23/11/2006

Dos espaços

Gosto de locais e objectos que me fazem lembrar pessoas e situações. E de locais onde há objectos cuja história já me foi contada, coisas de quem já não existe e que continuam lá, quase no mesmo sítio, a lembrar-nos as pessoas [como se fosse preciso...], a contar com silêncios os hábitos e as histórias de uma longa vida. É nesses silêncios que chegam, baixinho, as saudades. Talvez a chuva ajude.

22/11/2006

Devagar, devagar...

...passam os últimos dias neste escritório do 8.º andar. Falta tão pouco, meia dúzia de dias. Depois deles, as férias, as procuras de casa, as mudanças e as burocracias todas, as corridas da época de Natal.

Vai ser um Dezembro complicado, vai. E a conhecida expressão ano novo, vida nova vai ter uma tradução quase literal na minha vida.

21/11/2006

...e as 7 maravilhas do Errortográfico

Dava muito trabalho estar aqui a eleger sete maravilhas pessoais concretas. Portanto limito-me a dizer que passariam sempre pela família, pelos amigos, algumas envolveriam chocolate e açúcar, outras palavras, outras implicariam actividades do chamado tempo de qualidade. Não é preciso complicar demasiado para ter muito com pouco.

Novas 7 maravilhas do mundo

Vote for the new 7 world wonders

Já está a decorrer a votação para as novas 7 maravilhas do mundo, e basta um registo simples para se poder votar. Os meus votos já lá estão :)

20/11/2006

A vida num elevador III


Uma das maiores dúvidas que assola os utilizadores regulares de elevadores é seguramente esta: para onde dirigir o olhar quando há mais gente presente?

É curioso como temos bastantes problemas com os olhares. Se não olhar pode ser considerado má educação, olhar em demasia também pode provocar situações embaraçosas e deixar transparecer uma certa má educação. O ideal será...algo de intermédio.

Enquanto alguns tentam não cruzar o olhar com ninguém mexendo no telemóvel, em papéis ou na carteira, outros passeiam os olhos por todo o elevador e procuram evitar a área de contacto visual a todo o custo. Já outros, preferem observar atentamente os interessantes autocolantes do elevador ou fixar o olhar nos números que passam...

Pouco interessantes, os esquemas que arranjamos para não olhar muito para os outros. Mas quase todos os utilizamos, nos elevadores e em muitos outros locais...

17/11/2006

Prognósticos


Bom fim-de-semana :)

Páre, escute e olhe

Estas palavras deviam podiam estar escritas em muito mais sítios. E seriam tão úteis - como nas passagens de nível - a quem lhes desse a atenção devida.

16/11/2006

Liberta o revoltado que há em ti!

Todos temos um revoltado dentro de nós, que ataca com maior ou menor frequência. Família, amigos, transeuntes inocentes, funcionários de lojas ou serviços públicos, qualquer pessoa serve quando queremos transmitir a nossa revolta, seja ela mais ou menos justificada e indignada.

Motivação, não falta, e dentro dos revoltados existem várias tipologias:

I) Revoltado in extremis: poucas vezes se revolta, mas quando o faz, pode passar quatro horas e trinta e sete minutos a descrever o motivo a quem o quiser ouvir. Se ninguém o quiser ouvir, discursa para as pedras da calçada até lavar a alma com palavras de indignação.

II) Revoltado de meia-tigelazinha: este tipo de revoltado é de cariz fracote. Não se dedica afincadamente a extravasar a revolta, limitando-se a esporádicos queixumes acerca do tempo, das filas de espera nalgum local, da secura avançada de um determinado bolo, do trânsito algo incomodativo, etc.

III) Revoltado intermédio: dedica-se aos temas mais em voga na actualidade: aquecimento global, extinção de algumas espécies, inflação, entre outros. Revolta-se com algum afinco e demonstra algum cuidado na selecção das temáticas despoletadoras da revolta.

IV) Revoltado-cliché/por-dá-cá-aquela-palha: tudo e todos revoltam este revoltado inato. Os preços das coisas que estão sempre pela hora da morte desde que veio o euro, os salários que são sempre baixos e lá no estrangeiro é que se ganha bem, o trânsito que está sempre mau, o vencedor do festival da canção porque a nossa canção era bem jeitosa, os políticos - esses gatunos! - que só roubam, a gasolina que não pára de aumentar, a comida que dantes é que era boa e agora nada presta e tudo tem doenças e mercúrio, entre outros inúmeros temas. Tudo pode desencadear a língua viperina deste revoltado, que já não sabe fazer outra coisa a não ser revoltar-se; por ele, por todos os que o rodeiam, pela humanidade em geral.

