31/12/2012
Mais
Não consegui escrever muito mais no blog do que no ano passado. Mas num ano, consegui ter várias surpresas boas, bastante trabalho, alguns reencontros com amigos de longa data, conhecer amigos novos, aproximar-me de algumas pessoas que já conhecia, mais dias de bem-estar, alguns passeios. Assisti a inícios, infelizmente também a alguns fins, consegui arranjar mais histórias para contar. Não fiz tudo o que queria nem tive tanto tempo como devia para algumas pessoas e coisas, mas aprendi a lidar mais um bocadinho com essa insatisfação e percebi que era sempre possível melhorar. 2012 trouxe-me serenidade q.b. e gostei disso. Por tudo isto, se isto não é um ano bom, não sei o que será; felizmente, não me posso queixar, e como tenho tendência a nem gostar de lamúrias sem grande motivo, melhor para mim. Foi um ano bom, o de 2012. Agora, venha melhor em 2013, e isso inclui o melhor para aqueles que me rodeiam, para as pessoas de quem gosto. Quero tê-las todas bem perto, ou ainda mais perto, em 2013. Bom ano :)
21/12/2012
/ignore
Hoje em dia, é tão fácil chegar às pessoas. Nem vale a pena começar a listar formas. E no entanto, acho que nunca se esteve tão longe de estar verdadeiramente perto. Vivemos a achar que sabemos tudo uns sobre os outros no Facecenas, até vemos o que as pessoas comem em algumas redes sociais, aquilo de que gostam noutras redes sociais diferentes. É todo um mundo de sociabilidade pegada em que todos somos tão amiguinhos.
E mesmo assim, apesar de todas as facilidades, parece que é cada vez mais normal ignorar chamadas, é banalíssimo não as retribuir, é aceite que não se responda a uma mensagem ou a um e-mail porque bem, se essa pessoa quer mesmo falar connosco ela vai tentar por outra das milhentas formas que existem. Afinal, nós temos coisas tão mais importantes a fazer do que falar com ela.
Hoje aconteceu-me exactamente isso, fui ignorada apesar de ter usado três meios diferentes insistentemente, porque apesar de ser para algo meio insignificante, era relativamente urgente. Por isso, obrigada, pessoa que me ignorou; aprendi que mais vale estar quietinho a não gastar latim, mais vale não me incomodar. Não me chateia que me ignorem perguntas ou que recusem o que proponho; chateia-me sabê-las ali sem se darem ao trabalho sequer se escrever "não dá, adeus!". Pelo menos seriam 10 caracteres e não indiferença total. Se calhar era este, o fim do mundo que anunciavam: há sempre alguém para quem já quase morremos ou que morreu para nós.
E mesmo assim, apesar de todas as facilidades, parece que é cada vez mais normal ignorar chamadas, é banalíssimo não as retribuir, é aceite que não se responda a uma mensagem ou a um e-mail porque bem, se essa pessoa quer mesmo falar connosco ela vai tentar por outra das milhentas formas que existem. Afinal, nós temos coisas tão mais importantes a fazer do que falar com ela.
Hoje aconteceu-me exactamente isso, fui ignorada apesar de ter usado três meios diferentes insistentemente, porque apesar de ser para algo meio insignificante, era relativamente urgente. Por isso, obrigada, pessoa que me ignorou; aprendi que mais vale estar quietinho a não gastar latim, mais vale não me incomodar. Não me chateia que me ignorem perguntas ou que recusem o que proponho; chateia-me sabê-las ali sem se darem ao trabalho sequer se escrever "não dá, adeus!". Pelo menos seriam 10 caracteres e não indiferença total. Se calhar era este, o fim do mundo que anunciavam: há sempre alguém para quem já quase morremos ou que morreu para nós.
25/11/2012
Já não tenho idade para certas coisas
Uma delas é estar a secar numa discoteca à espera de concertos a uma sexta-feira às tantas da madrugada. Praticamente dormi em pé enquanto miúdas fresquinhas de 18 abanavam freneticamente a anquinha estreita coberta por trapinho da moda, acompanhadas de bebidas coloridas. Mas a idade, essa também supreende, às vezes: quando finalmente foi hora do concerto e eu já tinha feito umas 4 siestas em pé, as miúdas encostaram às boxes, cansadas e alcoolizadas, e eu, fresca que nem uma alface a aproveitar o concerto. Sim, a idade pode tirar alguma paciência para esperar, mas também nos dá armas para aproveitar melhor.
29/10/2012
Tricotando ou morrendo a tentar
Pois bem, depois de desbravar o glorioso mundo da panificação, vou tricotar. O meu jeito e paciência para os trabalhos manuais é praticamente nulo, mas macacos me mordam se não vou decidir que odeio depois de tentar com algum afinco. Até ver, consegui pôr a mãe às aranhas para explicar; já aniquilei vários pedaços de lã; já fui a uma loja de lãs com uma velhinha enxuta no atendimento; já tive conversas sobre lã na frutaria; a coisa promete. Daqui a nada, estou a contar como já manejo as agulhas como se de sabres de luz se tratassem; é aguardar.
Lá longe, do outro lado do mar
Tenho algumas amigas bem longe, do outro lado do oceano, onde passa uma tempestade que se diz ser muito má. Sabemos que "longe" não existe quando nos preocupamos como se pudéssemos realmente fazer alguma coisa.
28/09/2012
Do exercício
Normalmente, nunca gosto demasiado dos ginásios; vou por pura obrigação. Ultimamente tenho andado bem mais dedicada e passei a gostar até de lá ir, uma questão de professores certos, aulas interessantes e mais companhia para ir. Foi o ginásio que consegui frequentar mais tempo e de que posso dizer que "até gosto".
Agora que há concorrência próxima, era de esperar que os preços se ajustassem ligeiramente, mas não. Era de esperar que tentassem cativar os clientes actuais e mais antigos, mas não: as ofertas são quase exactamente as mesmas. E assim sendo, vou experimentar outras opções. O que é estranho é que agora queria continuar lá, mas a minha costela da poupança obriga-me, pelo menos, a tentar os outros. Portanto, será um adeus caso eu goste das outras ofertas. Mas só hoje, ao ir a uma aula com um dos professores de que gosto, me apercebi que é verdade, é possível: vou ter saudades da porcaria de um ginásio. Só pode ser da idade.
Agora que há concorrência próxima, era de esperar que os preços se ajustassem ligeiramente, mas não. Era de esperar que tentassem cativar os clientes actuais e mais antigos, mas não: as ofertas são quase exactamente as mesmas. E assim sendo, vou experimentar outras opções. O que é estranho é que agora queria continuar lá, mas a minha costela da poupança obriga-me, pelo menos, a tentar os outros. Portanto, será um adeus caso eu goste das outras ofertas. Mas só hoje, ao ir a uma aula com um dos professores de que gosto, me apercebi que é verdade, é possível: vou ter saudades da porcaria de um ginásio. Só pode ser da idade.
17/09/2012
Não sou de protestar, que não sou.
É raro, sim, por inúmeros e variados motivos que não são para aqui chamados.
Talvez proteste quando não me deixarem tirar uma tarde inteira, almoçar com uma das melhores amigas de todo o sempre e a sua filhota mais linda, e ainda ir lanchar com outra amiga e o seu rebento fofo que só ele.
Por isso, por mais que me tirem e às malfadadas vítimas dos recibos de cor esmeralda, não me vão, nunca, tirar o que realmente me interessa.
Talvez proteste quando não me deixarem tirar uma tarde inteira, almoçar com uma das melhores amigas de todo o sempre e a sua filhota mais linda, e ainda ir lanchar com outra amiga e o seu rebento fofo que só ele.
Por isso, por mais que me tirem e às malfadadas vítimas dos recibos de cor esmeralda, não me vão, nunca, tirar o que realmente me interessa.
22/08/2012
Das corridas
O mais próximo que irei estar de aderir à recente moda das corridas - toda a gente corre, toda a gente quer correr e pôr os exercícios bem visíveis nas redes sociais para todos verem que corre, ter sapatilhas da moda e roupa fluorescente daquela que seca rápido - fiz um magnífico sprint hoje: atingi a velocidade de ponta no corredor, fiz curva rasante para a cozinha, derrapei na direcção do caixote do lixo, retirei tampa, enojei-me com o cheiro do lixo como sempre acontece, fechei saco, retornei a correr, desci as escadas duas a duas, tudo para chegar a tempo do camião de recolha a passar.
Há quem corra para exercício; eu só corro para que não cheire mal.
Há quem corra para exercício; eu só corro para que não cheire mal.
14/08/2012
Da extrema importância de ter um amigo piloto de aviões
Poder desconstruir quase todos os estereótipos sobre pilotos de aviões; e ter alguém que nos explica que o GPS não é nefasto para o cérebro.
