21/08/2006

A baixa em alta

Gosto das baixas das cidades quando nos contam histórias. Quando nos fazem viajar no tempo. Quando nos surpreendem. Quando está tudo ao alcance dos pés - por mais que até se tenha de subir. Quando os edifícios transmitem segurança, por mais insegura que até seja a área. É pena que se abandonem as baixas das cidades, é pena que poucos queiram lá viver ou trabalhar ou ir passear. Pena que se deixem edifícios ao abandono, ruas ao abandono, locais entregues a pombos.

Para mim, a baixa sempre foi sinónimo de lazer. Ia lá quando era pequena passear com o meu avô e primo, fui lá desde sempre ter com o meu pai ao trabalho. As compras eram sempre feitas na baixa. O cinema era na baixa.

Há quem arrisque e lá viva ou trabalhe ou tente a sua sorte em negócios mais ou menos inovadores. Este foi um fim-de-semana de baixa: gelados novos em folha numa praça centenária, comida turca num restaurante de ambiente realmente impressionante, passeios por lojas sem fim e visita ao novo atelier de amigos. Ou de como a vida pode ser cor-de-rosa mesmo que o resto seja maioritariamente cinzento ;)

Boa semana!

18/08/2006

As perguntas, as respostas e eu*

Sempre fui de fazer bastantes perguntas. A mim própria, claro, e aos outros, inevitavelmente. No fundo, andamos todos à procura de respostas. Mas mais do que andar à procura das respostas certas, devíamos procurar a ou as perguntas certas. Aquelas que depois de formuladas, nos dão a resposta - como uma luva que encaixa perfeitamente na nossa mão.

Há perguntas para as quais já temos a resposta sem sequer termos de perguntar. Há respostas que vamos encontrando sem perguntas e perguntas que ficam sem resposta.
E há perguntas para as quais não queremos respostas.

*Sim, mais um post semi-existencial. Deve ser da chuva :)

17/08/2006

Pessoas+pessoas

As aproximações e os afastamentos são naturais entre as pessoas e especialmente nas relações de amizade. Há pessoas das quais por instinto, afinidade ou circunstâncias, nos aproximamos. Outras, de quem nos afastamos naturalmente (pior: voluntariamente, por nossa ou por vontade alheia). Outras, de quem nunca pensávamos aproximar-nos e que acabam por ser as mais próximas. Outras há que mesmo que nos afastemos delas, nunca deixamos de as ter próximas. E pessoas próximas que de repente se afastam e deixamos de as conseguir reaproximar. Pessoas próximas que estão afastadas e vice-versa. Reaproximações inesperadas. Reaproximações muito esperadas. Afastamentos quase imperceptíveis, mas mais ou menos irreversíveis.

Complicado, isto das proximidades e das distâncias. A vida e o tempo pregam-nos mesmo muitas partidas. São eles que ditam quem se aproxima e quem se afasta; muito mais do que nós.

16/08/2006

A vida num elevador II

Após efectuar uma análise olfactiva recente aos utilizadores dos elevadores do meu local de trabalho, tenho igualmente de referir uma das características que mais se destaca nos seus utilizadores: o cavalheirismo. Mais novos ou mais velhos, quase todos fazem questão de defender essa velha tradição de boa educação.

Vivemos numa época em que a maioria das pessoas já não espera o cavalheirismo e já não o considera indispensável. Até me mudar para um escritório num edifício com muito mais gente, nunca tinha reparado que o cavalheirismo ainda tinha tanta expressão, muito provavelmente porque nos locais cujos frequentadores são da minha idade ou de idades próximas da minha, já é considerado normal não ser cavalheiro, e até se considera obsoleto sê-lo.

Eu mudei ligeiramente o meu ponto de vista: se dantes quase não reparava que existia, agora reparo quando não existe. Bom, isto também pode ser um sinal de que estou a ficar velhinha. Mas um bocadito de cortesia nunca fez mal a ninguém, e porque não mantê-la? O gajedo agradece e até não desgosta!

14/08/2006

Têvê

Passo bem sem televisão. Já vivi vários meses sem ter TV, sobrevivi e aprendi a dispensá-la ainda mais. Mas há uma coisa que é capaz de me viciar na têvê. Não a informação - à qual prefiro aceder por outras vias, não as telenovelas - que já não sigo há anos, não os documentários - que regra geral, vejo se me interessarem mesmo muito, mas sim....as séries.

