30/11/2018

Fé na humanidade: ligeiramente restaurada

Acho sempre que sou uma pessoa que não dá demasiado nas vistas, apesar de ser bastante fiel a sítios e a pessoas: vou à Anabela e à Paula à fruta. Já me conhecem no supermercado, porque invariavelmente vou por volta da mesma hora. A senhora da loja a granel? Unha com carne. A Dona São dos congelados só lhe falta vir às minhas festas de aniversário, de tão bem que trata as pessoas, como se fossem as mais importantes do mundo; merecia acesso a pelo menos duas fatias de bolo.

Depois há sítios onde não vou assim tanto, vou voltando ocasionalmente: é o caso da mercearia que vende pão alentejano. A senhora é alentejana e de poucas falas, mas parece reconhecer-me porque trago quase sempre o mesmo: pão alentejano. Enquanto pagava hoje, disse entredentes, bela dor de cabeça, deve ser da fome. E continuei a guardar as compras. Vejo a senhora lentamente a dar a volta ao balcão, a pegar num frasco e a aproximar-se. 

"- Tire uma castanha do maranhão! Já lhe passa a dor de cabeça!"

E isto, isto é o motivo porque gosto mesmo de morar num bairro a sério.

(E sim, claro, aceitei a castanha do maranhão.)

Caro mundo, eu admito que nunca vou ser minimalista

Eu tenho até alguma pena, mas claramente não fui talhada para o minimalismo. Agrada-me a simplicidade e a descomplicação, gosto de espaços arejados e sem tralha; gosto de agilizar decisões; o projecto mental tinha tudo para ser um grande sucesso.

Sempre que me convenço que tenho de destralhar, após aí uns 70 dias (com sorte) que dividem a decisão e a colocação em práctica (não perguntem, sou pessoa que demora a passar à acção), passados 3,5 minutos de afinco, viro saudosista inveterada: "oh, mas este boneco deu-me a X no Natal", "esta fotografia não está nada de especial, mas lembra-me um bom dia", "esta rolha foi da passagem de ano do milénio", "se calhar ainda vou usar estes sapatos", "este sapo de pelúcia é tão fofinho". Sim, é sagrado: quando tento entusiasmar a costela desapegadora com argumentos racionais imbatíveis, acabo por fracassar a tentar.

Resolvi tentar ficar em paz com isso; é que de facto, eu não tenho de ser minimalista. Eu posso gostar de coisas, pelo menos enquanto isso não for preocupante e tiver divisões cheias de sacos ou pelúcias. Não faz mal ter lembranças do passado, porque também fazem sentido para sermos aquilo que somos e dão-nos alento, fazem-nos pertencer a sítios e a pessoas. Sim, eu tenho alguma tralha e admito; mas acho que o mundo não fica assim tão menos agradável por causa disso. Portanto, #praticaoapego.

30/05/2018

Quatro patas


Tive poucos amiguinhos de quatro patas quando era pequena, porque os meus pais não eram (nem são) especiais fãs deles (actualmente, se calhar poderia ter animais, mas ainda não tenho, por vários motivos). Tive alguns hamsters a meu cargo, mas isso não conta muito como animal empático: os hamsters querem apenas que alguém lhes dê comida infinita para testar a elasticidade das suas bochechas. Alguns dos que tive dignavam-se a sair da toca quando assobiava, no espírito "tens algo para mim?" algo interesseiro. Nos tempos livres, dedicavam-se a roer tudo o que havia; sempre achei que na primeira oportunidade, iam evadir-se da jaulinha e mandar postais de um qualquer sítio paradisíaco para hamsters fugitivos, a beber daiquiris miniatura.

Os vários cães que os meus avós tinham sempre foram, e são, o escape, porque o cão é aquele amigo dedicado que jamais nos cobra nada. Eu lá aparecia, volta e meia, e eles eram sempre os maiores amigos. Não cobram, não querem saber se não telefonaste ou respondeste às mensagens. Não ficam chateados por apareceres menos vezes. Não querem saber se moras a 300 km. Deliram com a tua presença, como se fosses aquela pessoa que eles queriam mesmo ver naquele momento, e isso é tão simples quanto extremamente reconfortante. Mesmo que fiques tempos infinitos sem lhes ligar nenhuma, estão sempre lá para ti quando voltas, felicíssimos. O cão é o amigo eterno, que raramente se chateia. E é por isso que preciso destes cães emprestados.


Hoje faleceu um dos cães da minha avó, o Take, e com ele foi-se um bocadinho do que ainda restava da infância.

27/02/2018

Dos flagelos insignificantes

É mais fácil falar dos flagelos importantes. Aos mais insignificantes e ridículos, ninguém liga. 

Há os flagelos insignificantes de categoria ligeiramente alarmante: as meias com buracos. As meias que desaparecem para sempre na máquina, deixando viúvas as suas comparsas do outro pé. Aquele frasco que não conseguimos abrir, apesar da nossa grande dedicação no ginásio, e que contém um ingrediente de que precisamos . Aquele dedo do pé que está esmagado dentro do sapato, que aguarda a misericórdia quando finalmente calçamos os chinelos. Aquelas sandálias lindinhas que queremos muito usar, mas que transformam os nossos pés numa batalha sanguinária. Aquelas calças tão cómodas que deixam de nos servir. O bolor no queijo, apesar de todos os nossos esforços para o conservar de modo espectacular. O fim das nossas bolachas favoritas quando já não há nada aberto à face da terra. São muitos flagelos, todos bastante irrelevantes, mas que podem atazanar-nos e até destruir um dia (estou a olhar para vocês, sandálias da flor: odeio-vos).

E depois, há os flagelos mesmo insignificantes; os que nem merecem desprezo, de tão completamente esquecíveis. Aqueles que teimamos em ignorar, mas que quando nos lembramos deles, nos tiram do sério. Questionamo-nos o porquê de existirem, mas felizmente, poucas vezes nos lembramos deles. E sim, quase todos temos um ou vários destes flagelos de estimação, que odiamos com todas as forças, e que basta aparecerem no nosso dia para surgir também uma ira inexplicável; de repente, não odiamos mais nada e este flagelo insignificante é o menino-dos-nossos-olhos, sobre o qual vamos destilar todo o veneno.

O meu... são as delícias do mar. Detesto tudo nas delícias do mar: são profundamente mentirosas, porque de delícia não têm nada. Detesto as cores e o formato, porque só me lembram coisas artificiais. Detesto o facto de existirem e alguém achar boa ideia pô-las em paté, que é só uma das primeiras coisas que queremos atacar ao ter um ataque violento de fome num qualquer restaurante. Pronto. Agora que já partilhei isto com o mundo, digam-me lá, qual é o vosso flagelo insignificante de estimação? :)

19/10/2017

Do drama das combinações através de sistemas de mensagens

Dantes, era fácil. Uma pessoa combinava com um mês de antecedência, sítio X, hora Y. Toda a gente aparecia, ninguém se atrasava, a coisa acontecia e íamos todos à nossa vida. 

Todos sabemos bem que as coisas mudaram.

Agora, 4783 mensagens depois num qualquer grupo de um sistema de mensagens instantâneas, a coisa lá se combina, não sem antes:

- Serem propostas 12 datas diferentes;
- Haver uma análise ampla e detalhada do local eleito em 4 ou 5 sites e blogues de opinião diversos, com análise da pontuação média;
- Estudar o melhor trajecto numa qualquer aplicação de mapas;
- Haver mais 980 mensagens à última hora a avisar de atrasos/apresentar dúvidas sobre o local escolhido, apesar de todos os links já enviados/informar da situação da procura de estacionamento/maldizer os servidores da aplicação de mensagens pelo atraso indesculpável/amaldiçoar os atrasos dos transportes;
- Haver vasta documentação fotográfica da comida, do ambiente, das pessoas;
- Haver vários posts em diversas redes sociais a demonstrar como somos bons-vivants inveterados apesar da nossa eventual intolerância a (inserir favorito entre: glúten, açúcares, espaços sem itens de macramé, tudo isto).

Se calhar, precisamos todos de uma pausazinha. Tenho saudades de não ter de pensar tanto em coisas que deviam ser simples.

[Sim, estou deliberadamente a não referir o facto de ser a primeira publicação em mais de dois anos.]

27/04/2015

Dez anos, dez

Criei um blogue numa altura em que tinha muito tempo livre, há dez anos. Nunca escrevi tão pouco como recentemente, mas também nunca achei que este blogue tenha deixado de fazer sentido.

Em dez anos, mudou muita coisa; mudei de cidade, mudei de emprego (várias vezes), mudei eu, mudaram muitos à minha volta, mantiveram-se muitas pessoas de sempre e manteve-se este blogue. Por mais que eu insista em cá não vir, porque já não escrevo aqui todos os dias, há sempre aquele momento em que me apetece voltar. Volto hoje, para comemorar os dez anos e quase dois meses do velhinho errortográfico: porque mesmo assim sem querer, ele já é um dos de sempre.