Para além disso, chegar à conclusão de que se pode ter bastante em comum com um piloto de aviões :)
Para além disso, chegar à conclusão de que se pode ter bastante em comum com um piloto de aviões :)
13/08/2012
Era doce 1
Todos os anos festejo o aniversário, todos. E como todos gostamos que se lembrem de nós nesse dia, com uma palavrinha que seja. Nos últimos anos, são muitas as palavras no mundo virtual, cada vez menos as reais; reflexo dos tempos, sim. Contentamo-nos com pouco, com atenções mais impessoais, com um "Parabéns, beijinhos" bem intencionado - e não desvalorizo a atenção, pessoas que não nos davam os parabéns há anos passaram agora a fazê-lo outra vez, e se foi bom reencontrá-las, melhor ainda se têm esse cuidado. Outros costumavam ligar-nos ou enviar mensagens e agora confiam ao virtual a tarefa; nada contra, se calhar afastámo-nos, se calhar eles não têm tempo para mais.
Só que há pessoas de quem esperávamos mais. Aquelas que se lembram sempre, que telefonam sempre, aquelas que esperávamos que estivessem sempre lá. De repente, um belo dia, não estão, e nem sequer se lembram que existimos, nem sequer no nosso dia de anos. Ficamos tristes.
Depois, prometemos a nós próprios que vamos tentar não fazer isso às pessoas de quem gostamos. E agradecemos ter havido quem se lembrasse e se desse ao trabalho.
Só que há pessoas de quem esperávamos mais. Aquelas que se lembram sempre, que telefonam sempre, aquelas que esperávamos que estivessem sempre lá. De repente, um belo dia, não estão, e nem sequer se lembram que existimos, nem sequer no nosso dia de anos. Ficamos tristes.
Depois, prometemos a nós próprios que vamos tentar não fazer isso às pessoas de quem gostamos. E agradecemos ter havido quem se lembrasse e se desse ao trabalho.
02/03/2012
O mundo é cruel
E o glorioso mundo da panificação não foge à regra. Anda uma pessoa à roda de uma massa durante tempos infinitos, a tratá-la bem, quase a dar-lhe beijinhos e a aguardar pacientemente, apenas para verificar que o que devia acontecer (ela crescer), não acontece. Ser aspirante a padeira é complicado; mas eu tenho um fraquinho por coisas que dão luta. Em compensação, este post é totalmente desinteressante e admiro quem o continuou a ler.
01/03/2012
Sabemos que estamos a ficar velhos
Quando começamos a dizer "estamos em Março, já?!" com ar entre o chocado e de quem acabou de passar os últimos tempos a achar que ainda era lógico considerar-se o ano novo.
É nessas alturas que penso, quero lá saber de estar a ficar velha. Se estar velha significa poder andar com os filhos dos amigos ao colo e brincar com peluches outra vez, fazendo vozes idiotas sem ninguém se ralar, ir comer a restaurantes melhores porque já não preciso de poupar todo o tusto da mesada e passear mais vezes, venham os anos todos.
É nessas alturas que penso, quero lá saber de estar a ficar velha. Se estar velha significa poder andar com os filhos dos amigos ao colo e brincar com peluches outra vez, fazendo vozes idiotas sem ninguém se ralar, ir comer a restaurantes melhores porque já não preciso de poupar todo o tusto da mesada e passear mais vezes, venham os anos todos.
15/02/2012
Quem diz 3, diz 4
Só para acrescentar que a minha costela panificadora está a dar frutos: ele é pão da avó, ele é pãezinhos de alho, ele é biscoitos salgados, ele é pães aromatizados. Insignificantes para a humanidade em geral, grandes conquistas para uma preguiçosa nata como eu.
E já agora que não há 2 sem 3
Porquê chamar "relva sintética" a algo que não é uma planta, nem sequer é vegetal, não é verde e não é agradável? Não se pode bani-la?
Dos grandes ideais românticos
Acho que perdi os meus algures entre dobrar 53 pares de meias sem êxito de correspondência cromática e dimensional, fazer o almoço para amanhã e varrer a casa pela 657.ª vez esta semana para tentar captar todos os vestígios de relva sintética.
Quando eu for grande
Noutro dia, pensava em quantas das coisas que idealizava para quando fosse grande terei cumprido. Pelas minhas contas, nenhuma. Pior ainda, agora que já sou grande sinto-me relativamente pequena outra vez, à espera de crescer qualquer coisinha um dia destes, mas desta vez a saber que maior, em tamanho, não vou ser (sendo optimista e considerando que não vou engordar muito além do actual). Mas é curioso constatar como mudei e como mudou aquilo que considerava ideal.
Apesar de todo este existencialismo em potencial, há coisas que não mudam; continuo a gostar de: morangos, rolo de cenoura, falar com amigos, gelado quente e frio, passear, malas e carteiras, mar, escrever com lápis, biscoitos. Coisas simples. Acho que não preciso de muito mais quando for crescida.
Apesar de todo este existencialismo em potencial, há coisas que não mudam; continuo a gostar de: morangos, rolo de cenoura, falar com amigos, gelado quente e frio, passear, malas e carteiras, mar, escrever com lápis, biscoitos. Coisas simples. Acho que não preciso de muito mais quando for crescida.
18/01/2012
Infinitamente pior
Que um blog morto, é um blog alvo de desleixo. Por isso mesmo, uma das minhas resoluções importantíssimas para 2012 é apenas não o matar de vez. Porque a matá-lo, ele precisaria de bastante mais vida do que esta; e no entanto, vai vivendo. Bom 2012!
05/09/2011
Das contradições
Recentemente, ao colaborar na organização de um evento, contactei seis restaurantes por e-mail a mais de uma semana do dito evento, a pedir orçamentos. Era para algo simples, nada de demasiado complicado. Um dos sítios respondeu dizendo que deveria ir pessoalmente ao local para pedir informações; outro sítio enviou rapidamente menus e sugestões. Quatro sítios não responderam até hoje.
Pergunto-me por que motivo há a forma de contacto por e-mail se depois não a usam, nem sequer se dignando dar uma resposta do género da pior que me deram, "contacte-nos no local". Sim, pode até ser um pouco idiota dado que se estamos a utilizar o e-mail é por algum motivo, mas sempre é melhor que ignorar por completo eventuais clientes.
Presumo que estejam todos tão cheios de trabalho que podem recusá-lo. Ainda bem para eles. Quanto ao evento, lá se realizou, no único sítio que deu uma resposta atempada e eficaz, por e-mail. É a tecnologia, senhores, é a tecnologia.
Pergunto-me por que motivo há a forma de contacto por e-mail se depois não a usam, nem sequer se dignando dar uma resposta do género da pior que me deram, "contacte-nos no local". Sim, pode até ser um pouco idiota dado que se estamos a utilizar o e-mail é por algum motivo, mas sempre é melhor que ignorar por completo eventuais clientes.
Presumo que estejam todos tão cheios de trabalho que podem recusá-lo. Ainda bem para eles. Quanto ao evento, lá se realizou, no único sítio que deu uma resposta atempada e eficaz, por e-mail. É a tecnologia, senhores, é a tecnologia.
24/08/2011
Há dias
Em que um único olhar pela janela compensa tudo o que se perdeu durante um dia a olhar para um ecrã. Em que se olha pela janela e a natureza, e o que a rodeia, nos compensam por tudo o que não deixamos de ver. Em que mil tonalidades de luz de um pôr-do-sol sobre a cidade nos deixam, literalmente, de boca aberta e com um sorriso de orelha a orelha. Dias como o de hoje.
18/08/2011
Aí em cima, cá em baixo*
Preciso de ir à minha cidade cinzenta favorita. Talvez porque a disposição também esteja assim, a meia-luz; e não que isso seja propriamente mau.
*São expressões de que nem sequer gosto particularmente, mas às quais tive de me habituar por estar em movimento bastante permanente entre as duas cidades; mas isso nem sequer vem ao caso.
29/07/2011
Das coisas que se aprendem com o tempo [e alguma fé no karma]
Se quisermos muito uma coisa, ela pode muito bem acontecer, mesmo que isso implique uma mudança de casa dos idiotas dos vizinhos de cima. (Estou a fazer figas até com os dedos dos pés para que seja verdade.)
Das coisas que se aprendem com o tempo [e algumas viagens]
O muito longe é relativo, principalmente no que diz respeito às pessoas. Tenho pessoas que estão bem longe fisicamente de quem estou e sou muito próxima e tenho pessoas que estão tão perto das quais estou cada vez mais longe. Cliché e verdade, o facto é que cada vez estou mais insensível à indiferença de quem nunca me diz nada e quando diz é para dizer que não pode. Assim falando muito sinceramente, não vou deixar que essas pessoas me façam a mínima falta. Temos pena, mas foi na viragem do ano que decidi que ia deixar de me importar tanto. A conclusão que tiro? Quem nos faz feliz, está connosco. Quem não está connosco passa à história de momentos mais ou menos felizes da nossa vida. Sem ressentimentos, só com a mágoa da perda, mas a certeza de que fizemos quase tudo para contornar o que era perfeitamente evitável. Saber dizer adeus sem o dizer também é necessário para prosseguir. E olhem, era isto.