V) Revoltado por contágio: nunca chega a revoltar-se com nada, mas ouve atentamente todos os outros revoltados e concorda, solidário, com quase tudo.

E vocês, já analisaram o vosso potencial revoltoso?

Vinte mil e quantas?!

Com que então aqui o Errortográficozinho já teve mais de 20 000 visitas* e eu nem reparei?!

Da minha parte, e enquanto sócia-gerente aqui do local, muito obrigada!

*Começo a ficar preocupada convosco, pessoal. Afinal de contas, o que vos faz cá vir e voltar? :)

15/11/2006

Uma questão de território

Da última vez que tive de partilhar território com quase-desconhecidos, a coisa não correu propriamente mal; mas nunca se está tão à vontade como numa casa só nossa ou partilhada com pessoas que conhecemos bem (e mesmo com pessoas que conhecemos bem, os problemas surgem, é inevitável!).

Agora, que tenho de procurar poiso mais a sul, surgiu a possibilidade de partilhar casa com alguém que me é totalmente desconhecido. Não hesitei na resposta: não, obrigada. Vou aproveitar a mudança - por enquanto, apenas temporária - para ter o meu espaço, as minhas coisas, os hábitos que bem entender. Para receber quem me apetecer. Sem ter alguém à perna, sem ter de fazer pouco barulho só porque já está alguém a dormir, sem ter de esperar para ir à casa de banho ou para usar o fogão, sem ter de justificar que me apetece fazer isto ou aquilo ou nada.

Assim sem pensar muito nos pormenores, já imagino a coisa a correr bastante mal com a companhia de um desconhecido; acho que afinal sou muito mais territorial do que pensava :)

14/11/2006

Da comunicação ou ausência dela

Observar um casal conhecido durante algumas horas, num espaço público, e constatar que dedicam mais atenção aos telemóveis* (topo de gama, iguais) do que a quem está mais próximo - o outro elemento do casal. No mínimo, perturbante.

*Se alguma vez eu ficar assim, agradeço um estalo ou até vários. E merecidos.

13/11/2006

Dos possíveis reencontros que não chegam a sê-lo

Noutro dia, podia ter reencontrado alguém que não via há meses. Não vi a pessoa quando passei por ela; vi alguém a fazer sinalefas, mas ignorei-a sem querer e porque ia em conversa com várias pessoas. Depois quando finalmente a vi, já de mais longe, confesso: fingi que não a tinha visto e evitei airosamente o reencontro (ela também não fez grande esforço para além do inicial, saliente-se...a pouca vontade devia ser recíproca).

Odeio fingir que não vejo as pessoas; mas há situações, quando os reencontros vão ser penosos e cheios de sorrisos amarelos, em que não vale a pena o esforço. E esta é só uma das piores sensações que se pode ter em relação a uma pessoa. Mas há pessoas assim, com quem sabemos que não vale a pena criar laços; pior, não conseguimos criá-los, por mais que até haja oportunidade. Quando há tão pouco em comum, quando nem a convivência (forçada) consegue criar algo para além dos sorrisos amarelos e da conversa de circunstância: não adianta forçar uma coisa que não existe. Decididamente, as amizades fazem-se pelas pessoas, raramente pelas ocasiões.

10/11/2006

Surto de comichão no nariz assola Portugal

Com muitos hidratos de carbono, pouca gordura e poucas calorias, as castanhas são "ricas em folato e vitaminas C e B6. São uma boa fonte de ferro, fósforo, riboflavina e tiamina".

E o cheiro, o cheiro! As castanhas trazem-me das melhores recordações; compradas à beira-mar, na baixa, assadas muito longe de casa depois de recebidas pelo correio, descascadas no final nos almoços de Domingo na minha avó ou nos magustos entre amigos...enfim, gosto muito de castanhas! E sim, fico com bastante comichão no nariz quando as estou a descascar.

Tudo isto para vos desejar um óptimo S. Martinho e um excelente fim-de-semana :)

09/11/2006

O meu já cá canta!

