
Outras areias me esperam :)
Até breve!

IV) PLIPAs apanhadores: estes PLIPAs dedicam todo o tempo passado na praia a apanhar coisas; mais uma vez, a escolha do local para abancar é uma formalidade, pois os PLIPAs passarão todo o dia a divagar pela praia numa procura incessante de coisas para apanhar. Há os apanhadores de comes: tudo o que possa ser comido, eles apanham. Mesmo que o saldo do dia se resuma a 2 míseros caranguejos e 7 amêijoas, tudo vale a pena para comer qualquer coisinha. Há os apanhadores de itens em geral, que se dedicam a apanhar conchas, seixos, estrelas-do-mar, algas. Imagino que a decoração da casa deles seja bastante marítima, pois ninguém quererá tanta coisa para guardar em caixas no sótão. Ou então, constroem coisas com itens marítimos. Ou são coleccionadores. Bem, não sei, mas fico sempre a pensar qual o motivo da apanha de tanta coisa.

a) Meteorologista corporal: tem um reloginho nalguma parte do corpo, normalmente uma articulação problemática, que lhe permite prever com relativa exactidão o tempo que vai estar consoante o estado dessa articulação. Admite argumentação, mas fica sempre com a pulga atrás da orelha porque o reloginho raramente falha;
b) Meteorologista etário (ME): a idade, neste caso é um posto. Os MEs possuem toda uma experiência no campo, aliando normalmente o método empírico de avaliação ao reloginho e à leitura/audição atenta de todas as previsões, bem como recorrendo à troca de impressões com outros MEs. Os embates entre vários MEs rivais são extremamente violentos e culminam geralmente em zangas vitalícias ou que duram enquanto houver memória para as lembrar;
c) Meteorologista gregário (MG): o meteorologista do diz que. Diz que vai estar calor, diz que vai chover, diz que…não se sabendo muito bem quem disse nem se alguém realmente o disse. Os embates entre vários MGs podem ser de estalo, pois nem todos temos as mesmas fontes: e se diz que vai chover num lado, pode muito bem dizer que vai estar de sol noutro. Outra expressão muito utilizada pelos MGs é “amanhã dão chuva” - atribuindo a previsão a uma espécie de entidade superior que dá coisas, de maneira a evitar o confronto. Para além disso, ninguém recusa nada que seja dado. Este é o tipo mais comum de meteorologista de meia tigela;
d) Meteorologista falhado (MF): o meteorologista que não acerta uma. Por mais que tente, avalia sempre mal os dados, ouve mal as previsões e é arrasado por todos os outros meteorologistas. No entanto, manda sempre o seu bitaite.
E vocês, que tipo de meteorologista são? :)


Das recordações mais vivas que tenho dessa altura é que o primeiro dia e a primeira noite foram horríveis. Muita coisa correu mal assim que chegámos: o alojamento estava mal atribuído, passámos horas numa fila enorme à espera para o alterar e a burocracia era imensa (nada a que não estejamos habituados por cá…). Chegada finalmente ao local onde ia viver durante meses, foi a desilusão quase total. O quarto era minúsculo e não estava propriamente limpo nem era minimamente confortável, a mobília era horrorosa e as restantes instalações da casa deixavam bastante a desejar a muitos níveis. Bem, o primeiro impacto foi mesmo o pior possível. A primeira noite que lá passei foi a cereja em cima do bolo: muito mal dormida, com recriminações por ter decidido ir e tudo em mim a dizer-me para voltar.
Felizmente, nenhum momento da estadia foi tão mau como estes primeiros. Acabei por (ter de) me adaptar à situação o melhor possível e aprender a ver as coisas com outros olhos. Foi um desafio pessoal, eu contra mim própria, que me trouxe muitos outros desafios que consegui ultrapassar e que me fez viver tanta coisa, boa e menos boa. Aprendi muito. E aprendi que há experiências que temos mesmo de nos obrigar a ter, por nós próprios. Porque também aprendemos connosco.
Porque as mãos dessas pessoas foram moldadas para aquele trabalho, e isso é suficiente.
Não consegui evitar! Velhotes caquéticos-armados-em-espertos como este deste mundo: por algum motivo vos caem os dentes, OK? Para terem menos probabilidades de dizer asneiras! Portanto apanhem o metro, vão até um jardim público jogar umas cartadas, sorriam aos transeuntes, oiçam o relato e falem mal de meio mundo; isto, vocês fazem bem. Quase tudo o resto irá fazer-vos cair no ridículo. Respeitem quem vos paga parte da reforma e tem idade para ser vosso bisneto! Grunf!





O meu problema com os trabalhos manuais é sempre o mesmo: um misto de preguiça com falta de paciência. É terrível, e é um hábito que estou sempre a tentar corrigir ou contrariar. Bem, pior que não acabar, é nem sequer chegar a começar. E eu comecei, por arrasto de uma artista a sério e de um artista por natureza; eles têm jeito, eu tenho boa vontade! Assim começou um projecto de projecto, ainda muito pequeno, mas com algumas mãos a tentar que ele, devagarinho, tenha pernas para andar.