23/05/2011
As aventuras de Izzoldinha no maravilhoso mundo da panificação
Há muito tempo que andava para me iniciar na nobre arte da panificação. Comprei os materiais há tempos infinitos, comprei um livro gigante para me ajudar (este, do qual estou a gostar muito), comecei a seguir vários blogues, mas a preguiça e ainda a preguiça extrema (minhas duas grandes inimigas do coração) têm sido um grande entrave ao arranque. Este fim-de-semana passado, foi à força: fiz um workshop de massas de pizza e pão no sábado e logo no domingo, já em casa, quis pôr em prática os conhecimentos adquiridos. Ora como é óbvio, esta primeira tentativa (com massa para focaccia) tinha obrigatoriamente de sair mal, pois senão eu ficaria convencida de que era a maior padeira lá do bairro e isso não poderia acontecer assim à primeira; talvez só à segunda. Portanto, um pequeno erro de cálculo da minha responsabilidade fez com que a bela da focaccia, apesar do seu aspecto delicioso, ficasse ligeiramente seca após o arrefecimento. Mas bem, o primeiro passo está dado, a focaccia seca vai ficar melhor em pão ralado, vou continuar a ler o livro e não tarda nada, há-de haver mais tentativas, ah, se vai.
28/04/2011
Com a cabeça na lua
E por motivos de trabalho, o que transforma algo que até poderia ter um motivo nobre e interessante numa coisa completamente aborrecida. Há meses com a cabeça na lua, e nos outros planetas, nas constelações e afins. Apesar de gostar da segurança de um trabalho um pouco mais duradouro num planeamento que normalmente só pode ser feito diariamente, e que está sempre a sofrer trocas e baldrocas, passar meses a fio a olhar para a mesma coisa dá-me cabo do sistema, habituada que estou a mudar de tema como quem muda de camisola. Acabar este trabalho vai ser um alívio tão grande que já nem tenho olhos para nada a não ser para o prazo final, que por sinal se aproxima a olhos vistos.
E com isto, com um trabalho de prazos constantes, está-se sempre a querer que o tempo passe depressa, algo que me irrita profundamente, mas que não consigo contornar. Sempre a adiar as coisas para quando acabar isto, sempre a pensar que depois é que vai ser. O pior é que a um prazo, segue-se sempre outro e...mais vontade que o tempo passe depressa.
19/04/2011
Os perfeitos idiotas que são os meus vizinhos de cima
E podia acabar o post por aqui, porque o título já resumiria tudo de modo ideal e sucinto.
Já tive algumas casas e inúmeros vizinhos; em bairros piores ou melhores; já tive vizinhos cuscos, já tive vizinhos um pouco barulhentos (mas nada de grave), já tive vizinhos um pouco irritantes. No entanto, nada me preparou para o verdadeiro jackpot: vizinhos barulhentos, porcos e mal-educados como a família que vive no andar por cima do que habito. Uma família (apenas) aparentemente normal, sim, casal e um filho, que tudo faz para tornar a vida de quem os rodeia num verdadeiro inferno, mesmo sem o notar. A mais elementar idiotice começa no facto de fumarem à janela, sem cinzeiro e sem ter em atenção que há 3 andares por baixo a receber as suas preciosas dádivas de cinza, para além do lixo das suas toalhas e afins; e aqui, não falo de umas migalhitas: falo de restos de velas, de restos de comida, de muitos cabelos e claro, de quilos das (in)evitáveis migalhas, tudo a cair diariamente nos parapeitos cá de casa, ó alegria. Como se não bastasse, a roupa é estendida invariavelmente tapando mais de metade das janelas que ficam por baixo do estendal, demonstrando mais uma vez um grande respeito pela vizinhança e inclusive relembrando-lhes que está muito vento, bem característico da zona - e nada como lençóis a bater nos vidros dias a fio, autêntica música para os meus ouvidos, para lembrar ao mundo que as faltas de respeito se demonstram nas coisas mais elementares; se estiverem bem encharcados os lençóis, melhor, porque para além de evidenciarem melhor a zona ventosa, sujam também os vidros, e quem não adora ter uns bons vidros gigantes para limpar sempre em vão? A cereja em cima do bolo é a família amar andar descalça, ecoando os seus passos cá em casa, e o miúdo que adora berrar (OK, este é o único item que eu compreendo, afinal de contas é só um miúdo) e...andar em algo com rodas ruidosas, dentro de casa e durante muito tempo, sempre de um lado para o outro. Ora digam lá se não gostavam de poder ter tantos motivos de queixa de um só andar? Sou uma privilegiada!
E agora se me dão licença, vou continuar a usufruir do ruído do miúdo a andar de patins, que estou precisada. Até já.
Já tive algumas casas e inúmeros vizinhos; em bairros piores ou melhores; já tive vizinhos cuscos, já tive vizinhos um pouco barulhentos (mas nada de grave), já tive vizinhos um pouco irritantes. No entanto, nada me preparou para o verdadeiro jackpot: vizinhos barulhentos, porcos e mal-educados como a família que vive no andar por cima do que habito. Uma família (apenas) aparentemente normal, sim, casal e um filho, que tudo faz para tornar a vida de quem os rodeia num verdadeiro inferno, mesmo sem o notar. A mais elementar idiotice começa no facto de fumarem à janela, sem cinzeiro e sem ter em atenção que há 3 andares por baixo a receber as suas preciosas dádivas de cinza, para além do lixo das suas toalhas e afins; e aqui, não falo de umas migalhitas: falo de restos de velas, de restos de comida, de muitos cabelos e claro, de quilos das (in)evitáveis migalhas, tudo a cair diariamente nos parapeitos cá de casa, ó alegria. Como se não bastasse, a roupa é estendida invariavelmente tapando mais de metade das janelas que ficam por baixo do estendal, demonstrando mais uma vez um grande respeito pela vizinhança e inclusive relembrando-lhes que está muito vento, bem característico da zona - e nada como lençóis a bater nos vidros dias a fio, autêntica música para os meus ouvidos, para lembrar ao mundo que as faltas de respeito se demonstram nas coisas mais elementares; se estiverem bem encharcados os lençóis, melhor, porque para além de evidenciarem melhor a zona ventosa, sujam também os vidros, e quem não adora ter uns bons vidros gigantes para limpar sempre em vão? A cereja em cima do bolo é a família amar andar descalça, ecoando os seus passos cá em casa, e o miúdo que adora berrar (OK, este é o único item que eu compreendo, afinal de contas é só um miúdo) e...andar em algo com rodas ruidosas, dentro de casa e durante muito tempo, sempre de um lado para o outro. Ora digam lá se não gostavam de poder ter tantos motivos de queixa de um só andar? Sou uma privilegiada!
E agora se me dão licença, vou continuar a usufruir do ruído do miúdo a andar de patins, que estou precisada. Até já.
31/03/2011
Seis anos, seis!
3 de Março de 2005: "Eis-me com um viçoso blog :)"
Viçoso ou menos viçoso, cá continua!
Viçoso ou menos viçoso, cá continua!
Do próprio veneno
"Temos de marcar qualquer coisa" é uma das frases que mais odeio, porque significa na verdade: "sim, era ideal que alguém marcasse alguma coisa eventualmente, mas eu não hei-de ser, nem que chovam canivetes, lagartos, portanto basicamente vemo-nos por aí ou então marca tu para eu poder arranjar 478 desculpas diferentes para não poder ir".
Já perdi a conta às vezes que ouvi esta frase e já perdi ainda mais a conta às pessoas que a disseram. Também sou um pouco preguiçosa, sim, mas com quem eu quero estar, eu estou e sim, muitas vezes sou eu mesma a marcar o que quer que seja. Até há pouco tempo, esforçava-me até demasiado ao querer incluir as pessoas e a desesperar quando nunca conseguia que viessem. Para o ano novo, uma das minhas resoluções foi tentar deixar de me preocupar tanto e procurar aproveitar mais o que surgisse sem me preocupar com o que nunca se consegue que aconteça; mesmo que isso significasse não tomar tantas iniciativas que têm 90% de probabilidade de falhar. Pois bem, isto tem resultado largamente, mas tem um enorme contra: é que aquelas pessoas com quem estava porque era eu a marcar coisas, nunca mais as vi. A coisa chega ao ponto de ver alguém que mora aqui ao lado duas vezes em seis meses (tal como previa, não houve uma única tentativa de marcar o que quer que fosse da outra parte). Mesmo assim, o balanço é positivo e prova que quem quer mesmo estar connosco, está, apesar de tudo - do pouco tempo, do trabalho, de ter de regar as plantas, de estar cansado, de ter uma dor que se lhe arrepanha aquela zona toda, do mau tempo. Está, e pronto.
