23/12/2014

Prenda de Natal

Ontem caí ao chegar a uma estação de metro cheia de gente. Não me magoei por aí além e levantei-me rapidamente. Não me doeu quase nada e fiquei só com umas nódoas negras extra.

O que me doeu foi constatar que ninguém se preocupou, ninguém perguntou se eu estava bem ou se até precisaria de ajuda, apesar de eu saber que quase toda a gente viu a queda e que se fez parcialmente silêncio. Nem uma pessoa. Por isso, obrigada, mundo, por me dares a indiferença de presente através daquelas pessoas que estavam na paragem. Vou lembrar-me deste péssimo exemplo em relação a mim para tentar ser menos indiferente ao que me rodeia, para tentar nunca ignorar alguém que caia à minha frente. É que não fiquei com vergonha de ter caído; fiquei com vergonha de alguma vez poder ter sido ou ser uma pessoa igual àquelas.

Bom Natal.

04/08/2014

Das coincidências!

Num curso que fiz este ano, houve uma troca de prendas aleatória no final, em que cada um levava qualquer coisa que tivesse a mais em casa. A professora garantia que a aleatoriedade ia fazer sentido; sorri e claro, não acreditei lá muito nisso. 

No final das contas, tanto a prenda que dei, como a que me calhou, fizeram sentido: recebi um colar vindo de não muito longe. E esse sítio de onde vinha o colar representa uma das viagens que quero fazer há já muito tempo; será que seria este ano que finalmente iria a esse sítio? Também não acreditei lá muito nisso.

Amanhã, parto rumo a esse sítio, numa viagem decidida muito à última da hora e que vai correr ao sabor da vontade. Ainda me custa acreditar nisso, mas o facto é que vou. E esta, hein?


04/05/2014

Mãe

A mãe que tira as nódoas que mais ninguém consegue tirar. A mãe que descasca tangerinas para não ficar eu com cheiro nas mãos. A mãe que gosta sempre de nós, estejamos gordos, magros, feios, desgrenhados, mal vestidos, mal cheirosos, sujos (e que nos abraça sem nojo nenhum). A mãe que nos leva ao colo mesmo quando somos pesados, só porque implicamos com areia dentro dos sapatos abertos. A mãe que compra o nosso pão favorito. A mãe que dá berros quando não queremos fazer os trabalhos de casa porque somos preguiçosos. A mãe que odeia falar ao telefone, mas faz um enorme esforço porque somos nós a ligar. A mãe que compra uma coisa quando dizemos que precisamos. A mãe que pensa em tudo. A mãe que acha que sabe quase tudo (e sabe mesmo quase tudo).

A minha mãe é a maior.

28/03/2014

Estás a ficar velhinho, Errortográfico!

9 anos e qualquer coisa, sem qualquer regularidade, mas com certa persistência.

14/01/2014

Um glorioso dia

Em que finalmente, depois de muito penar e me auto-flagelar pela minha péssima memória, redescobri o nome do meu vizinho da frente no escritório. O senhor que todos os dias espezinhava a minha memória com um "Bom dia, Isabel" irá agora ouvir de volta um "Bom dia, Rui", em vez de um bom dia muito bem intencionado, mas sem personalização.

Sete anos, sete

Há uns dias, passaram-se sete anos desde que pus os pés nesta cidade para ficar. Pelo menos, enquanto me apetecer ficar. Tem apetecido sempre, e por isso continuo cá. Cada vez mais, com a certeza de que as distâncias são muito, mas mesmo muito relativas.

Em sete anos, sete, muita coisa mudou, e só ao fim deste tempo começa esta a ser um bocadinho a minha cidade também, onde tenho bons amigos e onde já encontro pessoas na rua sem querer; a cidade que tem segredos que vou desvendando e na qual os pés conquistam cada vez mais metros e recantos.

A cidade onde nasci nunca vai ser esta, nem esta vai tomar o lugar da cidade onde nasci: venho orgulhosamente do cinzento; mas esta luminosidade já conquistou o seu lugar cativo no meu mapa pessoal.

E milhentos dias depois, é dia de voltar [outra vez]

Será que vai ser em 2014 que este blog vai ser desempoeirado de vez?