Num dos meus trajectos quase diários, passo por uma papelaria muito… peculiar. Existe há anos, sempre no mesmo local. Podia ser uma papelaria comum, mas não é. Há algo que a torna especial: o cheiro.
Ora este cheiro até podia ser agradável, mas…não é. Mesmo quando a papelaria está fechada, o odor persiste e emana pelas frinchas, lembrando aos transeuntes a presença da dita loja. Secalhar até é uma boa estratégia publicitária, para quem gostar de maus cheiros intensos... é que o cheiro é nada mais, nada menos que um potente e vigoroso odor a mofo (bafio?).
E agora perguntam vocês, porque é que o dono de uma papelaria deixa que ela fique a cheirar ao tão pouco apelativo mofo? Não sei. Consigo imaginar, sim, o porquê dela cheirar a mofo. O sítio nunca viu uma remodelação, um arranjinho que fosse, e está cheio de humidade e pó; há artigos que estão no mesmo sítio desde que a papelaria abriu, num ano ido do século passado - jogos com caixas descoloradas, livros com humidade, artigos perdidos no meio de camadas e camadas de pó, impressos que não se usam há décadas. Nem os donos e funcionários devem saber o que por lá há. Para além disso, o espaço está tão atafulhado e (aparentemente?) desorganizado que mal se consegue andar. Possivelmente, subsistem vários ecossistemas raros naquele ambiente, entre traças, bichezas do papel e outra fauna característica de papelarias. Como se tudo isto não bastasse, abrem e fecham às horas que querem. Ou seja, atingiram um nível de desleixo quase impensável num estabelecimento comercial.
O mais estranho nisto tudo? As pessoas fazem fila para lá ir, esperam pacientemente que abra, todos os dias. E esperam para ser atendidos, porque lá também não se prima pela rapidez. Um autêntico enigma, esta papelaria.