Já perdi a conta às vezes que ouvi esta frase e já perdi ainda mais a conta às pessoas que a disseram. Também sou um pouco preguiçosa, sim, mas com quem eu quero estar, eu estou e sim, muitas vezes sou eu mesma a marcar o que quer que seja. Até há pouco tempo, esforçava-me até demasiado ao querer incluir as pessoas e a desesperar quando nunca conseguia que viessem. Para o ano novo, uma das minhas resoluções foi tentar deixar de me preocupar tanto e procurar aproveitar mais o que surgisse sem me preocupar com o que nunca se consegue que aconteça; mesmo que isso significasse não tomar tantas iniciativas que têm 90% de probabilidade de falhar. Pois bem, isto tem resultado largamente, mas tem um enorme contra: é que aquelas pessoas com quem estava porque era eu a marcar coisas, nunca mais as vi. A coisa chega ao ponto de ver alguém que mora aqui ao lado duas vezes em seis meses (tal como previa, não houve uma única tentativa de marcar o que quer que fosse da outra parte). Mesmo assim, o balanço é positivo e prova que quem quer mesmo estar connosco, está, apesar de tudo - do pouco tempo, do trabalho, de ter de regar as plantas, de estar cansado, de ter uma dor que se lhe arrepanha aquela zona toda, do mau tempo. Está, e pronto.
25/03/2011
Das mentiras "piedosas"
Hoje tive a infeliz ideia de voltar a cair no erro de ir a uma aula cujo assustador nome é "condicionamento total". Lembrava-me de ter ido uma vez e de não ter ficado particular fã, mas já foi há tanto tempo que a verdadeira essência da coisa tinha-se perdido algures na memória. Ora pois bem, descubro da pior forma que odeio aquela aula, anoto mentalmente para NÃO voltar tão cedo.
Mas...não sem antes constatar que a esmagadora maioria dos instrutores de ginásio são uns valentes mentirosos de uma piedade cruel. "SÓ MAIS OITO!", berra o instrutor, com um ar todo fresquinho. "AS ÚLTIMAS OITO!", berra ele, ainda muito fresquinho. "E SÓ MAIS OITO!", continua ele, transpirando frescura e bem-estar, enquanto eu procuro mentalmente o pior método de tortura medieval de que tenha escassa memória e imagino setas com soporíferos a atingi-lo.
Oi, senhores instrutores de ginásios? Só mais, as últimas, para mim, são coisas definitivas. Os meus músculos estão a ouvir isso e já a suspirar pelo fim, em modo pré-desactivação total. E os meus músculos não gostam de suspirar pelo fim quando as repetições supostamente vão quase acabar sete ou oito vezes, está bom? Mintam-me a dizer que o meu equipamento é fabuloso, que estou mais magra, que faço os exercícios como se os tivesse feito toda a vida. Mas não digam que está quase a acabar quando tencionam mandar mais 79 vezes, senão estamos malzito, sim? Então beijinhos.
01/03/2011
Palavras adoráveis que nunca tenho oportunidade de usar I
Infame
Como seria bom poder usar esta palavra, sobretudo se isso não implicasse provocar a risota geral ou ser alvo de chacota. É daquelas palavras que tenho guardadas aqui num cantinho à espera de um diálogo elevado em que a possa usar, à espera, silenciosa. Se um dia ouvirem alguém a exclamar INFAME! com um ar convicto, posso muito bem ser eu.
Como seria bom poder usar esta palavra, sobretudo se isso não implicasse provocar a risota geral ou ser alvo de chacota. É daquelas palavras que tenho guardadas aqui num cantinho à espera de um diálogo elevado em que a possa usar, à espera, silenciosa. Se um dia ouvirem alguém a exclamar INFAME! com um ar convicto, posso muito bem ser eu.
23/02/2011
Somos donos das nossas imagens, ou se calhar nem por isso
Trabalho num local que só por ser uma relativa "novidade", atrai muitos repórteres, muitos fotógrafos e muita captação de imagem. Não me importo, quando não me incomodam e quando fazem o seu trabalho de modo profissional e simpático; normalmente, pedem autorização ou tiram fotografias genéricas do espaço, o que também não me rala nada. Agora chegar cá alguém e achar-se no direito de tirar as fotografias que bem entende e captar quem bem lhe apetece só por ser repórter fotográfico ou operador de câmara, isso tenham paciência, mas acho insuportável. Não gosto de quem se acha dono das imagens só porque elas estão à vista, e o facto de ter autorização para fotografar o espaço não lhe dá autorização para andar a fotografar pessoas, pormenores, ecrãs ou detalhes que possa achar relevantes para o seu trabalho, pelo menos não sem falar com as pessoas em questão. Se calhar apanhou-me só num dia menos simpático, todos temos os nossos, mas não suporto mesmo que alguém se ache no direito de andar a captar tudo só porque "tem uma autorização" genérica de quem cede o espaço e uma máquina fotográfica na mão. Haja paciência para falta de profissionalismo.
22/02/2011
Declaro
Que desde que descobri que conseguia fazer scones aveludados em 16 minutos, pretendo explorar a nobre arte da panificação. Quem sabe se depois de descobrir que não sou talhada para as artes do peixe, descubro que sou uma panificadora nata? Mais novidades em breve. A única coisa que me impede de fazer disto vida é saber que vou ser a minha própria maior cliente.
17/02/2011
Peeeeixe, peixe, peixe, peixe!
Ao fazer um workshop de sushi, constato que a herança da família ligada ao peixe não me corre nas veias. Já não descascava um camarão há mais de uma década, até ontem (infelizmente para o camarão, coitado, já não lhe bastava ter de levar com um espeto de pau antes de cozido), e os meus dotes de corte de dourada são tão bons como provavelmente a minha pontaria superior na arte do tiro ao prato sem nunca ter experimentado, ou seja, roçam o nível "nulidade absoluta com tendência à catástrofe total". Posto isto, sabendo que nunca irei atingir a fama numa área ligada ao sushi, até por não poder com o cheiro pestilento do peixe nas mãos que dura, dura, e dura, resta-me dedicar às áreas da outra parte da família: a mercearia. Penso que nessa é que terei reais hipóteses de conseguir alcançar o estrelato. Eu mantenho-vos a par.
13/02/2011
Estou
a um passo extremamente pequeno de deixar de ir ao supermercado cujo nome começa por p, acaba em ingo e depois tem um nome adocicado. É que de tanto me quererem convencer de que são sempre os mais barateiros, estou a desconfiar.
11/02/2011
Isto não é sobre uma cidade [ou declaração de amor]
Há um ano, fazia a primeira das viagens do ano para conhecer, finalmente, Berlim, mas estas linhas não são sobre essa cidade. São sobre a língua que escolhi aprender há uns anos, que tanto trabalho me deu, que deixei adormecer durante anos, que reavivei e que é hoje uma das línguas com que lido no dia a dia. É inexplicável por que fico tão feliz num ambiente onde se fala alemão, mesmo que o pavor de morte de errar alguma coisa faça com que muito-mais-raramente-do-que-devia arrisque falá-lo (shame on me). No entanto, o meu sorriso mental quando estou rodeada de pessoas a falar alemão diz-me sempre que foi das melhores decisões que já tomei na vida, e como é bom acertar nalgumas coisas, de vez em quando.
10/02/2011
Números
Nem uma dúzia de posts no ano passado, nem sequer unzinho por mês. Uma vez que essa média é simplesmente miserável, a minha única promessa para 2011, feita agora em Fevereiro, vai ser aumentar a média para um valor astronómico, isto tendo em conta que comparado com menos de meia dúzia, até 24 irá parecer um número extremamente promissor!
07/01/2011
2010
Passou a correr, passou sem que chegasse a ver muitas pessoas que gostava de ter visto (felizmente vi algumas que gostei muito de ter visto também, para compensar), passou vendo muitos sítios que gostei muito de ter visto e passou com momentos muito bons e muito maus. Foi a decisiva entrada nos "inta" e um ano que me fez ver o quão diferente é a minha vida em relação ao que já esperava ser, ter e ter vivido aos trinta (e não necessariamente para pior).
Entrei com muitas expectativas em 2010, não quero fazer o mesmo em 2011. Por isso, este ano, vou ter poucos objectivos concretos e algumas conquistas específicas que espero atingir, mas sem demasiadas expectativas, porque quando as crio, tenho invariavelmente demasiadas desilusões. Prefiro a serenidade das metas atingidas, prefiro ser terra-a-terra. Por outro lado, quero pôr em prática muita coisa. A ver vamos como corre!
Bom ano :)
Entrei com muitas expectativas em 2010, não quero fazer o mesmo em 2011. Por isso, este ano, vou ter poucos objectivos concretos e algumas conquistas específicas que espero atingir, mas sem demasiadas expectativas, porque quando as crio, tenho invariavelmente demasiadas desilusões. Prefiro a serenidade das metas atingidas, prefiro ser terra-a-terra. Por outro lado, quero pôr em prática muita coisa. A ver vamos como corre!
Bom ano :)
25/11/2010
Thanksgiving
Há algumas coisas e pessoas pelas quais estou agradecida, mas o que mais agradeço nesta vida é a vida em si e tudo o que ela acarreta, de bom, de mau, de chorável, de risível, digno de memória ou de esquecimento.
