizemos um “nada” que queira realmente dizer “nada” (resposta comum à pergunta “que tens?”), falamos [muitas vezes] demasiado, somos de luas...

E não...

...não queríamos ser de outra maneira.

Às mulheres da minha vida e às que visitam este blog, uma grande beijoca ultra-especial!

07/03/2006

Missão: prendas

A seguir ao Natal, ainda eu mal recuperei do esforço estóico que envolve a complexa selecção das prendas, e eis que chega...Março. Março é *o* mês dos aniversários. Começando aqui pelo blog cor-de-rosa e passando por cerca de 10 pessoas (embora felizmente não dê prenda a todas, senão a coisa assumia proporções ainda mais catastróficas) e outros tantos acontecimentos que requerem prendas. Dia do pai. Mais aniversários de outras espécies.

Mas não pensem que eu desespero, nada disso; é que eu por acaso adoro dar prendas a quem gosto. Portanto em vez de me lamentar e chorar desalmadamente pelos cantos, decidi partilhar convosco algumas ideias que fui encontrando (embora nenhuma delas seja realmente uma prenda que vou dar, que alguns dos aniversariantes cuscam aqui o Erro!). Haja carcanhol e boa vontade e tudo se arranja :)

Gadgets para todos os gostos: Gadgets do Reino Unido e daqui de mais perto.

Neste último, encontrei uma prenda bestial: o airzooka.

"(...) esta espantosa arma de diversão é capaz de disparar uma bola de ar até 6 metros de distância. De facto, nós tambem nao entendemos como, mas acreditem,
o Airzooka vai simplesmente soprar toda a gente da sua frente."

Depois segui nas buscas e descobri este candeeiro (de entre os vários da mesma marca):


E acabei por aqui a deliciar-me com esta chávena:

OK, ideias não faltam. Mais alguma sugestão?

06/03/2006

Whatever?


Muttscomics

Segunda-feira lenta. Daquelas em que estou capaz de responder com isto a (quase) tudo.

Boa semana :)