A propósito deste post da minha querida Nocas, que relembra as séries do passado, decidi confessar que sempre me viciei facilmente em séries. Quando via mais televisão, era por seguir inúmeras séries. Via tudo e mais alguma coisa, todas as séries que apanhasse a jeito. Hoje em dia, é muito mais difícil viciar-me numa série; ou os horários são uma rebaldaria total, ou são impossíveis, ou...bem, sou mais selectiva e tenho menos tempo. Resumindo: sigo duas séries. Esta e esta. A melhor invenção para os fãs de séries? Os DVDs com a compilação dos episódios. É que não há melhor. No caso da primeira série na qual estou viciada, apanho secas imensas para a ver na TV.


Mas este dêvêdêzinho que me ofereceram no aniversário...











...permite-me ver o Lost às horas que bem me apetecer. E permite-me também não ter de esperar pela semana seguinte para ver o desenrolar da acção - esta parte agrada-me particularmente. Vivam os DVDs das séries!

Em estudo, a aquisição do DVD II desta mesma série.

Boa semana!

11/08/2006

Das experiências

Há 5 anos - sim, já lá vão 5 anos e só hoje, quando ouvi que uma infeliz data próxima ia ser “comemorada” em breve, é que me dei conta de que já tinha passado tanto tempo - começava a acelerar os preparativos para os meses que ia viver no estrangeiro. Era algo que achava que tinha de experienciar: estar longe daqui, longe das pessoas de quem tanto gostava e gosto. Foi uma época valiosa, porque em poucas situações se avaliam e testam tão bem os nossos limites, as nossas incertezas e a nossa capacidade de adaptação como quando estamos relativamente sozinhos. Relativamente, porque fui com amigas; totalmente sozinha, não teria ido, confesso, mas também confesso que me senti sozinha muitas vezes - é inevitável, há demasiadas pessoas e coisas que nos fazem falta. Mas adiante.

Das recordações mais vivas que tenho dessa altura é que o primeiro dia e a primeira noite foram horríveis. Muita coisa correu mal assim que chegámos: o alojamento estava mal atribuído, passámos horas numa fila enorme à espera para o alterar e a burocracia era imensa (nada a que não estejamos habituados por cá…). Chegada finalmente ao local onde ia viver durante meses, foi a desilusão quase total. O quarto era minúsculo e não estava propriamente limpo nem era minimamente confortável, a mobília era horrorosa e as restantes instalações da casa deixavam bastante a desejar a muitos níveis. Bem, o primeiro impacto foi mesmo o pior possível. A primeira noite que lá passei foi a cereja em cima do bolo: muito mal dormida, com recriminações por ter decidido ir e tudo em mim a dizer-me para voltar.

Felizmente, nenhum momento da estadia foi tão mau como estes primeiros. Acabei por (ter de) me adaptar à situação o melhor possível e aprender a ver as coisas com outros olhos. Foi um desafio pessoal, eu contra mim própria, que me trouxe muitos outros desafios que consegui ultrapassar e que me fez viver tanta coisa, boa e menos boa. Aprendi muito. E aprendi que há experiências que temos mesmo de nos obrigar a ter, por nós próprios. Porque também aprendemos connosco.

10/08/2006

Da sauna

Sei que é um hábito saudável e tradição considerada em alguns países e culturas. Fiz sauna algumas vezes num ginásio que frequentei, mas confesso que não gostei assim muito, embora tivesse a vantagem de poder ficar só o tempo que me apetecesse e tomar uma revigorante banhoca de seguida.

O problema é que se nessa altura fazia sauna opcionalmente, agora faço-a obrigatoriamente.

É que as diferenças entre o meu local de trabalho e uma sauna são poucas ou nenhumas nestes dias de calor. Com a agravante de que...não posso ir embora quando quero. Nem tomar banho. Nem conversar com mais gente enrolada em toalhas.

Por outro lado, faço parte dos poucos privilegiados com um local de trabalho multifuncional.

...

