09/10/2010

A minha avó Ema

Uma das minhas avós faz hoje noventa anos. Era a ela que eu e o meu primo torrávamos a paciência com a construção de barracas e instalação do caos em geral lá em casa. Era a minha avó que tinha alcatifa azul no quarto onde eu tinha de dormir a sesta; que me levava ao Bolhão e não conseguia sair de lá sem que eu tivesse um pão com morcela na mão (como os tempos mudam!), e que tinha coelhos no quintal, algo que fez com que deixasse de comer coelho para todo o sempre. É a minha avó que mais se queixa, para quem tudo nunca está grande coisa ou sempre mais ou menos. Muito do que sou, devo-o a ela, por ter sido sempre e ser ainda capaz de levar a dela avante.


Contente por ela fazer 90 anos, triste por não estar com ela neste dia. Parabéns, avó :)

04/10/2010

Pessoas que vêm, pessoas que vão

Ultimamente, tenho tido algum azar com as pessoas. Desiludem, desmarcam, dificultam, ignoram, inviabilizam e muitas outras palavras com partículas de cariz negativo que não vou enumerar. Isso incomoda-me e entristece-me, claro. Tanto como me incomoda a areia nos pés quando está dentro de sapatos: aborrece-me, queixo-me dela. Depois sacudo-a e ela desaparece. É o que aprendemos a fazer com as pessoas que a custo, concluímos que não querem, ou não podem, ou não merecem fazer parte da nossa vida, e é a essa conclusão a que chego a cada dia que passa. Quem realmente faz parte da nossa vida nunca é como a areia que incomoda nos pés. É nessas pessoas que me vou concentrar, em vez de perder tempo a sacudir areia.

11/09/2010

A tia

Lembro-me de ti tantas vezes. Do colo, do sorriso sincero, dos bolos que fazias e do rolo de cenoura. Foste sempre "a tia", um nome que eliminava o hífen e o avó que se deveriam seguir. Tenho uns brincos teus com que andavas sempre e sei que vais gostar de saber que ficaram comigo. Tenho muitas, muitas memórias da grande companhia que eras e das histórias que contavas, tenho muitas saudades tuas e tenho uma enorme vontade de fazer o tal rolo de cenoura que nunca mais pude comer. A tua morte foi, seguramente, a mais marcante e a que mais me revoltou; tornou-me um pouquinho mais forte para as que haviam de se seguir, talvez. 


Lembro-me de ti tantas vezes, e é tão bom constatar que as tuas marcas na minha vida são impossíveis de apagar. Gosto de ti, tia, onde quer que estejas, e tenho tanta pena que não me possas ver feliz, hoje, a cantar ai quem me dera meu chorinho há tanto tempo abandonado.

13/08/2010

Reler

Sem sono, perdi-me a ler os arquivos do blogue e a lembrar todas as situações de que falei nele, todas as pessoas que referi, muitas das mudanças que vivi nos últimos anos. Havia tempos em que escrever aqui era a alegria de todos os dias à hora de almoço, outros em que era lamento das horas desocupadas; há anos em que quase não escrevi e não porque não tenha feito ou vivido muito mais do que naqueles em que escrevi muito. No quinto ano de vida, este blogue assistiu a vários dos pontos mais marcantes da minha própria vida. É por isso que quando penso que a falta de escrita o devia condenar à morte definitiva e assumida, ainda mais depressa elimino essa ideia. Sempre tem sido uma companhia a que regresso com gosto, mesmo que seja para só lhe dar...silêncio.

12/08/2010

Cara nova

E muito mais fácil de editar do que a anterior! Pode ser que assim até escreva mais e tudo :)

14/07/2010

E depois de me maravilhar com a comida de avião...

...descobri que a comida de autocarro é infinitamente pior. Ou talvez seja o facto de as viagens durarem muito mais e termos muito menos paciência e níveis de tolerância a roçar o zero.

Sinais dos tempos

Quando a maior parte das pessoas não fala contigo para te dar os parabéns, isso é...Facebook. Isso fez-me decidir que vou decididamente passar a fazer mais chamadas nos aniversários. Chega de tanta vida por escrito.

13/04/2010

Da água


Ou de como nos poucos meses em que morei longe da água, parecia sempre que faltava alguma coisa. Aqui perto, o rio anuncia muito mais mar já aqui ao lado. E é tão reconfortante vê-lo todos os dias.