17/10/2010
Às 8 da manhã ao domingo
Não há ninguém na rua às 8 horas de um domingo de manhã. Devagar, subo a rua, observo, respiro o ar fresco. 4 pães são as duas primeiras palavras de um dia quase em contínuo desde ontem. Saio da padaria, desço a rua para voltar a casa. Ainda ninguém na rua às 8h03 de domingo de manhã. À esquerda, espreito o topo da 25 de Abril, entre algum nevoeiro. Observo as persianas, ainda todas fechadas, o bairro dorme num silêncio quase total (não fossem os pássaros). Sorrio ao constatar que o céu tem pelo menos cinco tons de cor diferentes, o ar fresco na cara a lembrar que é cedo, embora o sol nasça tarde. São 8h06 e entro em casa. Ninguém na rua, às 8 e picos da manhã, ao domingo.
14/10/2010
Lições úteis para a vida I
Responder a um bom dia é bem-educado e olha, pasme-se, nem custa assim tanto! Ouviram, piquenos mal-educados que trabalham aqui ao lado? Obrigadinha!
09/10/2010
A minha avó Ema
Uma das minhas avós faz hoje noventa anos. Era a ela que eu e o meu primo torrávamos a paciência com a construção de barracas e instalação do caos em geral lá em casa. Era a minha avó que tinha alcatifa azul no quarto onde eu tinha de dormir a sesta; que me levava ao Bolhão e não conseguia sair de lá sem que eu tivesse um pão com morcela na mão (como os tempos mudam!), e que tinha coelhos no quintal, algo que fez com que deixasse de comer coelho para todo o sempre. É a minha avó que mais se queixa, para quem tudo nunca está grande coisa ou sempre mais ou menos. Muito do que sou, devo-o a ela, por ter sido sempre e ser ainda capaz de levar a dela avante.
Contente por ela fazer 90 anos, triste por não estar com ela neste dia. Parabéns, avó :)
Contente por ela fazer 90 anos, triste por não estar com ela neste dia. Parabéns, avó :)
04/10/2010
Pessoas que vêm, pessoas que vão
Ultimamente, tenho tido algum azar com as pessoas. Desiludem, desmarcam, dificultam, ignoram, inviabilizam e muitas outras palavras com partículas de cariz negativo que não vou enumerar. Isso incomoda-me e entristece-me, claro. Tanto como me incomoda a areia nos pés quando está dentro de sapatos: aborrece-me, queixo-me dela. Depois sacudo-a e ela desaparece. É o que aprendemos a fazer com as pessoas que a custo, concluímos que não querem, ou não podem, ou não merecem fazer parte da nossa vida, e é a essa conclusão a que chego a cada dia que passa. Quem realmente faz parte da nossa vida nunca é como a areia que incomoda nos pés. É nessas pessoas que me vou concentrar, em vez de perder tempo a sacudir areia.
11/09/2010
A tia
Lembro-me de ti tantas vezes. Do colo, do sorriso sincero, dos bolos que fazias e do rolo de cenoura. Foste sempre "a tia", um nome que eliminava o hífen e o avó que se deveriam seguir. Tenho uns brincos teus com que andavas sempre e sei que vais gostar de saber que ficaram comigo. Tenho muitas, muitas memórias da grande companhia que eras e das histórias que contavas, tenho muitas saudades tuas e tenho uma enorme vontade de fazer o tal rolo de cenoura que nunca mais pude comer. A tua morte foi, seguramente, a mais marcante e a que mais me revoltou; tornou-me um pouquinho mais forte para as que haviam de se seguir, talvez.
Lembro-me de ti tantas vezes, e é tão bom constatar que as tuas marcas na minha vida são impossíveis de apagar. Gosto de ti, tia, onde quer que estejas, e tenho tanta pena que não me possas ver feliz, hoje, a cantar ai quem me dera meu chorinho há tanto tempo abandonado.
Lembro-me de ti tantas vezes, e é tão bom constatar que as tuas marcas na minha vida são impossíveis de apagar. Gosto de ti, tia, onde quer que estejas, e tenho tanta pena que não me possas ver feliz, hoje, a cantar ai quem me dera meu chorinho há tanto tempo abandonado.
13/08/2010
Reler
Sem sono, perdi-me a ler os arquivos do blogue e a lembrar todas as situações de que falei nele, todas as pessoas que referi, muitas das mudanças que vivi nos últimos anos. Havia tempos em que escrever aqui era a alegria de todos os dias à hora de almoço, outros em que era lamento das horas desocupadas; há anos em que quase não escrevi e não porque não tenha feito ou vivido muito mais do que naqueles em que escrevi muito. No quinto ano de vida, este blogue assistiu a vários dos pontos mais marcantes da minha própria vida. É por isso que quando penso que a falta de escrita o devia condenar à morte definitiva e assumida, ainda mais depressa elimino essa ideia. Sempre tem sido uma companhia a que regresso com gosto, mesmo que seja para só lhe dar...silêncio.
12/08/2010
Cara nova
E muito mais fácil de editar do que a anterior! Pode ser que assim até escreva mais e tudo :)
14/07/2010
E depois de me maravilhar com a comida de avião...
...descobri que a comida de autocarro é infinitamente pior. Ou talvez seja o facto de as viagens durarem muito mais e termos muito menos paciência e níveis de tolerância a roçar o zero.
Sinais dos tempos
Quando a maior parte das pessoas não fala contigo para te dar os parabéns, isso é...Facebook. Isso fez-me decidir que vou decididamente passar a fazer mais chamadas nos aniversários. Chega de tanta vida por escrito.
13/04/2010
Da água

Ou de como nos poucos meses em que morei longe da água, parecia sempre que faltava alguma coisa. Aqui perto, o rio anuncia muito mais mar já aqui ao lado. E é tão reconfortante vê-lo todos os dias.
29/03/2010
Cinco
Cinco anos, cinco, que fez o blog, e nem uma palavra desde há tanto, tanto tempo. Só não é imperdoável por já ser um hábito! Pois que desde o dia 15 de Janeiro muito se passou, mas fácil de resumir em poucas palavras: mudei de casa e de bairro, mudei-me para um escritório a sério, fui a Berlim e voltei a adorar, provei finalmente os gelados do Santini. O resto, esse está praticamente igual.
15/01/2010
Eu sou uma bola de Berlim!
Berlinense por enquanto, ainda não. Mas daqui a pouco tempo, finalmente, vou pôr lá os pézinhos! A primeira grande viagem do ano vai colmatar a grande falha que é não conhecer esta cidade. Mal posso esperar :D
06/01/2010
Descolei as flores vermelhas
E no dia em que as descolei, soube que aquela casa já não era a minha. Uma por uma, descolei-as, devagar, num adeus solitário. Olhei para a casa vazia, sem vida e sem mágoas, saí. O ano começa não muito longe dela, mas com a cabeça bem longe de lá.
01/12/2009
Adeus, nós voltamos já
Tenho uns grandes amigos que vão viver para outro continente durante um período de tempo supostamente limitado. Fico muito contente por eles, contente porque eles parecem contentes e triste por mim e por saber que vou sentir um pouco a falta deles. Mas as coisas são mesmo assim, nem sempre temos o que queremos e quanto mais depressa nos habituarmos, mais fácil é. Portanto, sei que lhes digo um até já um pouco mais demorado e conto os dias para os ir visitar, lá de um dos outros lados do mar. A grande vantagem é que já sei por experiência própria o quanto as amizades não se medem pelas distâncias; outra grande vantagem é que eles vão andar por muitos sítios que gostava tanto, mas tanto de visitar. Acho que afinal o destino me vai levar lá mais cedo do que pensava.
12/11/2009
Casa nova!
Toda uma nova saga de mudanças dentro de alguns dias. Vai ser a quarta casa para a qual me mudo em Lisboa em menos de três anos, portanto pode dizer-se que me estou a tornar uma verdadeira profissional do empacotamento e operação inversa. Perguntam-me se já não estava na hora de escolher uma casa para mais tempo: nem por isso. À quantidade de tralha que eu acumulo em pouco tempo, as mudanças são a verdadeira filtragem do que realmente interessa; ou do que de facto não interessa, mas vai andando comigo de um lado para o outro. Desejem-me sorte :)
05/11/2009
A capella
É em silêncio que te acompanho, sem música a disfarçar o desafinado. Tu não cantas, eu tento não desafinar demasiado. Mais cedo ou mais tarde, a música volta e podemos continuar só a dançar, sem mais palavras nem distâncias. Disse-te as palavras duras que precisavas de ouvir, disseste que era exactamente aquilo que precisavas de ouvir; e foi tão bom ouvir isso e sentir as minhas palavras úteis. Quando voltares, cá te espero e não te vou dizer nada, só deixar-me ir na dança.
I'm leaving today
Até ao fim do ano, mudo de casa, outra vez. As visitas a potenciais nossas-futuras-casas prometem. Ontem, uma cheirava a tabaco e mofo. Hoje, uma cheirava a mofo e a outra tinha alcatifa: a coisa, portanto, só pode melhorar. O objectivo agora é combinar alcatifa, mofo e intenso odor a tabaco num só apartamento. A cereja no topo do bolo? Tentarem disfarçar o cheiro com ambientadores de baunilha, dos quais gosto tanto como de bolhas nos pés. Ora como vou ver mais casas nos próximos dias do que nos últimos 4 anos juntos, espero ter novidades em breve. Que não envolvam o jackpot olfactal que referi há pouco; sim, o nariz de uma pessoa tem limites, OK?!