O Acorda, pois claro, aquele álbum que vos sugeri noutro dia! Presumo que todos os leitores solidários do Errortográfico tenham também acorrido em massa às lojas de música deste país para o comprar, certo? Sim, claro que sim, eu logo vi! A causa é boa e a música também. Portanto se ainda não o compraram, colmatem essa grave lacuna brevemente, OK?

É que ainda por cima estão lá os s0ma, que podem conhecer/ouvir neste link anterior e também aqui; e não desfazendo as restantes 59 bandas, que são todas magníficas, excelentes e fofas e tudo, os s0ma são a minha favorita e a mais magnífica, excelente e fofa e tudo* de todas ;)

*Esta não é uma afirmação imparcial, como é evidente, mas tratando-se do meu blog, posso-me dar a estes luxos, ah pois posso; como toda a gente sabe, só os grandes meios de comunicação são sempre imparciais. Cof.

08/11/2006

Do amor, de cor e salteado

Há músicas com que implicamos sem saber muito bem porquê. Outras há, com as quais implicamos por algum motivo em particular: ou porque são de uma determinada banda/cantor de que não gostamos, ou porque nos irritam, etc. E há ainda um motivo muito forte pelo qual podemos odiar uma música: a letra.

Vem isto a propósito de uma música que se tem ouvido bastante por cá ultimamente, dum cantor português que tem um segundo nome (artístico) comum a uma personagem dos Marretas. Para quem ainda não conseguiu visualizar:



Não que eu goste especialmente das músicas dele - confesso que não faz muito o meu género; mas nunca tinha odiado vigorosamente nenhum tema do senhor. Bem, talvez o da proibição dos jardins tenha sido um bocadito batido ao ponto de nos provocar instintos homicidas, há tempos atrás; mas dos ódios de temas pelo motivo de terem sido tocados até à exaustão total, posso falar noutro dia.

Mas afinal, porque é que eu odeio a “sei-te de cor”? Como já disse, pela letra (se não conhecerem, uma pesquisa rápida leva-vos rapidamente ao tema em questão). Porque saber de cor alguém não pode ser bom e muito menos pode ser sinónimo de amor. E também não acho que saber de cor alguém seja mau. Acho, sim, que é péssimo. Senão, vejamos: não há surpresas, porque sabemos tudo e mais alguma coisa dessa pessoa. Não há segredos. Não há desconhecido, porque sabemos tudo de cor nessa pessoa. Sabemos tudo tão de cor que já nem sequer precisamos de pensar para a analisar. E isso, senhores, isso é a pior coisa que pode haver. Não quero decorar as pessoas. Quero-as ir conhecendo, por mais que as conheça há anos. Quero que me surpreendam, quero que guardem segredos, quero que sejam elas próprias e que não se deixem conhecer assim tão facilmente. E pronto, era isto que vos queria dizer hoje.

07/11/2006

Interrupções



Culpada, culpada me confesso. Deveria estar a ler o livro da coluna da direita, mas...não. Interrompi-o para ler este e consegui finalmente acabá-lo, numa daquelas fúrias de leitura que nos dão de vez em quando, particularmente em tardes cinzentas e chuvosas.

Durante a leitura, duas situações curiosas. Numa delas, tinha a TV ligada com música de fundo e precisamente no momento em que lia uma frase que se referia aos REM (sim, a banda), começa uma música deles na TV. A música era a It's the end of the world as we know it (and I feel fine). Ainda bem que não sou dada a superstições e sei que o mundo vai acabando todos os dias pela mão de uns, enquanto outros tentam algo desesperadamente dar-lhe um jeitinho. A outra situação, menos dada a segundas interpretações, é que fui atacada por uma súbita vontade de beber chá preto com leite; saudades disfarçadas, talvez?

Quanto ao livro em si, gostei e recomendo! Quem preferir ver a adaptação cinematográfica, basta esperar uns tempitos, porque a estreia do filme com o mesmo nome prevê-se lá para 2007.