29/03/2010

Cinco

Cinco anos, cinco, que fez o blog, e nem uma palavra desde há tanto, tanto tempo. Só não é imperdoável por já ser um hábito! Pois que desde o dia 15 de Janeiro muito se passou, mas fácil de resumir em poucas palavras: mudei de casa e de bairro, mudei-me para um escritório a sério, fui a Berlim e voltei a adorar, provei finalmente os gelados do Santini. O resto, esse está praticamente igual.

15/01/2010

Eu sou uma bola de Berlim!

Berlinense por enquanto, ainda não. Mas daqui a pouco tempo, finalmente, vou pôr lá os pézinhos! A primeira grande viagem do ano vai colmatar a grande falha que é não conhecer esta cidade. Mal posso esperar :D

06/01/2010

Descolei as flores vermelhas

E no dia em que as descolei, soube que aquela casa já não era a minha. Uma por uma, descolei-as, devagar, num adeus solitário. Olhei para a casa vazia, sem vida e sem mágoas, saí. O ano começa não muito longe dela, mas com a cabeça bem longe de lá.

01/12/2009

Adeus, nós voltamos já

Tenho uns grandes amigos que vão viver para outro continente durante um período de tempo supostamente limitado. Fico muito contente por eles, contente porque eles parecem contentes e triste por mim e por saber que vou sentir um pouco a falta deles. Mas as coisas são mesmo assim, nem sempre temos o que queremos e quanto mais depressa nos habituarmos, mais fácil é. Portanto, sei que lhes digo um até já um pouco mais demorado e conto os dias para os ir visitar, lá de um dos outros lados do mar. A grande vantagem é que já sei por experiência própria o quanto as amizades não se medem pelas distâncias; outra grande vantagem é que eles vão andar por muitos sítios que gostava tanto, mas tanto de visitar. Acho que afinal o destino me vai levar lá mais cedo do que pensava.

A capella II

E a menina? Dança :)

12/11/2009

Casa nova!

Toda uma nova saga de mudanças dentro de alguns dias. Vai ser a quarta casa para a qual me mudo em Lisboa em menos de três anos, portanto pode dizer-se que me estou a tornar uma verdadeira profissional do empacotamento e operação inversa. Perguntam-me se já não estava na hora de escolher uma casa para mais tempo: nem por isso. À quantidade de tralha que eu acumulo em pouco tempo, as mudanças são a verdadeira filtragem do que realmente interessa; ou do que de facto não interessa, mas vai andando comigo de um lado para o outro. Desejem-me sorte :)

05/11/2009

A capella

É em silêncio que te acompanho, sem música a disfarçar o desafinado. Tu não cantas, eu tento não desafinar demasiado. Mais cedo ou mais tarde, a música volta e podemos continuar só a dançar, sem mais palavras nem distâncias. Disse-te as palavras duras que precisavas de ouvir, disseste que era exactamente aquilo que precisavas de ouvir; e foi tão bom ouvir isso e sentir as minhas palavras úteis. Quando voltares, cá te espero e não te vou dizer nada, só deixar-me ir na dança.

I'm leaving today

Até ao fim do ano, mudo de casa, outra vez. As visitas a potenciais nossas-futuras-casas prometem. Ontem, uma cheirava a tabaco e mofo. Hoje, uma cheirava a mofo e a outra tinha alcatifa: a coisa, portanto, só pode melhorar. O objectivo agora é combinar alcatifa, mofo e intenso odor a tabaco num só apartamento. A cereja no topo do bolo? Tentarem disfarçar o cheiro com ambientadores de baunilha, dos quais gosto tanto como de bolhas nos pés. Ora como vou ver mais casas nos próximos dias do que nos últimos 4 anos juntos, espero ter novidades em breve. Que não envolvam o jackpot olfactal que referi há pouco; sim, o nariz de uma pessoa tem limites, OK?!

Start spreading the news...

Perdi os óculos nos Estados Unidos. Vejo pior em alguns momentos, mas vim muito mais feliz. A conclusão lógica é que a felicidade não deixa de o ser por estar assim, meia desfocada de vez em quando.

08/10/2009

Pés na terra, cabeça no ar



Ou de como a vida de todos os dias pode dar tantas voltas, mas nós podemos continuar coerentes no nosso caos diário.

01/09/2009

Tempo, tempo, tempo!

Já tenho mais e estou contente só por isso :)

09/08/2009

Isto nunca foi tão verdade

Ou pelo menos nunca o senti tanto na pele: tenho tantas, tantas saudades de ter tempo. E nunca faltou tão pouco, tão pouquinho para finalmente ter algum, ao fim de meses. Já falamos.