09/01/2015

Ainda bem que não tenho reuniões presenciais sérias

Caso contrário, o penso rápido do Doraemon que estou a usar no polegar esquerdo poderia dar a ideia (certa) de que sim, uso pensos rápidos do Doraemon tendo muito mais do que 10 anos.

23/12/2014

Prenda de Natal

Ontem caí ao chegar a uma estação de metro cheia de gente. Não me magoei por aí além e levantei-me rapidamente. Não me doeu quase nada e fiquei só com umas nódoas negras extra.

O que me doeu foi constatar que ninguém se preocupou, ninguém perguntou se eu estava bem ou se até precisaria de ajuda, apesar de eu saber que quase toda a gente viu a queda e que se fez parcialmente silêncio. Nem uma pessoa. Por isso, obrigada, mundo, por me dares a indiferença de presente através daquelas pessoas que estavam na paragem. Vou lembrar-me deste péssimo exemplo em relação a mim para tentar ser menos indiferente ao que me rodeia, para tentar nunca ignorar alguém que caia à minha frente. É que não fiquei com vergonha de ter caído; fiquei com vergonha de alguma vez poder ter sido ou ser uma pessoa igual àquelas.

Bom Natal.

04/08/2014

Das coincidências!

Num curso que fiz este ano, houve uma troca de prendas aleatória no final, em que cada um levava qualquer coisa que tivesse a mais em casa. A professora garantia que a aleatoriedade ia fazer sentido; sorri e claro, não acreditei lá muito nisso. 

No final das contas, tanto a prenda que dei, como a que me calhou, fizeram sentido: recebi um colar vindo de não muito longe. E esse sítio de onde vinha o colar representa uma das viagens que quero fazer há já muito tempo; será que seria este ano que finalmente iria a esse sítio? Também não acreditei lá muito nisso.

Amanhã, parto rumo a esse sítio, numa viagem decidida muito à última da hora e que vai correr ao sabor da vontade. Ainda me custa acreditar nisso, mas o facto é que vou. E esta, hein?


04/05/2014

Mãe

A mãe que tira as nódoas que mais ninguém consegue tirar. A mãe que descasca tangerinas para não ficar eu com cheiro nas mãos. A mãe que gosta sempre de nós, estejamos gordos, magros, feios, desgrenhados, mal vestidos, mal cheirosos, sujos (e que nos abraça sem nojo nenhum). A mãe que nos leva ao colo mesmo quando somos pesados, só porque implicamos com areia dentro dos sapatos abertos. A mãe que compra o nosso pão favorito. A mãe que dá berros quando não queremos fazer os trabalhos de casa porque somos preguiçosos. A mãe que odeia falar ao telefone, mas faz um enorme esforço porque somos nós a ligar. A mãe que compra uma coisa quando dizemos que precisamos. A mãe que pensa em tudo. A mãe que acha que sabe quase tudo (e sabe mesmo quase tudo).

A minha mãe é a maior.

28/03/2014

Estás a ficar velhinho, Errortográfico!

9 anos e qualquer coisa, sem qualquer regularidade, mas com certa persistência.

14/01/2014

Um glorioso dia

Em que finalmente, depois de muito penar e me auto-flagelar pela minha péssima memória, redescobri o nome do meu vizinho da frente no escritório. O senhor que todos os dias espezinhava a minha memória com um "Bom dia, Isabel" irá agora ouvir de volta um "Bom dia, Rui", em vez de um bom dia muito bem intencionado, mas sem personalização.

Sete anos, sete

Há uns dias, passaram-se sete anos desde que pus os pés nesta cidade para ficar. Pelo menos, enquanto me apetecer ficar. Tem apetecido sempre, e por isso continuo cá. Cada vez mais, com a certeza de que as distâncias são muito, mas mesmo muito relativas.

Em sete anos, sete, muita coisa mudou, e só ao fim deste tempo começa esta a ser um bocadinho a minha cidade também, onde tenho bons amigos e onde já encontro pessoas na rua sem querer; a cidade que tem segredos que vou desvendando e na qual os pés conquistam cada vez mais metros e recantos.

A cidade onde nasci nunca vai ser esta, nem esta vai tomar o lugar da cidade onde nasci: venho orgulhosamente do cinzento; mas esta luminosidade já conquistou o seu lugar cativo no meu mapa pessoal.

E milhentos dias depois, é dia de voltar [outra vez]

Será que vai ser em 2014 que este blog vai ser desempoeirado de vez?

09/10/2013

Hoje não fazes anos

Pela primeira vez desde que me conheço, não fazes anos hoje. Não vais mais fazer anos.

Lembro-me sempre da avó que ia aos arames com o estenderete da brincadeira, quando tudo era matéria-prima para construir tendas na sala de estar. Da avó que fazia sopa como se cada prato tivesse de ter sustância para 3 dias. Da avó que dizia cibinho em vez de bocadinho, beigue em vez de bug e intermext em vez de Internet. Da avó de paciência infinita com o avô. Das idas ao mercado do Bolhão e do pão que eu pedia sempre antes de vir embora. Da avó que guardava tudo e mais alguma coisa e nunca sabia onde estavam as coisas. Da avó que adorava plantas e mais plantas. Da avó que ouvia mal, "não sei o que dizes, filha". Da avó que tirava a espuma do café toda. Da avó que tanto gostava de se queixar, mas que era das pessoas mais compreensivas e serenas que já conheci. Da avó que dava abraços muito, muito apertados. 

Quero lembrar-me sempre de ti assim, mesmo que nunca mais vás fazer anos. 




05/09/2013

Má educação

Confirma-se, algumas coisas não mudam desde que era miúda: a irritação profunda com velhotas que passam à frente da fila para o autocarro sem dizer nadinha. São as primeiras a dizer que a juventude é mal educada quando o exemplo delas consiste em fazer dos outros parvos. Pior que ter eventuais dificuldades em andar é ter sérias dificuldades em usar o bom senso.

23/08/2013

É do calor

Repetir mentalmente: não sou responsável pelas decisões dos outros. Sou responsável por deixá-los tomá-las sem lhes dizer que acho que estão a cometer um erro, tudo porque não quero ser responsável pela sua tristeza ou falta de coragem para avançar. 

Ser mais amigo é apoiar mesmo que não concordemos, ou dizer que honestamente não concordamos? Entre amigos diz-se tudo mesmo que isso magoe ou faz-se das tripas coração para apoiar, mesmo discordando?

13/05/2013

Quando o tempo nos apanha

Todos sabemos que o tempo passa e que é inevitável que passe. Mas insistimos em ver algumas pessoas como eternas; aquelas que sempre estiveram connosco e que nos viram (e ajudaram, e muito) a crescer. O tempo apanha-nos quando percebemos que agora, são elas que precisam da nossa ajuda para as mesmas coisas em que nos ajudavam. É aí que levamos aquele estalo da vida, a lembrar que há muito poucas coisas eternas, e muito menos pessoas. A lembrar que um dia, vamos ter de dizer adeus.

02/04/2013

É da chuva (e deve ser da Primavera também)

Chove há tanto tempo que parece que não mudamos de mês há meses. Sim, toda a gente fala disso, queixa-se, ameaça emigrar (ainda mais) e solta impropérios quando acorda e vê mais um dia feioso. Nada nos motiva tanto no queixume como a meteorologia. No entanto, acho que hoje tive um sinal claro de que a Primavera vem aí, de vez: uma das minhas violetas, que não dá flor há mais de três anos, TRÊS - as violetas são temperamentais e armam-se em esquisitinhas com os sítios - tem um botão de flor prestes a abrir. Por isso, é desta que estou superconfiante. Se isto não resultar, não sei o que resultará (mas estou já a pensar nisso, é o meu plano B caso toda esta superconfiança falhe. Aguardemos.

19/01/2013

Ele há dias

Tomamos uma decisão errada, simples, mas errada. O universo encarrega-se de nos mostrar, minuto a minuto desse dia, que tomámos uma decisão errada, por todas as vias possíveis e imagináveis, várias vezes ao longo do dia. Às vezes, da pior forma possível.

A única coisa positiva do dia de hoje foi ter adiantado a leitura devido a uma das maiores secas que apanhei na vida, ter tido uma total desconhecida a emprestar-me 30 cêntimos e ter um velhinho a contar-me a vida toda como se o conhecesse há 50 anos, durante 2 longas horas. Haja alguns pontos positivos, no meio da intempérie que envolveu levantar muito cedo com poucas horas de sono, secar escusadamentr num comboio, assistir mais uma vez a incompetência total para gerir uma situação de crise, tudo para chegar à conclusão que a decisão mais sensata envolvia...voltar para trás. Voltar atrás, tornando ainda mais inúteis todas as secas desse dia. Foi como se este dia nem tivesse existido, de tão absolutamente inútil.