06/11/2006

Precisa-se: almofada perfeita


Acho que um dos grandes objectivos da nossa vida é encontrar a almofada perfeita. Aquela almofada cuja combinação de fofura e conforto é a mais harmoniosa; aquela almofada que só de pensarmos nela, ficamos com sono e os olhos rebolam nas órbitas. A almofada que nos enche as medidas. A almofada que absorve o nosso turbilhão de pensamentos e os transforma em ideias coerentes e decisões acertadas. A almofada à qual contamos tudo e com quem choramos baixinho quando é preciso. A almofada em que podemos bater quando estamos zangados, a almofada a que nos queremos agarrar para dar um berro. Enfim, todos procuramos a melhor almofada para o nosso mundo: "a" almofada (nota-se assim muito que gosto bastante da palavra almofada?).

Ora eu preciso urgentemente de outra almofada perfeita. Ando a dormir pior, tenho acordado mais vezes que o costume e tenho a certeza quase absoluta que a culpa é da minha ex-almofada perfeita, cujas propriedades ortopédicas desapareceram com o tempo e cuja ergonomia já deve ter atingido níveis negativos e até prejudiciais. Desculpa lá, almofadinha, mas está na hora de comprar uma almofada nova; tu já sabes demasiado. Let the search begin!

03/11/2006

A hora do guarda-vestidos

Depois de ter arrumado recentemente o meu armário de sapatos, cuja organização exemplar tem vindo a diminuir significativamente com a passagem do tempo e ao sabor das fúrias para encontrar um determinado par, ontem foi a vez do guarda-vestidos. Então, muni-me do meu capacete e mãos à obra: é que o meu guarda-vestidos não via uma arrumação profunda há...anos. OK, alguns anos. Cof.

A tarefa demorou algumas horas; consegui filtrar muita roupa/carteiras que já não uso, ainda procurei filtrar roupa/carteiras que acho que nunca mais vou usar, num esforço estóico de previsão futurológica. A secção das carteiras teve direito a reorganização total, de acordo com tipos e cores. Organizei ainda a minha gama de pijamas por grau de aquecimento. No final, pensei, na minha inocência: missão cumprida!

Ora o grande problema é que depois de toda a filtragem, arrumação e organização, sabem a linda conclusão a que cheguei? Tanto trabalho para nada…o meu guarda-vestidos continua a ser muito pequeno! Será possível?!

02/11/2006

Confirma-se II

Sim, outra vez. Alguns meses depois de uma mudança laboral, anuncia-se outra. Maior, muito maior. Confio que seja também para melhor, ou não teria tomado a decisão final. Só que desta vez, arrumar a papelada não chega...é preciso arrumar muito mais coisas.
No início do próximo ano, o Errortográfico vai fazer a sua primeira mudança geográfica :)

31/10/2006

Todos falamos chinês III

Esta crónica também se podia chamar "de como eu odeio os restaurantes com a mania que são chiques com empregados também com a mania de que sabem tudo".

"EMENTA
(...)
PRATOS VEGETARIANOS
Beringela recheada com não sei quê
Risotto de funghi porcini"

Eu - Queria a beringela.
Empregado - OK.
[Passa-se algum tempo]
Empregado - Peço desculpa, mas não temos beringela!
Eu - Pois, mas eu não gosto desses cogumelos...
Empregado [ar escandalizado] - Cogumelos?! Quais cogumelos?!!
Eu - Esse tipo de cogumelos, os porcini!
Empregado [ar de quem aprendeu isso agora] - Ah...então deixe cá ver. Temos o salmão com não sei quê!
Eu - Pois, mas eu queria um prato vegetariano.
Empregado - Ah! Então já sei, a pasta nera com SALMÃO! [Ar glorioso!]
Eu - Bem, eu vou-lhe explicar. Vegetariano não come carne nem peixe!
Empregado - Ah...
Eu - Pronto, eu como o arroz...mas não devo gostar.
Empregado [ar escandalizado] - Arroz?! O arroz de pato?! [sim, constava do menu]
Eu - Não, o risotto de cogumelos!!
Empregado - Ah...OK.

Parecia uma conversa de maluquinhos, garanto. E pior que não saber determinadas coisas gastronómicas que nem todos temos de saber, é trabalhar num restaurante e mesmo assim não saber determinadas coisas gastronómicas que um colaborador devia obrigatoriamente saber (ainda por cima, a ementa tinha uns 6 pratos). Para piorar as coisas, confirmei que realmente não sou fã de funghi porcini; e o arroz estava verdadeiramente intragável. Para piorar ainda mais as coisas, a brincadeira não saiu propriamente barata. Enfim. Resta-me o consolo de nunca mais pôr lá os meus delicados pezinhos!