Que é que querem, há que ver as coisas pelo lado positivo ;)

09/08/2006

Roubar não é bonito, não

Por adrenalina, por necessidade, por doença, por preguiça, simplesmente por capricho ou nos chamados momentos de insanidade temporária, há muito quem roube. Felizmente, vou buscar adrenalina a outras actividades, não sou doente, admito que sou preguiçosa - mas não para trabalhar e pagar o que consumo, e os meus caprichos não passam por querer à viva força ter algo que não posso comprar (claro que quero coisas que sei que não posso comprar, mas a esmagadora maioria delas não pode ser roubada e mesmo que pudesse, não as roubaria por manifesta incapacidade, alguma vergonha na cara e por milhentas outras razões que não vou perder tempo a enumerar). Nos momentos de insanidade temporária que todos temos, dedico-me geralmente a limpezas impossíveis, tenho atitudes que não teria normalmente ou consumo uma grande quantidade de alguma coisa; em nenhum desses momentos me deu vontade de arriscar um roubo.

Vem isto a propósito de ter assistido ontem a uma tentativa de roubo num supermercado. Munida de um enorme saco de praia, a senhora em questão - com os seus trinta e poucos anos, bom aspecto e ar relativamente inocente - tentou rapinar duas ENORMES caixas de camarão da costa congelado (!!), uma garrafa de whisky com direito a copo de brinde, uma embalagem familiar de frutos secos e um desodorizante XL. Obviamente, foi apanhada, negou até não poder mais e acabou na vergonha, com 90% dos frequentadores do supermercado a olharem de soslaio no habitual sururu que caracteriza os momentos de insanidade temporária públicos e que envolvem actividades ilegais.

Quem se sentiu roubada a seguir fui eu, no momento de pagar as compras. Mas esse roubo, ao contrário dos outros, é legal :)

08/08/2006

Pó!

O pó é uma palavra muito pequena que designa uma coisa muito complicada. Quem inventou a palavra para o não sabia o que fazia. É uma palavra desajustada, e até fôfinha e queridinha demais, com um significado que pode atingir proporções inimagináveis. Ainda por cima, tudo GANHA pó, como se a substância fosse uma vitória atingida por todos os objectos e coisas e loisas deste mundo. Horas e horas de limpezas infrutíferas, quais batalhas atrás de batalhas, atrás de mais batalhas que nunca parecem ter fim à vista: o pó ganha sempre! Assim não vale!

07/08/2006

Nos dias como hoje

Já não se procura um lugar ao sol. Procura-se um lugar à sombra...

Sinal da mudança do(s) tempo(s)?

Boa semana!

04/08/2006

Bichinhos carpinteiros

Dizem que os tenho e porque não admiti-lo, tenho-os mesmo, e muito possivelmente numa concentração elevadíssima para alguém do meu tamanho. E por acaso alguém sabe como acalmar os ditos bichinhos? É que todo este labor de carpintaria dá cabo de mim, e uma vez que é particularmente propenso a picos de actividade à sexta-feira à tarde, a coisa não está fácil :)

Bom fim-de-semana!

03/08/2006

Grandes progressos II

A minha relação com as máquinas de lavar roupa é de amor/ódio. De amor, porque evidentemente elas poupam muito trabalho, e de ódio, porque regra geral, são bastante difíceis de compreender e utilizar sem recorrer a volumosos compêndios ou…ao perito mais próximo (mãe, pai, avó, etc.).

Recentemente, alguém chegou à brilhante conclusão de que não era preciso que as máquinas de lavar se parecessem com naves espaciais cravejadas de botões, visores, luzinhas coloridas que piscam e opções que nunca mais acabam para desempenharem a sua principal função: lavar. Quando a máquina de lavar roupa anterior lá de casa avariou, eu rejubilei secretamente, pois foi com aquela máquina que a) tingi inúmeras peças de roupa de uma interessante tonalidade algures entre o cor-de-rosa e a cor-de-burro-quando-foge; b) a lavagem parou a meio e a roupa ficou horas e horas a marinar porque pelos vistos EU tinha de decidir o que a máquina iria fazer a seguir, sendo que algumas peças nunca mais recuperaram totalmente do choque aquoso; e por fim, c) ocorreu uma avaria irreparável antes da máquina esvaziar a água e o detergente - horas e horas de puro deleite a preparar a roupa para o processo de secagem. Aliás, eu não rejubilei secretamente: fiz a dança da chuva no telhado, preparei um banquete festivo de comemoração para 786 convivas e mandei imprimir 7 000 panfletos para assinalar a efeméride. Pronto, estou a exagerar ligeiramente, mas se comemorasse a minha alegria publicamente, teria sido assim.