O que vale amanhã é sempre outro dia, mesmo que hoje pareça não ter existido a não ser para nos tirar anos de sanidade.

11/01/2013

Lições pela manhã

Uma tentativa desatenta de panificação à herói (ou seja, insistindo na experiência apesar de faltarem ingredientes e de se descurarem partes importantes da mesma) resultou em redundante fracasso: uma tentativa de pão enchumbada, que apesar de passar facilmente num aeroporto cheio de regras se poderia transformar facilmente numa letal arma de arremesso. Julgo até que com propulsão adequada, o "pão" envergonharia vários metais mais pesados. Pois que a comida também pode ser uma arma.

05/01/2013

Do pão

Há muito tempo que ando num lento início de relação com o pão caseiro. Já houve algumas tentativas com sucesso, algumas com menos. No decurso da coisa, e à medida que ia lendo e descobrindo sobre pão, constatei que o melhor mesmo era fazer um workshop com quem soubesse mais da poda, para impulsionar a coisa. Esse workshop é hoje. E se eu já sou uma pessoa de opiniões vincadas relativamente à comida e aos ingredientes, temo vir muito pior logo à tarde; mas também com muito mais vontade de dar continuidade à relação com a panificação. A boa-nova é que mais impossível de ouvir eu não devo ficar, porque eu já consigo ser bastante...como dizer...persistente. Aguardemos.


31/12/2012

Mais

Não consegui escrever muito mais no blog do que no ano passado. Mas num ano, consegui ter várias surpresas boas, bastante trabalho, alguns reencontros com amigos de longa data, conhecer amigos novos, aproximar-me de algumas pessoas que já conhecia, mais dias de bem-estar, alguns passeios. Assisti a inícios, infelizmente também a alguns fins, consegui arranjar mais histórias para contar. Não fiz tudo o que queria nem tive tanto tempo como devia para algumas pessoas e coisas, mas aprendi a lidar mais um bocadinho com essa insatisfação e percebi que era sempre possível melhorar. 2012 trouxe-me serenidade q.b. e gostei disso. Por tudo isto, se isto não é um ano bom, não sei o que será; felizmente, não me posso queixar, e como tenho tendência a nem gostar de lamúrias sem grande motivo, melhor para mim. Foi um ano bom, o de 2012. Agora, venha melhor em 2013, e isso inclui o melhor para aqueles que me rodeiam, para as pessoas de quem gosto. Quero tê-las todas bem perto, ou ainda mais perto, em 2013. Bom ano :)

21/12/2012

/ignore

Hoje em dia, é tão fácil chegar às pessoas. Nem vale a pena começar a listar formas. E no entanto, acho que nunca se esteve tão longe de estar verdadeiramente perto. Vivemos a achar que sabemos tudo uns sobre os outros no Facecenas, até vemos o que as pessoas comem em algumas redes sociais, aquilo de que gostam noutras redes sociais diferentes. É todo um mundo de sociabilidade pegada em que todos somos tão amiguinhos.

E mesmo assim, apesar de todas as facilidades, parece que é cada vez mais normal ignorar chamadas, é banalíssimo não as retribuir, é aceite que não se responda a uma mensagem ou a um e-mail porque bem, se essa pessoa quer mesmo falar connosco ela vai tentar por outra das milhentas formas que existem. Afinal, nós temos coisas tão mais importantes a fazer do que falar com ela.

Hoje aconteceu-me exactamente isso, fui ignorada apesar de ter usado três meios diferentes insistentemente, porque apesar de ser para algo meio insignificante, era relativamente urgente. Por isso, obrigada, pessoa que me ignorou; aprendi que mais vale estar quietinho a não gastar latim, mais vale não me incomodar. Não me chateia que me ignorem perguntas ou que recusem o que proponho; chateia-me sabê-las ali sem se darem ao trabalho sequer se escrever "não dá, adeus!". Pelo menos seriam 10 caracteres e não indiferença total. Se calhar era este, o fim do mundo que anunciavam: há sempre alguém para quem já quase morremos ou que morreu para nós.

25/11/2012

Já não tenho idade para certas coisas

Uma delas é estar a secar numa discoteca à espera de concertos a uma sexta-feira às tantas da madrugada. Praticamente dormi em pé enquanto miúdas fresquinhas de 18 abanavam freneticamente a anquinha estreita coberta por trapinho da moda, acompanhadas de bebidas coloridas. Mas a idade, essa também supreende, às vezes: quando finalmente foi hora do concerto e eu já tinha feito umas 4 siestas em pé, as miúdas encostaram às boxes, cansadas e alcoolizadas, e eu, fresca que nem uma alface a aproveitar o concerto. Sim, a idade pode tirar alguma paciência para esperar, mas também nos dá armas para aproveitar melhor.

29/10/2012

Tricotando ou morrendo a tentar

Pois bem, depois de desbravar o glorioso mundo da panificação, vou tricotar. O meu jeito e paciência para os trabalhos manuais é praticamente nulo, mas macacos me mordam se não vou decidir que odeio depois de tentar com algum afinco. Até ver, consegui pôr a mãe às aranhas para explicar; já aniquilei vários pedaços de lã; já fui a uma loja de lãs com uma velhinha enxuta no atendimento; já tive conversas sobre lã na frutaria; a coisa promete. Daqui a nada, estou a contar como já manejo as agulhas como se de sabres de luz se tratassem; é aguardar.

Lá longe, do outro lado do mar

Tenho algumas amigas bem longe, do outro lado do oceano, onde passa uma tempestade que se diz ser muito má. Sabemos que "longe" não existe quando nos preocupamos como se pudéssemos realmente fazer alguma coisa.

28/09/2012

Do exercício

Normalmente, nunca gosto demasiado dos ginásios; vou por pura obrigação. Ultimamente tenho andado bem mais dedicada e passei a gostar até de lá ir, uma questão de professores certos, aulas interessantes e mais companhia para ir. Foi o ginásio que consegui frequentar mais tempo e de que posso dizer que "até gosto". 

Agora que há concorrência próxima, era de esperar que os preços se ajustassem ligeiramente, mas não. Era de esperar que tentassem cativar os clientes actuais e mais antigos, mas não: as ofertas são quase exactamente as mesmas. E assim sendo, vou experimentar outras opções. O que é estranho é que agora queria continuar lá, mas a minha costela da poupança obriga-me, pelo menos, a tentar os outros. Portanto, será um adeus caso eu goste das outras ofertas. Mas só hoje, ao ir a uma aula com um dos professores de que gosto, me apercebi que é verdade, é possível: vou ter saudades da porcaria de um ginásio. Só pode ser da idade.

17/09/2012

Não sou de protestar, que não sou.

É raro, sim, por inúmeros e variados motivos que não são para aqui chamados.

Talvez proteste quando não me deixarem tirar uma tarde inteira, almoçar com uma das melhores amigas de todo o sempre e a sua filhota mais linda, e ainda ir lanchar com outra amiga e o seu rebento fofo que só ele.

Por isso, por mais que me tirem e às malfadadas vítimas dos recibos de cor esmeralda, não me vão, nunca, tirar o que realmente me interessa.


Sabemos que estamos em casa quando...

...lá fora, se ouve sem parar a ronca do nevoeiro.

22/08/2012

Das corridas

O mais próximo que irei estar de aderir à recente moda das corridas - toda a gente corre, toda a gente quer correr e pôr os exercícios bem visíveis nas redes sociais para todos verem que corre, ter sapatilhas da moda e roupa fluorescente daquela que seca rápido - fiz um magnífico sprint hoje: atingi a velocidade de ponta no corredor, fiz curva rasante para a cozinha, derrapei na direcção do caixote do lixo, retirei tampa, enojei-me com o cheiro do lixo como sempre acontece, fechei saco, retornei a correr, desci as escadas duas a duas, tudo para chegar a tempo do camião de recolha a passar.

Há quem corra para exercício; eu só corro para que não cheire mal.

14/08/2012

Da extrema importância de ter um amigo piloto de aviões

Poder desconstruir quase todos os estereótipos sobre pilotos de aviões; e ter alguém que nos explica que o GPS não é nefasto para o cérebro. 

Para além disso, chegar à conclusão de que se pode ter bastante em comum com um piloto de aviões :)

Se eu escrevesse uma história hoje

Dar-lhe-ia o título "O estivador ninja".

13/08/2012

Era doce 1

Todos os anos festejo o aniversário, todos. E como todos gostamos que se lembrem de nós nesse dia, com uma palavrinha que seja. Nos últimos anos, são muitas as palavras no mundo virtual, cada vez menos as reais; reflexo dos tempos, sim. Contentamo-nos com pouco, com atenções mais impessoais, com um "Parabéns, beijinhos" bem intencionado - e não desvalorizo a atenção, pessoas que não nos davam os parabéns há anos passaram agora a fazê-lo outra vez, e se foi bom reencontrá-las, melhor ainda se têm esse cuidado. Outros costumavam ligar-nos ou enviar mensagens e agora confiam ao virtual a tarefa; nada contra, se calhar afastámo-nos, se calhar eles não têm tempo para mais.