Start spreading the news...
Perdi os óculos nos Estados Unidos. Vejo pior em alguns momentos, mas vim muito mais feliz. A conclusão lógica é que a felicidade não deixa de o ser por estar assim, meia desfocada de vez em quando.
08/10/2009
Pés na terra, cabeça no ar

Ou de como a vida de todos os dias pode dar tantas voltas, mas nós podemos continuar coerentes no nosso caos diário.
01/09/2009
09/08/2009
Isto nunca foi tão verdade
Ou pelo menos nunca o senti tanto na pele: tenho tantas, tantas saudades de ter tempo. E nunca faltou tão pouco, tão pouquinho para finalmente ter algum, ao fim de meses. Já falamos.
18/07/2009
30!
A minha nova década começa com muitas surpresas; tudo a ser orquestrado e eu sem desconfiar de nada! Foi preciso mudar de casa das dezenas para ter a primeira festa-surpresa da minha vida, com alguns dos melhores amigos de sempre e o melhor namorado de todo o mundo a fazerem-me entrar nos 30...a chorar :) E há lá melhor maneira de se começar do zero (OK, aqui em sentido figurado, claro, enquanto renovação, que eu tenho apreciado a evolução) do que lavando a alma?
Não bastasse isso, ainda recebi prendas que nunca pensei receber e que adorei, incluindo a prenda de ir lá longe, ao outro lado do oceano, ver uma das minhas Anas; mas o melhor de tudo, o melhor acima de todas as coisas, foi estar com quem estive e saber que tenho a sorte de ter quem me surpreenda e quem saiba exactamente como me tirar as palavras da boca.
Do coração, muito obrigada! Vai ser um dia que nunca vou esquecer :)
Não bastasse isso, ainda recebi prendas que nunca pensei receber e que adorei, incluindo a prenda de ir lá longe, ao outro lado do oceano, ver uma das minhas Anas; mas o melhor de tudo, o melhor acima de todas as coisas, foi estar com quem estive e saber que tenho a sorte de ter quem me surpreenda e quem saiba exactamente como me tirar as palavras da boca.
Do coração, muito obrigada! Vai ser um dia que nunca vou esquecer :)
09/07/2009
3 dias
A três dias dos 30, descubro que estou oficialmente bastante stressada. Ou pelo menos, uma máquina diz que sim. E de repente, assim de repente, tive saudades do chão azul do Campo Alegre, da voz do meu professor de yôga, dos sábados de manhã e das práticas na relva, da amizade sem olhar a quase nada que não fosse a união da filosofia de vida comum. Tive saudades dos sons e de os vocalizar, vim sozinha pela rua a relembrá-los. E tomei uma das minhas decisões pré-trinta: vou voltar - e preciso de voltar - logo que possível.
Além disso, e devido ao pouco tempo livre, escrevi aqui num post-it tudo o que tenho de fazer assim que tenha tempo. Para olhar e lembrar: nunca faltou tão pouco para poder fazer isto tudo, nunca faltou tão pouco para se acabarem mais estas (tantas) palavras.
Além disso, e devido ao pouco tempo livre, escrevi aqui num post-it tudo o que tenho de fazer assim que tenha tempo. Para olhar e lembrar: nunca faltou tão pouco para poder fazer isto tudo, nunca faltou tão pouco para se acabarem mais estas (tantas) palavras.
06/07/2009
Das manias
Quando dizemos a alguém que tem a mania das limpezas, estamos a dizer-lhe que deveria limpar menos, perdendo menos do seu precioso tempo com ela e com os outros, eventualmente até connosco, ou estamos veladamente a agradecer-lhe pelo trabalho que tem? É uma mania das limpezas irritante ou agradável? Nunca compreendi bem esta dicotomia. Porque sim, tenho um bocado a mania das limpezas; aprendi sempre que tenho de deixar as coisas como gosto de as encontrar (muitas vezes, da pior das formas); para mim, isso é bom, porque me queixo menos do que me rodeia (e sim, eu queixo-me bastante). Agora se para os outros as limpezas são más, o que fazer? Perder o meu precioso tempo quando decidir perdê-lo ou chatear-me mais vezes?
01/07/2009
Mal-entendidos
Pior que ser mal compreendido é ser mal compreendido por aqueles que esperamos que nos compreendam melhor. Pior ainda que isso, só ser mal compreendido quando as palavras faladas nos saem da boca meia dúzia de vezes por dia e quando acho que já esgotei todas as palavras que tinha a escrever. E mesmo assim, consigo escolher as erradas nas poucas que reservo para falar.
30/06/2009
Faltam 12 dias e tenho saudades...
...dos tempos em que celebrar os anos era ir a uma das melhores gelatarias do planeta terra e comer a minha taça preferida. Das batatas fritas das festas em casa, que demoravam horas e horas a preparar (e melhor, eu não podia sequer aproximar-me). Dos familiares e amigos todos que iam às festas, tantos que nunca mais vi, alguns que não poderei ver nunca mais. De muitas prendas. De encher agendas com coisas inúteis. De ter tempo para tudo e mais alguma coisa no dia dos anos. De ter uma roupa especial para aquele dia com uma cor berrante e um formato estranho (ah, os doces oitentas!). De querer que o dia nunca mais acabasse, e isto não necessariamente apenas o dos anos. Faltam 12 dias.
18/06/2009
Percursos
Saio de casa, viro à esquerda, cumprimento o Sr. Inácio que está sempre a falar com alguém na rua a essa hora, atravesso e viro à direita, subo, subo, subo, olho para as motas estacionadas a ver se alguma me agrada, se houver uma vermelha penso que é bonita, observo o senhor gordinho que está sempre a ler o jornal no carro e pergunto-me sempre por que motivo lá estará, passo no café de esquina que fecha e que nunca tem ninguém embora exiba muitos bolos, subo, subo, passo nas lojas a que não compreendo que alguém vá, vejo os senhores da loja ajentejana que estão sempre a conversar cá fora com os senhores da loja de vimes, olho para o andar de cima do prédio de esquina que está para venda há meses, páro à espera da ordem de atravessar, boa tarde, e sigo em frente, vejo os preços demasiado caros dos restaurantes que aspiram a finos, passo o ginásio só para mulheres, viro à direita onde encontro a rua com nome de substância de mar, que está semi-abandonada, onde tudo está semi-abandonado ou à venda ou a cair, passo o restaurante que cheira sempre bem, cruzo-me com os funcionários das instituições que por ali estão, sigo, sigo, passo a loja de café que gostava de encontrar aberta e os polícias da embaixada, viro à esquerda, entro, aliviada, nas escadas da casa antiga e penso que há poucas coisas tão refrescantes como as escadas, subo, subo, entro, digo boa tarde que é um fixe mais dois toques de mão aberta com dedos juntos do lado direito da cara, palma voltada para a frente. e entro no mundo do silêncio.
03/06/2009
A mala mais mal feita do mundo
Tenho algum cuidado, não excessivo nem obsessivo, com o que levo nas malas de viagem. Gosto de ir prevenida, mas sem exageros, e tenho conseguido sempre levar malas relativamente bem feitas. Sim, também levo sempre coisas a mais, mas os limites da aviação comercial são um bom calmante para o entusiasmo de fazer a mala com tudo o que vem à rede. No entanto, desta vez...desta vez, eu acho que consegui, sem sequer me esforçar, fazer a pior mala de sempre; levei roupa e calçado totalmente desadequados; esqueci-me de coisas essenciais; levei outras que não fizeram falta rigorosamente nenhuma, porque mais de metade do que levei na mala foi inútil para a viagem. Depois, penei ao precisar do que não tinha, sofri com o calor (mesmo que inesperado), tive de comprar coisas totalmente desnecessárias. Posso dizer com toda a segurança que na mala que fiz, quase tudo estava mal.
No final disto tudo, consegui ter umas das melhores férias de toda a minha vida. A verdadeira prova de que as circunstâncias podem ser, realmente, tão secundárias, tão ultrapassáveis. Neste caso concreto, com direito a várias ultrapassagens, legais, pela direita. E esta?
No final disto tudo, consegui ter umas das melhores férias de toda a minha vida. A verdadeira prova de que as circunstâncias podem ser, realmente, tão secundárias, tão ultrapassáveis. Neste caso concreto, com direito a várias ultrapassagens, legais, pela direita. E esta?
27/05/2009
Um país novinho em folha!
Quando era mais pequena [ainda], viajei bastante pela Europa com família e em grupos grandes. Não é que tenha ficado a conhecer tudo e mais alguma coisa, mas consegui ficar com uma ideia relativamente decente dos países, normalmente filtrada por aquilo de que mais gostava na época. Adianto-vos desde já que um dos meus critérios prioritários da adolescência era, por exemplo, a qualidade e as dimensões das piscinas; outro, a qualidade dos gelados locais. Prioridades estas que no fundo até não se alteraram, mas que mascaro com outras mais próprias da minha idade: do género, a qualidade dos museus ou o grau de confortabilidade do colchão do alojamento (OK, isto é mentira). Verdade verdade, é que por mais que eu goste de um museu, nada me compra como uma boa e gigantesca piscina ou um cone com dois sabores de comer e chorar por mais.