Com a nova máquina de lavar, a vida é boa (ah pois, uma publicidadezinha extremamente subliminar!). Três botõezinhos apenas e ela decide tudo, lava, faz lá as coisas que todas as máquinas de lavar roupa fazem e ainda avisa quando acabou, e até dá para programar tudo para a roupa estar pronta quando eu chegar a casa. Só lhe falta falar e preparar sumos naturais! Obrigadinha, senhores que desenvolvem interfaces de máquinas de lavar roupa para azelhas e preguiçosos deste mundo. Muito agradecida.

02/08/2006

Grandes progressos I

Já vos tinha contado que a minha plantinha do coração, menina dos meus olhos aqui do escritório, foi severamente atacada por uma dose massiva de água. Desde então, ela tem estado na UCIB (Unidade de Cuidados Intensivos Botânicos) aqui do local (vulgo canto estratégico da minha secretária) a recuperar dessa tentativa de assassinato, impiedosamente praticada pela pérfida e insana senhora da limpeza. Está a recuperar a olhos vistos, lenta, mas vigorosamente. As folhinhas já estão a ficar com um ar fôfinho e viçoso. Quer-me parecer que afinal sempre tenho uma costelinha de jardinagem. É de família, é de família. Pena que quando a família vai arejar, sobra para quem fica...centenas de vasos à minha mercê. O mundo vegetal que trema: ou é a hecatombe, ou a glória. A ver vamos, a ver vamos :)

No news is good news?

Certo. Eu prefiro receber as notícias em vez de presumir que está tudo bem porque não as há.

01/08/2006

Alguém pediu um choque tecnológico?

Eu não fui. Mas o Sr. CêTê é um porreiraço e oferece-se gratuitamente! E não há nada como um bom choquezinho tecnológico para alegrar a vida laboral. Ou para a aniquilar completamente. Não que isso esteja a acontecer por aqui, claro que não, desenganem-se. E agora vou só ali olhar para as paredes durante mais umas horas e já volto, OK? Olhar para as paredes é uma actividade estimulante, que fomenta a criatividade e a alegria laborais, para além de nos permitir reflectir connosco próprios. Ó pra mim radiante, ó.

31/07/2006

São rosas, senhores, são rosas!

Sim, estou de volta da capital para mais uma semana pré-férias, na qual o trabalho não vai ser pêra doce (inclusive vou ter de fazer um trabalho sem conhecer a ferramenta de trabalho essencial, que é uma das actividades de que gosto mais, trabalhar às cegas...obrigadinha, boss, a vingançazinha há-de ser em breve!) e as actividades extra vão ser mais que muitas!

As viagens correram bem, os passeios também e a companhia foi - claro - ideal. O relato e as fotos seguem mais tarde, mas não sem agradecer já a companhia, a paciência, a simpatia e os sorrisos da Rosa, que nos andou a aturar um diazinho quase inteiro :)
Boa semana a todos!

28/07/2006

Modo Lisboa

Activado. Volto já :)

Bom fim-de-semana!

27/07/2006

Post temporariamente indisponível

Por favor, tente mais tarde. Ou amanhã, quando não me estiver a debater com milhares de palavras bastante desinteressantes à espera de equivalente em português :)

26/07/2006

Das mãos

Melhor ou pior, vamos conseguindo que as nossas mãos façam os trabalhos de que gostamos ou não gostamos, todos os dias. Admiro realmente quem insiste num trabalho que muitas vezes não é reconhecido, não é valorizado, não é fácil nem tem imensas possibilidades nem saídas, muito menos grandes probabilidades de criar grande riqueza material.

Porque as mãos dessas pessoas foram moldadas para aquele trabalho, e isso é suficiente.

25/07/2006

Sugestões, aceitam-se!

Ora pois muito bem, em breve, vou visitar a capital portuguesa, como já vos tinha dito.
Algumas sugestões de visitas e coisas imperdíveis, para além das óbvias?
As gerências aqui do Erro e do PorquinhoAzul agradecem :)