Só que há pessoas de quem esperávamos mais. Aquelas que se lembram sempre, que telefonam sempre, aquelas que esperávamos que estivessem sempre lá. De repente, um belo dia, não estão, e nem sequer se lembram que existimos, nem sequer no nosso dia de anos. Ficamos tristes.

Depois, prometemos a nós próprios que vamos tentar não fazer isso às pessoas de quem gostamos. E agradecemos ter havido quem se lembrasse e se desse ao trabalho.

02/03/2012

O mundo é cruel

E o glorioso mundo da panificação não foge à regra. Anda uma pessoa à roda de uma massa durante tempos infinitos, a tratá-la bem, quase a dar-lhe beijinhos e a aguardar pacientemente, apenas para verificar que o que devia acontecer (ela crescer), não acontece. Ser aspirante a padeira é complicado; mas eu tenho um fraquinho por coisas que dão luta. Em compensação, este post é totalmente desinteressante e admiro quem o continuou a ler.

01/03/2012

Sabemos que estamos a ficar velhos

Quando começamos a dizer "estamos em Março, já?!" com ar entre o chocado e de quem acabou de passar os últimos tempos a achar que ainda era lógico considerar-se o ano novo.


É nessas alturas que penso, quero lá saber de estar a ficar velha. Se estar velha significa poder andar com os filhos dos amigos ao colo e brincar com peluches outra vez, fazendo vozes idiotas sem ninguém se ralar, ir comer a restaurantes melhores porque já não preciso de poupar todo o tusto da mesada e passear mais vezes, venham os anos todos.

15/02/2012

Quem diz 3, diz 4

Só para acrescentar que a minha costela panificadora está a dar frutos: ele é pão da avó, ele é pãezinhos de alho, ele é biscoitos salgados, ele é pães aromatizados. Insignificantes para a humanidade em geral, grandes conquistas para uma preguiçosa nata como eu.

E já agora que não há 2 sem 3

Porquê chamar "relva sintética" a algo que não é uma planta, nem sequer é vegetal, não é verde e não é agradável? Não se pode bani-la?

Dos grandes ideais românticos

Acho que perdi os meus algures entre dobrar 53 pares de meias sem êxito de correspondência cromática e dimensional, fazer o almoço para amanhã e varrer a casa pela 657.ª vez esta semana para tentar captar todos os vestígios de relva sintética.

Quando eu for grande

Noutro dia, pensava em quantas das coisas que idealizava para quando fosse grande terei cumprido. Pelas minhas contas, nenhuma. Pior ainda, agora que já sou grande sinto-me relativamente pequena outra vez, à espera de crescer qualquer coisinha um dia destes, mas desta vez a saber que maior, em tamanho, não vou ser (sendo optimista e considerando que não vou engordar muito além do actual). Mas é curioso constatar como mudei e como mudou aquilo que considerava ideal.

Apesar de todo este existencialismo em potencial, há coisas que não mudam; continuo a gostar de: morangos, rolo de cenoura, falar com amigos, gelado quente e frio, passear, malas e carteiras, mar, escrever com lápis, biscoitos. Coisas simples. Acho que não preciso de muito mais quando for crescida.

18/01/2012

Infinitamente pior

Que um blog morto, é um blog alvo de desleixo. Por isso mesmo, uma das minhas resoluções importantíssimas para 2012 é apenas não o matar de vez. Porque a matá-lo, ele precisaria de bastante mais vida do que esta; e no entanto, vai vivendo. Bom 2012!

05/09/2011

Das contradições

Recentemente, ao colaborar na organização de um evento, contactei seis restaurantes por e-mail a mais de uma semana do dito evento, a pedir orçamentos. Era para algo simples, nada de demasiado complicado. Um dos sítios respondeu dizendo que deveria ir pessoalmente ao local para pedir informações; outro sítio enviou rapidamente menus e sugestões. Quatro sítios não responderam até hoje.


Pergunto-me por que motivo há a forma de contacto por e-mail se depois não a usam, nem sequer se dignando dar uma resposta do género da pior que me deram, "contacte-nos no local". Sim, pode até ser um pouco idiota dado que se estamos a utilizar o e-mail é por algum motivo, mas sempre é melhor que ignorar por completo eventuais clientes.

Presumo que estejam todos tão cheios de trabalho que podem recusá-lo. Ainda bem para eles. Quanto ao evento, lá se realizou, no único sítio que deu uma resposta atempada e eficaz, por e-mail. É a tecnologia, senhores, é a tecnologia.

24/08/2011

Há dias

Em que um único olhar pela janela compensa tudo o que se perdeu durante um dia a olhar para um ecrã. Em que se olha pela janela e a natureza, e o que a rodeia, nos compensam por tudo o que não deixamos de ver. Em que mil tonalidades de luz de um pôr-do-sol sobre a cidade nos deixam, literalmente, de boca aberta e com um sorriso de orelha a orelha. Dias como o de hoje.

18/08/2011

Aí em cima, cá em baixo*

Preciso de ir à minha cidade cinzenta favorita. Talvez porque a disposição também esteja assim, a meia-luz; e não que isso seja propriamente mau.

*São expressões de que nem sequer gosto particularmente, mas às quais tive de me habituar por estar em movimento bastante permanente entre as duas cidades; mas isso nem sequer vem ao caso.

29/07/2011

Das coisas que se aprendem com o tempo [e alguma fé no karma]

Se quisermos muito uma coisa, ela pode muito bem acontecer, mesmo que isso implique uma mudança de casa dos idiotas dos vizinhos de cima. (Estou a fazer figas até com os dedos dos pés para que seja verdade.)

Das coisas que se aprendem com o tempo [e algumas viagens]

O muito longe é relativo, principalmente no que diz respeito às pessoas. Tenho pessoas que estão bem longe fisicamente de quem estou e sou muito próxima e tenho pessoas que estão tão perto das quais estou cada vez mais longe. Cliché e verdade, o facto é que cada vez estou mais insensível à indiferença de quem nunca me diz nada e quando diz é para dizer que não pode. Assim falando muito sinceramente, não vou deixar que essas pessoas me façam a mínima falta. Temos pena, mas foi na viragem do ano que decidi que ia deixar de me importar tanto. A conclusão que tiro? Quem nos faz feliz, está connosco. Quem não está connosco passa à história de momentos mais ou menos felizes da nossa vida. Sem ressentimentos, só com a mágoa da perda, mas a certeza de que fizemos quase tudo para contornar o que era perfeitamente evitável. Saber dizer adeus sem o dizer também é necessário para prosseguir. E olhem, era isto.

23/05/2011

As aventuras de Izzoldinha no maravilhoso mundo da panificação

Há muito tempo que andava para me iniciar na nobre arte da panificação. Comprei os materiais há tempos infinitos, comprei um livro gigante para me ajudar (este, do qual estou a gostar muito), comecei a seguir vários blogues, mas a preguiça e ainda a preguiça extrema (minhas duas grandes inimigas do coração) têm sido um grande entrave ao arranque. Este fim-de-semana passado, foi à força: fiz um workshop de massas de pizza e pão no sábado e logo no domingo, já em casa, quis pôr em prática os conhecimentos adquiridos. Ora como é óbvio, esta primeira tentativa (com massa para focaccia) tinha obrigatoriamente de sair mal, pois senão eu ficaria convencida de que era a maior padeira lá do bairro e isso não poderia acontecer assim à primeira; talvez só à segunda. Portanto, um pequeno erro de cálculo da minha responsabilidade fez com que a bela da focaccia, apesar do seu aspecto delicioso, ficasse ligeiramente seca após o arrefecimento. Mas bem, o primeiro passo está dado, a focaccia seca vai ficar melhor em pão ralado, vou continuar a ler o livro e não tarda nada, há-de haver mais tentativas, ah, se vai.

28/04/2011

Com a cabeça na lua

E por motivos de trabalho, o que transforma algo que até poderia ter um motivo nobre e interessante numa coisa completamente aborrecida. Há meses com a cabeça na lua, e nos outros planetas, nas constelações e afins. Apesar de gostar da segurança de um trabalho um pouco mais duradouro num planeamento que normalmente só pode ser feito diariamente, e que está sempre a sofrer trocas e baldrocas, passar meses a fio a olhar para a mesma coisa dá-me cabo do sistema, habituada que estou a mudar de tema como quem muda de camisola. Acabar este trabalho vai ser um alívio tão grande que já nem tenho olhos para nada a não ser para o prazo final, que por sinal se aproxima a olhos vistos.