A intenção de dizer tudo isto é basicamente uma só: vou visitar, a partir de amanhã, um dos países europeus a que ainda não fui nestas deambulações entre piscinas e gelados. E a sensação de ir visitar algo novinho em folha, que nunca vi e que nem sequer imagino direito, é algo que queria guardar bem vivo, aqui comigo :)
A intenção de dizer tudo isto é basicamente uma só: vou visitar, a partir de amanhã, um dos países europeus a que ainda não fui nestas deambulações entre piscinas e gelados. E a sensação de ir visitar algo novinho em folha, que nunca vi e que nem sequer imagino direito, é algo que queria guardar bem vivo, aqui comigo :)
24/05/2009
Das convivências
Eu reconheço que sou uma pessoa complicada para se conviver, sim. Gosto das coisas limpas, arrumadas logo que possível, gosto de encontrar as coisas como as deixei, gosto de ter silêncio quando quero, gosto que respeitem as minhas coisas. Gosto que as pessoas sejam sinceras quando podem, auto-conscientes sempre. Viver com mais gente obriga-me a ser tolerante q.b., e gosto de pensar que sou, mas se calhar andei e ando bem enganada. Se não gostar que as pessoas venham sem aviso é ser intolerante, eu sou. Pior ainda, que vão ficando sem se saber bem até quando e ainda se sintam bem com isso. E o topo dos piores, que venham e vão ficando como se nada fosse, porque os outros são socialmente obrigados a aturarem a visita, porque lhes fica mal dizer que olha, não lhes apetece. E depois é isto, não estou bem onde me devia sentir bem, na minha própria casa; fico a sentir-me mal por estar a ser eu a querer dizer que se calhar a visita já desamparava a loja, por menos que ela incomode. Depois acontece isto, chateio quem me ouve com a mesma lenga-lenga, com queixas, com irritação por coisas insignificantes. Sou antipática quando aparentemente não tenho motivos para isso. Acho que descobri que afinal, não sou tão tolerante como pensava. Descobri também que não quero ser mais tolerante. Não vou alterar os meus limites da tolerância só porque os outros os esticam, e vou repetir esta frase até que a voz me doa para me lembrar sempre disto. Vivam as férias, quase a chegar. Pena que neste momento, o que mais anseio é estar só perto de quem quero e longe daquela que devia ser, ainda que parcialmente, a minha casa.
05/05/2009
De como a vida dá umas voltas
Começou por ser a namorada do amigo da namorada de um amigo meu. Agora, é uma amiga com A maior do que os grandes, daquelas sem quem não passamos, daquelas que por mais tempo que fiquemos sem ver, estão sempre, sempre connosco em todo o lado, por mais longe e por mais tempo afastado que se esteja. Daquelas a quem desejar tudo de bom, é tão, tão, mas tão pouco. Parabéns, fofinha :)
A melhor amiga da escolha cromática: a urgência
Antes do almoço: "Ah e tal, diz-me a cor depois de almoço porque assim já a peço e etc." Foi remédio santo: o meu quarto vai ter um tom de rosa velho cruzado com salmão claro. Depois mostro, que isto de explicar tons tem muito que se lhe diga quando se acabou de analisar um catálogo com mais de mil cores.
30/04/2009
Como, oh mas como...
...é que se escolhe UMA cor entre milhares?! Eu mudo de ideias de cada vez que olho para o catálogo, todos os dias. Até agora, já consegui excluir...tcharã...o cinzento! Ajuda, alguém? A cor é para um quarto de dormir com mobília preta. Há alguma predominância de vermelho nas capas de edredon e tapetes, sim, mas um quarto vermelho não me parece assim muito relaxante e é principalmente para isso que eu lá vou.
Quer-me parecer que isto é coisa para demorar meses.
Quer-me parecer que isto é coisa para demorar meses.
16/04/2009
Das flores
Há pessoas da minha família que infelizmente não vejo muitas vezes nem tantas quanto desejaria. Caso do meu tio com nome de flor, que sempre fui vendo, mas com quem não partilhei tantos e tantos momentos que se calhar podia e devia ter partilhado. Mesmo assim, nunca perdemos o contacto; especialmente agora, quando ele teve de estar internado em Lisboa e grande parte da família estava bem mais a Norte. Durante meses, visitei-o quando podia e dei a força possível. Vi as forças dele a irem-se embora, a pouco e pouco, vi o cansaço que se acumulava, os químicos e máquinas a tentarem recuperar aquilo que não parecia recuperável, a esperança a ir-se embora, o olhar a ficar perdido. Vi e ouvi o que não queria ter visto nem ouvido. Mesmo assim, e apesar do sacrifício que é ver alguém de quem gostamos sofrer sem podermos fazer nada, fico contente por ter podido estar lá, por poder fazer alguma coisa, por pouco que isso fosse.
O meu tio com nome de flor era muito forte, mas não resistiu a tanto. Espero que agora possa finalmente descansar.
O meu tio com nome de flor era muito forte, mas não resistiu a tanto. Espero que agora possa finalmente descansar.
05/04/2009
Sem palavras
"O meu tempo acabou." Como se responde a uma frase destas? Como se dá a volta ao desânimo quando não há rigorosamente nada que possamos fazer por essa pessoa a não ser dar-lhe algum do nosso tempo?...
01/04/2009
Maravilha efeverscente
Não sei se já aqui comuniquei que para além de efeverscente ser uma das minhas palavras favoritas - sete consoantes diferentes, sete!, e cinco ocorrências da mesma vogal, ou seja, esta palavra tem tudo para ser fabulosa - tenho uma estranha panca por comprimidos efeverscentes. E era isto.
31/03/2009
Pára tudo: o Norte volta ao Sul
Vai fazer em breve um ano que mudei de casa, e ia também fazer um ano que tinha perdido - durante as mudanças - a minha pequena bússola-joaninha de estimação, tão vermelhinha e bonita. Ia. Porque ontem, ao mexer numa caixa insignificante, encontrei-a. E ela, como sempre, mostrou-me um Norte que já não via há quase um ano. Agora só me falta encontrar o meu mini-rádio, também perdido em combate (vulgo: durante as mudanças). Insisto em não comprar outro porque sei que mais cedo ou mais tarde, ele volta. O problema é que estou a ficar sem sítios onde não procurar para o encontrar por acaso. Técnicas brilhantes para encontrar coisas perdidas, precisam-se!
18/03/2009
Das ruas que não conheço
Quando vou sozinha na rua, observo tudo ao pormenor: fachadas, lojas, pessoas. Descubro o que nunca vejo se estiver distraída (algo que acontece bastantes vezes). Hoje, ao passar por ruas novas, constato que poucas coisas me agradam tanto como passar onde nunca passei, ver pela primeira vez. E era isto; gostava de conseguir ter mais vezes olhos de ver (apesar da pitosguice provavelmente ser cada vez maior).
16/03/2009
Caixa de óculos
Depois de muito espernear que os queria durante a infância, depois de muitas noites mal dormidas a pensar em como me ficariam tão bem e me dariam um ar tão sério e intelectual, depois de estudar cuidadosa (e algo invejosamente) os rituais das pessoas com quem convivo e que os usam - desde a periodicidade da limpeza até ao dedo que usam para os ajustar no sítio certo - posso, finalmente, rejubilar: vou poder usar óculos, com o aval do meu oftalmologista ligeiramente obeso que me disse que basicamente já não ia para nova. Para já, só de vez em quando, mas é uma genuína meta de infância concretizada, eu, eu!, de óculos. Falta só saber se agora vou achar tanta piada à ideia. Até lá, deixem-me ficar contentinha, sim? :)
05/03/2009
4 anos
A escrever aqui, com mais ou menos frequência, 4 anos, e nem uma palavra no próprio dia de aniversário. Se calhar porque este espaço já significou mais, se calhar porque estou sem paciência. O facto é que me canso com relativa facilidade. Preciso de palavras novas :)
24/02/2009
16/02/2009
Com algum atraso, sim...
...mas todos os dias são bons para te dizer que gosto de estar contigo todos os dias.
09/02/2009
Depois de Paris de perto e com sol...
...voltar à chuva, a trabalhos chatos e tendo pouca paciência para o que quer que seja está a ser muito mais complicado do que o costume. Precisa-se: boa disposição. It's going to be a looong week.
30/01/2009
Compte à bours

Lá fora, chove a cântaros; cá dentro não chove e a vontade de trabalhar é inversamente proporcional à quantidade de chuva. Resultado: muitos intervalos de trabalho a ver Paris de longe.
