Há 5 anos - sim, já lá vão 5 anos e só hoje, quando ouvi que uma infeliz data próxima ia ser “comemorada” em breve, é que me dei conta de que já tinha passado tanto tempo - começava a acelerar os preparativos para os meses que ia viver no estrangeiro. Era algo que achava que tinha de experienciar: estar longe daqui, longe das pessoas de quem tanto gostava e gosto. Foi uma época valiosa, porque em poucas situações se avaliam e testam tão bem os nossos limites, as nossas incertezas e a nossa capacidade de adaptação como quando estamos relativamente sozinhos. Relativamente, porque fui com amigas; totalmente sozinha, não teria ido, confesso, mas também confesso que me senti sozinha muitas vezes - é inevitável, há demasiadas pessoas e coisas que nos fazem falta. Mas adiante.
Das recordações mais vivas que tenho dessa altura é que o primeiro dia e a primeira noite foram horríveis. Muita coisa correu mal assim que chegámos: o alojamento estava mal atribuído, passámos horas numa fila enorme à espera para o alterar e a burocracia era imensa (nada a que não estejamos habituados por cá…). Chegada finalmente ao local onde ia viver durante meses, foi a desilusão quase total. O quarto era minúsculo e não estava propriamente limpo nem era minimamente confortável, a mobília era horrorosa e as restantes instalações da casa deixavam bastante a desejar a muitos níveis. Bem, o primeiro impacto foi mesmo o pior possível. A primeira noite que lá passei foi a cereja em cima do bolo: muito mal dormida, com recriminações por ter decidido ir e tudo em mim a dizer-me para voltar.
Felizmente, nenhum momento da estadia foi tão mau como estes primeiros. Acabei por (ter de) me adaptar à situação o melhor possível e aprender a ver as coisas com outros olhos. Foi um desafio pessoal, eu contra mim própria, que me trouxe muitos outros desafios que consegui ultrapassar e que me fez viver tanta coisa, boa e menos boa. Aprendi muito. E aprendi que há experiências que temos mesmo de nos obrigar a ter, por nós próprios. Porque também aprendemos connosco.