E com isto, com um trabalho de prazos constantes, está-se sempre a querer que o tempo passe depressa, algo que me irrita profundamente, mas que não consigo contornar. Sempre a adiar as coisas para quando acabar isto, sempre a pensar que depois é que vai ser. O pior é que a um prazo, segue-se sempre outro e...mais vontade que o tempo passe depressa.

19/04/2011

Os perfeitos idiotas que são os meus vizinhos de cima

E podia acabar o post por aqui, porque o título já resumiria tudo de modo ideal e sucinto.


Já tive algumas casas e inúmeros vizinhos; em bairros piores ou melhores; já tive vizinhos cuscos, já tive vizinhos um pouco barulhentos (mas nada de grave), já tive vizinhos um pouco irritantes. No entanto, nada me preparou para o verdadeiro jackpot: vizinhos barulhentos, porcos e mal-educados como a família que vive no andar por cima do que habito. Uma família (apenas) aparentemente normal, sim, casal e um filho, que tudo faz para tornar a vida de quem os rodeia num verdadeiro inferno, mesmo sem o notar. A mais elementar idiotice começa no facto de fumarem à janela, sem cinzeiro e sem ter em atenção que há 3 andares por baixo a receber as suas preciosas dádivas de cinza, para além do lixo das suas toalhas e afins; e aqui, não falo de umas migalhitas: falo de restos de velas, de restos de comida, de muitos cabelos e claro, de quilos das (in)evitáveis migalhas, tudo a cair diariamente nos parapeitos cá de casa, ó alegria. Como se não bastasse, a roupa é estendida invariavelmente tapando mais de metade das janelas que ficam por baixo do estendal, demonstrando mais uma vez um grande respeito pela vizinhança e inclusive relembrando-lhes que está muito vento, bem característico da zona - e nada como lençóis a bater nos vidros dias a fio, autêntica música para os meus ouvidos, para lembrar ao mundo que as faltas de respeito se demonstram nas coisas mais elementares; se estiverem bem encharcados os lençóis, melhor, porque para além de evidenciarem melhor a zona ventosa, sujam também os vidros, e quem não adora ter uns bons vidros gigantes para limpar sempre em vão? A cereja em cima do bolo é a família amar andar descalça, ecoando os seus passos cá em casa, e o miúdo que adora berrar (OK, este é o único item que eu compreendo, afinal de contas é só um miúdo) e...andar em algo com rodas ruidosas, dentro de casa e durante muito tempo, sempre de um lado para o outro. Ora digam lá se não gostavam de poder ter tantos motivos de queixa de um só andar? Sou uma privilegiada!


E agora se me dão licença, vou continuar a usufruir do ruído do miúdo a andar de patins, que estou precisada. Até já.

31/03/2011

Seis anos, seis!

3 de Março de 2005: "Eis-me com um viçoso blog :)"


Viçoso ou menos viçoso, cá continua!

Do próprio veneno

"Temos de marcar qualquer coisa" é uma das frases que mais odeio, porque significa na verdade: "sim, era ideal que alguém marcasse alguma coisa eventualmente, mas eu não hei-de ser, nem que chovam canivetes, lagartos, portanto basicamente vemo-nos por aí ou então marca tu para eu poder arranjar 478 desculpas diferentes para não poder ir". 


Já perdi a conta às vezes que ouvi esta frase e já perdi ainda mais a conta às pessoas que a disseram. Também sou um pouco preguiçosa, sim, mas com quem eu quero estar, eu estou e sim, muitas vezes sou eu mesma a marcar o que quer que seja. Até há pouco tempo, esforçava-me até demasiado ao querer incluir as pessoas e a desesperar quando nunca conseguia que viessem. Para o ano novo, uma das minhas resoluções foi tentar deixar de me preocupar tanto e procurar aproveitar mais o que surgisse sem me preocupar com o que nunca se consegue que aconteça; mesmo que isso significasse não tomar tantas iniciativas que têm 90% de probabilidade de falhar. Pois bem, isto tem resultado largamente, mas tem um enorme contra: é que aquelas pessoas com quem estava porque era eu a marcar coisas, nunca mais as vi. A coisa chega ao ponto de ver alguém que mora aqui ao lado duas vezes em seis meses (tal como previa, não houve uma única tentativa de marcar o que quer que fosse da outra parte). Mesmo assim, o balanço é positivo e prova que quem quer mesmo estar connosco, está, apesar de tudo - do pouco tempo, do trabalho, de ter de regar as plantas, de estar cansado, de ter uma dor que se lhe arrepanha aquela zona toda, do mau tempo. Está, e pronto.

25/03/2011

Das mentiras "piedosas"

Hoje tive a infeliz ideia de voltar a cair no erro de ir a uma aula cujo assustador nome é "condicionamento total". Lembrava-me de ter ido uma vez e de não ter ficado particular fã, mas já foi há tanto tempo que a verdadeira essência da coisa tinha-se perdido algures na memória. Ora pois bem, descubro da pior forma que odeio aquela aula, anoto mentalmente para NÃO voltar tão cedo.

Mas...não sem antes constatar que a esmagadora maioria dos instrutores de ginásio são uns valentes mentirosos de uma piedade cruel. "SÓ MAIS OITO!", berra o instrutor, com um ar todo fresquinho. "AS ÚLTIMAS OITO!", berra ele, ainda muito fresquinho. "E SÓ MAIS OITO!", continua ele, transpirando frescura e bem-estar, enquanto eu procuro mentalmente o pior método de tortura medieval de que tenha escassa memória e imagino setas com soporíferos a atingi-lo.

Oi, senhores instrutores de ginásios? Só mais, as últimas, para mim, são coisas definitivas. Os meus músculos estão a ouvir isso e já a suspirar pelo fim, em modo pré-desactivação total. E os meus músculos não gostam de suspirar pelo fim quando as repetições supostamente vão quase acabar sete ou oito vezes, está bom? Mintam-me a dizer que o meu equipamento é fabuloso, que estou mais magra, que faço os exercícios como se os tivesse feito toda a vida. Mas não digam que está quase a acabar quando tencionam mandar mais 79 vezes, senão estamos malzito, sim? Então beijinhos.

01/03/2011

Palavras adoráveis que nunca tenho oportunidade de usar I

Infame


Como seria bom poder usar esta palavra, sobretudo se isso não implicasse provocar a risota geral ou ser alvo de chacota. É daquelas palavras que tenho guardadas aqui num cantinho à espera de um diálogo elevado em que a possa usar, à espera, silenciosa. Se um dia ouvirem alguém a exclamar INFAME! com um ar convicto, posso muito bem ser eu.

23/02/2011

Somos donos das nossas imagens, ou se calhar nem por isso

Trabalho num local que só por ser uma relativa "novidade", atrai muitos repórteres, muitos fotógrafos e muita captação de imagem. Não me importo, quando não me incomodam e quando fazem o seu trabalho de modo profissional e simpático; normalmente, pedem autorização ou tiram fotografias genéricas do espaço, o que também não me rala nada. Agora chegar cá alguém e achar-se no direito de tirar as fotografias que bem entende e captar quem bem lhe apetece só por ser repórter fotográfico ou operador de câmara, isso tenham paciência, mas acho insuportável. Não gosto de quem se acha dono das imagens só porque elas estão à vista, e o facto de ter autorização para fotografar o espaço não lhe dá autorização para andar a fotografar pessoas, pormenores, ecrãs ou detalhes que possa achar relevantes para o seu trabalho, pelo menos não sem falar com as pessoas em questão. Se calhar apanhou-me só num dia menos simpático, todos temos os nossos, mas não suporto mesmo que alguém se ache no direito de andar a captar tudo só porque "tem uma autorização" genérica de quem cede o espaço e uma máquina fotográfica na mão. Haja paciência para falta de profissionalismo. 

22/02/2011

Declaro

Que desde que descobri que conseguia fazer scones aveludados em 16 minutos, pretendo explorar a nobre arte da panificação. Quem sabe se depois de descobrir que não sou talhada para as artes do peixe, descubro que sou uma panificadora nata? Mais novidades em breve. A única coisa que me impede de fazer disto vida é saber que vou ser a minha própria maior cliente.

17/02/2011

Peeeeixe, peixe, peixe, peixe!

Ao fazer um workshop de sushi, constato que a herança da família ligada ao peixe não me corre nas veias. Já não descascava um camarão há mais de uma década, até ontem (infelizmente para o camarão, coitado, já não lhe bastava ter de levar com um espeto de pau antes de cozido), e os meus dotes de corte de dourada são tão bons como provavelmente a minha pontaria superior na arte do tiro ao prato sem nunca ter experimentado, ou seja, roçam o nível "nulidade absoluta com tendência à catástrofe total". Posto isto, sabendo que nunca irei atingir a fama numa área ligada ao sushi, até por não poder com o cheiro pestilento do peixe nas mãos que dura, dura, e dura, resta-me dedicar às áreas da outra parte da família: a mercearia. Penso que nessa é que terei reais hipóteses de conseguir alcançar o estrelato. Eu mantenho-vos a par.