21/01/2009
Dos fins
Eu odeio saber o fim. Odeio quando me contam pormenores essenciais de uma história que vão estragar as surpresas, odeio as pessoas que adoram contar os fins e parecem rejubilar em glória por o terem feito, odeio muitos dos fins que já vi(vi) e adoro tantos outros. Curioso como um fim pode ser triste, alegre, surpreendente, igual a muitos, diferente, singular, entre muitíssimas e variadas coisas. Há fins que nos definem, fins que deixam tudo por contar e fins que preferíamos nunca ter visto ou vir a ver. Mas o que mais odeio, acima de tudo, são os fins antecipados: os fins que vivemos antes do tempo, ou que queremos viver antes do tempo, e que não nos deixam ter o fim a sério. Nós precisamos de fins a sério; não de ficções antecipadas que optamos por fantasiar como se tudo fosse tão previsível. Não precisamos de esperar determinados fins, como se a nossa vida dependesse deles. Não precisamos de fins fictícios. O pior? Explicar isto a alguém que gosta de fins antecipados, correndo o risco de não fazer sentido.
09/01/2009
Olá 2009!
O ano começa com frio, frio, frio. O que quer dizer que a partir de agora, só pode aquecer? :)
29/12/2008
Adeus, 2008!
Foste um bom ano e só espero o melhor do teu irmãozinho mais velho, 2009.
Boas entradas a todos e até breve! :)
Boas entradas a todos e até breve! :)
26/12/2008
Das resoluções
Este ano, resolvi fazer resoluções. Ver até que ponto me consigo comprometer com objectivos concretos. Isto se entretanto não decidir que a minha resolução é acabar com as resoluções mesmo antes de começar com elas :)
23/12/2008
Ponto de caramelo
O açúcar areento volta a derreter e toma a cor de caramelo.
Os pontos perfeitos, todos os dias. Numa época com tanto açúcar, como é esta, está na hora de apostar em fazermos os pontos mais perfeitos do que nunca: estar com quem gostamos de estar só porque sim; tentar fazer da pior situação motivo para melhorar e aprender; aproveitar quase duas horas de conversa para o outro lado do oceano para falarmos de tudo e mais alguma coisa, ou de nada em especial, com alguém de quem gostamos muito; fazer doces mesmo sabendo que podem correr mal; arriscar mais e queixarmo-nos menos; não deixar de pensar que o que correu mal há-de correr melhor, por mais batido que isso seja de se dizer.
Bom Natal a todos :)
Bom Natal a todos :)
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Lamechice pegada,
Mais a norte,
Palavras em imagens
Ponto de areia

Quando a calda, depois de ferver, começa a secar e a depositar-se nas paredes do tacho.
21/12/2008
É oficial
Ainda não foi à segunda que a minha tentativa de fazer um doce resultou. Ou melhor, resultou em algo semelhante a uma rocha no interior de um frasco. Irei agora passar uns dias a lamentar o sucedido e quando já praticamente não me lembrar que falhei, vou tentar outra vez. É curioso que a minha grande vantagem e, simultaneamente, grande desvantagem culinária seja a minha memória prodigiosamente curta. Não me lembro por que motivo algo correu bem, mas facilmente me esqueço que correu mal.
17/12/2008
Missão: possível

Aha! A sucursal do Erro vai ser certamente uma pizzaria! O calzone também ficou bom, um pouco mais queimado e nada insuflado, snif snif, mas à segunda há-de sair muito melhor.
Quanto à árvore, cá está um pormenor da obra artesanal conjunta, a primeira árvore de Natal que faço em Lisboa (no ano passado não me dei ao trabalho):

Os planos que envolviam o mini-jardim vão ficar adiados para o bom tempo e para o ano. Os restantes foram todos cumpridos. Acho que vou declarar planos publicamente mais vezes, a ver se resulta sempre :)
12/12/2008
Planos
Sim, acho que faço demasiados planos. Não é coisa que consiga explicar. Se calhar por me achar preguiçosa, faço planos a mais para ver se consigo cumprir pelo menos alguns. Para este fim-de-semana, defini objectivos*, quanto a mim bastante realistas. Para não me baldar totalmente, registo-os aqui, publicamente:
1. Fazer a árvore de Natal (finalmente; e literalmente); para esta tarefa, já vi dezenas de imagens e tive algumas ideias, que já alterei completamente pelo menos uma meia dúzia de vezes;
2. Arrumar o quarto, que só não tem coisas desarrumadas desde 1987 porque eu ainda não morava cá; tarefa que inclui a abominável limpeza dos vidros, dado que gosto de ver quem passa sem parecer que tenho óculos fundo-de-garrafa, e dos sujos;
3. Duas estreias culinárias em uma: não só quero fazer massa de pizza, como quero transformá-la em calzone. Ah, artista!
4. Tratar do mini-jardim, que envolve tirar as ervas-daninhas e UM COGUMELO que lá cresce alegremente; podia pelo menos ser uma trufa para a poder vender e ficar rica com um simples fungo;
5. Esquecer de vez a fortuna que tive de pagar ao estado português, e que vim a descobrir que me permitiria pernoitar no Ritz de Paris com todos os luxos que isso envolve;
Coisa pouca, portanto. Bom fim-de-semana a todos!
*Todas estas tarefas contarão com a ajuda preciosa e absolutamente indispensável de alguém especializado em aturar-me; portanto se eu vencer a preguiça, o sucesso é garantido.
1. Fazer a árvore de Natal (finalmente; e literalmente); para esta tarefa, já vi dezenas de imagens e tive algumas ideias, que já alterei completamente pelo menos uma meia dúzia de vezes;
2. Arrumar o quarto, que só não tem coisas desarrumadas desde 1987 porque eu ainda não morava cá; tarefa que inclui a abominável limpeza dos vidros, dado que gosto de ver quem passa sem parecer que tenho óculos fundo-de-garrafa, e dos sujos;
3. Duas estreias culinárias em uma: não só quero fazer massa de pizza, como quero transformá-la em calzone. Ah, artista!
4. Tratar do mini-jardim, que envolve tirar as ervas-daninhas e UM COGUMELO que lá cresce alegremente; podia pelo menos ser uma trufa para a poder vender e ficar rica com um simples fungo;
5. Esquecer de vez a fortuna que tive de pagar ao estado português, e que vim a descobrir que me permitiria pernoitar no Ritz de Paris com todos os luxos que isso envolve;
Coisa pouca, portanto. Bom fim-de-semana a todos!
*Todas estas tarefas contarão com a ajuda preciosa e absolutamente indispensável de alguém especializado em aturar-me; portanto se eu vencer a preguiça, o sucesso é garantido.
09/12/2008
Qual estrela, qual quê! Era um strobe!
Estamos cada vez mais próximos do Natal e todos os dias somos confrontados com símbolos da época. Há quem use estrelas luminosas, pais natais pendurados em todo o lado, enfim, toda uma parafernália de decorações natalícias variadas. Mas a verdade é que nem todos optam pelo tradicional; há arrojados indivíduos que, imbuídos de um espírito natalício ainda MAIOR que o dos outros, têm de demonstrar o quão natalícios são através de algo...MAIOR. Mais luminoso e vistoso. É por isso que o indivíduo (ou os indivíduos) responsáveis pela decoração natalícia da loja por baixo aqui de casa optaram por tentar obter o efeito mais próximo do da estrela que alegadamente guiou os reis magos até ao destino. E agora, perguntam vocês, o que pode ser mais luminoso do que uma estrela? E eu sei responder. Experimentem instalar não um, não dois, não três, não quatro, não cinco, mas sim inúmeros strobes (na realidade, tamanha luminosidade não me permite contá-los todos, mas sei que são mais de 5).
Sim, eu acho que vai resultar. Aguardo os reis magos a qualquer momento, a bater à porta. Depois se ouvirem dizer que eles foram avistados na capital portuguesa, não se admirem e não digam que não avisei.
Sim, eu acho que vai resultar. Aguardo os reis magos a qualquer momento, a bater à porta. Depois se ouvirem dizer que eles foram avistados na capital portuguesa, não se admirem e não digam que não avisei.
06/12/2008
NÃO DIGAM A NINGUÉM, HÃ?
Mas este é um belo sítio para prendas de Natal literárias. Em Inglês, claro, mas com entregas à borla em grande parte do mundo, até se aprende num instante ali com um curso de quiosque, não? :)
03/12/2008
25/11/2008
21/11/2008
Só mais uma, só mais uma!*
Morando eu numa rua que faz parte do roteiro habitual de todas as manifs, começo a conhecer os hábitos das mesmas, porque é sempre a mesma rotina: polícia a chegar e a cortar a rua, as vozes a ouvir-se primeiro ao longe e depois cada vez mais perto, praticamente sempre as mesmas pessoas ao megafone, palavras de ordem muito semelhantes.
Nunca vi tantas manifs em tão pouco tempo, mas nada parece resultar; o descontentamento volta...
Valha-nos o FDS para arejar :)
*Ou de como o descontentamento vem sempre parar à minha rua.
Nunca vi tantas manifs em tão pouco tempo, mas nada parece resultar; o descontentamento volta...
Valha-nos o FDS para arejar :)
*Ou de como o descontentamento vem sempre parar à minha rua.
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