13/02/2011

Estou

a um passo extremamente pequeno de deixar de ir ao supermercado cujo nome começa por p, acaba em ingo e depois tem um nome adocicado. É que de tanto me quererem convencer de que são sempre os mais barateiros, estou a desconfiar. 

11/02/2011

Isto não é sobre uma cidade [ou declaração de amor]

Há um ano, fazia a primeira das viagens do ano para conhecer, finalmente, Berlim, mas estas linhas não são sobre essa cidade. São sobre a língua que escolhi aprender há uns anos, que tanto trabalho me deu, que deixei adormecer durante anos, que reavivei e que é hoje uma das línguas com que lido no dia a dia. É inexplicável por que fico tão feliz num ambiente onde se fala alemão, mesmo que o pavor de morte de errar alguma coisa faça com que muito-mais-raramente-do-que-devia arrisque falá-lo (shame on me). No entanto, o meu sorriso mental quando estou rodeada de pessoas a falar alemão diz-me sempre que foi das melhores decisões que já tomei na vida, e como é bom acertar nalgumas coisas, de vez em quando.

10/02/2011

Números

Nem uma dúzia de posts no ano passado, nem sequer unzinho por mês. Uma vez que essa média é simplesmente miserável, a minha única promessa para 2011, feita agora em Fevereiro, vai ser aumentar a média para um valor astronómico, isto tendo em conta que comparado com menos de meia dúzia, até 24 irá parecer um número extremamente promissor!

07/01/2011

2010

Passou a correr, passou sem que chegasse a ver muitas pessoas que gostava de ter visto (felizmente vi algumas que gostei muito de ter visto também, para compensar), passou vendo muitos sítios que gostei muito de ter visto e passou com momentos muito bons e muito maus. Foi a decisiva entrada nos "inta" e um ano que me fez ver o quão diferente é a minha vida em relação ao que já esperava ser, ter e ter vivido aos trinta (e não necessariamente para pior).


Entrei com muitas expectativas em 2010, não quero fazer o mesmo em 2011. Por isso, este ano, vou ter poucos objectivos concretos e algumas conquistas específicas que espero atingir, mas sem demasiadas expectativas, porque quando as crio, tenho invariavelmente demasiadas desilusões. Prefiro a serenidade das metas atingidas, prefiro ser terra-a-terra. Por outro lado, quero pôr em prática muita coisa. A ver vamos como corre!


Bom ano :)

25/11/2010

Thanksgiving

Há algumas coisas e pessoas pelas quais estou agradecida, mas o que mais agradeço nesta vida é a vida em si e tudo o que ela acarreta, de bom, de mau, de chorável, de risível, digno de memória ou de esquecimento.

17/10/2010

Às 8 da manhã ao domingo

Não há ninguém na rua às 8 horas de um domingo de manhã. Devagar, subo a rua, observo, respiro o ar fresco. 4 pães são as duas primeiras palavras de um dia quase em contínuo desde ontem. Saio da padaria, desço a rua para voltar a casa. Ainda ninguém na rua às 8h03 de domingo de manhã. À esquerda, espreito o topo da 25 de Abril, entre algum nevoeiro. Observo as persianas, ainda todas fechadas, o bairro dorme num silêncio quase total (não fossem os pássaros). Sorrio ao constatar que o céu tem pelo menos cinco tons de cor diferentes, o ar fresco na cara a lembrar que é cedo, embora o sol nasça tarde. São 8h06 e entro em casa. Ninguém na rua, às 8 e picos da manhã, ao domingo.

14/10/2010

Lições úteis para a vida I

Responder a um bom dia é bem-educado e olha, pasme-se, nem custa assim tanto! Ouviram, piquenos mal-educados que trabalham aqui ao lado? Obrigadinha!

09/10/2010

A minha avó Ema

Uma das minhas avós faz hoje noventa anos. Era a ela que eu e o meu primo torrávamos a paciência com a construção de barracas e instalação do caos em geral lá em casa. Era a minha avó que tinha alcatifa azul no quarto onde eu tinha de dormir a sesta; que me levava ao Bolhão e não conseguia sair de lá sem que eu tivesse um pão com morcela na mão (como os tempos mudam!), e que tinha coelhos no quintal, algo que fez com que deixasse de comer coelho para todo o sempre. É a minha avó que mais se queixa, para quem tudo nunca está grande coisa ou sempre mais ou menos. Muito do que sou, devo-o a ela, por ter sido sempre e ser ainda capaz de levar a dela avante.


Contente por ela fazer 90 anos, triste por não estar com ela neste dia. Parabéns, avó :)

04/10/2010

Pessoas que vêm, pessoas que vão

Ultimamente, tenho tido algum azar com as pessoas. Desiludem, desmarcam, dificultam, ignoram, inviabilizam e muitas outras palavras com partículas de cariz negativo que não vou enumerar. Isso incomoda-me e entristece-me, claro. Tanto como me incomoda a areia nos pés quando está dentro de sapatos: aborrece-me, queixo-me dela. Depois sacudo-a e ela desaparece. É o que aprendemos a fazer com as pessoas que a custo, concluímos que não querem, ou não podem, ou não merecem fazer parte da nossa vida, e é a essa conclusão a que chego a cada dia que passa. Quem realmente faz parte da nossa vida nunca é como a areia que incomoda nos pés. É nessas pessoas que me vou concentrar, em vez de perder tempo a sacudir areia.

11/09/2010

A tia

Lembro-me de ti tantas vezes. Do colo, do sorriso sincero, dos bolos que fazias e do rolo de cenoura. Foste sempre "a tia", um nome que eliminava o hífen e o avó que se deveriam seguir. Tenho uns brincos teus com que andavas sempre e sei que vais gostar de saber que ficaram comigo. Tenho muitas, muitas memórias da grande companhia que eras e das histórias que contavas, tenho muitas saudades tuas e tenho uma enorme vontade de fazer o tal rolo de cenoura que nunca mais pude comer. A tua morte foi, seguramente, a mais marcante e a que mais me revoltou; tornou-me um pouquinho mais forte para as que haviam de se seguir, talvez. 


Lembro-me de ti tantas vezes, e é tão bom constatar que as tuas marcas na minha vida são impossíveis de apagar. Gosto de ti, tia, onde quer que estejas, e tenho tanta pena que não me possas ver feliz, hoje, a cantar ai quem me dera meu chorinho há tanto tempo abandonado.

13/08/2010

Reler

Sem sono, perdi-me a ler os arquivos do blogue e a lembrar todas as situações de que falei nele, todas as pessoas que referi, muitas das mudanças que vivi nos últimos anos. Havia tempos em que escrever aqui era a alegria de todos os dias à hora de almoço, outros em que era lamento das horas desocupadas; há anos em que quase não escrevi e não porque não tenha feito ou vivido muito mais do que naqueles em que escrevi muito. No quinto ano de vida, este blogue assistiu a vários dos pontos mais marcantes da minha própria vida. É por isso que quando penso que a falta de escrita o devia condenar à morte definitiva e assumida, ainda mais depressa elimino essa ideia. Sempre tem sido uma companhia a que regresso com gosto, mesmo que seja para só lhe dar...silêncio.

12/08/2010

Cara nova

E muito mais fácil de editar do que a anterior! Pode ser que assim até escreva mais e tudo :)

14/07/2010

E depois de me maravilhar com a comida de avião...

...descobri que a comida de autocarro é infinitamente pior. Ou talvez seja o facto de as viagens durarem muito mais e termos muito menos paciência e níveis de tolerância a roçar o zero.

Sinais dos tempos

Quando a maior parte das pessoas não fala contigo para te dar os parabéns, isso é...Facebook. Isso fez-me decidir que vou decididamente passar a fazer mais chamadas nos aniversários. Chega de tanta vida por escrito.

13/04/2010

Da água


Ou de como nos poucos meses em que morei longe da água, parecia sempre que faltava alguma coisa. Aqui perto, o rio anuncia muito mais mar já aqui ao lado. E é tão reconfortante vê-lo todos os dias.

29/03/2010

Cinco

Cinco anos, cinco, que fez o blog, e nem uma palavra desde há tanto, tanto tempo. Só não é imperdoável por já ser um hábito! Pois que desde o dia 15 de Janeiro muito se passou, mas fácil de resumir em poucas palavras: mudei de casa e de bairro, mudei-me para um escritório a sério, fui a Berlim e voltei a adorar, provei finalmente os gelados do Santini. O resto, esse está praticamente igual.

15/01/2010

Eu sou uma bola de Berlim!

Berlinense por enquanto, ainda não. Mas daqui a pouco tempo, finalmente, vou pôr lá os pézinhos! A primeira grande viagem do ano vai colmatar a grande falha que é não conhecer esta cidade. Mal posso esperar :D

06/01/2010

Descolei as flores vermelhas

E no dia em que as descolei, soube que aquela casa já não era a minha. Uma por uma, descolei-as, devagar, num adeus solitário. Olhei para a casa vazia, sem vida e sem mágoas, saí. O ano começa não muito longe dela, mas com a cabeça bem longe de lá.

01/12/2009

Adeus, nós voltamos já

Tenho uns grandes amigos que vão viver para outro continente durante um período de tempo supostamente limitado. Fico muito contente por eles, contente porque eles parecem contentes e triste por mim e por saber que vou sentir um pouco a falta deles. Mas as coisas são mesmo assim, nem sempre temos o que queremos e quanto mais depressa nos habituarmos, mais fácil é. Portanto, sei que lhes digo um até já um pouco mais demorado e conto os dias para os ir visitar, lá de um dos outros lados do mar. A grande vantagem é que já sei por experiência própria o quanto as amizades não se medem pelas distâncias; outra grande vantagem é que eles vão andar por muitos sítios que gostava tanto, mas tanto de visitar. Acho que afinal o destino me vai levar lá mais cedo do que pensava.

A capella II

E a menina? Dança :)

12/11/2009

Casa nova!

Toda uma nova saga de mudanças dentro de alguns dias. Vai ser a quarta casa para a qual me mudo em Lisboa em menos de três anos, portanto pode dizer-se que me estou a tornar uma verdadeira profissional do empacotamento e operação inversa. Perguntam-me se já não estava na hora de escolher uma casa para mais tempo: nem por isso. À quantidade de tralha que eu acumulo em pouco tempo, as mudanças são a verdadeira filtragem do que realmente interessa; ou do que de facto não interessa, mas vai andando comigo de um lado para o outro. Desejem-me sorte :)

05/11/2009

A capella

É em silêncio que te acompanho, sem música a disfarçar o desafinado. Tu não cantas, eu tento não desafinar demasiado. Mais cedo ou mais tarde, a música volta e podemos continuar só a dançar, sem mais palavras nem distâncias. Disse-te as palavras duras que precisavas de ouvir, disseste que era exactamente aquilo que precisavas de ouvir; e foi tão bom ouvir isso e sentir as minhas palavras úteis. Quando voltares, cá te espero e não te vou dizer nada, só deixar-me ir na dança.

I'm leaving today

Até ao fim do ano, mudo de casa, outra vez. As visitas a potenciais nossas-futuras-casas prometem. Ontem, uma cheirava a tabaco e mofo. Hoje, uma cheirava a mofo e a outra tinha alcatifa: a coisa, portanto, só pode melhorar. O objectivo agora é combinar alcatifa, mofo e intenso odor a tabaco num só apartamento. A cereja no topo do bolo? Tentarem disfarçar o cheiro com ambientadores de baunilha, dos quais gosto tanto como de bolhas nos pés. Ora como vou ver mais casas nos próximos dias do que nos últimos 4 anos juntos, espero ter novidades em breve. Que não envolvam o jackpot olfactal que referi há pouco; sim, o nariz de uma pessoa tem limites, OK?!

Start spreading the news...

Perdi os óculos nos Estados Unidos. Vejo pior em alguns momentos, mas vim muito mais feliz. A conclusão lógica é que a felicidade não deixa de o ser por estar assim, meia desfocada de vez em quando.

08/10/2009

Pés na terra, cabeça no ar



Ou de como a vida de todos os dias pode dar tantas voltas, mas nós podemos continuar coerentes no nosso caos diário.

01/09/2009

Tempo, tempo, tempo!

Já tenho mais e estou contente só por isso :)

09/08/2009

Isto nunca foi tão verdade

Ou pelo menos nunca o senti tanto na pele: tenho tantas, tantas saudades de ter tempo. E nunca faltou tão pouco, tão pouquinho para finalmente ter algum, ao fim de meses. Já falamos.

18/07/2009

30!

A minha nova década começa com muitas surpresas; tudo a ser orquestrado e eu sem desconfiar de nada! Foi preciso mudar de casa das dezenas para ter a primeira festa-surpresa da minha vida, com alguns dos melhores amigos de sempre e o melhor namorado de todo o mundo a fazerem-me entrar nos 30...a chorar :) E há lá melhor maneira de se começar do zero (OK, aqui em sentido figurado, claro, enquanto renovação, que eu tenho apreciado a evolução) do que lavando a alma?

Não bastasse isso, ainda recebi prendas que nunca pensei receber e que adorei, incluindo a prenda de ir lá longe, ao outro lado do oceano, ver uma das minhas Anas; mas o melhor de tudo, o melhor acima de todas as coisas, foi estar com quem estive e saber que tenho a sorte de ter quem me surpreenda e quem saiba exactamente como me tirar as palavras da boca.

Do coração, muito obrigada! Vai ser um dia que nunca vou esquecer :)

09/07/2009

3 dias

A três dias dos 30, descubro que estou oficialmente bastante stressada. Ou pelo menos, uma máquina diz que sim. E de repente, assim de repente, tive saudades do chão azul do Campo Alegre, da voz do meu professor de yôga, dos sábados de manhã e das práticas na relva, da amizade sem olhar a quase nada que não fosse a união da filosofia de vida comum. Tive saudades dos sons e de os vocalizar, vim sozinha pela rua a relembrá-los. E tomei uma das minhas decisões pré-trinta: vou voltar - e preciso de voltar - logo que possível.

Além disso, e devido ao pouco tempo livre, escrevi aqui num post-it tudo o que tenho de fazer assim que tenha tempo. Para olhar e lembrar: nunca faltou tão pouco para poder fazer isto tudo, nunca faltou tão pouco para se acabarem mais estas (tantas) palavras.

06/07/2009

Das manias

Quando dizemos a alguém que tem a mania das limpezas, estamos a dizer-lhe que deveria limpar menos, perdendo menos do seu precioso tempo com ela e com os outros, eventualmente até connosco, ou estamos veladamente a agradecer-lhe pelo trabalho que tem? É uma mania das limpezas irritante ou agradável? Nunca compreendi bem esta dicotomia. Porque sim, tenho um bocado a mania das limpezas; aprendi sempre que tenho de deixar as coisas como gosto de as encontrar (muitas vezes, da pior das formas); para mim, isso é bom, porque me queixo menos do que me rodeia (e sim, eu queixo-me bastante). Agora se para os outros as limpezas são más, o que fazer? Perder o meu precioso tempo quando decidir perdê-lo ou chatear-me mais vezes?

01/07/2009

Mal-entendidos

Pior que ser mal compreendido é ser mal compreendido por aqueles que esperamos que nos compreendam melhor. Pior ainda que isso, só ser mal compreendido quando as palavras faladas nos saem da boca meia dúzia de vezes por dia e quando acho que já esgotei todas as palavras que tinha a escrever. E mesmo assim, consigo escolher as erradas nas poucas que reservo para falar.

30/06/2009

Faltam 12 dias e tenho saudades...

...dos tempos em que celebrar os anos era ir a uma das melhores gelatarias do planeta terra e comer a minha taça preferida. Das batatas fritas das festas em casa, que demoravam horas e horas a preparar (e melhor, eu não podia sequer aproximar-me). Dos familiares e amigos todos que iam às festas, tantos que nunca mais vi, alguns que não poderei ver nunca mais. De muitas prendas. De encher agendas com coisas inúteis. De ter tempo para tudo e mais alguma coisa no dia dos anos. De ter uma roupa especial para aquele dia com uma cor berrante e um formato estranho (ah, os doces oitentas!). De querer que o dia nunca mais acabasse, e isto não necessariamente apenas o dos anos. Faltam 12 dias.

18/06/2009

Percursos

Saio de casa, viro à esquerda, cumprimento o Sr. Inácio que está sempre a falar com alguém na rua a essa hora, atravesso e viro à direita, subo, subo, subo, olho para as motas estacionadas a ver se alguma me agrada, se houver uma vermelha penso que é bonita, observo o senhor gordinho que está sempre a ler o jornal no carro e pergunto-me sempre por que motivo lá estará, passo no café de esquina que fecha e que nunca tem ninguém embora exiba muitos bolos, subo, subo, passo nas lojas a que não compreendo que alguém vá, vejo os senhores da loja ajentejana que estão sempre a conversar cá fora com os senhores da loja de vimes, olho para o andar de cima do prédio de esquina que está para venda há meses, páro à espera da ordem de atravessar, boa tarde, e sigo em frente, vejo os preços demasiado caros dos restaurantes que aspiram a finos, passo o ginásio só para mulheres, viro à direita onde encontro a rua com nome de substância de mar, que está semi-abandonada, onde tudo está semi-abandonado ou à venda ou a cair, passo o restaurante que cheira sempre bem, cruzo-me com os funcionários das instituições que por ali estão, sigo, sigo, passo a loja de café que gostava de encontrar aberta e os polícias da embaixada, viro à esquerda, entro, aliviada, nas escadas da casa antiga e penso que há poucas coisas tão refrescantes como as escadas, subo, subo, entro, digo boa tarde que é um fixe mais dois toques de mão aberta com dedos juntos do lado direito da cara, palma voltada para a frente. e entro no mundo do silêncio.

03/06/2009

A mala mais mal feita do mundo

Tenho algum cuidado, não excessivo nem obsessivo, com o que levo nas malas de viagem. Gosto de ir prevenida, mas sem exageros, e tenho conseguido sempre levar malas relativamente bem feitas. Sim, também levo sempre coisas a mais, mas os limites da aviação comercial são um bom calmante para o entusiasmo de fazer a mala com tudo o que vem à rede. No entanto, desta vez...desta vez, eu acho que consegui, sem sequer me esforçar, fazer a pior mala de sempre; levei roupa e calçado totalmente desadequados; esqueci-me de coisas essenciais; levei outras que não fizeram falta rigorosamente nenhuma, porque mais de metade do que levei na mala foi inútil para a viagem. Depois, penei ao precisar do que não tinha, sofri com o calor (mesmo que inesperado), tive de comprar coisas totalmente desnecessárias. Posso dizer com toda a segurança que na mala que fiz, quase tudo estava mal.

No final disto tudo, consegui ter umas das melhores férias de toda a minha vida. A verdadeira prova de que as circunstâncias podem ser, realmente, tão secundárias, tão ultrapassáveis. Neste caso concreto, com direito a várias ultrapassagens, legais, pela direita. E esta?

27/05/2009

Um país novinho em folha!

Quando era mais pequena [ainda], viajei bastante pela Europa com família e em grupos grandes. Não é que tenha ficado a conhecer tudo e mais alguma coisa, mas consegui ficar com uma ideia relativamente decente dos países, normalmente filtrada por aquilo de que mais gostava na época. Adianto-vos desde já que um dos meus critérios prioritários da adolescência era, por exemplo, a qualidade e as dimensões das piscinas; outro, a qualidade dos gelados locais. Prioridades estas que no fundo até não se alteraram, mas que mascaro com outras mais próprias da minha idade: do género, a qualidade dos museus ou o grau de confortabilidade do colchão do alojamento (OK, isto é mentira). Verdade verdade, é que por mais que eu goste de um museu, nada me compra como uma boa e gigantesca piscina ou um cone com dois sabores de comer e chorar por mais.

A intenção de dizer tudo isto é basicamente uma só: vou visitar, a partir de amanhã, um dos países europeus a que ainda não fui nestas deambulações entre piscinas e gelados. E a sensação de ir visitar algo novinho em folha, que nunca vi e que nem sequer imagino direito, é algo que queria guardar bem vivo, aqui comigo :)

24/05/2009

Das convivências

Eu reconheço que sou uma pessoa complicada para se conviver, sim. Gosto das coisas limpas, arrumadas logo que possível, gosto de encontrar as coisas como as deixei, gosto de ter silêncio quando quero, gosto que respeitem as minhas coisas. Gosto que as pessoas sejam sinceras quando podem, auto-conscientes sempre. Viver com mais gente obriga-me a ser tolerante q.b., e gosto de pensar que sou, mas se calhar andei e ando bem enganada. Se não gostar que as pessoas venham sem aviso é ser intolerante, eu sou. Pior ainda, que vão ficando sem se saber bem até quando e ainda se sintam bem com isso. E o topo dos piores, que venham e vão ficando como se nada fosse, porque os outros são socialmente obrigados a aturarem a visita, porque lhes fica mal dizer que olha, não lhes apetece. E depois é isto, não estou bem onde me devia sentir bem, na minha própria casa; fico a sentir-me mal por estar a ser eu a querer dizer que se calhar a visita já desamparava a loja, por menos que ela incomode. Depois acontece isto, chateio quem me ouve com a mesma lenga-lenga, com queixas, com irritação por coisas insignificantes. Sou antipática quando aparentemente não tenho motivos para isso. Acho que descobri que afinal, não sou tão tolerante como pensava. Descobri também que não quero ser mais tolerante. Não vou alterar os meus limites da tolerância só porque os outros os esticam, e vou repetir esta frase até que a voz me doa para me lembrar sempre disto. Vivam as férias, quase a chegar. Pena que neste momento, o que mais anseio é estar só perto de quem quero e longe daquela que devia ser, ainda que parcialmente, a minha casa.

05/05/2009

De como a vida dá umas voltas

Começou por ser a namorada do amigo da namorada de um amigo meu. Agora, é uma amiga com A maior do que os grandes, daquelas sem quem não passamos, daquelas que por mais tempo que fiquemos sem ver, estão sempre, sempre connosco em todo o lado, por mais longe e por mais tempo afastado que se esteja. Daquelas a quem desejar tudo de bom, é tão, tão, mas tão pouco. Parabéns, fofinha :)

A melhor amiga da escolha cromática: a urgência

Antes do almoço: "Ah e tal, diz-me a cor depois de almoço porque assim já a peço e etc." Foi remédio santo: o meu quarto vai ter um tom de rosa velho cruzado com salmão claro. Depois mostro, que isto de explicar tons tem muito que se lhe diga quando se acabou de analisar um catálogo com mais de mil cores.

30/04/2009

Como, oh mas como...

...é que se escolhe UMA cor entre milhares?! Eu mudo de ideias de cada vez que olho para o catálogo, todos os dias. Até agora, já consegui excluir...tcharã...o cinzento! Ajuda, alguém? A cor é para um quarto de dormir com mobília preta. Há alguma predominância de vermelho nas capas de edredon e tapetes, sim, mas um quarto vermelho não me parece assim muito relaxante e é principalmente para isso que eu lá vou.

Quer-me parecer que isto é coisa para demorar meses.

16/04/2009

Das flores

Há pessoas da minha família que infelizmente não vejo muitas vezes nem tantas quanto desejaria. Caso do meu tio com nome de flor, que sempre fui vendo, mas com quem não partilhei tantos e tantos momentos que se calhar podia e devia ter partilhado. Mesmo assim, nunca perdemos o contacto; especialmente agora, quando ele teve de estar internado em Lisboa e grande parte da família estava bem mais a Norte. Durante meses, visitei-o quando podia e dei a força possível. Vi as forças dele a irem-se embora, a pouco e pouco, vi o cansaço que se acumulava, os químicos e máquinas a tentarem recuperar aquilo que não parecia recuperável, a esperança a ir-se embora, o olhar a ficar perdido. Vi e ouvi o que não queria ter visto nem ouvido. Mesmo assim, e apesar do sacrifício que é ver alguém de quem gostamos sofrer sem podermos fazer nada, fico contente por ter podido estar lá, por poder fazer alguma coisa, por pouco que isso fosse.

O meu tio com nome de flor era muito forte, mas não resistiu a tanto. Espero que agora possa finalmente descansar.

05/04/2009

Sem palavras

"O meu tempo acabou." Como se responde a uma frase destas? Como se dá a volta ao desânimo quando não há rigorosamente nada que possamos fazer por essa pessoa a não ser dar-lhe algum do nosso tempo?...

01/04/2009

Maravilha efeverscente

Não sei se já aqui comuniquei que para além de efeverscente ser uma das minhas palavras favoritas - sete consoantes diferentes, sete!, e cinco ocorrências da mesma vogal, ou seja, esta palavra tem tudo para ser fabulosa - tenho uma estranha panca por comprimidos efeverscentes. E era isto.

31/03/2009

Pára tudo: o Norte volta ao Sul

Vai fazer em breve um ano que mudei de casa, e ia também fazer um ano que tinha perdido - durante as mudanças - a minha pequena bússola-joaninha de estimação, tão vermelhinha e bonita. Ia. Porque ontem, ao mexer numa caixa insignificante, encontrei-a. E ela, como sempre, mostrou-me um Norte que já não via há quase um ano. Agora só me falta encontrar o meu mini-rádio, também perdido em combate (vulgo: durante as mudanças). Insisto em não comprar outro porque sei que mais cedo ou mais tarde, ele volta. O problema é que estou a ficar sem sítios onde não procurar para o encontrar por acaso. Técnicas brilhantes para encontrar coisas perdidas, precisam-se!

18/03/2009

Das ruas que não conheço

Quando vou sozinha na rua, observo tudo ao pormenor: fachadas, lojas, pessoas. Descubro o que nunca vejo se estiver distraída (algo que acontece bastantes vezes). Hoje, ao passar por ruas novas, constato que poucas coisas me agradam tanto como passar onde nunca passei, ver pela primeira vez. E era isto; gostava de conseguir ter mais vezes olhos de ver (apesar da pitosguice provavelmente ser cada vez maior).